Archive for the ‘ Direitos autorias ’ Category

Tudo muda rápido, o agora é a memória.

Já houve muitas iniciativas para discutir a memória. Já houve muitas discussões. Já se ouve, que haverá novas discussões. Todas elas são necessárias, mas seria importante, na mesma medida, que os resultados se traduzissem em práticas. Eu havia pensado que nesta segunda edição do Fórum, seria interessante que se fizesse um apanhado do que realmente se conseguiu em termos das discussões sobre acervos digitais no Brasil. Para começar, dentro de casa.  Claro está que a figura abaixo, mostra o quanto temos que discutir ainda. Mas estamos, ao menos, cientes. Mais por vir.

Waybackmachine, o acervo de páginas da do Internet Archive

O momento atual é o de que linhas de financiamento, recordes de bilheteria e número de filmes produzidos no Brasil aumentam.  Em todas as outras esferas de produção de conteúdos, em todas elas, o cenário é semelhante: na musica, nas artes plásticas, no teatro, na dança, nos games, no vídeo, no mercado editorial…nuca se produziu tanto. Contudo, os acervos, e sua parte mais sensível, seus conteúdos, têm o real inconveniente se serem esquecidos. Real porque o que sabemos do passado, é aquilo, e somente aquilo, que foi preservado. Inconveniente porque, antes de tudo trata-se, literalmente, de uma questão de conveniência.

Os bisões das cavernas de Lascaux, na França, relíquias consagradas que devem ser preservadas, foram tidos por muitos anos, desde sua descoberta em 1940, como prova incontestável de uma linha de evolução da espécie humana. Assim, na Europa, estaria o ápice de uma era, na qual se dá, segundo essa ótica, o nascimento do simbolismo humano.Ocorre que em 2002, foi localizada em Blombos, na África do Sul, outra prova, igualmente incontestável, de que o simbolismo localizado nesse lugar, foi o que deu possibilidade da existência de Lascaux. Tal mudança, rápida em termos históricos, vem junto com outras de natureza arqueologicamente semelhante.

Aqui, no Brasil, onde as mudanças na cultura digital não são menos rápidas, os destinos dos acervos, no que tange ao uso e aos procedimentos ( o que implica questões de guarda, tecnologias, direitos autorais, legislações , tramites jurídicos, relações econômicas…) está sendo também discutido:

Será possível observar discussões sobre a Memória no Fórum 2010. O  que consta da ata acima, se for discutido, será uma reação da sociedade civil, além de conveniente, da mesma forma, rápida. As tecnologias livres, como os padrões de arquivos ou softwares, foram alvo de discussões do Seminário sobre Acervos Digitais, em 2010,  do Fórum da Cultura Digital Brasileira, em 2009, do Seminário Vias da Cultura, em 2009, do Seminário do CGI.br em 2007, e outras, menores em tamanho , mas não em relevância, ocorreram, e outras ocorrerão. Os acervos, esses, vão surgir, um pouco mais lentos. Qual é a participação dos movimentos que compõe os grupos interessados em acervos, nestes assuntos já em discussão? Tudo muito rápido.

Um exemplo de “documentação escolar”.

O trabalho de faculdade de Tomas Nilsson, é um exemplo de como um incontável número de trabalhos “escolares” são criados, nem sempre guardados e, pior, não compartilhados.  O de Tomas, conta a história de chapeuzinho vermelho. A frase mais que gasta sobre nossa época e o ” acúmulo de conhecimento” não seria possível, se dependermos dos conhecimentos contidos nos trabalhos escolares. Está claro que há, sim uma enorme preservação da documentação escolar: trabalhos são premiados, o youtube tem aproximadamente 4510 vídeos descritos com esses termos, mas isso não é nem de longe o possível. O Brasil está inserido na comunidade científica, onde os trabalhos “escolares” mais complexos, como monografias, dissertações e teses, são, em sua maioria, documentados, preservados e indexados em base de dados.

To: Cinemateca Brasileira

fonte: http://www.petitiononline.com/CCB2405/petition.html

São Paulo, 24 de maio de 2010

À Cinemateca Brasileira,

Reconhecemos o enorme esforço e o imenso trabalho que têm sido feitos, ao longo dos anos, para bem equipar a instituição com telecine, auditório, ambiente climatizado para guarda dos filmes, entre outras providencias, assim como a importância da política de aquisição de acervos como da Atlântida ou Jean Manzon que poderiam se perder por falta dos cuidados e guarda adequados.

Contudo, vimos por meio desta, solicitar uma reunião com o Conselho e a Diretoria da Fundação Cinemateca Brasileira no sentido de pedir o encaminhamento de soluções para a melhoria da política de atendimento à pesquisa (e ao público) no acervo desta instituição. Nós cineastas, pesquisadores, produtores, estudantes, cidadãos entendemos que:

• A FCB trabalha com um acervo que é bem público, que é seu dever não só preservar e adquirir novos materiais mas também disponibilizá-los para novas produções e para o público interessado em geral. Sem acesso não existe sentido na preservação pura e simples pois a ressignificação da memória audiovisual através de novas produções, reflexões e olhares se estanca.

• É necessária a criação de uma política de valores e prazos transparentes e publicada no site, nos moldes de outras instituições como o Arquivo Nacional.

• Acreditamos que a política de valores deve ser diferenciada , baseada no tipo de veiculação do projeto final. Desta forma pode-se atender as especificidades das demandas de pesquisa e tornar realmente acessível o acervo da Cinemateca respeitando projetos de orçamento mais baixos, viabilizando a utilização de imagens para historiadores, pesquisadores, estudantes que estejam fazendo teses na área e necessitem de material para seus projetos desde que comprovados por documentação da instituição a que estão ligados.

