Padrões: de tecnologia, de cultura, de informação…
O eixo Memória Digital tem como objetivo realizar um apanhando qualificado das atividades e idéias sobre a produção digital, ou digitalizada, da memória documental brasileira. Por motivos metodológicos e históricos, uma proposta de delimitação do campo do eixo de memória digital, ampliará, para além da Ciência da Informação, os conceitos de memória e documento. Num post anterior, foi feita a pergunta: Na Cultura Digital, quem define o que é documento?. Nesse mesmo post, fica também a consideração de que não se trata de prescindir do campo científico que tem a atribuição formal de sistematização do conhecimento…O dilema, colocado na pergunta, diz exatamente o contrário.
A tradição histórica, e por extensão os estudos em Ciência da Informação, reconhecem as sociedades em dois tipos básicos: os povos com e sem escrita. Contudo, tal divisão não resiste á uma análise visual mais detalhada, da paisagem humana socialmente construída. O uso de sinais, símbolos e signos constitui desde tempos imemoriais, objetos de sentido, ou artefatos culturais, tais como uma escultura, um livro, ou linhas de código que ”compõe” um software.Os sistemas de escrita são geralmente obtidos por meio de formas gráficas, as letras. Contudo, há evidências de que outras formas de “memória externa simbólica” existiram previamente aos alfabetos.
Essas considerações são necessárias para delimitar, num contexto de digitalização dos artefatos culturais, o que são documento, memória, informação, ou seja, conceitos gerados e utilizados de uma perspectiva cultural determinada. Por mais universalizante que se proponha, a Ciência da Informação tem seus limites.
O sistema MINC é composto pelas seguintes instituições:
* IPHAN
* Funarte
* CTAV (Centro Técnico Audiovisual)
* Fundação Biblioteca Nacional
* Ancine
* Fundação Cultural Palmares
* Cinemateca Brasileira
* Fundação Casa de Rui Barbosa
* IBRAM
A variedade de ações, objetos, políticas, conteúdos, padrões, acervos, propósitos, públicos, legislações entre muitos outros aspectos que constituem e interligam esse sistema é imensa. Do mesmo tamanho, são as realidades da Comunicação, da Ciência e Tecnologia e da Educação, para ficar na esfera do Governo Federal. Soma-se a essas estruturas, outros elementos, como os econômicos, os jurídicos, e os legislativos. Esse quadro complexo, todo ele, pode ser unificado (e não necessariamente de forma centralizada) pela tecnologia Digital.
A unificação dos padrões de metadados, em constante aperfeiçoamento, têm como desafio se ajustar às realidades dos países que adotam tais normas e, ao mesmo tempo, permitir que outras bibliotecas no mundo possam ter acesso aos dados sistematizados numa dada realidade. Os protocolos de tecnologias, garantem que as máquinas que interpretarão os metadados, disponibilizem de forma compreensível, a informação buscada na rede e interligada pelos padrões e protocolos.
A realidade brasileira, tem a peculiaridade de congregar em sua história, povos tanto de tradição oral (povos indígenas e africanos) quanto de tradição escrita (os portugueses, alguns africanos, árabes, japoneses, e demais europeus) que são o patrimônio nacional promovido, e preservado pela estrutura governamental em conjunto com a sociedade.
O documento do Plano Nacional de Cultura, propõe (pág.44) como política pública:
Ampliar o uso dos meios digitais de expressão e acesso à cultura e ao conhecimento
“…Uma política de digitalização de acervos e indispensável para permitir uma circulação inédita de registros de nossa memória cultural, pictória, gráfica e textual.”
Os atores e instrumentos históricos e políticos que compõe essa memória estão, hoje em dia, inseridos num contexto digital. Como pensar, diante dessas realidades diferentes de produção de sentidos, logo, de memórias, propostas amplas, não excludentes de Acervos Digitais no Brasil?
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