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Não há obra de arte, livro ou filme, que não possam serem incluídos numa coleção. Listar as coisas. A construção de um banco de dados, tem como primeiro passo, uma lista, ou coluna, de elementos. Depois, são adicionadas outras, que dirão as qualidades, atributos, estados e características do que se lista. Por exemplo, uma lista de livros sobre Análise do Discurso, teria que conter, além da primeira coluna, com digamos, o título, outras como autores, ano, e assim por diante. De início, percebe-se que a seleção do que vem depois do nome, não só é arbitrária, como também, digamos, discutível.
O ato de nomear e guardar, a prática da documentação, daqui para frente, neste contexto de uma cultura digital, não pode mais ser visto como algo para especialistas. Eles próprios, ao iniciarem esse movimento, anos atrás, pela compreensão social das informações, tratam de reconhecer que profissões que lidam com a informação, isto é, lidam com a produção cultural, são hoje em dia possíveis a parcelas cada vez maiores da população. A medida que vão sendo gerados mais e mais conteúdos digitais, maior o acesso e maior o acervo desses conteúdos.
Muitos desses acervos, para a memória do futuro, serão decisivos, embora ainda não sejam compreendidos como tal, Serão os bancos compostos por dados. Números, nomes, cores, meta tags. Sua importância política é, desde já inestimável, visto que ao sistematizar dados sobre por exemplo, as concessões de comunicação social no Brasil, obtém-se um conjunto que permite que a população tome decisões embasadas no acúmulo de suas escolhas passadas.
Diferentes dos bancos de dados utilizados para coleções de objetos, uma coleção como o número de filmes vistos nos últimos vinte anos, vem se tornando tão importante quanto saber quais e onde estão os filmes produzidos nesse mesmo período.
Hoje, os cidadãos estadunidenses podem ter acesso à todas as agências governamentais, por ordem de decreto presidencial, em páginas na internet. Toda agência deve ter um website que contenha a sequência www.nome.gov/data. Isto é, um endereço padronizado de localização. Há também, oito princípios para que estes dados sejam plenamente acessíveis:
Os itens são propostos pelo projeto Open Government Data Principles. Toda informação governamental pública será considerada aberta se estiver nas seguintes condições:
Aqui no Brasil estamos indo na mesma direção, por caminhos diferentes. O fato de que há iniciativas como a do LexML, ou do Transparência Hack Day, mostram que a sociedade está amadurecendo suas formas de participação. Assim, isto poderia ocorrer com todos os demais bens culturais públicos produzidos. Da mesma forma, outros tipos de informação estatística têm chamado a atenção pelo seu cada vez mais evidente valor. Pense nos números dos orçamentos dos ministérios, tribunais, câmaras e assembléias de todo o Brasil, neste período de vinte anos.
O valor dos dados tem garantido a prospecção de fatos históricos, como num mergulho aos arquivos sobre diversos assuntos: reforma agrária, direitos humanos, política partidária, movimentos sociais, educação, saúde…afora os arquivos mais óbvios culturalmente: os acervos das companhias de cimena, das rádios, televisões, bibliotecas particulares…
Uma digressão, para dizer que a importância dos acervos públicos, qualificados por informações sobre a história desses povos é fundamental.
Olhe para você, no espelho. O que você vê, é resultado de um encontro do passado. Não seu com o espelho, mas de seus pais, os doadores genéticos, sociais e emocionais do que se amálgama na forma que você tem. Isso, em termos antropológicos, é conhecido como etnia. O conjunto de traços físicos e sociais, que fazem com que cada povo tenha diferentes formas de viver o ambiente que habita.
Em termos culturais, ou seja, no sentido que é dado a essas práticas e crenças, existe uma palavra que define a etnia, de maneira a indicar um pertencimento ao grupo: a identidade. O ethnos, palavra grega para povo, o pertencimento cultural, muda de acordo com a prática. Assim, uma coisa é dizer que uma pessoas tem essa, ou aquela identidade. Outra, é a própria pessoa dizer qual é sua identidade. Há ainda, uma outra possibilidade, que é a de simplesmente viver, sem nunca questionar o que é identidade…
Das três, a autonomia, (o dar nome a sí mesmo) é a que permite a libertação, por um lado, e a construção, por outro, de um grupo cultural. Desnecessário dizer que isso gera memória. Mais importante lembrar que essa memória não é a biológica, é a histórica, feita na política cultural que a sociedade elege para preservar e estimular produtivamente.
O valor que se dá ao pertencimento a um grupo específico, é a base psicológica que justifica o que as pessoas (a sociedade) fazem para serem parte desse grupo. Por exemplo no Brasil, não há muito estímulo para fazer parte de grupos de matemática ou física, pessoas que tenham uma ancestralidade não-européia. Por outro lado, pessoas com ascendência européia, são desencorajadas a tomarem contato com aspectos como inteligência corporal, espiritualidade não-antropomórfica (preconceituosamente subjulgada, ou indexada como “animismo”) porque se consideram, ou valoram como exógenas á sua “real” cultura.
