1º de Maio de 2013 – Guarani

Então depois de muita insistência de amigos, entro finalmente no mundo do Blog, aproveito esse 1º de maio para começar.

Resolvi começa-lo porque o mundo do FB é meio calhorda e perdemos os conteúdos dos posts, sem falar na censura, então abri esse blog aqui no culturadigital.br que é a plataforma pública de blogs que o MinC disponibiliza pra quem quiser.

Vou escrever e refletir sobre a diversidade cultural, tema que faz parte de minha vida desde quando comecei a militancia no Forum Permanente das Culturas Populares de São Paulo em 2002, mas antes já havia uma história no DNA de uma familia que teve a oportunidade de cruzar com personagens importantes como Hermilo Borba Filho e Ariano Suassuna com os quais meu pai o ator Rubens Teixeira teve a oportunidade de trabalhar na UFPE nos anos 1960. Naquela época as aulas de Folclore eram dadas nas feiras públicas, sentadas em caixotes de fruta, Hermilo apresentava os repentistas, as folias e pastoris, caboclinhos e maracatus, artesãos e ervateiras, enfim a cultura popular… tempos depois comecei na militância por políticas públicas para esse segmento e acabei no Ministério da Cultura.

Quando pesquisava o nome para batizar esse blog, recorri ao dicionário Tupi Guarani e de cara na letra “A” e apareceu Abaetetuba , que conhecia como cidade paraense, terra do miriti e seus brinquedos mágicos do Cirio de Nazaré, mas não sabia do seu significado – Lugar de gente boa = abá (homem) + eté (muito bom, verdadeiro) + tuba (abundância).

Pronto, assim esse primeiro post é dedicado aos Guarani, que é um dos 22 povos do tronco Tupi Guarani e que tem a língua falada por muitos povos sulamericanos, no Brasil mais de 40.000 e um país inteiro como Paraguai que tem 6 milhões de falantes. Mas sabemos pouco sobre esse universo, no MinC realizamos em  2010 o I Encontro Sul Americano dos Povos Guarani, na Tekoha Añetete, em Diamante D’Oeste no Paraná, mais de 1.000 guarani da Bolivia, Paraguai, Argentina e Brasil, contou a presença dos ministros da cultura do Brasil Juca Ferreira e do Paraguai Ticio Escobar. Em 2011 aconteceria o II Encontro no Paraguai, com a presença do presidente do Paraguai Fernando Lugo e do vice-presidente da Bolivia Alvaro Garcia Linera.

Aldeia Ñetete - Parana Brasil

Aldeia Añetete – Diamante D’Oeste Parana Brasil – Foto Américo Córdula

Desses dois encontros saíram documentos enviados aos países, o Documento Final Encontro Guarani Brasil que traz uma série de recomendações para as autoridades do MERCOSUL Cultural, fórum que reúne os 10 Ministros da Cultura dos países da América do Sul.

Os guarani depois da diáspora sulamericana causada pela invasão dos colonizadores, que determinou a dispersão pela América do Sul, hoje presume-se que existam mais de 400 mil individuos espalhados pelo continente, se voce quiser conhecer mais sobre os GUARANI DO BRASIL . Os problemas são semelhantes, com execessão da Bolívia que tem hoje em sua constituição o modelo de Estado PluriNacional e que permite a autonomia dos povos indígenas, os guarani são a terceira força no governo, estão concentrados na planície boliviana (Santa Cruz de la Sierra). O Paraguai tem problemas sérios relacionados com a demarcação de terras, falta de alimentos e de respeito por parte de políticas governamentais que respeitem a cultura guarani. No Brasil todos acompanham o sofrimento, principalmente no Mato Grosso do Sul, em Dourados onde a demarcação mantém 11.000 guarani em lotes que não permitem a esse povo manter sua cultura.