• É fundamental o acesso a todas as bases de dados disponíveis na Cinemateca para que o pesquisador/produtor/diretor que o queira possa ele mesmo filtrar os termos para a pesquisa de seu projeto.

• Propomos a ampliação da estrutura de atendimento a pesquisa , pois diante do aumento da demanda de documentários no país, se faz necessária a criação de uma política que permita que as pesquisas e os licenciamentos das imagens sejam feitos num prazo de realidade de mercado . Hoje em dia o tempo requerido para visualização do material, por si só , ja inviabiliza os projetos.

• Que seja dado a produção dos filmes e pesquisadores ter a possibilidade de fazer o telecine ou tranfer de VT do material levantado na FCB em outros lugares desde que sejam locais reconhecidamente profissionais; nos moldes do que era feito há alguns anos atrás quando a própria Cinemateca não tinha telecine, seria uma opção para o telecine da CB ocupado com os projetos de grande porte.

• Estudo de uma solução para o problema de acesso ao acervo Tupi , que se trata do único acervo televisivo dos anos 50/60 disponível para pesquisa. Atualmente encontram-se indisponíveis, inclusive, as fitas VHS que eram visionadas para escolha de material.

• Desenvolvimento de uma politica de atendimento aos acervos que recentemente foram adquiridos pela instituição e que estão indisponíveis, enquanto estes não forem totalmente digitalizados e disponibilizados no site da Cinemateca, processo que deverá levar muito tempo ainda.

Cordialmente abaixo assinados,

Sincerely,

The Undersigned


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A importância da Memória para a Cultura.

Em geral, quando se discute o que significa cultura, a palavra tradição sempre aparece. Cultura, que pode ter também o significado de cultivar, culto, e demais extensões, dessa maneira quer dizer aquilo que se mantém, que se perpetua, se preserva. O limite entre o que se apaga e o que se recorda, se registra, é tênue, é principalmente, o limite do interesse…

altura da coluna indica buscas no inicio do terceiro mês de 2010.

altura da última coluna indica buscas no inicio do terceiro mês de 2010.

Assim, mais do que o passado, a tradição é usada como uma regra para o presente: ” faremos assim porque nossos ancestrais fizeram, ou faziam …” então mesmo o futuro, ou aquilo se é decidido que será preservado, está baseado na tradição. Isto vale tanto para a educação ou costumes, quanto para as leis. Assim, por exemplo, financiamentos públicos têm, também, uma tradição de destinação das verbas, baseadas em estimativas passadas.  Ocorre que o passado, ao contrário do que se pensa, é móvel, dinâmico. Já fomos, brasileiros de muitas maneiras, de muitos lugares e hoje, sem dúvida, estamos em transição.

Quando se discute banda larga, concessão dos meios de comunicação, direito autoral, padrões de tecnologia audiovisual, de leitores de livros eletrônicos, de sistemas operacionais, discute-se junto, sempre, a cultura. Assim, é possível ler sobre o Brasil, não raro, sendo apontado como um país progressista, em termos da elaboração de propostas para questões como os direitos autorais, quebra de patentes medicamentos, ou mesmo participação nas discussões sobre o clima. Claro que o Brasil tem idéias e participações que precisam melhorar, mas sem empenho, participação, cobrança e boa vontade, não há muito a ser feito.  Afora isso, o processo da participação social tem demonstrado avanços na visão que o pais tem de sí e dos demais países. Para o lado bom, e o nem tanto, estamos aprendendo nossas possibilidades no mundo.

Junto a esse movimento de fazer um presente mais participativo, aberto, vêm também a necessidade de preservação do que se constrói coletivamente. Para quem procura pela história dos movimentos sociais no brasil, há poucas fontes que reúnam de forma sistemática as ações realizadas por esses coletivos. Não se trata apenas de falta de imagens, mas sim de cervos, de conjuntos sistemáticos de objetos culturalmente valorizados.

A mesma situação existe para os milhares de shows musicais, trabalhos escolares, o pesquisas acadêmicas, grupos de estudo, de atividades esportivas, de associações culturais, enfim, a sociedade civil organizada. Num período de tanta agitação como hoje, isso pode parecer nagativismo, mas a cultura que atualmente se produz não tem garantia de existir amanhã. Com o conteúdo digital, isso se acentua, em muito.

O programa “Pontos de Cultura” é uma iniciativa governamental iniciada em 2003. Visa democratizar de forma livre e qualificada, o acesso à informação da população brasileira. Como um programa governamental, é composto por verbas que são destinadas a sua realização. Tais recursos, uma vez bem gastos, retornarão aos contribuintes na forma de atividades relacionadas à produção cultura, busca pela cidadania e humanização do ambiente. Ocorre que, sem equívoco, menos de dez por cento de todos os pontos de cultura, o processo mais dinâmico em termos sociais no momento, têm um acervo audiovisual adequado. A indexação dos conteúdos, reduz esse número…O fato é que tal programa, replicado em países como, Inglaterra, Itália, Áustria, Argentina, Uruguai ou Paraguai, não pode ter o mesmo destino que tantos outros, governamentais ou não.

As ações que estão em curso hoje não podem ser tomadas como perenes. São fruto de pessoas que as realizam, mas isto deve, de forma coletiva, ser preservado. Para isso, cabe recursos do governo e sociedade civil mobilizada, no sentido de garantir tal preservação. Se a Conferência Nacional de Comunicação, CONFECOM, não discutiu de forma necessária a questão dos acervos e digitalização, a CONFECULT, ou Conferência Nacional de Cultura, não poderia ser da a esse descuido. Para além da definição  errônea e dicotômica entre “graus” de cultura, existe a dignidade do que se considera expressão do espírito humano: sua engenhosidade e infinidade.