Assim, lugares como museus, bibliotecas, centros culturais, teatros, cinemas, casas de espetáculos musicais, clubes, associações, escolas…e outros espaços sem uma denominação específica, são centros de produção cultural. Nestes, acontecem práticas que têm por objetivo, apreender um determinado conhecimento. Dá-se a esses processos, ou práticas, o nome de aquisição da informação. Aprendizagem, fruição cultural, e trabalho, ainda que vistos com distantes em suas perspectivas, em termos culturais, são faces desses processos de produção de uma visão de mundo.
A distância que separa essas denominações, é artificial, pois que toda atividade, toda prática, carrega uma técnica e, esta, tem sempre um ponto de vista. Entender isso ajuda a desmistificar coisas como tecnologia, e mais ainda, elementos culturais como a etnia. Assim, um pescador que tenha que sair somente num determinado dia, mas antes, ao entrar no barco tenha que cantar uma determinada canção e, quando chegar o peixe, agradecer com uma dança apropriada, não necessariamente é um artista.
Conceitos como informação, sentido, política, tecnologia, governo, separados pelas palavras, nesta cultura digital, como ocorre também nas culturas ancestrais, não podem mais ser pensados como independentes, desligados. Lamentavelmente, os resquícios dos séculos de escravidão, ódio e desigualdade, deixaram marcas psíquicas e físicas em muitas culturas, para não dizer em todas.
Geert Lovink, um artista holandês, disse a seguinte frase:
“Nós não assistimos mais filmes ou tv, nós assistimos bancos de dados.”
A frase, presente na publicação “The Video Vortex Reader”, foi dirigida ao fenômeno do Youtube, e a discussão sobre a torrente de videoclipes que lá existe. Refletindo bem, as “séries de TV”, os desenhos, os filmes novelas, jornais “analógicos” seguem quase a mesma lógica…Geert diz que, atualmente, não há mais, tanto por parte dos produtores, quanto da audiência, uma compreensão de que o audiovisual serve, também, para pensar. De modo que, não raro, assistimos à uma série muito mais por inércia do que por interesse. Dizemos: “o capitulo de hoje não foi tão interessante”, e voltamos , no dia seguinte, para ver de novo a mesma coisa, com esperanças de que, desta vez, seja melhor…
Existe uma interessantíssima discussão sobre o que se convencionou chamar de “database narrative“. Sem entrar nas considerações teóricas desse debate que está em curso, cabe dizer que hoje em dia, assim como o “árido” assunto do qual trata esse blog (sim, sem auto complacência) tal questionamento ainda fará “cair a ficha” dos produtores e consumidores de cultura. Profético, mas realista. Não há como ignorar que a quantidade de mídias e seus conteúdos aumentam vertiginosamente. O que hoje vemos como algo positivo, o número de horas das quais dispomos, se tornará em breve, um desafio. Quem nunca se pegou rejeitando, evitando ficar em frente a televisão por não aguentar assistir tanta coisa que não queria ver?
Não há mais uma expectativa por parte de quem assiste filmes atuais, de que haja uma proposta única. Então essa introdução foi para lançar uma outra pergunta: Onde estão nossos bancos de imagens, vídeos e filmes? quais são as narrativas possíveis?
NO Brasil, a quem pertence os bancos de dados audiovisuais públicos? O púbico têm acesso a eles? Estas questões surgiriam aqui, onde mal sabemos o que há nos acervos? Porque não sabemos? Alguém quer saber? Chega de perguntas, alguém deve estar me dizendo…
Essa pergunta, não muito de teórica, diz mais sobre a constatação de que a pujança cultural brasileira, carece de estruturas que permitam que se reconstituam novas memórias. Qual a relação dessas possibilidades com os acervos, memórias, histórias, identidades e culturas digitais?
Quando se discute essas questões, onde estamos, ou melhor, onde estão nossos acervos audiovisuais? O silêncio permanece.
O Fórum da Cultura Digital Brasileira, em sua versão “presencial” ocorreu durante os dias 18 a 21 de novembro. Foi um encontro onde pude ver pessoas com quem nos últimos meses tive apenas “contatos digitais” e que, ao vivo, são infinitamente mais interessantes. Elogios à parte, e fazendo um pausa ( pensei em dar uma de repórter e falar sobre o Fórum, mas mudei de idéia porque, de qualquer forma, houve uma cobertura bem legal do evento) aproveitei para olhar o que se passava naquele espaço onde havia gente de todo canto, mas todos com o mesmo objetivo: discutir e expor idéias e ideais sobre o uso social de tecnologias de comunicação e informação.
Essa pausa no blog teve como motivo principal uma avaliação. Feita a reflexão, é hora de voltar e retomar, direto do passado, ou seja, direto da constatação da situação atual dos acervos, para o futuro: o que fazer com esse patrimônio cultural?
Para quem não foi ao Fórum, para quem foi e não entendeu e, para quem foi, entendeu e gostou, fica aqui este espaço virtual aberto para interferir, perguntar e participar no processo que segue… O encontro acabou, mas o Fórum não.
Aliás, as discussões apenas começaram, já que os textos dos eixos temáticos para discussão, disponibilizados para o público servirão agora de baliza para novas participações. Nunca achei que o tema do eixo de memória fosse um sucesso de IBOPE, mas, pelo que pude constatar das discussões, houve uma percepção sensível do público, confrontado com a pergunta: produzir, distribuir e depois? Ninguém soube responder o que fazer com a produção, que clamavam para ser aumentada e receber linhas de financiamento. A pergunta continua.
