Archive for the ‘ Padrões ’ Category

Tudo muda rápido, o agora é a memória.

Já houve muitas iniciativas para discutir a memória. Já houve muitas discussões. Já se ouve, que haverá novas discussões. Todas elas são necessárias, mas seria importante, na mesma medida, que os resultados se traduzissem em práticas. Eu havia pensado que nesta segunda edição do Fórum, seria interessante que se fizesse um apanhado do que realmente se conseguiu em termos das discussões sobre acervos digitais no Brasil. Para começar, dentro de casa.  Claro está que a figura abaixo, mostra o quanto temos que discutir ainda. Mas estamos, ao menos, cientes. Mais por vir.

Waybackmachine, o acervo de páginas da do Internet Archive

O momento atual é o de que linhas de financiamento, recordes de bilheteria e número de filmes produzidos no Brasil aumentam.  Em todas as outras esferas de produção de conteúdos, em todas elas, o cenário é semelhante: na musica, nas artes plásticas, no teatro, na dança, nos games, no vídeo, no mercado editorial…nuca se produziu tanto. Contudo, os acervos, e sua parte mais sensível, seus conteúdos, têm o real inconveniente se serem esquecidos. Real porque o que sabemos do passado, é aquilo, e somente aquilo, que foi preservado. Inconveniente porque, antes de tudo trata-se, literalmente, de uma questão de conveniência.

Os bisões das cavernas de Lascaux, na França, relíquias consagradas que devem ser preservadas, foram tidos por muitos anos, desde sua descoberta em 1940, como prova incontestável de uma linha de evolução da espécie humana. Assim, na Europa, estaria o ápice de uma era, na qual se dá, segundo essa ótica, o nascimento do simbolismo humano.Ocorre que em 2002, foi localizada em Blombos, na África do Sul, outra prova, igualmente incontestável, de que o simbolismo localizado nesse lugar, foi o que deu possibilidade da existência de Lascaux. Tal mudança, rápida em termos históricos, vem junto com outras de natureza arqueologicamente semelhante.

Aqui, no Brasil, onde as mudanças na cultura digital não são menos rápidas, os destinos dos acervos, no que tange ao uso e aos procedimentos ( o que implica questões de guarda, tecnologias, direitos autorais, legislações , tramites jurídicos, relações econômicas…) está sendo também discutido:

Será possível observar discussões sobre a Memória no Fórum 2010. O  que consta da ata acima, se for discutido, será uma reação da sociedade civil, além de conveniente, da mesma forma, rápida. As tecnologias livres, como os padrões de arquivos ou softwares, foram alvo de discussões do Seminário sobre Acervos Digitais, em 2010,  do Fórum da Cultura Digital Brasileira, em 2009, do Seminário Vias da Cultura, em 2009, do Seminário do CGI.br em 2007, e outras, menores em tamanho , mas não em relevância, ocorreram, e outras ocorrerão. Os acervos, esses, vão surgir, um pouco mais lentos. Qual é a participação dos movimentos que compõe os grupos interessados em acervos, nestes assuntos já em discussão? Tudo muito rápido.

Um exemplo de “documentação escolar”.

O trabalho de faculdade de Tomas Nilsson, é um exemplo de como um incontável número de trabalhos “escolares” são criados, nem sempre guardados e, pior, não compartilhados.  O de Tomas, conta a história de chapeuzinho vermelho. A frase mais que gasta sobre nossa época e o ” acúmulo de conhecimento” não seria possível, se dependermos dos conhecimentos contidos nos trabalhos escolares. Está claro que há, sim uma enorme preservação da documentação escolar: trabalhos são premiados, o youtube tem aproximadamente 4510 vídeos descritos com esses termos, mas isso não é nem de longe o possível. O Brasil está inserido na comunidade científica, onde os trabalhos “escolares” mais complexos, como monografias, dissertações e teses, são, em sua maioria, documentados, preservados e indexados em base de dados.

