Banco de dados, num cinema perto de você.
Geert Lovink, um artista holandês, disse a seguinte frase:
“Nós não assistimos mais filmes ou tv, nós assistimos bancos de dados.”
A frase, presente na publicação “The Video Vortex Reader”, foi dirigida ao fenômeno do Youtube, e a discussão sobre a torrente de videoclipes que lá existe. Refletindo bem, as “séries de TV”, os desenhos, os filmes novelas, jornais “analógicos” seguem quase a mesma lógica…Geert diz que, atualmente, não há mais, tanto por parte dos produtores, quanto da audiência, uma compreensão de que o audiovisual serve, também, para pensar. De modo que, não raro, assistimos à uma série muito mais por inércia do que por interesse. Dizemos: “o capitulo de hoje não foi tão interessante”, e voltamos , no dia seguinte, para ver de novo a mesma coisa, com esperanças de que, desta vez, seja melhor…
Existe uma interessantíssima discussão sobre o que se convencionou chamar de “database narrative“. Sem entrar nas considerações teóricas desse debate que está em curso, cabe dizer que hoje em dia, assim como o “árido” assunto do qual trata esse blog (sim, sem auto complacência) tal questionamento ainda fará “cair a ficha” dos produtores e consumidores de cultura. Profético, mas realista. Não há como ignorar que a quantidade de mídias e seus conteúdos aumentam vertiginosamente. O que hoje vemos como algo positivo, o número de horas das quais dispomos, se tornará em breve, um desafio. Quem nunca se pegou rejeitando, evitando ficar em frente a televisão por não aguentar assistir tanta coisa que não queria ver?
Não há mais uma expectativa por parte de quem assiste filmes atuais, de que haja uma proposta única. Então essa introdução foi para lançar uma outra pergunta: Onde estão nossos bancos de imagens, vídeos e filmes? quais são as narrativas possíveis?
NO Brasil, a quem pertence os bancos de dados audiovisuais públicos? O púbico têm acesso a eles? Estas questões surgiriam aqui, onde mal sabemos o que há nos acervos? Porque não sabemos? Alguém quer saber? Chega de perguntas, alguém deve estar me dizendo…
Essa pergunta, não muito de teórica, diz mais sobre a constatação de que a pujança cultural brasileira, carece de estruturas que permitam que se reconstituam novas memórias. Qual a relação dessas possibilidades com os acervos, memórias, histórias, identidades e culturas digitais?
Quando se discute essas questões, onde estamos, ou melhor, onde estão nossos acervos audiovisuais? O silêncio permanece.
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