De tudo que foi discutido, havia sempre a percepção de que estamos apenas no começo. Tudo muito novo: banda larga, direito autoral, apropriação coletiva de mídias, novos modelos de economia…

Algo que me chamou a atenção durante o evento, foi o número de pessoas interessadas no assunto digitalização. Afora o tema ser confundido com outro, de igual importância, qual seja, a digitalização como fenômeno, quase todos o discutiram, em maior ou menor grau. O mundo passa por isso, afinal até cinco anos atrás, o digital ainda era futuro. Não apenas a televisão ou o cinema, mas, de fato, os fluxos de informação se “digitalizam”. Quando alguém fala em “online” está falando de algo que corre por servidores, “hubs”, “switchs” e todos esses equipamentos com “luzinhas” (leds) que piscam para alegria de muitos. Haja eletricidade.
Daqui para frente, as discussões da plenária sobre Acervo, Memória, História, Identidade e Cultura Digital, ocorrerão com base no que foi discutido no texto de memória digital.
O fato de que todos nós, os que usamos computadores em redes digitais, estamos aprendendo a lidar com os instrumentos que a história atual permite, colocou diante das sociedades uma avenida longa, ampla e não-congestionada na frente de muitas pessoas acostumadas aos espaços fechados… Isso quer dizer que, os melhores “veículos”, aqueles que vão mais longe, e mais rápido no trajeto dessa avenida, levando conteúdos (eu poderia fazer um distinção entre informação e entretenimento, mas ela será esquecida…assim como, um dia, o científico e cultural também…) ocupam o espaço. Quem tem a palavra, tem a ação.
O conjunto de conteúdos dessa “infovia” não tem apenas o que é feito hoje. Assim como é possível ver um filme dos anos 40 na televisão, ou ouvir uma obra musical dos anos 20 na radio atual, na infovia, posso musicar as imagens do século passado, misturá-las com as imagens da televisão e inserir tudo isso, minhas próprias imagens, sons e textos…
O cenário atual de produção digital de conteúdos é algo diferente do modo adotado pelo ensino, pelo trabalho e pela ciência tradicionais. Descentralizado, em rede, colaborativo, agregado, efêmero, e dinâmico. Está foi a definição de William Uricchio, num livro de análises sobre um documento publicado em 2003 pela UNESCO, a Carta Para a Preservação da Herança Digital. Nesse documento, foi feita uma pergunta sobre o patrimônio digital mundial já constituído, bem como aquele a ser digitalizado. Essa pergunta, agora em 2007 já feita por interesses comerciais sob o nome de “The Digital Dilemma” , uma referência à situação da indústria de Hollywood que, ao ganhar distribuição e potencial tecnológico criativos quase sem limites, quis garantir que tudo isso fosse devidamente assegurado por direitos autorais. Mas além disso, há também a percepção, ainda que específica e tardia, em relação ao fato de que preservar esse patrimônio efêmero é decisivo para a história cultural, do mundo, no caso da UNESCO, e dos Estado Unidos da América, no caso da Academia Nacional de Cinema.
O assunto de tornar digital, a digitalização das coisas: informação, economias, legislações…A respeito desse monte de conceitos, um documento muito legal de orientação técnica sobre o assunto pode ser encontrado na proposta do Clube de Engenharia. Tão importante quanto os engenheiros estarem atentos à digitalização das tecnologias, somado ao que a UNESCO e Hollywood já disseram, é preservar a memória digital: a identidade do passado, a do presente, e as que virão. Assim, achei muito importante que o Caderno de Resultados da I Conferência Livre de Comunicação para a Cultura, resultado de discussões que irão para a CONFECOM contivesse propostas como essa:

Isso significa que será possível um dia, conectar escolas, universidades, bibliotecas, museus e outras instituições numa Rede de Conteúdos Livres, de acesso à cultura, do Brasil e mundial. Embora hoje a internet seja uma primeira etapa, na qual já podemos ir até lugares diversos, uma parte imensa do acervo cultural brasileiro ainda pode ser incluída. Preservar é mais que guardar. É saber. Nesse momento em que se prepara a discussão sobre o falso dilema entre ideologia e prática, entre tecnologia e tradição, estar ciente de que a resolução dessas questões passa pela memória é fundamental.
Eu compreendo que este blog tem uma missão hercúlea. Digo “o blog”, porque este é, a princípio, um espaço de diálogo e não apenas de exposição de idéias ou congressos acadêmicos… Assim, a missão (coletiva) de fazer dialogarem pessoas envolvidas em atividades que, não raro, elas pensam alheias umas às outras, é algo necessário.