Um edital sobre Acervos Digitais…

Do Observatório de Editais:

http://www.cultura.gov.br/site/2010/04/12/programa-de-incentivo-a-producao-do-conhecimento-tecnico-e-cientifico-na-area-da-cultura-2010/

12 de abril de 2010
Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnico e Científico na Área da Cultura – 2010
Inscrições até 24 de maio

Este edital tem como objeto selecionar bolsistas para o Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnico e Científico na Área da Cultura da FCRB, cuja finalidade é formar, treinar e capacitar recursos humanos em programas, projetos e atividades de pesquisa, desenvolvimento institucional, tecnológico e de referência em preservação e tratamento técnico de acervos museológico, arquivístico, bibliográfico e arquitetônico da FCRB, assim como nas áreas de pesquisa em história, direito, filologia, estudos ruianos e políticas culturais, de modo a fortalecer o cumprimento da missão institucional da Fundação, que é “promover a preservação e a pesquisa da memória e da produção literária e humanística e congregar iniciativas de reflexão e debate acerca da cultura brasileira, contribuindo para o conhecimento da sua diversidade e para o fortalecimento da cidadania.

Edital

* Publicado por Geisa – Observatório dos Editais
* Categoria(s): INSCRIÇÕES ABERTAS, Inscrições Abertas
* Tags: Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnic

A importância da Memória para a Cultura.

Em geral, quando se discute o que significa cultura, a palavra tradição sempre aparece. Cultura, que pode ter também o significado de cultivar, culto, e demais extensões, dessa maneira quer dizer aquilo que se mantém, que se perpetua, se preserva. O limite entre o que se apaga e o que se recorda, se registra, é tênue, é principalmente, o limite do interesse…

altura da coluna indica buscas no inicio do terceiro mês de 2010.

altura da última coluna indica buscas no inicio do terceiro mês de 2010.

Assim, mais do que o passado, a tradição é usada como uma regra para o presente: ” faremos assim porque nossos ancestrais fizeram, ou faziam …” então mesmo o futuro, ou aquilo se é decidido que será preservado, está baseado na tradição. Isto vale tanto para a educação ou costumes, quanto para as leis. Assim, por exemplo, financiamentos públicos têm, também, uma tradição de destinação das verbas, baseadas em estimativas passadas.  Ocorre que o passado, ao contrário do que se pensa, é móvel, dinâmico. Já fomos, brasileiros de muitas maneiras, de muitos lugares e hoje, sem dúvida, estamos em transição.

Quando se discute banda larga, concessão dos meios de comunicação, direito autoral, padrões de tecnologia audiovisual, de leitores de livros eletrônicos, de sistemas operacionais, discute-se junto, sempre, a cultura. Assim, é possível ler sobre o Brasil, não raro, sendo apontado como um país progressista, em termos da elaboração de propostas para questões como os direitos autorais, quebra de patentes medicamentos, ou mesmo participação nas discussões sobre o clima. Claro que o Brasil tem idéias e participações que precisam melhorar, mas sem empenho, participação, cobrança e boa vontade, não há muito a ser feito.  Afora isso, o processo da participação social tem demonstrado avanços na visão que o pais tem de sí e dos demais países. Para o lado bom, e o nem tanto, estamos aprendendo nossas possibilidades no mundo.

Junto a esse movimento de fazer um presente mais participativo, aberto, vêm também a necessidade de preservação do que se constrói coletivamente. Para quem procura pela história dos movimentos sociais no brasil, há poucas fontes que reúnam de forma sistemática as ações realizadas por esses coletivos. Não se trata apenas de falta de imagens, mas sim de cervos, de conjuntos sistemáticos de objetos culturalmente valorizados.

A mesma situação existe para os milhares de shows musicais, trabalhos escolares, o pesquisas acadêmicas, grupos de estudo, de atividades esportivas, de associações culturais, enfim, a sociedade civil organizada. Num período de tanta agitação como hoje, isso pode parecer nagativismo, mas a cultura que atualmente se produz não tem garantia de existir amanhã. Com o conteúdo digital, isso se acentua, em muito.