O paradoxo da tecnologia e a digitalização da cultura

Saiu a composição das mesas do encontro de museus e a web 2010. O mais frequentado ( digamos, mainstream ) encontro de museus e tecnologia. O que significa que em breve, os participantes internacionais terão novidades para os visitantes dos museus de seus países…

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Dentre os assuntos, mesas e oficinas que serão realizadas, há uma que fala dos usos das tecnologias de multi-toque, ou multitouch, que possibilitam a interação diretamente com a imagem, som e texto: um paradoxo, já que os conteúdos digitais tem como característica intrínseca a intangibilidade. Não posso literalmente pegar a letra desse texto e mudar os caracteres com a mão. Não podia. A importância dessas tecnologias estarem em grandes vitrines é a de que torna-se rápida sua adoção, seja isso positivo ou não…

Agora, com as possibilidades de mapeamento espacial sobre os conteúdos e seu ambiente, abriu-se a possibilidade de alterar, segundo uma modelagem das mesmas leis da física, tanto o conteúdo quanto o ambiente digital, de forma análoga ao correspondente material, a popular interatividade, só que sem mouses ou teclados, diretamente no conteúdo digital.

Não há mudança tecnológica neutra. Ocorrem sempre por interesses sociais, coletivos, mas localizados, e bem menos como consequência de adequação das necessidades mais amplas. De modo que um pequeno grupo, ou uma grande empresa, podem, por interesse, desenvolver tecnologias que dêem conta de necessidades especificas, com consequência para parcelas mais amplas.

Não é muito difícil imaginar um uso semelhante para equipamentos como o capacete de sensoriamento cerebral que, da mesma forma que os dispositivos multitouch, já são encontrados comercialmente.

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Para estas tecnologias e para outras que virão, os usos são impensados. Se as discussões atuais sobre banda larga ocorrem com vistas ao tráfego de voz, texto e imagem, em breve, discutirão tráfegos de outra ordem: sensores cerebrais. Está em curso uma adaptação dos objetos para que estes entrem em convergência com os conteúdos digitais. O que se chama hoje de realidade aumentada. Essas transformações terão impacto na cultura, na educação, no trabalho, e embora não estejam longe, parecem de um tempo que não chegará tão cedo. Esse é o descompasso entre a tecnologia e seu uso, entre o instrumento e a aplicação…

Quando em 1995 se falava em multimídia, ou multimeios, não se poderia ter uma noção do que isso significa daqui há dez anos. Ou se tinha uma dimensão imaterial, pura descritiva de possibilidades digitais, ou se concebia uma tecnologia imersiva, como a realidade virtual. O ritmo com que tais descrições caíram no desuso, ou em termos de memória, no esquecimento, mostra o que se entende hoje por multifunção, palavra também cada vez mais subentendida em qualquer dispositivo eletrônico.

Esses usos não podem ser nem pensados nem executados, sem a discussão de como, e para quem se destinam. Os direitos autorais, os financiamentos, são assuntos políticos e vê-los como algo distante, apenas impede que se depare, o quanto antes, com a responsabilidade de democratização dessas tecnologias. Com o paradoxo de ter que incorporar objetos que estão numa dimensão digital, virtual, tanto a produção da cultura, quanto sua compreensão, passam a compor um campo de cultura digital, ou a digitalização da cultura, que longe de ser científico ou mágico, político ou conceitual, é histórico, resultado dos usos que damos as tecnologias que dispomos.

#culturadigital.br:digitalização de acervos\acesso\domínio público

Quando o documento base de discussão do eixo de memória digital foi entregue no evento do Fórum da Cultura Digital Brasileira, em novembro, um dos itens, o Plano Nacional de Digitalização de Acervos foi, de longe, o ponto mais discutido. Um plano nacional é algo complexo que abrange várias etapas, assuntos, tem vários constituintes. Assim, o processo de conscientização, tanto da população, quanto dos representantes políticos sobre o que significa constituir, promover e conservar acervos públicos, também tem que ser feito por etapas.

A produção das culturas brasileiras é resultado de práticas de expressão individual e coletiva, materiais e imateriais, diversas e exuberantes. Há muitas variedades de identidades neste país e todas elas têm, em maior ou menor grau, produções culturais que as representam. Ocorre porém, que esta produção não permanece no tempo, a maior parte dela, se dissolve nas mudanças do dia à dia. Sem permanência, tais produções acontecem apenas como memória coletiva: existem para um grupo, e somente enquanto aquele grupo existir. O que acontece depois?

Entra ai uma política da memória que determina, por diversos meios legais e morais, o que deve ou não ser lembrado, tomado como identidade e memória. Em outras palavras, permanece a memória daquilo que é considerado oficial.  A opressão do silêncio, do calar a voz, do apagar ou distorcer a imagem, todas estas situações estão nos acervos, nos arquivos, ou fora deles.

Há uma crença de que o passado, aquilo que já aconteceu, não volta, e por isso, pensar no futuro, no que está por vir é mais importante. De fato, não só não conhecemos todo o passado, algo impossível, como também não temos conhecimento do que existe hoje, atualmente. Nossa compreensão histórica tem limitações de tempo e de espaço. Pois isso é, ao mesmo tempo, uma vantagem e uma dificuldade. Tanto o passado quanto o futuro são trabalho do presente, estão por (re) fazer.

A medida que as demandas por mais comunicação, melhor informação e mais democracia avançam, partes da população, os incluídos digitais, começam a alterar o perfil do que seja ativismo, ou o antigo civismo, começa a ser consultada em questões que antes ficavam restritas aos representantes do povo , os partidos políticos e poucos participantes de entidades políticas, como sindicatos, centros estudantis ou grupos diversos.