Isso implica em pensar, conceber e realizar, mais que diálogos, mas ações conjuntas de trabalhos no sentido de viabilizar a produção, distribuição e, por último mas não menos importante, o armazenamento dos conteúdos culturais. Sendo essa uma tarefa conjunta, ao saber que o texto do Documento Referência da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, baixei o pdf, e busquei as seguintes palavras( sempre elas) no texto:
patrimônio = 0 ocorrências
memória = 0 ocorrências
História = 2 ocorrências
A democratização da comunicação e a inclusão social por meio das novas tecnologias devem ser encaradas como Políticas de Estado estratégicas para a integração e desenvolvimento nacional em todas as escalas. Trata-se da integração entre o rural e o urbano; a periferia e a cidade; a favela e o asfalto. Não há limites para a busca, produção e distribuição da informação na Era Digital. É a maior oportunidade de nossa história na busca por meios poderosos para construção de direitos e de cidadania.(pg 11)
O brasileiro é um povo extremamente comunicativo, que gosta e se adapta facilmente às novas tecnologias. A história da comunicação brasileira está repleta de acontecimentos importantes, que contam o processo de desenvolvimento desse setor em nosso país. Alguns momentos, como mostraremos adiante, merecem destaque.(pg 9)
Depois dessa busca, fiquei pensando que isso se deve ao fato de que a premência das discussões é, em sua maioria, tecnológica: o problema atávico do sistema de comunicações brasilero, as conceções de radiodifusão, todas essas coisas poderiam estar tomando todo o espaço…
Assim, fui ao texto buscar a palavra identidade…
Mas ai, permanece a pergunta: produzir, distribuir e, guardar, onde? Sempre me faço essa pergunta. Quando tenho chance, às pessoas também. Elas respondem que isso é um problema, um projeto ou uma incógnita. A pergunta permanece.
Talvez, tais palavras: acervo, memória, história (excluindo-se aqui ‘digital’ por motivos óbvios) parece, então, que não fazem parte desse universo de comunicação. O que, todas as pessoas me diriam, prontamente, que não se é o caso.
A pergunta permanece. Quando se ouve assuntos sobre a universalização da banda larga, novos modelos de economia, comunicação compartilhada e a quebra da nefasta e preconceituosa divisão entre o que se denomina pejorativamente de baixa e alta cultura, em qual desses itens não está a história, a memória e a identidade? Quando empresas de tecnologia (assunto erroneamente tratado pelo público como objetivo e concreto) como as de telefonia ou de processadores, são suspeitas de práticas “não-normativas” ou ilegais, onde não está a identidade?
Enfim, são muitos os caminhos e pouca a sinalização. Tateando pelos cantos, enquanto a faixa principal está congestionada com palavras e ações concretas, cada qual com as suas, avança-se, aos poucos.
A biblioteca da Universiade de Cornell, tem uma página dedicada aos processos necessários para transformar objetos analógicos, como livros ou filmes, em objetos digitais. Dentre as várias etapas elencadas, há uma que chama a atenção pela enorme complexidade.
Umas das perguntas que mais ouço quando falo porque escrevo aqui neste blog é: para que serve isso de cultura digital?
Não se pode dizer, a bem da verdade, que tal pergunta não tenha embutida uma oportunidade para que eu fale de todos os itens que coloquei nesse post aqui. A delimitação de algo denominado Memória Digital, tem que explicar porque é importante que as legislações sobre arquivos, museus, bibliotecas, cinematecas e, bem como acervos de rádio e televisão, nas quais os profissionais de diversas áreas se apegam na hora de dialogar com pessoas de campos diferentes, sejam pensadas como algo convergente, e não como um cerco.
Também seria interessante explicar porque a TV Brasil, a Biblioteca Nacional e o Museu Nacional de Belas Artes, a Rádio Nacional, deveriam sentar-se para conversar sobre as vantagens e desvantagens de se conseguir um local único de arquivamento, a tal pergunta, sobre qual o tamanho do patrimônio brasileiro.
Claro que os “elementos complexos” não acabam ai… Não foi citada a lei de direito autoral, vigente sobre todas as demais no que se refere aos conteúdos…Nem tão pouco foi falado sobre internet, ou o atual debate sobre banda larga.
Pois cabe falar, também, que tais problemas não são específicos do longo caminho de aprendizado pelo qual passam as instituições brasileiras. Talvez, com iniciativas como essa daqui do Fórum de Cultura Digital, o preconceito sobre tecnologia não diminua. Certamente, são iniciativas que procuram com abertura soluções para problemas que, encastelados nas instituições, as fitas de vídeo, os jornais, os mapas, e muitos outros objetos culturais, se pudessem falar, ansiariam verem resolvidos.
Mas, voltando, dentre os problemas que a Universidade Cornell aponta, estão os de ordem técnica, mas também os de ordem institucional…
Esse é o título da seção. E estes são os desafios técnicos:
Acondicionamento: boa parte das pessoas, inclusive aquelas que produzem cultura, não saberia dizer a diferença entre acervo, arquivo e depósito. Isto traz conseqüências na hora de se preservar o que se produz.
Armazenamento: deterioração dos suportes, mau uso, mal acondicionamento e obsolescência.
Arquivos em formatos diferentes: Além da obsolescência, a dependência de formatos proprietários prejudica enormemente, sem contudo impedir, uma unificação dos materiais digitais.
Aqui os desafios organizacionais e administrativos:
Falta de comprometimento com a preservação de longo termo.
Este ponto merece destaque. Afora as divergências entre legislações, perspectivas profissionais e, principalmente, graus de compreensão variados, pode-se se dizer que de uma forma ou de outra, por um motivo ou outro, há um consenso sobre o fato de que o Brasil não pode continuar se autodenominar um país “sem memória”…
Ausência de políticas de preservação.
