O patrimônio cultural dos bancos de dados.

Não há obra de arte, livro ou filme, que não possam serem incluídos numa coleção. Listar as coisas. A construção de um banco de dados, tem como primeiro passo, uma lista, ou coluna, de elementos. Depois, são adicionadas outras, que dirão as qualidades, atributos, estados e características do que se lista. Por exemplo, uma lista de livros sobre Análise do Discurso, teria que conter, além da primeira coluna, com digamos, o título, outras como autores, ano, e assim por diante. De início, percebe-se que a seleção do que vem depois do nome, não só é arbitrária, como também, digamos, discutível.

O ato de nomear e guardar, a prática da documentação, daqui para frente, neste contexto de uma cultura digital, não pode mais ser visto como algo para especialistas. Eles próprios, ao iniciarem esse movimento, anos atrás, pela compreensão social das informações, tratam de reconhecer que profissões que lidam com a informação, isto é, lidam com a produção cultural, são hoje em dia possíveis a parcelas cada vez maiores da população. A medida que vão sendo gerados mais e mais conteúdos digitais, maior o acesso e maior o acervo desses conteúdos.

Muitos desses acervos, para a memória do futuro, serão decisivos, embora ainda não sejam compreendidos como tal, Serão os bancos compostos por dados. Números, nomes, cores, meta tags.  Sua importância política é, desde já inestimável, visto que ao sistematizar dados sobre por exemplo, as concessões de comunicação social no Brasil, obtém-se um conjunto que permite que a população tome decisões embasadas no acúmulo de suas escolhas passadas.

Diferentes dos bancos de dados utilizados para coleções de objetos, uma coleção como o número de filmes vistos nos últimos vinte anos, vem se tornando tão importante quanto saber quais e onde estão os filmes produzidos nesse mesmo período.

Hoje, os cidadãos estadunidenses podem ter acesso à todas as agências governamentais, por ordem de decreto presidencial, em páginas na internet. Toda agência deve ter um website que contenha a sequência www.nome.gov/data. Isto é, um endereço padronizado de localização. Há também, oito princípios para que estes dados sejam plenamente acessíveis:

Os itens são propostos pelo projeto Open Government Data Principles. Toda informação governamental pública será considerada aberta se estiver nas seguintes condições:

1. Completa
Todos os dados devem ser disponibilizados de forma integral. A informação não está sujeita a restrições de privacidade, segurança ou limitações outras.
2. Primaria
Informações coletadas na fonte. Com o grau mias alto de granularidade, sem estar em formas agregadas ou modificadas.
3. Recente
A informação pública deve ser disponibilizada o mais rápido o possível para preservar seu valor de uso.
4. Acessível
A informação pública deve estar disponível para o maior número de pessoas e usos possíveis.
5. Processável por máquinas
A informação pública deve estar razoalvelmente estruturada para permitir a leitura por máquina.
6. Não-discriminatória
A informação pública deve ser acessível para qualquer pessoa, sem necessidade de registro prévio.
7. Não-proprietária
A informação pública é disponível num formato não controlado de forma proprietária.
8. Licença livre
A informação pública não deve estar submetida a qualquer direito autoral, copyright, patente, marca registrada ou secreta. Privacidade e restrições de segurnça em termos razoáveis serão permitidas.

Aqui no Brasil estamos indo na mesma direção, por caminhos diferentes.  O fato de que há iniciativas como a do LexML, ou  do Transparência Hack Day, mostram que a sociedade está amadurecendo suas formas de participação.  Assim, isto poderia ocorrer com todos os demais bens culturais públicos produzidos. Da mesma forma, outros tipos de informação estatística têm chamado a atenção pelo seu cada vez mais evidente valor. Pense nos números dos orçamentos dos ministérios, tribunais, câmaras e assembléias de todo o Brasil, neste período de vinte anos.

O valor dos dados tem garantido a prospecção de fatos históricos, como num mergulho aos arquivos sobre diversos assuntos: reforma agrária, direitos humanos, política partidária, movimentos sociais, educação, saúde…afora os arquivos mais óbvios culturalmente: os acervos das companhias de cimena, das rádios, televisões, bibliotecas particulares…

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  1. março 4th, 2014
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  2. março 25th, 2014
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  5. janeiro 28th, 2015
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  7. maio 6th, 2017
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