Outro dia, recebi uma mensagem aqui no Fórum, de alguém que perguntava sobre as relações, e naturalmente as implicações para o cenário descrito acima, entre a digitalização de acervos, o acesso livre e o domínio público. Umas das prioridades que se delineia no horizonte, sem dúvida é a de constituir espaços virtuais onde os cidadãos possam ter acesso livre às informações culturais que já estão disponíveis, nas diversas instituições  brasileiras. Já existe muita coisa, mas não é nem a metade do que existe. E o que existe?

Dentre as ações previstas para esse ano, conforme anunciado no evento do Fórum em novembro, haverá um  Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais. Assunto complexo, como à esta altura já se pressupõe…

A noção de que os governos devem disponibilizar Repositórios Institucionais Públicos ainda é nova, e nem os próprios cidadãos têm muita noção do que deveriam ser tais repositórios. De início, há discussões sobre sua natureza (única, ou espelhada, por questões de segurança) , sua gestão (seria um condomínio, haveria outros modelos?) e seu acesso( público, livre, quais seriam as condições para que conteúdos fossem agregados?) e muitas, mas muitas outras discussões. No entanto, o ritmo que tais discussões têm não é nem o necessário, nem o desejável. A miríade de elementos que estão envolvidos numa ação conjunta para se pensar essa questão só será percebida nos detalhes mias sensíveis( quem tem a posse, o uso e o acesso dos conteúdos) no momento que esta questão se tornar mais pública. Por tal adjetivo, se entende que deve haver uma discussão de um processo que está em curso, mas que por diversos motivos, fica a reboque de outras, tais como as relativas ao direito autoral, a regulamentação da internet e o próprio acesso, em termos de infra-estrutura, aos acervos.

O percurso que tais discussões tomará, ainda está em discussão, tendo em vista essa rede de interdependência de assuntos. Enquanto isso, o tempo passa.

PNC:Digitalização de Acervos, Direitos Autorais e Banda Larga, ipsis literis.

Num momento como o que vivemos sobre as decisões públicas, não há como não postar esse trecho do documento base do Plano Nacional de Cultura, feito em um passado não muito distante. O texto  abaixo é o que foi publicado na página 47. Os links,  são da mesma forma, uma realidade em construção:

Ampliar o uso dos meios digitais de expressão e acesso à cultura e ao conhecimento

A cultura digital, disseminada pela rede mundial de computadores e tecnologias afins, muda significativamente a forma como a gestão cultural deve encarar seus instrumentos e finalidades. De um lado, os novos meios criam a possibilidade de conservar e facilitar o acesso a amplos e valiosos acervos culturais que compõem o patrimônio do Brasil e da humanidade. De outro, são apropriados por grupos e indivíduos como seu lugar de criação, de modo que o mundo digital se torna ele mesmo um novo campo onde formas de expressão e articulação das identidades são inventadas a todo o momento. O Estado deve garantir acesso universal e pleno às novas oportunidades criadas pela tecnologia.

A chamada exclusão digital diminuiu nos últimos anos no país, embora permaneça significativa. No entanto, o principal desafio para a política pública voltada à cultura digital não se esgota nos programas de inclusão. Diz respeito também à articulação institucional necessária à promoção do livre uso das ferramentas tecnológicas na experiência cultural, por meio de programas de capacitação, sem deixar de lado o apoio ao  desenvolvimento das linguagens de expressão e a oferta de conhecimentos de domínio público por meio das plataformas digitais. Uma política de digitalização de acervos é indispensável para permitir uma circulação inédita de registros de nossa memória cultural, pictórica, gráfica e textual.
Nesse contexto, a evolução da internet e da infra-estrutura de conexão em banda larga firma-se como um instrumento estratégico para novas formas comerciais e não-comerciais de compartilhamento de cultura. A adoção de novos aparatos de transferência e armazenamento da informação influencia as dinâmicas de consumo e faz surgir, em conseqüência, modelos de exploração econômica cada vez menos baseados na massificação e formas de sociabilidade e de construção de identidades independentes do espaço geográfico.

A convergência digital representa o ambiente contemporâneo de circulação da cultura, que deve ser observado sob uma perspectiva atenta à distribuição das tecnologias e às suas formas de utilização, bem como ao desenvolvimento de conteúdos, digitalização de acervos públicos e incentivos aos projetos experimentais.

A Carta de Ouro Preto 2009 da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA)

da fonte: http://abpablog.wordpress.com/

Os integrantes da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA) e os participantes do 4º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros, reunidos na 4ª Mostra de Cinema de Ouro Preto – CINEOP, reafirmam este evento como fórum de discussão e encaminhamento de reflexões e ações para a preservação do patrimônio audiovisual brasileiro.

Considerando:

  • a urgência do reconhecimento da relevância desse Patrimônio Cultural pelos poderes públicos, pela sociedade, inclusive pelos profissionais das atividades cinematográficas e audiovisuais;
  • a constatação do risco iminente de desaparecimento desse Patrimônio Cultural, que representa igualmente um ativo econômico e se encontra em condições desiguais de preservação nas diferentes unidades da Federação;
  • a insuficiência de uma política pública específica e sistemática que contemple o campo da preservação audiovisual no Brasil;
  • que a ABPA foi designada pelas organizações, instituições, entidades e profissionais presentes, ligados ao campo da preservação, como entidade representativa e interlocutora junto aos demais segmentos da área audiovisual, à sociedade civil e ao poder público.

Afirmam que:

  • diante da carência de recursos financeiros e humanos, e de mecanismos específicos destinados ao campo da preservação, questionam a manutenção da disparidade existente e propõem uma distribuição equânime dos recursos públicos para o setor audiovisual; e
  • destacam que existem necessidades específicas do campo da preservação audiovisual que devem ser consideradas na reformulação da Lei Rouanet, em curso, e de outros textos legais que tem por objeto o audiovisual e as políticas de Cultura.