O fato de que há um (ou algum) consenso sobre o que deve ser preservado não impede, por exemplo, de que esforços no sentido de garantir não apenas a preservação do patrimônio, mas também, a inclusão de um número maior de manifestações tanto tradicionais, como aquelas dos povos quilombolas ou indígenas, quanto atuais, quanto a arte eletrônica.
O caminho para uma convergência de conteúdos, precisa passar por estes e muitos outros desafios. As leis, os campos profissionais fechados e a instituições rígidas, são aqueles que, não sabendo lidar com o diferente e novo, se encastelam e silenciam. Estes, já eram,pois, não será este Fórum que os mudará, mas sim o tempo histórico, quem decidirá.
Vai acontecer a Conferência Nacional de Comunicação, e os movimentos sociais, os partidos políticos e indivíduos engajados no debate público das comunicações no Brasil estão se mobilizando para fazer valer um direito humano cada vez mais fundamental: a comunicação. Alguns estudos de análise do discurso dizem que quando não há comunicação, duas coisas ocorrem: ou o ruído,ou o silêncio. Nos preparativos do processo de propostas sobre os assuntos a serem debatidos, fiz uma pesquisa nesta lista dos grupos do Rio de Janeiro, por três palavras chave: memória, acervo e patrimônio.
Até onde pude conferir, somente a ABCCOM – Associação Brasileira dos Canais Comunitários fez a seguinte proposta:
9) Criação imediata de um acervo único no Ministério da Cultura a partir de inventário, digitalização e disponibilização de produções existentes, com a construção de modelos de grade de rede do campo público de televisão diferenciado do sistema comercial, que sejam flexíveis e que contemplem e valorizem, efetivamente, os conteúdos regionais, tendo o Cinema Brasileiro como parceiro estratégico;
Não acho que seja diferente em outros estados, todavia pode ser. É importante dizer que todo esse esforço sobre a produção, exibição e a distribuição não pode esquecer o armazenamento. Mas esquecem. Ocorre que, a medida que vai avançando a produção digital, um problema concreto de armazenagem, tanto de material “bruto” quanto de conteúdos processados ( livros, filmes,discos, fotografias…) se acumula de maneira desordenada.
Assim, no movimento de produção, distribuição e exibição, uma etapa posterior, mas não menos importante, é a da constituição de acervos. Tanto melhor se forem acervos públicos. Para isso, são necessárias ações sobre a constituição de acervos digitais Públicos, desdobramento de um Plano Nacional de Digitalização desses acervos.
A proposta de acervos não se limita a tudo que se pode fazer para a preservação da memória.Uma outra dimensão, tão importante quanto a constituição desses arquivos, é o uso dos que têm acesso podem fazer deles. No Brasil, há muitos casos sensíveis quando se fala de arquivos. Há muitos segredos, muitos esquecimentos e, principalmente, muitos silenciamentos…
Há propostas de reação a essa situação de silenciamento. Uma, que me fez lembrar o motivo de porque não há nem muita comunicação nem muita memória no espaço público, foi esse grupo que tem pessoas dos paises aqui do sul, pensando questões desse lado do hemisfério. Fiquei pensando em como seria, se questões semelhantes do contexto brasileiro pudessem ser trabalhadas dessa forma poética.
Um dos objetivos deste blog, é apresentar sugestões sobre as discussões do eixo Memória Digital. Ao longo desse processo que vem sendo estabelecido pela coordenação do fórum, foi solicitado aos curadores de cada eixo, que propusessem uma linha de discussão, a delimitação de seus campos.
Embora ainda ocorra mais discussões externas ao Blog, espaço aqui disponibilizado por esta iniciativa do MINC e RNP, como meta do cronograma de elaboração das propostas do eixos, são apresentadas abaixo, a linhas centrais de discussão do eixo de memória digital. Trata-se de uma proposta aberta, que já incorpora o resultado de sugestões e discussões exteriores ao blog, provindas da coleta de informações de setores e atores envolvidos nesse campo.
Como está afirmado na primeira pagina do Fórum:
Bem-vindo à rede social da Cultura Digital Brasileira, espaço público e aberto voltado para a formulação e a construção democrática de uma política pública de cultura digital, integrando cidadãos e insituições governamentais, estatais, da sociedade civil e do mercado.
Este espaço (o Fórum, o qual hospeda esse blog) tem como proposta a possibilidade de colocar, propor, criticar e comentar os conteúdos aqui postados. Tais discussões, somadas a outras, servirão de base para elaborar uma proposta de delimitação de ações do que pode ser feito em termos de digitalização do patrimônio cultural brasileiro.
A continuidade, distribuição e preservação do fluxo histórico cultural do Brasil passa pelo acesso de sua população ao seu patrimônio material e imaterial digitalizado.
Entende-se que a compreensão atual desse fluxo, esteja orientada e distribuída por suportes tais como filmes ou livros. No entanto, percebe-se que novos dispositivos multimídia começam a promover, em seus usuários, a necessidade de adaptação desses conteúdos culturais para serem utilizados e distribuídos digitalmente.
Os objetos e ações culturais não digitais, aqueles que não são criados a partir de código de máquina, passam por um processo de duplicação de suas propriedades, que são transportadas para o digital, ou digitalizadas, por meio de processos distintos. Desta forma, a Memória Digital, seja aquela produzida em meios digitais, ou aquela digitalizada, deve possibilitar a comunicação entre distintos suportes, como possibilidades de convergência de seus conteúdos.