O programa “Pontos de Cultura” é uma iniciativa governamental iniciada em 2003. Visa democratizar de forma livre e qualificada, o acesso à informação da população brasileira. Como um programa governamental, é composto por verbas que são destinadas a sua realização. Tais recursos, uma vez bem gastos, retornarão aos contribuintes na forma de atividades relacionadas à produção cultura, busca pela cidadania e humanização do ambiente. Ocorre que, sem equívoco, menos de dez por cento de todos os pontos de cultura, o processo mais dinâmico em termos sociais no momento, têm um acervo audiovisual adequado. A indexação dos conteúdos, reduz esse número…O fato é que tal programa, replicado em países como, Inglaterra, Itália, Áustria, Argentina, Uruguai ou Paraguai, não pode ter o mesmo destino que tantos outros, governamentais ou não.

As ações que estão em curso hoje não podem ser tomadas como perenes. São fruto de pessoas que as realizam, mas isto deve, de forma coletiva, ser preservado. Para isso, cabe recursos do governo e sociedade civil mobilizada, no sentido de garantir tal preservação. Se a Conferência Nacional de Comunicação, CONFECOM, não discutiu de forma necessária a questão dos acervos e digitalização, a CONFECULT, ou Conferência Nacional de Cultura, não poderia ser da a esse descuido. Para além da definição  errônea e dicotômica entre “graus” de cultura, existe a dignidade do que se considera expressão do espírito humano: sua engenhosidade e infinidade.

Fight for your pattern

Fight for your pattern, ou,  literalmente:”lute por seu padrão”, foi a frase dita por amigo, em alusão ao filme “faça a coisa certa” do Spike Lee , cuja trilha sonora, feita pelo Public Enemy diz: “fight for your right“. O “right” substituído, ai no caso do meu amigo, é o direito de escolher, nesse mundo de informação, o padrão de que mais lhe convém: o de vestimenta, de leitura, de diversão , de trabalho…isto é, sua identidade.

De um certo ponto de vista, qualquer luta implica em anulação, vencimento daquilo contra o qual se combate…para isso é preciso agressão….Disse a ele então, que o Mestre Pastinha tem uma frase interessante que contrasta com esta visão de mundo historicamente formada. Ele dizia:”você não faz com raiva, o que eu faço brincando”. Hoje em dia, como muitas coisas são rápidas e rasas, efêmeras, as pessoas esquecem que a duração desse tempo, assim como sua memória, são partes de uma categoria bem maior que presente ou passado: a história.  Assim, nem tudo na vida dura apenas seis meses, nem tudo tem um refil… e o caso é que, em termos culturais, quando se fala de identidade, os estereótipos são um problema. Estéreo, em grego, quer dizer “sólido”, ou seja, estereotipar é solidificar a identidade de algo, de alguém, ignorando o fluxo temporal contínuo da história humana.

No caso dos personagens do filme de Spike Lee, junto com a notável “solidez” do som, as identidades ali também aparecem estereotipadas, pois o diretor queria enfocar que a informação, os produtos “culturais” de um “grupo”, podem ser tanto fonte de libertação quanto de opressão. Podemos ser prisioneiros de nossas próprias identidades, se não aceitamos as dos outros como válidas também.

No início dos anos noventa, os “buscadores”de páginas web, todos eles, tinham um link dizendo, “insira aqui seu resultado”, ou coisa semelhante. Agora, que o futuro já chegou e temos que reinventá-lo para seguir em frente, a situação da produção de informações se multiplica para muitos caminhos divergentes. Os resultados passaram a ser relevantes pelo número de buscas, ou padrões de recorrência, para tornarem algo legitimado, ou identificá-lo como tal.

Como sinais da convergência dos meios, tanto as grandes empresas de busca, quantos as pequenas, nos laboratórios das universidades estão desenvolvendo mecanismos de busca “preditiva”, ou antecipatória. Isto ocorre porque tanto no caso de bilhões de buscas diárias, ou de vocabulários controlados, há a emergência de padrões. O que significa que, se tudo der certo, haverá uma dependência maior desses mecanismos, além de uma redução na capacidade de busca autônoma, ou pensamento analítico. Não basta ter tecnologia de excelência, tem que haver excelência no pensamento que busca. E isso, só se consegue sendo crítico: comparando, avaliando e decidindo, em termos sempre provisórios, o que se compreende por “resultado”. Um acervo valioso só vira informação útil quando responde á pergunta certa.