Solicitam:

  • a participação da ABPA nas instâncias de decisões governamentais referentes ao setor audiovisual; e
  • como forma de contribuição direta, assento para ABPA junto ao Conselho Consultivo da Secretaria do Audiovisual – SAv-MinC, e em outros fóruns similares, estaduais e municipais.

A partir do quadro acima exposto, vimos, da mesma forma, nos manifestar a favor do reconhecimento da importância da Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre, e do Centro de Referência Audiovisual (CRAv), em Belo Horizonte, e apoiar publicamente os pleitos dessas instituições.

  • Cinemateca Capitólio - solicitar aos órgãos federais, estaduais e municipais, agilidade no processo de conclusão da obra civil da Cinemateca Capitólio, e sua implantação, como forma de garantir a memória audiovisual gaúcha.
  • CRAv – recomendar a continuidade das ações desenvolvidas pelo CRAv na consolidação de seu projeto institucional e recomposição de seu quadro de funcionários, gravemente afetado pela demissão dos especialistas, em janeiro de 2009.

Ressaltamos que estas iniciativas se incluem em um conjunto maior de ações de fundamental importância para a execução de uma política nacional de preservação do Patrimônio audiovisual brasileiro.

Ouro Preto, 22 de junho de 2009.

Os desafios da digitalização

A biblioteca da Universiade de Cornell, tem uma página dedicada aos processos necessários para transformar objetos analógicos, como livros ou filmes, em objetos digitais.  Dentre as várias etapas elencadas, há uma que chama a atenção pela enorme complexidade.

Umas das perguntas que mais ouço quando falo porque escrevo aqui neste blog é: para que serve isso de cultura digital?

Não se pode dizer, a bem da verdade, que tal pergunta não tenha embutida uma oportunidade para que eu fale de todos os itens que coloquei nesse post aqui. A delimitação de algo  denominado Memória Digital, tem que explicar porque é importante que as legislações sobre arquivos, museus, bibliotecas, cinematecas e, bem como acervos de rádio e televisão, nas quais os profissionais de diversas áreas se apegam na hora de dialogar com pessoas de campos diferentes, sejam pensadas como algo convergente, e não como um cerco.

Também seria interessante explicar porque a TV Brasil, a Biblioteca Nacional e o Museu Nacional de Belas Artes, a Rádio Nacional, deveriam sentar-se para conversar sobre as vantagens e desvantagens de se conseguir um local único de arquivamento, a tal pergunta, sobre qual o tamanho do patrimônio brasileiro.

Claro que os “elementos complexos” não acabam ai… Não foi citada a lei de direito autoral, vigente sobre todas as demais no que se refere aos conteúdos…Nem tão pouco foi falado sobre internet, ou o atual debate sobre banda larga.

Pois cabe falar, também, que tais problemas não são específicos do longo caminho de aprendizado pelo qual passam as instituições brasileiras. Talvez, com iniciativas como essa daqui do Fórum de Cultura Digital, o preconceito sobre tecnologia não diminua. Certamente, são iniciativas que procuram com abertura soluções para problemas que, encastelados nas instituições, as fitas de vídeo, os jornais, os mapas, e muitos outros objetos culturais, se pudessem falar, ansiariam verem resolvidos.

Mas, voltando, dentre os problemas que a Universidade Cornell aponta, estão os de ordem técnica, mas também os de ordem institucional…

WHY IS DIGITAL PRESERVATION SO CHALLENGING?

Esse é o título da seção. E estes são os desafios técnicos:

Acondicionamento: boa parte das pessoas, inclusive aquelas que produzem cultura, não saberia dizer a diferença entre acervo, arquivo e depósito. Isto traz conseqüências na hora de se preservar o que se produz.

Armazenamento: deterioração dos suportes, mau uso, mal acondicionamento e obsolescência.

Arquivos em formatos diferentes: Além da obsolescência, a dependência de formatos proprietários prejudica enormemente, sem contudo impedir, uma unificação dos materiais digitais.

Aqui os desafios organizacionais e administrativos:

Falta de comprometimento com a preservação de longo termo.

Este ponto merece destaque. Afora as divergências entre legislações, perspectivas profissionais e, principalmente, graus de compreensão variados, pode-se se dizer que de uma forma ou de outra, por um motivo ou outro, há um consenso sobre o fato de que o Brasil não pode continuar se autodenominar um país “sem memória”…

Ausência de políticas de preservação.

O fato de que há um (ou algum) consenso sobre o que deve ser preservado não impede, por exemplo, de que esforços no sentido de garantir não apenas a preservação do patrimônio, mas também, a inclusão de um número maior de manifestações tanto tradicionais, como aquelas dos povos quilombolas ou indígenas, quanto atuais, quanto a arte eletrônica.

O caminho para uma convergência de conteúdos, precisa passar por estes e muitos outros desafios. As leis, os campos profissionais fechados e a instituições rígidas, são aqueles que, não sabendo lidar com o diferente e novo, se encastelam e silenciam. Estes, já eram,pois, não será este Fórum que os mudará, mas sim o tempo histórico, quem decidirá.

Por uma delimitação do Eixo de memória Digital

Um dos objetivos deste blog, é apresentar sugestões sobre as discussões do eixo Memória Digital. Ao longo desse processo que vem sendo estabelecido pela coordenação do fórum, foi solicitado aos curadores de cada eixo, que propusessem uma linha de discussão, a delimitação de seus campos.

Embora ainda ocorra mais discussões externas ao Blog, espaço aqui disponibilizado por esta iniciativa do MINC e RNP, como meta do cronograma de elaboração das propostas do eixos, são apresentadas abaixo, a linhas centrais de discussão do eixo de memória digital.  Trata-se de uma proposta aberta, que já incorpora o resultado de sugestões e discussões exteriores ao blog, provindas da coleta de informações de setores e atores envolvidos nesse campo.