1- Escopo
Propõe-se que a memória digital seja pensada não como campo ou conjunto, mas como fluxos, coletivos, processos. Desta forma, busca-se evidenciar que, tanto o passado quanto o presente, bem como o futuro, podem ser combinados física e conceitualmente por meio de artifícios digitais.
1.1 Objetos digitais
1.2 Processo de digitalização
1.3 Divulgação e circulação
2 -Técnicas e Métodos
As técnicas e tecnologias adotadas pelos diferentes suportes, formatos e padrões atuais, devem ser pensados em dois planos: o atual e o escalar.
O primeiro, atual, diz respeito aos procedimentos historicamente adotados pelos diferentes produtores de comunicação e cultura digital. O segundo, escalar, trata da produção digital futura, bem como das digitalizações atuais: os objetos digitalmente criados e os objetos que serão digitalizados.
2.1 Produção e Armazenamento digital atuais
2.1.1. Hardware
2.1.2. Middleware
2.1.3. Software
2.1.4. Padrões e metadados
2.1.5. Legislações
2.1.6. Acervos digitais
2.1.6.1. Multimídia
2.1.6.2. Bases de dados
2.2 Tipos de Digitalização
2.2.1. Arquivos Planos
2.2.1.1. Imagem
2.2.1.2. Texto
2.2.2. Acervos Audiovisuais
2.2.2.1. Áudio
2.2.2.2. Vídeo
2.2.2.3. Película
2.2.3. Objetos tridimensionais
2.2.3.1. Modelagem
2.2.3.2. Protótipo
2.3 Constituição escalar de acervos digitais
2.3.1. Convergência
2.3.1.1. Padrões de produção digital
2.3.1.2. Padrões de digitalização
2.3.1.3. Interoperabilidade de protocolos
2.3.1.4. Padrões de metadados
2.3.1.5. Agregamento colaborativo
2.3.1.6. Direito autoral
2.3.1.7. Acesso e distribuição
2.3.2. Interfaces
2.3.2.1. Acessibilidade
2.3.2.2. Visualização
2.3.2.3. Sonificação
3. Pesquisa e Desenvolvimento
3.1 Mapeamento dos sistemas de armazenamento e gestão digital
3.2 Identificação e quantificação do patrimônio digitalizado
3.3 Desenvolvimento
3.3.1. Hardware
3.3.2. Middleware
3.3.3. Software
São propostas abertas, mais uma vez, comente, modifique, contribua.
Grande parte dos produtores culturais dá importância à realização e a exibição. Nos editais de produção, raramente se vê menção sobre aspectos de preservação para fins de acervo. Os filmes realizados com financiamento público têm a obrigação de uma cópia legal na Ancine. Mas esta cópia legal não se extende para outras fontes de financiamento. Embora sejam duas etapas fundamentais que têm sido incrementadas em termos de produção cultural, a realização e exibição (para não mencionar a distribuição) não garantem a preservação do que foi feito. Acontece que, não é de hoje, que a realidade da documentação é desconhecida. Segundo este artigo aqui, até 1940, grande parte do patrimônio audiovisual se foi. Em compensação, a maior parte do que foi produzido desde então, está em condições não calamitosas, como a primeira parte do material.
Um dos motivos, talvez nem dos maiores, seja o fato de que é muito mais fácil capturar o registro do que descrevê-lo. O que acontece então é que existem milhões de imagens, de textos, musicas, videos, filmes, ou seja, milhões de horas sem descrição. Para isso, já foram tentados vários métodos de descrição automática. O mais recente deles é por meio de uma automação contraste da imagem digital. De maneira bem básica, começa ser possível fazer buscas em áudio, vídeo e texto, sem necessariamente esse material ter sido tratado, em termos humanos de informação.
Estas são imagens que ajudam a pensar a questão:
Inicialmente, as informações eram pensadas em relação aos seus suportes, então, fazia sentido produzir primeiro, e indexar depois…

Com o tempo, ou seja, com a digitalização dos conteúdos, a informação, e sua documentação se alteraram:

Quando temos um acervo de fitas de vídeo, de livros, de moedas, de ossos, de partituras, balas de canhão, potes de barro, quadros, animais empalhados…Enfim tudo que um museu como o Histórico Nacional, ou qualquer museu estadual tem, em maior ou menor grau, como indexar isso?
Como as tecnologias digitais os meios de produção cultural, várias soluções são pensadas em diversos lugares, mas, entretanto, estas não se vêem como tendo relação com outras. Por exemplo, os acervos de instituições como as televisões: públicas e privadas, não se vêem na obrigação de igualar seus bancos de dados com os da biblioteca nacional. A BN, por sua vez, não tem acesso aos bancos de dados dos museus… Assim, não há uma base de dados sobre o que se contém nos computadores desses museus, centros de cultura, institutos, fundações. Novamente, o tamanho do patrimônio brasileiro em terabytes.Todos estes são uns para os outros, e para o público em geral, estanques.
Em 2004, surgiram os primeiros rumores de que Orkut era majoritariamente brasileiro em sua composição dos membros, tal constatação foi motivo de orgulho e comemoração de muitos brasileiros . Os números eram sobre um milhão de pessoas , ou 51 porcento dos usuários. Sendo brasileiros, simplesmente ignoraram os pedidos e até mesmo comunidades para que se escrevesse em português naquele ambiente, situado não no Brasil, mas em algum lugar na internet.