O filme de Spike Lee, “Faça a coisa certa”, conta a história de como o contato entre as culturas que formam o povo estadunidense, ou qualquer povo, pode atrapalhar, ou a ser uma solução de existência, de acordo com os modelos de organização. De nada adianta a ciência ter já demonstrado cabalmente que o que se concebe como “ocidente”, e mesmo “Europa” “África”ou “Ásia”, nada mais são do que um somatório de histórias, descrições de lugares e tempos distantes. Vá até um cantão isolado na Suiça perguntar o que o habitante de lá acha da União Européia. Em seguida, pergunte a um membro de uma localidade no Congo, onde não há cidades, por exemplo, o que ele pensa da colonização européia e as respostas serão parecidas: sabemo o que é, mas estas “entidades” não nos afetaram irremediavelmente, como aconteceu em outros lugares dentro desses países.

Os padrões de vida, os hábitos tantos os impostos quanto os adquiridos voluntariamente, como a leitura, por exemplo, são técnicas humanas de existência. Comumente chamadas de cultura, esses padrões já foram descritos como “Comunidades Imaginárias”, “Estados”, “Civilizações”, “Sociedades”, “Mercados”…enfim, construções  de sistemas de informação distribuídos coletivamente. Modelos de organização da informação baseados em necessidades específicas no tempo-espaço humanos, deram origem à diversas estruturas, processos e, por final, desigualdades, erros, elementos desestruturantes que tais sistemas apresentam historicamente.

A complexidade das informações, ou a intensificação dos registros materiais (os documentos) dos conhecimentos sociais, tem sempre como consequência, os interesses de regular a criação, distribuição e preservação desses conhecimentos, permitindo ou não que estes formem padrões: de hábito, de moral, de estética..de identidade. Se por um lado, a produção da informação é algo político, por outro, a política tem em si um componente informativo, o de contar com  a possibilidade de definir o que seja informação, conhecimento ou valor. Dessa forma, o Fórum da Cultura Digital, teve em 2009, consultas públicas para que se definisse um padrão de condutas socialmente aceitável na internet, essa sociedade global sem território nacional.

A discussão está postada, mas não desenvolvida.

A Carta de Ouro Preto 2009 da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA)

da fonte: http://abpablog.wordpress.com/

Os integrantes da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA) e os participantes do 4º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros, reunidos na 4ª Mostra de Cinema de Ouro Preto – CINEOP, reafirmam este evento como fórum de discussão e encaminhamento de reflexões e ações para a preservação do patrimônio audiovisual brasileiro.

Considerando:

  • a urgência do reconhecimento da relevância desse Patrimônio Cultural pelos poderes públicos, pela sociedade, inclusive pelos profissionais das atividades cinematográficas e audiovisuais;
  • a constatação do risco iminente de desaparecimento desse Patrimônio Cultural, que representa igualmente um ativo econômico e se encontra em condições desiguais de preservação nas diferentes unidades da Federação;
  • a insuficiência de uma política pública específica e sistemática que contemple o campo da preservação audiovisual no Brasil;
  • que a ABPA foi designada pelas organizações, instituições, entidades e profissionais presentes, ligados ao campo da preservação, como entidade representativa e interlocutora junto aos demais segmentos da área audiovisual, à sociedade civil e ao poder público.

Afirmam que:

  • diante da carência de recursos financeiros e humanos, e de mecanismos específicos destinados ao campo da preservação, questionam a manutenção da disparidade existente e propõem uma distribuição equânime dos recursos públicos para o setor audiovisual; e
  • destacam que existem necessidades específicas do campo da preservação audiovisual que devem ser consideradas na reformulação da Lei Rouanet, em curso, e de outros textos legais que tem por objeto o audiovisual e as políticas de Cultura.

Solicitam:

  • a participação da ABPA nas instâncias de decisões governamentais referentes ao setor audiovisual; e
  • como forma de contribuição direta, assento para ABPA junto ao Conselho Consultivo da Secretaria do Audiovisual – SAv-MinC, e em outros fóruns similares, estaduais e municipais.

A partir do quadro acima exposto, vimos, da mesma forma, nos manifestar a favor do reconhecimento da importância da Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre, e do Centro de Referência Audiovisual (CRAv), em Belo Horizonte, e apoiar publicamente os pleitos dessas instituições.

