Por uma delimitação do Eixo de memória Digital

Um dos objetivos deste blog, é apresentar sugestões sobre as discussões do eixo Memória Digital. Ao longo desse processo que vem sendo estabelecido pela coordenação do fórum, foi solicitado aos curadores de cada eixo, que propusessem uma linha de discussão, a delimitação de seus campos.

Embora ainda ocorra mais discussões externas ao Blog, espaço aqui disponibilizado por esta iniciativa do MINC e RNP, como meta do cronograma de elaboração das propostas do eixos, são apresentadas abaixo, a linhas centrais de discussão do eixo de memória digital.  Trata-se de uma proposta aberta, que já incorpora o resultado de sugestões e discussões exteriores ao blog, provindas da coleta de informações de setores e atores envolvidos nesse campo.

Como está afirmado na primeira pagina do Fórum:

Um novo jeito de fazer Política Pública

Bem-vindo à rede social da Cultura Digital Brasileira, espaço público e aberto voltado para a formulação e a construção democrática de uma política pública de cultura digital, integrando cidadãos e insituições governamentais, estatais, da sociedade civil e do mercado.

Este espaço (o Fórum, o qual hospeda esse blog) tem como proposta a possibilidade de colocar, propor, criticar e comentar os conteúdos aqui postados. Tais discussões, somadas a outras, servirão de base para elaborar uma proposta de delimitação de ações do que pode ser feito em termos de digitalização do patrimônio cultural brasileiro.
A continuidade, distribuição e preservação do fluxo histórico cultural do Brasil passa pelo acesso de sua população ao seu patrimônio material e imaterial digitalizado.

Entende-se que a compreensão atual desse fluxo, esteja orientada e distribuída por suportes tais como filmes ou livros. No entanto, percebe-se que novos dispositivos multimídia começam a promover, em seus usuários, a necessidade de adaptação desses conteúdos culturais para serem utilizados e distribuídos digitalmente.

Os objetos e ações culturais não digitais, aqueles que não são criados a partir de código de máquina, passam por um processo de duplicação de suas propriedades, que são transportadas para o digital, ou digitalizadas, por meio de processos distintos. Desta forma, a Memória Digital, seja aquela produzida em meios digitais, ou aquela digitalizada, deve possibilitar a comunicação entre distintos suportes, como possibilidades de convergência de seus conteúdos.

1- Escopo

Propõe-se que a memória digital seja pensada não como campo ou conjunto, mas como fluxos, coletivos, processos. Desta forma, busca-se evidenciar que, tanto o passado quanto o presente, bem como o futuro, podem ser combinados física e conceitualmente por meio de artifícios digitais.

1.1 Objetos digitais
1.2 Processo de digitalização
1.3 Divulgação e circulação

2 -Técnicas e Métodos

As técnicas e tecnologias adotadas pelos diferentes suportes, formatos e padrões atuais, devem ser pensados em dois planos: o atual e o escalar.

O primeiro, atual, diz respeito aos procedimentos historicamente adotados pelos diferentes produtores de comunicação e cultura digital. O segundo, escalar, trata da produção digital futura, bem como das digitalizações atuais: os objetos digitalmente criados e os objetos que serão digitalizados.

2.1 Produção e Armazenamento digital atuais

2.1.1. Hardware
2.1.2. Middleware
2.1.3. Software
2.1.4. Padrões e metadados
2.1.5. Legislações
2.1.6. Acervos digitais

2.1.6.1. Multimídia
2.1.6.2. Bases de dados

2.2   Tipos de Digitalização

2.2.1. Arquivos Planos

2.2.1.1. Imagem
2.2.1.2. Texto

2.2.2.  Acervos Audiovisuais

2.2.2.1. Áudio
2.2.2.2. Vídeo
2.2.2.3. Película

2.2.3.  Objetos tridimensionais

2.2.3.1. Modelagem
2.2.3.2. Protótipo

2.3  Constituição escalar de acervos digitais

2.3.1. Convergência

2.3.1.1. Padrões de produção digital
2.3.1.2. Padrões de digitalização
2.3.1.3. Interoperabilidade de protocolos
2.3.1.4. Padrões de metadados
2.3.1.5. Agregamento colaborativo
2.3.1.6. Direito autoral
2.3.1.7. Acesso e distribuição

2.3.2. Interfaces

2.3.2.1. Acessibilidade
2.3.2.2. Visualização
2.3.2.3. Sonificação

3. Pesquisa e Desenvolvimento

3.1 Mapeamento dos sistemas de armazenamento e gestão digital

3.2 Identificação e quantificação do patrimônio digitalizado

3.3 Desenvolvimento

3.3.1. Hardware
3.3.2. Middleware
3.3.3. Software

São propostas abertas, mais uma vez, comente, modifique, contribua.