Como está afirmado na primeira pagina do Fórum:

Um novo jeito de fazer Política Pública

Bem-vindo à rede social da Cultura Digital Brasileira, espaço público e aberto voltado para a formulação e a construção democrática de uma política pública de cultura digital, integrando cidadãos e insituições governamentais, estatais, da sociedade civil e do mercado.

Este espaço (o Fórum, o qual hospeda esse blog) tem como proposta a possibilidade de colocar, propor, criticar e comentar os conteúdos aqui postados. Tais discussões, somadas a outras, servirão de base para elaborar uma proposta de delimitação de ações do que pode ser feito em termos de digitalização do patrimônio cultural brasileiro.
A continuidade, distribuição e preservação do fluxo histórico cultural do Brasil passa pelo acesso de sua população ao seu patrimônio material e imaterial digitalizado.

Entende-se que a compreensão atual desse fluxo, esteja orientada e distribuída por suportes tais como filmes ou livros. No entanto, percebe-se que novos dispositivos multimídia começam a promover, em seus usuários, a necessidade de adaptação desses conteúdos culturais para serem utilizados e distribuídos digitalmente.

Os objetos e ações culturais não digitais, aqueles que não são criados a partir de código de máquina, passam por um processo de duplicação de suas propriedades, que são transportadas para o digital, ou digitalizadas, por meio de processos distintos. Desta forma, a Memória Digital, seja aquela produzida em meios digitais, ou aquela digitalizada, deve possibilitar a comunicação entre distintos suportes, como possibilidades de convergência de seus conteúdos.

1- Escopo

Propõe-se que a memória digital seja pensada não como campo ou conjunto, mas como fluxos, coletivos, processos. Desta forma, busca-se evidenciar que, tanto o passado quanto o presente, bem como o futuro, podem ser combinados física e conceitualmente por meio de artifícios digitais.

1.1 Objetos digitais
1.2 Processo de digitalização
1.3 Divulgação e circulação

2 -Técnicas e Métodos

As técnicas e tecnologias adotadas pelos diferentes suportes, formatos e padrões atuais, devem ser pensados em dois planos: o atual e o escalar.

O primeiro, atual, diz respeito aos procedimentos historicamente adotados pelos diferentes produtores de comunicação e cultura digital. O segundo, escalar, trata da produção digital futura, bem como das digitalizações atuais: os objetos digitalmente criados e os objetos que serão digitalizados.

2.1 Produção e Armazenamento digital atuais

2.1.1. Hardware
2.1.2. Middleware
2.1.3. Software
2.1.4. Padrões e metadados
2.1.5. Legislações
2.1.6. Acervos digitais

2.1.6.1. Multimídia
2.1.6.2. Bases de dados

2.2   Tipos de Digitalização

2.2.1. Arquivos Planos

2.2.1.1. Imagem
2.2.1.2. Texto

2.2.2.  Acervos Audiovisuais

2.2.2.1. Áudio
2.2.2.2. Vídeo
2.2.2.3. Película

2.2.3.  Objetos tridimensionais

2.2.3.1. Modelagem
2.2.3.2. Protótipo

2.3  Constituição escalar de acervos digitais

2.3.1. Convergência

2.3.1.1. Padrões de produção digital
2.3.1.2. Padrões de digitalização
2.3.1.3. Interoperabilidade de protocolos
2.3.1.4. Padrões de metadados
2.3.1.5. Agregamento colaborativo
2.3.1.6. Direito autoral
2.3.1.7. Acesso e distribuição

2.3.2. Interfaces

2.3.2.1. Acessibilidade
2.3.2.2. Visualização
2.3.2.3. Sonificação

3. Pesquisa e Desenvolvimento

3.1 Mapeamento dos sistemas de armazenamento e gestão digital

3.2 Identificação e quantificação do patrimônio digitalizado

3.3 Desenvolvimento

3.3.1. Hardware
3.3.2. Middleware
3.3.3. Software

São propostas abertas, mais uma vez, comente, modifique, contribua.

Espaços científico-culturais recebem investimento de R$ 16,3 milhões

Leitura interessada do Jornal da Ciência:

Centros e museus de C&T, planetários, jardins zoobotânicos e parques de ciência poderão ser contemplados em edital. Inscrições vão até 5 de dezembro

O edital 064/2009, que selecionará propostas para apoiar atividades que propiciem a instalação e o fortalecimento de espaços científico-culturais, foi lançado ontem. A chamada é fruto de parceria entre o CNPq, a Secretaria de Ciências e Tecnologia para Inclusão Social (Secis) do MCT e as Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs).

As inscrições de propostas vão até 5 de dezembro e projetos voltados para atividades de divulgação científica que valorizem a interatividade também são valorizados.

Na avaliação do CNPq, existem poucos espaços científico-culturais, distribuídos de forma desigual pelo território nacional, o que torna a capacidade para promover a divulgação científica em grande escala ineficiente.

No Brasil, apenas 4% da população visita museus de C&T, uma vez por ano. A principal justificativa é que muitos espaços não desenvolvem atividades interativas ou estimuladoras da criatividade, da observação científica e da experimentação.

Além das atividades de divulgação, essas instituições, quando incentivadas, podem ter um papel importante para a melhoria do ensino de ciências nas escolas. Esse apoio está previsto pelo Plano Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Social.

Promover a expansão e a melhoria dessas ações, tendo como finalidade aprimorar a difusão e popularização da cultura científico-tecnológica junto à sociedade e contribuir para a melhoria da qualidade do ensino das ciências são os objetivos do edital.

Estão previstas atividades para valorizar e estimular a criatividade, a experimentação e a interdisciplinaridade no campo da divulgação científica; colaborar com a melhoria e uma maior atualização/modernização do ensino das ciências em todos os níveis de ensino; estimular jovens para carreiras científicas e tecnológicas; promover o uso e a difusão de resultados da C&T em ações de inclusão social e redução das desigualdades.