  • Cinemateca Capitólio - solicitar aos órgãos federais, estaduais e municipais, agilidade no processo de conclusão da obra civil da Cinemateca Capitólio, e sua implantação, como forma de garantir a memória audiovisual gaúcha.
  • CRAv – recomendar a continuidade das ações desenvolvidas pelo CRAv na consolidação de seu projeto institucional e recomposição de seu quadro de funcionários, gravemente afetado pela demissão dos especialistas, em janeiro de 2009.

Ressaltamos que estas iniciativas se incluem em um conjunto maior de ações de fundamental importância para a execução de uma política nacional de preservação do Patrimônio audiovisual brasileiro.

Ouro Preto, 22 de junho de 2009.

[Bib_virtual] Um novo blog na praça

Difusão:
Prezados colegas,

estamos lançando um novo blog na praça. Trata-se do Blog Repositórios
Institucionais Brasileiros <http://blogrib.wordpress.com> que tem como
objetivo principal acompanhar o desenvolvimento de repositórios
institucionais de acesso livre no Brasil. Portanto, não apenas acessem
este blog, mas também, por favor, nos encaminhem matérias sobre
repositórios institucionais e, em especial aquelas instituições que
estejam implantando os seus repositórios institucionais, encaminhem
matérias contendo o estágio de desenvolvimento de seus blogs para o meu
email: kuramoto@ibict.br ou para a Sra. Aline Ferrari, pelo email:
alineferrari@ibict.br. O referido blog terão a colaboração da Dra.
Bianca Amaro de Melo, do Fernando César Lima Leite e da Aline Ferrari.

Cordiais Saudações.
Hélio Kuramoto
_______________________________________________
Arquivos da Bib_virtual: http://listas.ibict.br/pipermail/bib_virtual/
Instruções para desiscrever-se por conta própria:
http://listas.ibict.br/cgi-bin/mailman/options/bib_virtual
Bib_virtual mailing list
Bib_virtual@ibict.br
http://listas.ibict.br/cgi-bin/mailman/listinfo/bib_virtual

Open Hardware e Software: a integração com o que já existe.

Quando se fala em Cultura Digital, normalmente se tem a noção de algo dentro do computador. Digital é, de forma “geral, ampla e irrestrita”, tudo que se transformou em código de máquina. Mas nem tudo. Por exemplo, hoje em dia, quando alguém diz:” preciso trocar minha máquina”, muito dificilmente  pensa em engrenagens…

O sucesso do Linux, sistema operacional baseado em código fonte aberto, ou open source, não se restringe apenas ao mundo das “máquinas digitais”, vai além, como uma alternativa ao que hoje (ou já desde algum tempo)  se entende por tecnologias proprietárias.

Um dos precursores desse movimento, Lawrence Lessig, escreveu, em 2004, um livro clássico ( link para o pdf) , seminal, no qual expõe suas idéias sobre o que seria uma “cultura livre”. Desde então, esse professor de direito, tem mostrado que cometemos erros, ao igualarmos economia, ao sistema econômico capitalista. Tendo em vista que este é um, dos muitos sistemas possíveis de fazer circular nas sociedades os bens por elas produzidos. Capitalismo é uma, dentre muitas, das formas possíveis de economia.

Assim, vivemos um momento de questionar o que queremos como modelo de divisão social: do  saber, do capital, do trabalho, das relações sociais…

Esse movimento, de pensar a liberdade de uma economia não baseada no sistema mercantil, é pensado em muitas esferas. Um dos websites científicos que mais cresce, o Plos, Public Library of Science, seria impensável sem a internet, pois os custos de publicação, seriam proibitivos. Como o Plos é online, os pesquisadores apenas têm que concordar em terem publicados seus trabalhos num espaço acessível a quem se interesse. Nele, caso alguém se interessa, está boa parte dos dados sobre o genoma humano.