Simplesmente não deu certo, e o Orkut foi tomado O diálogo no fórum deste link é uma prova dessa desconsideração. Com ele, numa lógica progressiva, cada vez mais pessoas foram se cadastrando na rede social. Ocorre que chegou um momento em que, como em qualquer rede social, virtual ou não, os membros de grupos diferentes se encontraram em algum ponto dessa rede.
O Brasil, assim ficou conhecido, dentre as suas participações já notórias sobre a cultura digital, como aquele que “dominou o Orkut”. Isso foi motivo para termos como “favelização do Orkut” aparecerem. De tão preconceituosos, os comentários sobre a entrada das pessoas com menos poder aquisitivo na internet acabaram por fazer, também, o próprio Orkut pagar o preço de novo. Quando os brasileiros decidiram que era importante dividirem o espaço digital com outra língua, a rede social do Google pagou o preço, e se viu recompensada com mais de um milhão de brasileiros cadastrados. Depois, quando esses brasileiros decidiram que ter uma conta nessa rede já não era mais um sinal positivo, foram para o Facebook, alguns, encerrando sua conta antiga, num sinal de status.
Isso é um sinal, da mesma forma, do que pode acontecer com as bibliotecas 2,3, 4.0…
A divisão social que os grupos brasileiros encontram, como era de se esperar, se apresenta também em espaços como a internet, que ao contrário do que se pensa, pode também aproximar as pessoas. Essa movimentação brasileira na internet, mostra que, como na sociedade não digitalizada, aquela onde as “pessoas se encontram” de verdade, a comunicação também não acontece. Assim continuamos nos mobilizando mais para umas coisas do que outras.
Por essa mesma lógica redutora, outro grupo que estaria fora do grupo de brasileiros que não se identifica com boa parte da população brasileira, é o de povos indígenas. Existem hoje no Brasil, cerca de 250 línguas. (aí, quando ia colar o link da informação sobre esses povos e suas línguas, eis que me deparo com um interessante uso de cores e escalas, para exibir a informação anterior de outra forma. Algumas delas em extinção. Isso significa que todo conhecimento que com elas foi acumulado, se vai sem memória, sem ser incorporado ao patrimônio, e no nosso caso, o patrimônio Digital.
Ocorre que há iniciativas de constituição de um banco digital das línguas em extinção de algumas dessas línguas, ficando outras por serem incluídas. O produto do trabalho realizado para a digitalização dessas línguas está guardado nos computadores do Instituto Max Plank, na Alemanha. Neles, está sendo criado um banco de dados multimídia para fins de preservação documental.
O que se preserva desse dois exemplos, é que a tecnologia em si não garante o acesso. Temos, brasileiros índios e de outros povos, que refazer as bases do diálogo, pensar uma solução para a divisão social da informação, que gera o conhecimento digital.
Leitura interessada do Jornal da Ciência:
Centros e museus de C&T, planetários, jardins zoobotânicos e parques de ciência poderão ser contemplados em edital. Inscrições vão até 5 de dezembro
O edital 064/2009, que selecionará propostas para apoiar atividades que propiciem a instalação e o fortalecimento de espaços científico-culturais, foi lançado ontem. A chamada é fruto de parceria entre o CNPq, a Secretaria de Ciências e Tecnologia para Inclusão Social (Secis) do MCT e as Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs).
As inscrições de propostas vão até 5 de dezembro e projetos voltados para atividades de divulgação científica que valorizem a interatividade também são valorizados.
Na avaliação do CNPq, existem poucos espaços científico-culturais, distribuídos de forma desigual pelo território nacional, o que torna a capacidade para promover a divulgação científica em grande escala ineficiente.
No Brasil, apenas 4% da população visita museus de C&T, uma vez por ano. A principal justificativa é que muitos espaços não desenvolvem atividades interativas ou estimuladoras da criatividade, da observação científica e da experimentação.
Além das atividades de divulgação, essas instituições, quando incentivadas, podem ter um papel importante para a melhoria do ensino de ciências nas escolas. Esse apoio está previsto pelo Plano Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Social.
Promover a expansão e a melhoria dessas ações, tendo como finalidade aprimorar a difusão e popularização da cultura científico-tecnológica junto à sociedade e contribuir para a melhoria da qualidade do ensino das ciências são os objetivos do edital.
Estão previstas atividades para valorizar e estimular a criatividade, a experimentação e a interdisciplinaridade no campo da divulgação científica; colaborar com a melhoria e uma maior atualização/modernização do ensino das ciências em todos os níveis de ensino; estimular jovens para carreiras científicas e tecnológicas; promover o uso e a difusão de resultados da C&T em ações de inclusão social e redução das desigualdades.
Parcerias
A adesão das FAPs, com alocação de recursos próprios, permitirá a ampliação do número de propostas contempladas. Participam as fundações de Alagoas, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe, co-financiando propostas selecionadas cujas instituições sedes estejam em seus respectivos estados.
Estão disponíveis R$ 16,31 milhões, sendo R$ 7 milhões da Ação Transversal do FNDCT/Fundos Setoriais e R$ 9,31 milhões das FAPs parceiras.