Nós não-indigenas não compreendemos os suicidios de jovens, a média é de 25 por ano, tentarei explicar de uma forma simplista, a complexidade e a simbologia é muito sofisticada e não conseguimos alcançar a dimensão cosmológica. Nós não respeitamos a dor pela perdas dos guarani, quando ocorre uma morte o lugar onde vivia esse ente passa a ser um lugar sagrado e a familia deve mudar para um outro local, como estão em um lote isso não ocorre. Nessa cultura os alimentos consumidos são frutos da caça, pesca e da roça, já não existem caça, nem rios e o espaço da roça no lote é diminuto, resta a cesta básica de alimentos industrializados e que não fazem parte da dieta guarani. A parte disso existem as igrejas neo-pentecostais, mais de 80, que prestam o deserviço de demonizar as praticas anecestrais em nome de Jesus.

Nessas andanças conheci o grupo de Hip Hop Bro MCs formados por jovens Guarani Kaiowá que fazem rap em guarani e contam com a mesma força dos suburbios dos grandes centros, o drama do seu povo.

BroMC

As iniciativas dos rapeiros guarani se juntam a outras como o Ponto de Cultura Teko Arandu na aldeia Te’ýikue, no município de Caarapó – MS, que tem uma pagina web http://www.tekoarandu.org/ bilingue, onde mantem uma rede com professores e alunos em guarani, utilizam a tecnologia para se comunicar e a tradição para manter a sua cultura, construiram uma Opi (Casa de Reza), onde os alunos tem aulas e práticas com os rezadores.

Atualmente estão numa grande mobilização pela demarcação das terras, como pode ser vista em suas mensagens no sitio.

Outras ações foram realizada pelo Pontão Guaicuru que fica em campo Grande, e realizaram o projeto Ava Marandu, que mobilizou alunos da rede publica de ensino, que tem muitas crianças indígenas  com oficinas de artes, redação, fotografia e vídeo  Essa ação permitiu que a sociedade tivesse uma maior consciência sobre a situação dos povos guarani e também possibilitou o convívio de crianças e jovens indígenas com não indígenas.

Ao final do projeto aconteceu um grande show Cultura e Direitos Humanos dos Povos Guarani com a presença de Milton Nascimento que foi batizado pelos guarani, os rapeiros do Bro MCs e a Nação Zumbi, na Praça do Radio Clube de Campo Grande.

Por fim quero destacar uma exposição que o Ticio Escobar postou no FB e que esta no Paraguai, mas bem poderia vir ao Brasil, segue o post.

CONFERENCIA SOBRE ARTE INDÍGENA

El martes 30 de Abril, a las 18:30 hs, Ticio Escobar dictará en el auditorio central del Centro Cultural de España, Herrera y Tacuary, una conferencia sobre los desafíos del arte indígena en el Paraguay. La disertación, ilustrada con la presentación de imágenes, forma parte del ciclo Tekoporã, los mundos posibles, que comprende un ciclo de conferencias, otro de audiovisuales y una exposición, habilitada actualmente en el Salazar bajo la curaduría del mismo Ticio Escobar. El acceso es libre.

Acerca del arte indígena

Si en las sociedades occidentales modernas el arte puede ser aislado de los distintos factores que actúan sobre su producción, en las culturas indígenas esta separación resulta mucho más difícil, si no imposible. La vasija destinada a la comida o al servicio del culto, la diadema de plumas que marca la categoría del chamán o guarnece la frente del cazador, la pintura que enciende el cuerpo para la danza, así como el diseño certero de tantos objetos que pueblan la cotidianeidad de las diversas comunidades no están orientados directamente a despertar la emoción estética sino a reforzar, con argumentos formales indiscutiblemente, los muchos cometidos que la colectividad les ha encomendado.
Ahora bien, este hecho no clausura la posibilidad de identificar en las culturas indígenas diferentes componentes artísticos que, aun confundidos con los demás contenidos culturales y mimetizado en el cuerpo social, se encuentran, indudablemente, presente.
Un fenómeno que testimonia la presencia de lo estético en las culturas populares se manifiesta en el remanente formal que sobrepasa el nivel de las meras funciones. La confección de la indumentaria ceremonial requiere los elementos visualmente más relevantes, así como la puesta en escena del ritual demanda recursos plásticos, coreográficos y musicales intensamente expresivos y la manufactura de los objetos cotidianos exige los diseños más seguros y la más sugerente ornamentación. Es decir, todas estas situaciones expresan un desarrollo mucho mayor de la forma que el requerido por las necesidades estrictamente rituales o instrumentales. Y este excedente indica la fuerza de una genuina fruición estética que lo reclama.