Agora, este movimento, que já se encontra bem difundido na produção de software, chega, de maneira bem acelerada, às máquinas. Se já se ouvia falar de “Open Sofrware”, “Open Hardware”, dessa vez, busca fazer o mesmo percurso colaborativo para que as máquinas agora, sejam produzidas de forma livre. Algum dia, nem todos os carros (se ainda for este o modelo de transporte) serão feitos em fábricas, ou de maneira solitária, por algum engenheiro solitário em alguma garagem. Com a internet, tornou-se mais fácil  compartilhar e dividir esforços no sentido de construções tecnológicas coletivas.

Um exemplo disso, é Open Hardware Conference,  que acontece agora, dia 4 de dezembro durante todo o dia, em Londres. Lá, estão agendados alguns assuntos que já foram questões do software livre, a agora, passam para outras esferas, físicas. Como organizar coletivos que pensem a colaboração entre engenheiros, designers e demais profissionais para a produção? De que forma podem ser incentivadas ações que promovam o espírito altruísta, pragmático econômico na produção de objetos complexos, como os equivalentes hardwares proprietários? Qual seria o equivalente ( em termos de patentes) ao modelo de licenciamento que fez sucesso no caso do software, o modelo  GPL (Licença Pública Geral do GNU) do Creative Commons ?

Ainda que a cultura digital não seja algo assim tão novo, as novidades que ela permite não cessam. Mas, além disso, diferente dos modelos econômicos anteriores, estas mudanças não são para serem apenas assistidas, são, assim como as demais ações que estão em curso nesse movimento, para serem participativas, colaborativas e livres.

Paredes interativas, wiimote e tecnologias livres

Quando se pensa em “tecnologia de ponta”, equipamentos caros, de milhares de dólares (ou reais…) são uma referência quase imediata. O pesquisador Johnny Chung Lee contradiz essa idéia. Ele é o inventor de algumas idéias que não só custam muito barato, mas além disso, parecem que saíram de laboratórios de pesquisa com alto custo de financiamento. Para se ter uma idéia, ele projetou uma steadycam, um equipamento, caro, que é utilizado para estabilizar a gravação de imagens em movimento. O diferencial de Chung Lee, é que seu invento custa 14 doláres.

embedded by Embedded Video

O conceito por tras das invenções de Lee é simples. Ele utiliza peças do cotidiano: canetas, fita adesiva e todos os materiais que estão ao alcance de mãos não especializadas. O famoso jeito DIY de se fazer as coisas. Mas uma de suas invenções, o Wiimote tem o potencial para simplesmente revolucionar o uso de tecnologias interativas a baixo custo. Trata-se de um controle de videogame que adaptado com o software que Lee disponibiliza em sua página, transforma superfícies em quadros interativos, daqueles onde se pode, com a mãos, movimentar objetos virtuais.

Estas, e muitas outras soluções tecnológicas de baixo custo poderiam ser adotadas por escolas, bibliotecas, museus, centro culturais, pontos de cultura… como forma de dar acesso a instrumentos que até pouco tempo, eram caros e inacessíveis.

Além da desmistificação inerente, há também outro lado nessas tecnologias alternativas: elas podem ser feitas a partir de iniciativas locais, prescindindo de complicados( mas necessários) procedimentos de compra ou uso do dinheiro público.

Isto é o que se denominou chamar de “open hardware“, isto é, tecnologias que não são exclusivas de grandes empresas privadas e uso comercial restrito por patentes… Estamos num momento histórico da tecnologia que, mais do que nunca, propiciará tecnologias que não virão de soluções comerciais somente.

Criatividade + pesquisa + acesso = democracia. Fórmula não mágicas, mas abertas e livres.

RES: RES: RES: arquivos audiovisuais

Nossa cultura brasileira, como qualquer outra, não é feita só de rosas. Há espinhos, e muitos. Porém nessa metáfora de jardim, há que se enxergar que existem muitas variedades. O assunto desse post é a transparência. Não aquela demagógica, que diz ser uma coisa e mostra outra. Já trabalhei, ou melhor, ocupei um desses famigerados “cargos públicos”, quando trabalhei na Empresa Municipal de Multimeios da Prefeitura do Rio de Janeiro.

Embora haja muitas críticas fundamentadas sobre os servidores , lá, aprendi que, assim como em qualquer outro lugar, o serviço público tem, sim,  o “lixo” e o “luxo”, convivendo com gente que me ensinou muito, mas muito mesmo. Enfim, essa introdução pessoal serve aqui como testemunho para corroborar uma constatação (minha) de que  a consulta que fiz anteontem ao CONARQ, Conselho Nacional de Arquivos foi positiva.

