As Instituições e a definição do campo de Acervos Digitais Públicos
Uma das palestras do Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais , de fato, a de encerramento, talvez tenha passado desapercebida da maioria de participantes. Durante três dias, foi possível ver, ouvir e discutir as apresentações que compuseram a programação do evento. Como palavra final que foi, a apresentação do CONARQ, deu o sinal que este Fórum refletiu, discutiu e propôs ao longo de sua existência: as bases de um tão esperado Plano Nacional de Digitalização de Acervos.
Este blog, a blogosfera aqui no cd.br, e na rede em geral, têm em comum, o reconhecimento que o país precisa de um padrão de acervos digitais. Sejam eles públicos ou privados, individuais ou coletivos, a necessidade de definir uma padronização base, ocorre em todos esses níveis de organização. Desde a concepção até a disponibilização, um diálogo entre todos os elementos dessa cadeia é fundamental.
A discussão não pode ser apenas vertical, indo do acesso ao acervo. Pode ser também horizontal, isto é, possibilitar que os acervos e usuários troquem entre si.Os metadados, e a recuperação desses conteúdos podem ser intercambiáveis, algo mais ousado e ao mesmo tempo equilibrado, em todos os níveis.
Por cima dessas possibilidades, a troca entre acervos permite que a educação, a cultura e a ciência, ultrapassem essa divisão do passado que dificilmente será a do futuro. Não há motivo para que alunos de escolas não possam receber, ao procurarem algo, o maior número de informações coerentes sobre o que pesquisam. A tecnologia pode expandir e dar os filtros para selecionar.
Essa mesma preocupação ocorre em muitos níveis, lugares, porções dessa dinâmica cultural. Assim, há projetos mundiais de integração de acervos, latino-americanos, nacionais e locais da mesma natureza.
Esse dispositivo, a tecnologia, não difere os níveis e lugares, podendo, assim, estar em todos ao mesmo tempo. O digital tem essa recursividade. Essa possibilidade, não excludente, matricial, e principalmente caótica, traz possibilidades impensadas. Mas para tanto, é preciso que sua estrutura seja forte não como instituição, mas como sentido. O que dá relevância às instituições é a sua representatividade.
O macro e o micro são semelhantes. Em ambos há hierarquias, em ambos há anarquias, a maioria de ambos é de autarquias… E mais que haver contradição, há uma dinâmica, tal que de tanto serem espontâneos, os grupos humanos acabam por ritualizar o que fazem, criando assim sua tradição. As instituições, publicas e privadas, por suas vez, são movidas por pessoas que quase sempre de forma heterodoxa e discreta, fazem funcionar na medida do possível, um maquinário precário.
Rogério, que bom ler este relato. É fundamental acompanhar os desdobramentos oficiais e pensar sobre as possibilidades em jogo. Concordo plenamente quanto à necessidade de dar sentido a partir de estruturações viáveis, afastando-se meramente da esfera do controle institucional. Agora eu não consegui acessar os víedos, vc tem o link ou sabe se ficarão disponíveis?
Valeu pelo post!
Abs.
Camila
o conteúdo do Simpósio está em:
http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais/
flw
Bravo, Rogério!
A instituição não deve ser controladora e sim gestora de uma demanda. Isto implica que não basta apenas abrir as portas para que todos contribuam para a construção de um acervo, é preciso que a instituição seja responsabilizada pela integridade, qualidade e legitimidade do conteúdo gerado e apresentado na rede. A Wikpédia, por exemplo, abriu as portas para que todos possam contribuir com o seu conteúdo, porém não zela pela sua legitimidade, tornando-se inconfessável e prejudicial à sociedade. No meu entender, uma rede virtual colaborativa, por mais aberta que seja, precisa ser responsabilizada pelo conteúdo gerado e disponibilizado em suas páginas. Mas como fazer isso? Simples: responsabilizando a instituição pelo conteúdo disponível na rede! Isto não significa que ela irá controlar a informação e sim moderar as contribuições publicando-as apenas depois de assegurada a sua legitimidade.
Abraços
Seu Ribeiro
http://mpb.com/seuribeiro
Só para exemplificar o que acabo de escrever, o meu comentário está sendo exibido nesta página sem nenhum tipo de moderação; é este tipo de comportamento que torna a rede sem credibilidade e insegura para os usuários.
Oi Seu Ribeiro.
Seu comentário, e todos os demais aqui nesse blog têm moderação. Concordo com os aspectos de seguridade, mas por questões que se aplicam ao uso e escopo desse blog, preferi eu mesmo correr ( e assumir) o risco de não condicionar os posts a uma aprovação posterior. Caso as condições de administração se modifiquem, nada em contrário quanto a uma moderação.
adiante.