Acerca de la muestra

La exposición Tekoporã, que sirve de marco a la conferencia, subraya ciertas líneas que, de manera cruzada, sostienen e impulsan las culturas indígenas en el Paraguay, signan sus desafíos y levantan preguntas acerca de la situación de los pueblos diferentes. No intenta esbozar un cuadro completo de esta situación ni, mucho menos, levantar un panorama etnográfico, sino de detectar algunas de las figuras y cuestiones que, complementadas con seminarios y ciclos de cine, se suman a la promoción de la diversidad cultural (lingüística, religiosa), la participación ciudadana y la autonomía política de los pueblos diferentes; tareas que suponen, a su vez, el respeto del territorio y el medioambiente, así como condiciones de desarrollo digno de las diferentes etnias. Esta muestra asume, por eso, una toma de posición: la solidaridad de ciertos sectores de la sociedad nacional con los derechos étnicos y una apuesta al futuro de culturas vulnerables pero expectantes siempre de horizontes abiertos.

 

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6 respostas a 1º de Maio de 2013 – Guarani

  1. Senô Júnior disse:

    A saga dos guaranis é marcada por muita dor e sofrimento. A menos que o Governador do Estado de MS, André Puccinelli tenha mudado de idéia, os Guaranis continuarão na mesma situação deplorável em que sempre estiveram, inclusive quando o Zeca do PT foi governador do Estado.

  2. Jorge Edson Garcia disse:

    Bacana o blog e a sua homenagem aos Guaranis e aos indígenas do Brasil e das Américas. Assisti o Rubão no palco poucas vezes, e só descobri que era o seu pai em conversa com a Amelinha e o Raúl. O texto da Adriana sobre ele é emocioante. Abs.

  3. Dulcineia Miranda disse:

    Puxa que ideia bacana… acho bem melhor que o FACEBOOK. Blogs são ferramentas fenomenais. Gráficas e grafias, fotos, histórias, enfim, tudo junto e separado, como se diz.
    Certo tempo (23 anos atrás), trabalhei em Conceição do Araguaia na Comissão Pastoral da Terra. Conheci Pedro Casaldáliga, Pe Ricardo Resende e o CIMI, Centro Indigenista Missionário. Em terras indígenas, mais do que qualquer outra coisa, mesmo sem ter ido a campo, vivi e respirei esta cultura (por seis meses) e até hoje me inspira. Parabéns pelo espaço. Recomendo o blog abaixo o qual visito, vez ou outra.
    http://danbrandao.blogspot.com.br/2011/08/tbibos-indigenas-no-estado-do-para.html

  4. Foto de perfil de josemurilo josemurilo disse:

    Boa, Secretário!
    Bem vindo ao mundo dos blogs.

    O primeiro post já demonstra bom estilo de redação em hipertexto, e bom uso de imagens (até com legenda!). Vale estudar o potencial de uso da coluna à direita, que pode contemplar sugestões de links como o da ‘Conferência de Arte Indígena’.

    Espero que você logo perceba as vantagens de ser autônomo em seu espaço pessoal na web. Costumo dizer que um blog interessante é aquele que realizamos para nós mesmos, com anotações e links que documentam, no decorrer do tempo, a nossa percepção sobre os temas que consideramos pertinentes. Neste sentido, o seu blog me parece bem encaminhado.

    Deixo aqui a saudação entusiasmada de um blogueiro da velha guarda.
    Abração!

  5. Lara Córdula Teixeira disse:

    Parabéns irmão, outro meio de comunicação e informação, onde podemos saber mais genuinamente, sem manipulações. Linda e triste a exposição sobre os Guarani, estarei aqui acompanhando e quem sabe contribuindo , futuramente….
    Beijos

  6. Cássia Janeiro disse:

    Bela iniciativa, texto mais do que apropriado!

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