Eu poderia fazer uma crítica não-construtiva, e perguntar porque somente em 2010, será possível obter parâmetros sobre as especificações técnicas a respeito de acervos audiovisuais. Poderia, também, me perguntar sobre o silêncio (sempre ele…) de pessoas que poderiam ter respondido a tal pergunta antes. Este não é meu objetivo, e fazer esta pergunta sem ter as informações necessárias é algo inconsequente… Trata-se de um assunto complexo e, ao invés de reclamar sobre a proposição dessas especificações, penso que o melhor e mais positivo é torcer para que elas acabem ( ou minorem ) com um dos maiores problemas que atrapalham os esforços de digitalização de acervos. Para se ter um exemplo ( entre outros)concreto, a duplicação de acervos é decorrência dessa ausência. Isto, espero será tratado com padrões técnicos, que propiciaram a pletora de padrões e formatos hoje existentes… Neste momento em que se dá a formulação de um marco civil para a Internet brasileira., é importante reconhecer que instituições como CONARQ, trabalham no sentido de que tenhamos guias de procedimentos que beneficiam a sociedade como um todo.

Assim, obtive a permissão para reproduzir abaixo as comunicações sobre a consulta que fiz a respeito das especificações técnicas sobre acervos  audiovisuais:

De: Rogério Santana Lourenço
Enviado: quarta-feira, 25 de novembro de 2009 11:55
Para: Conarq
Assunto: arquivos audiovisuais

Gostaria de saber quais são as especificações técnicas do CONARQ sobre arquivos  audiovisuais. Tendo em vista que grande parte do patrimônio brasileiro está contida nesses suportes( cinema, vídeo, e agora, os arquivos digitais) quais são as recomendações dessa instituição sobre os mesmos? Grato, aguardo vossa resposta.

Rogério Lourenço

Prezado Rogério,

Para responder adequadamente a sua consulta, peço a fineza de informar em que instituição exerce suas funções, qual o cargo que ocupa e telefone para contato.

Atenciosamente,
Luis Carlos / CONARQ
Presidência da República – Casa Civil
Arquivo Nacional – Conselho Nacional de Arquivos – CONARQ
Praça da República, 173 – Centro.
20211-350 Rio de Janeiro, RJ – Brasil
Tel: (55-21) 2179-1271 / 1293
Fax: (55-21) 2179-1293
E-mail: conarq@arquivonacional.gov.br<mailto:conarq@arquivonacional.gov.br>
Sítio web:
www.conarq.arquivonacional.gov.br<http://www.conarq.arquivonacional.gov.br/>

________________________________________________________________________

De: Rogério Santana Lourenço
Enviado: quarta-feira, 25 de novembro de 2009 12:12
Para: Conarq
Assunto: Re: RES: arquivos audiovisuais

Não sou pertencente a nenhuma instituição. Pergunto como cidadão brasileiro. Caso seja possível que eu obtenha tal resposta agradeço. Caso contrário, gostaria de saber o que me impede de recebê-la.

Grato.
Rogério Lourenço.

you wrote: Conarq
Senhor Rogério,

Em resposta a sua solicitação, referente especificações técnicas sobre arquivos audiovisuais e digitais, temos a informar que o Conselho Nacional de Arquivos -CONARQ disponibiliza em seu site http://www.conarq.arquivonacional.gov.br, um guia geral denominado Recomendações para a produção e o armazenamento de documentos de arquivo. O objetivo deste documento é fornecer subsídios técnicos e requisitos para a preservação de acervos  documentais (documentos textuais, cinematográficos, sonoros, cartográficos, iconográficos e micrográficos) a partir de sua produção, indicando os procedimentos mais adequados para o armazenamento e a preservação de documentos.

É importante ressaltar que a preservação de documentos de arquivo, em qualquer suporte, depende dos procedimentos adotados em sua produção, tramitação, acondicionamento e armazenamento físico.

