Quem produz, preserva, distribui e acessa a Memória Digital?

A universalização do acesso a uma “memória Digital da Cultura Brasileira” é algo que não será feito de um dia para o outro. Quando se pensa em bibliotecas com esse perfil, o de reunir na forma de objetos digitais, a memória de uma Nação, os exemplos são a Biblioteca do Congresso, o Instituto Nacional do Audiovisual, ou mesmo, em termos audiovisuais, o Internet Archive, ou a BBC.  À excessão do Internet Archive, já concebido para este ambiente digital, todas as demais instituições têm acervos tanto digitais quanto analógicos.

Aqui no Brasil, há a instituição responsável pela guarda legal de cada publicação, a Biblioteca Nacional. Nem toda publicação impressa tem uma contrapartida digital.  As obras audiovisuaisrealizadas com financiamento público, da mesma forma, têm obrigação de depósito legal de cópia na Ancine .

Há uma defasagem entre a produção e a conservação dos bens culturais. Mas não somente estes, os trabalhos científicos, por exemplo, nem sempre são realizados apenas em artigos, e em número cada vez maior, incorporam elementos ditos “culturais” , como vídeos, canções, objetos artesanais.

Pensando nessa diversidade, há iniciativas, como a do Conselho Internacional de Museus que se preocupa com a “logística da informação museológica” através de medidas como um modelo de referência conceitual (CRM) que tem como proposta garantir que haja trocas de informações sobre diferentes bens culturais, ao memso tempo que se preserve as especificidades locais de cada cultura.

Para que isso ocorra, também é preciso que haja uma concordância satisfatória com os demais padrões, além dos bibliográficos, dos técnicos, dos científicos…e , de novo, a importância dos metadados.

Mas, como já foi visto no post anterior, há uma imensa quantidade de assuntos a serem organizados. Uma ou duas áreas não são suficientes. Há aspectos de toda ordem e consequências para diversas áreas e seus grupos sociais.

Quem são, quais são e onde estão, as pessoas que, cada uma em sua área, produzem, preservam e têm acesso aos bens culturais?

É toda uma cadeia de produção, documentação e distribuição que se engloba nessa pergunta. Implica, também, em condições de garantir a produção de bens culturais, os quais, quando financiados pelo poder público, por exemplo, se inserem no escopo da produção de uma memória pública digital.

Da mesma forma multifocada, tal escopo abrange os trabalhos científicos, os documentos públicos entre outros, como de origem não autoral, bem como as produções audiovisuais governamentais e de canais públicos, universitários e comunitários. Tal lista se expande, ainda, com as concessões de canal digital ainda não em operação, mas já definidas como pertencentes a setores que contemplam a escassez de acesso a produção de bens culturais audiovisuais de forma mais ampla e democrática.

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