Parcerias

A adesão das FAPs, com alocação de recursos próprios, permitirá a ampliação do número de propostas contempladas. Participam as fundações de Alagoas, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe, co-financiando propostas selecionadas cujas instituições sedes estejam em seus respectivos estados.

Estão disponíveis R$ 16,31 milhões, sendo R$ 7 milhões da Ação Transversal do FNDCT/Fundos Setoriais e R$ 9,31 milhões das FAPs parceiras.

O proponente pode ser pesquisador, professor ou especialista vinculado à instituição de pesquisa, museu e centro de C&T, planetário, jardim zoobotânico, parque da ciência e outros espaços científico-culturais, empresa pública que execute atividades de pesquisa em C,T&I e de popularização da C&T, todas sem fins lucrativos.

Além disso, deve ser obrigatoriamente o coordenador do projeto, ter o currículo cadastrado na Plataforma Lattes e vínculo formal com instituição. As propostas devem ser encaminhadas ao CNPq exclusivamente por meio do Formulário de Propostas On-line, disponível na Plataforma Carlos Chagas.

O edital está em www.cnpq.br/editais/ct/2009/064.htm

(Com informações da Assessoria de Comunicação do CNPq)

Para que serve um Acervo Digital: desdobramentos…

O exemplo dos trabalhos escolares, como elemento cultural a ser levando em conta quando se fala de memória, é propositado.  Poderia ter usado a televisão digital, outro assunto visto como independente de outros como bibliotecas, ou museus… Visa indicar que há uma compreensão dicotômica sobre o que se entende por cultura, e o que se concebe como “outras áreas’. Mas, ainda mais profunda, é a concepção, ou classificação, do que seja documentável. Isto porque para que seja documento, é necessária a formalização científica, institucional.

Assim, os quilombos hoje são vistos, ora como abuso e má fé, ora como uma oportunidade do Brasil se reconhecer como nação digna de respeito cultural e compreensão antropológica. Falta a eles voz( ou comunicação), lhes falta documentos (ou aqueles objetos que são legitimados cientificamente como documentos) Param além da discussão entre formas de cultura, novas e antigas, há o que existe de humano nelas, o que faz ir além da classificação, ou seu movimento criativo.

Um dilema de bases de dados, de classificação de objetos, de adoção de protocolos, e de adequação das agendas institucionais emerge desse cenário. O que é um documento, quem é seu autor, quem pode classificá-lo? São perguntas que, na verdade, derivam de outra, mais fundamental. Qual é o fluxo da produção cultural digital?

Uma coisa é se perguntar sobre quais são os elementos… que têm diferentes interesses. Outra coisa, é se perguntar quais são os caminhos que esses elementos percorrem. Não seus interesses, mas seus caminhos. Se for possível pensar os caminhos tecnológicos comuns pelos quais esses conteúdos trafegam, há uma possibilidade de inserir novos conteúdos, bem como participar do existentes, em termos digitais.

No site do TED, é possível ver o que Tim Berners-Lee, disse sobre esse dados, documentos, e outras coisas. Embora eu ache que essa apresentação tem um pouco de egotrip, o assunto é altamente pertinente. Abaixo, um  trecho do diálogo:

De fato se for responsável. Se você encontrar dados no governo, quase sempre irá achar essas pessoas, elas são tentadas a retê-los. O Hans chama isso de abraço no banco de dados. Você abraça seu banco, você não quer que vá embora até que você faça um belo site para ele. Bem, eu sugiro que ao invés disso, quero dizer, sim, faça um site lindo. Quem sou eu pra dizer para não fazer um belo site? Faça um belo site, mas primeiro nos dê os dados inalterados, nós queremos os dados. Nós queremos os dados inalterados. OK, nós vamos pedir os dados agora. e estou pedindo para vocês praticarem, OK?

Digam “puros”.

Platéia: Puros.

TED: Tim Berners-Lee, sobre a web, os dados e o acesso a ambos.

Para que serve um Acervo Digital?

Este post  tem o objetivo de fazer um balanço. Tenho como missão organizar um conjunto qualificado de ações, propostas, e conceitos relativos a Acervo, Memória, História, Identidade e Cultura Digital. Entendo que para isto, são necessários elementos de diversas áreas, perspectivas e percepções diferentes. Por exemplo, um comentário sobre o post, Na cultura digital, quem define o que é um documento? observou o seguinte parágrafo do texto:

“A variedade de ações, objetos, políticas, conteúdos, padrões, acervos, propósitos, públicos, legislações entre muitos outros aspectos que constituem e interligam esse sistema é imensa. Do mesmo tamanho, são as realidades da Comunicação, da Ciência e Tecnologia e da Educação, para ficar na esfera do Governo Federal. Soma-se a essas estruturas, outros elementos, como os econômicos, os jurídicos, e os legislativos. Esse quadro complexo, todo ele, pode ser unificado (e não necessariamente de forma centralizada) pela tecnologia Digital.”

Então o que acontece que esta questão pode ser equacionada em sua dimensão coletiva, ou sua rede, como um acervo. O número de iniciativas que estão me curso, digitalizando conteúdos das mais diversas ordens e materialidades necessita de uma discussão, ou melhor, de um diálogo.

Não há como separar a produção tecnológica de seus interesses políticos. Quando digo políticos não digo partidários, bem claro. Pois bem, acontece que as políticas de tratamento da informação nunca tiveram reconhecida, quanto mais prevista, sua real importância. Dessa maneira, a figura do bibliotecário, era pejorativamente construída como aquele que se incumbia de tratar do depósito, do arquivo, ou do acervo. Estas diferenciações não são apenas de ordem técnica, são, antes de tudo, de ordem política.