  1. O item 1 refere-se a memória digital como “fluxos” e “processos”. Sugiro o acréscimo de um item 1.3 chamado “divulgação/circulação de acervo digital”.

  2. Reitero a necessidade de se pensar um “CineGrid” ou “CinematecaGrid” para circulação digital de acervo audiovisual. As universidades federais poderiam compor a rede juntamente com as cinematecas ou arquivos. Material digitalizado e em domínio público deve ser disponibilizado para circulação pública de imediato (ou seja, tão logo as questões infra-estruturais estejam sanadas). Quanto ao material sujeito a copyright, uma política nova e adequada deve ser pensada – creio que está sendo.

  3. Oi alfredo, sugestão do item 1.3 anotada. Quanto ao outro comentário , sobre o grid de cinemas, penso que poderíamos dar uma forma de sugerir como realizar essa possibilidade. Por exemplo, a Rede Nacional de Pesquisa, com a transmissão em alta velocidade das redes que estão sendo implantadas nas instituições do Ministério da cultura, sao um primeiro passo para uma expansão que pense não apenas universidades federais, mas, além disso, as instituições federais de ensino técnico, as antigas CEFETS.
    Em etapas posteriores, caberia incluir outras, à medida que as redes fossem sendo ampliadas….

  4. Sugiro como desdobramento do item ”1.3 Divulgação e circulação”, o seguinte texto (com adaptações):

    ”implantação de uma rede de compartilhamento e/ou circulação dos arquivos audiovisuais preservados, suportada pela RNP e envolvendo cinematecas/arquivos audiovisuais, universidades públicas federais, estaduais e pontos de cultura, por meio das quais qualquer cidadão brasileiro possa ter acesso gratuito a conteúdo audiovisual digitalizado (filmes, vídeos, programas de TV e afins), de forma integral e irrestrita e em alta definição (1280×720 pixels: 720p ou 1920×1080 pixels: 1080i/1080p), sem fins comerciais ou lucrativos e em conformidade à legislação sobre direitos autorais. Nessa perspectiva, conteúdo em domínio público é disponibilizado em rede de forma imediata, para download ou visionamento em plataformas/interfaces específicas, à medida em que sua digitalização for sendo completada. Tal rede de fluxos é fundamental para a efetiva preservação da memória audiovisual brasileira, atendendo a demandas sociais amplas e/ou específicas, dentre elas a difusão democrática do patrimônio cultural brasileiro, o ensino e a pesquisa de audiovisual. Modelos para o planejamento dessa rede podem ser buscados em iniciativas internacionais como o CineGrid (http://www.cinegrid.org/) ou iniciativas de âmbito local/regional desencadeadas pela sociedade civil brasileira, como o Ponto Cine (http://pontocine.blogspot.com/).”

  5. Ao que tudo indica a Cinemateca Brasileira, associada a outros centros e ao MinC, tem no horizonte de seu projeto de digitalização a disponibilização pública do conteúdo. Mas a forma dessa disponibilização deve ser discutida. Conteúdo parcial e/ou em baixa definição é praticamente ineficaz. A idéia é tentarmos estabelecer uma rede 100% democrática e eficiente, inspirada em modelos internacionais (EUA, Reino Unido), mas aperfeiçoada em relação ao contexto brasileiro. Tal rede teria um impacto positivo inestimável no âmbito do ensino e da pesquisa em audiovisual. Mas ”integral”, ”HD” e ”livre” (no sentido de aberta ao público) são palavras-chave. Conteúdo em domínio público poderia ser disponibilizado imediatamente.

  6. OK, Rogério, boa idéia a das CEFETs. Na realidade, minha sugestão visa expandir os nós dessa rede para todas as instituições de ensino e pesquisa brasileiras. Instituições particulares, no entanto, poderiam pagar pelo uso do sistema (não sei bem, são só idéias).

  1. novembro 5th, 2009
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