O proponente pode ser pesquisador, professor ou especialista vinculado à instituição de pesquisa, museu e centro de C&T, planetário, jardim zoobotânico, parque da ciência e outros espaços científico-culturais, empresa pública que execute atividades de pesquisa em C,T&I e de popularização da C&T, todas sem fins lucrativos.
Além disso, deve ser obrigatoriamente o coordenador do projeto, ter o currículo cadastrado na Plataforma Lattes e vínculo formal com instituição. As propostas devem ser encaminhadas ao CNPq exclusivamente por meio do Formulário de Propostas On-line, disponível na Plataforma Carlos Chagas.
O edital está em www.cnpq.br/editais/ct/2009/064.htm
(Com informações da Assessoria de Comunicação do CNPq)
22/10/2009
De 12/11/2009 a 14/11/2009
Faltam 21 dias para o início do evento. Duração: 3 dias
Agência FAPESP – O 2º Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias e o 2º Fórum Prazeres da Leitura serão realizados de 12 a 14 de novembro de 2009, em São Paulo.
Entre as temáticas dos eventos estão “Políticas públicas de incentivo a leitura e bibliotecas”, “Desenvolvimento de seviços inovadores em bibliotecas públicas e comunitárias” e “Perfil das lideranças na gestão de bibliotecas e espaços de leitura”.
A mesa-redonda “Acessibilidade em bibliotecas” terá a participação de Maria Tereza Egler Mantoan, professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, Linamara Rizzo Battistella, secretária dos Direitos das Pessoas com Deficiência do Estado de São Paulo, e de Guilherme Lira, da Acessibilidade Brasil.
“Programas de incentivo à leitura nas bibliotecas de Medelín”, com Yicel Nayrobis Giraldo Giraldo, da Escola Interamericana de Biblioteconomia, na Colômbia, “Sistema de Bibliotecas Públicas de Milão”, com Aldo Pirola, diretor do Sistema de Bibliotecas Públicas de Milão, na Itália, e “Mediação cultural das bibliotecas frente ao perfil dos novos leitores”, com Lucia Santaella, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, são algumas das palestras programadas.
Os eventos ocorrerão no Teatro da Universidade Católica (Tuca), na rua Monte Alegre 1024, Perdizes.
Mais informações: www.acquaviva.com.br/sisconev e bibviva2009@acquaviva.com.br.
fonte: Agência Fapesp
Estão em curso experiências que visam mudar a forma com enxergamos a informação. Por causa do post que diz sobre o tamanho do patrimônio Digital no Brasil, e quanto seria isso em terabytes, há quem pense que uma das soluções a serem adotadas nesse sentido, é o de visualizar esse patrimônio. Tanto faz visualizar os conteúdos quanto as listas, a necessidade é a mesma.
Até bem pouco tempo, ícones, símbolos, imagens gráficas eram destinadas a orientar nosso sentido, como as placas de trânsito, ou nos edifícios de empresas. Agora o número dessas figuras cresceu e qualquer telefone celular tem ícones e símbolos, e, são eles mesmos um signo tecnológico. A medida que a informação vai aumentando, o tamanho e variedade dos dispositivos digitais para acessá-la, varia. Alguns dias atrás, a RNP fez uma transmissão junto com o FILE, de um filme em 4K. Hoje em dia, é possível ver imagens em 5K…
Então, pode ser que um dia, a gente possa se dirigir até um cinema para buscar…informação. Com as possibilidades de tamanho da imagem, e as técnicas de visualização, mais cedo ou mais tarde, haverá uma junção da definição com a precisão… Isto é o que ocorre com um movimento entre arte, tecnologia e ciência que vem sendo chamado de Visualização da Informação. A possibilidade de ver, literalmente, as relações entre os elementos é um dos maiores incentivos para que pesquisas assim sejam feitas.
Abaixo, uma visualização de um banco de dados genéticos. Mas, por esse mesmo princípio, poderíamos falar de imagens, vídeos, textos, sons, mapas, partituras, roteiros, storyboards, esculturas…

O software é livre. Desenvolvido em Processing, uma interface de programação que implementa a versão final numa linguagem mais complexa, o Java.
Esta outra é uma experiência direta em gestão da informação. O Reza Ali, pegou os registros de uso da biblioteca publica de biblioteca pública de Seattle e utilizou os registros de entrada e saída como banco de dados para a experiência de visualizar as relações desses registros. Para os que não estão cientes, a Classificação decimal de Dewey é o instrumento básico pelo qual as informações são classificadas e assim se inserem no padrão mundial de documentação internacional. Uma ótima vantagem dessa classificação foi pensar, em 1786, que uma combinação de números e palavras seria o suficiente para guardar toda informação documentável, isto é, classificável, como possível de sistematização.

A visualização da informação não é nova. Só para registro, os objetos ai em baixo nessa outra imagem tem cerca de 100 mil anos. Foram achados na caverna de Blombos, em Joanesburgo, na África do Sul. Têm formas geométricas regulares…semelhantes as atuais formas digitais…
Não há separação entre o conhecimento “mais tradicional” e o “mais moderno’. Entender isso ajudaria a não promover o misticismo da tecnologia e a distorção de sentido do uso. Ambos são um contínuo.