A inclusão de objetos que não se enquadram nas definições do que seja documentável. levanta essa hierarquia de modo semelhante ao das questões sobre o conhecimento tradicional. Por exemplo, porque será que as bibliotecas, os museus, as cinematecas não tem indexadas como “ciência” várias manifestações que são,m ao mesmo tempo festas populares, mas têm por motivos de construção do ritual , um expertise tecnológica?

Como já foi notado nesse blog, há esforços esparsos sobre essa questão. Contudo, há também outras esferas sociais, que nã as acadêmicas, que também estão se defrontando com essa realidade. As escolas públicas , por exemplo. Objetos como os “trabalhos escolares” precisam e estão sendo revistos. Isso implica que não apenas “redações” estão sendo feitas. Hoje em dia, há uma gama de projetos que apóiam a produção de conteúdo temático, a partir de suportes como o vídeo, a animação, a fotografia, e mesmo outras formas como a dança e o teatro. Como chamar estas produções culturais de trabalhos escolares?

Não raro, estes trabalhos, como o videogame feito por alunos da rede municipal do Rio de janeiro têm esse fim aqui que reproduzo dos comentários do próprio inventor do jogo:

Leia os comentários:

Júlio  (julio-hellsing@hotmail.com):
Apenas para corrigir meu e-mail (postando o novo) Voltamos a produção de alguns jogos, adicionem no msn para mais detalhes, o meu e-mail continua sendo o de baixo, apenas o msn mudou! Obrigado
22 de junho de 2009 – 19:49
Júlio  (scar0000@gmail.com):nenhum comentário? Bom estou aqui deixando meu e-mail para dúvidas e contatos: scar0000@gmail.com (msn tbm)

Como dá para notar. O “trabalho escolar” tinha, claramente outras expectativas. Daria para dizer isso das monografias, das dissertações, das teses…Dizer que não se trata de produção cultural, que não há aplicação de tecnologia, e que esta não pode ser potencializada, se inserida  no corpo bibliográfico dos campos tecnológicos, não é uma posição conseqüente. Isso só ocorre quando alguém estuda essa produção. O nome que vai ser dado a ela, científica, cultural, pedagógica artística, é portanto político. E já que esse termo tem o sentido de participação, de comprometimento com ações públicas, como não reconhecer essa produção nestes seus vários sentidos?

Os desafios de se pensar o que seja um Acervo Digital são dessa ordem. São complexos, em rede, e com ruído nos seus canais. Adiante. Os trabalhos escolares, as peças de arte digital, as peças de cultura tradicional, os objetos que não estão nas categorias de classificação, e portanto não são incorporadas aos acervos, estão crescendo, esse entorno de informal, ou de informação não sistematizada, precisa ser pensado como parte de uma memória cultural, pública. Os meios de expressão e a expressão desse meios são dinâmicos.

As sociedades e a busca da informação crítica.

Society of the Query conference

Cartaz da Conferência Society of the Query

Muito legal o tema da conferência (dica do efeefe, aqui do Fórum) que vai ocorrer dias 13 e 14 de novembro, em Amsterdam, Holanda. O encontro coloca uma questão muito pertinente, por sinal,  a esse Fórum de Cultura Digital.  Procurar, buscar apenas, ou questionar?  Em termos de fontes confiáveis, essa é uma questão política e tecnológica, o que, em termos antropológicos, é a mesma coisa.

O encontro tem a proposta de discutir os seguintes assuntos:

  • Como a idéia de “máquinas inteligentes” influencia campos do saber que têm a “organização do conhecimento” como área?
  • Como os aspectos jurídicos, legais, estão dispostos nessas configurações tecnológicas?
  • O que fazer com a ubiquidade do Google? Estaria esta empresa afetando os modos como o conhecimento se distribui, bem como as práticas culturais?
  • Há um papel hegemônico na atuação dessas empresas? Não apenas o Google, mas o Bing ( Yahoo/ Microsoft) e outras? Estariam elas alterando os fluxos culturais, como no caso dos saberes tradicionais que não estão na internet? Como seria uma regulação desse fluxo?
  • Levando em conta os avanços trabalhos com arte e design da informação, como obter interfaces mias sofisticadas, mais centradas na usabilidade? Como melhorar as formas de apresentar os resultados?
  • Quais são as alternativas existentes, em software, em redes e, para o usuário, que desafiam os atuais paradigmas ( ou paradogmas, heheh) existentes…

Os temas da Conferência

  • Sociedades de busca
  • Direitos Civis Digitais e Estudo Crítico da Mídia.
  • Buscas Alternativas
  • A “Googlelização” de tudo
  • Arte e Máquinas

Mais na página do evento com outras informações.

O legal disso tudo, é que há uma variedade de sites que se dedicam a discutir isso de vários pontos de vista: de negócios, de publicidade, de Cência da Informação…sinal de que a web é pervasiva. Aqui, por exemplo, uma lista bem legal dos “sites de busca” que já existiram (existe uma lista em português, mas não tão atualizada).

Novamente, o assunto meta tags, em evidência. Indexação e informação. E e ai, na cultura Digital quem diz o que é um documento?

Biblioteca de bolso

Texto do Le Monde Diplomatic com uma questão: Acervo portátil? Como ultrapassar o formato restritivo dos suportes dos acervos (mídias físicas) com uma distribuição adequada a outros meios  e suportes, como por exemplo, os ubíquos telefones…

Uma prévia da questão:

“Em tempos de Google, os livros eletrônicos se somam ao processo de digitalização de “todos os saberes da
humanidade”. Acervos inteiros de bibliotecas já podem ser lidos pelo computador, em detrimento das versões
impressas, que permanecem um bastião da resistência ao imediatismo do fluxo incessante de informações”
POR CÉDRIC BIAGINI E GUILLAUME CARNINO*

leia aqui