Ainda, no que tange aos acervos audiovisuais como as películas cinematográficas, o CONARQ está propondo a criação de uma câmara setorial sobre documentos audiovisuais, que será objeto de discussão em sua próxima 56ª Reunião Plenária do CONARQ, a realizar-se em 16 de dezembro próximo.

Quanto aos documentos digitais o CONARQ também disponibiliza em seu site os seguintes dispositivos:

• Resolução Nº 24, de 3 de Agosto De 2006 que estabelece diretrizes para a transferência e recolhimento de documentos arquivísticos digitais para instituições arquivísticas públicas.

• Resolução Nº. 25, de 27 de Abril De 2007 que dispõe sobre a adoção do Modelo de Requisitos para Sistemas Informatizados de Gestão Arquivística de Documentos – e-ARQ Brasil pelos órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional de Arquivos – SINAR.

O Modelo de Requisitos para Sistemas Informatizados de Gestão Arquivística de Documentos - e-ARQ Brasil estabelece requisitos mínimos para um Sistema Informatizado de Gestão Arquivística de Documentos – SIGAD, independente da plataforma tecnológica em que for desenvolvido e/ou implantado. É uma especificação de requisitos que estabelece um conjunto de condições a serem cumpridas pela organização produtora / recebedora de documentos, pelo sistema de gestão arquivística e pelos próprios documentos a fim de garantir a sua confiabilidade e autenticidade, assim como seu acesso.

O objeto do e-ARQ Brasil é o documento arquivístico já nascido digital. O e-ARQ Brasil não trata de procedimentos técnicos de conversão de um documento em qualquer suporte ou formato para o formato digital, por meio de dispositivo apropriado, como o escâner – processo de digitalização.

Em relação ao processo de digitalização, o CONARQ também discutirá em sua próxima 56ª Reunião Plenária do CONARQ, a aprovação final de um documento sobre a adoção de padrões de digitalização de documentos planos, tais como documentos fotográficos, impressos e manuscritos com qualidade arquivística. Esta proposta se aprovada será consubstanciada em uma Resolução do CONARQ.

E, por último, à título de sugestão, indicamos o site da Cinemateca Brasileira, instituição de referência na área: http://www.cinemateca.com.br e o site do Projeto Conservação Preventiva em Bibliotecas e Arquivos – CPBA – http://143.106.151.46/cpba que disponibiliza uma seleção de 52 títulos sobre a conservação preventiva de livros e documentos, de filmes, fotografias e meios magnéticos. Estes textos tratam do planejamento e do gerenciamento de programas institucionais, do controle das
condições
ambientais, da prevenção contra riscos e do salvamento de coleções, em situações de emergência, da armazenagem, conservação e reformatação, envolvendo os recursos da reprodução eletrônica, da microfilmagem e da digitalização. Todos os textos à disposição para download. Abaixo seguem listas dos cadernos que tratam do tema de seu interesse:

• Cadernos sobre Fotografias e Filmes

39- Preservação de fotografias: métodos básicos de salvaguardar suas coleções – Peter Mustardo e Nora Kennedy

40- Guia do Image Permanence Institute (IPI) para armazenamento de filmes de acetato - James M. Reilly

41- Indicações para o cuidado e a identificação da base de filmes fotográficos – Monique C. Fischer e Andrew Robb

• Cadernos sobre Registros Sonoros e Fitas Magnéticas

42- Armazenamento e manuseio de fitas magnéticas – um guia para bibliotecas e arquivos – John W.C. Van Bogart

43- Guarda e manuseio de materiais de registro sonoro – Gilles St. Laurent

• Cadernos sobre Reformatação

44- O básico sobre o processo de digitalizar imagens – ed. Sherelyn Ogden

45- Microfilme de preservação: plataforma para sistemas digitais de acesso – Lee C. Jones

46 – O processo decisório em presevação e fotocopiagem para arquivamento – Gay Walker

47- Controle de qualidade em cópias eletrostáticas para arquivamento – Norvel M.M. Jones

48- Microfilmagem de preservação: um guia para bibliotecários e arquivistas – ed. Lisa Fox

49- Do microfilme à imagem digital – Donald J. Waters

50- Uma abordagem de sistemas híbridos para a preservação de materiais impressos – Don Willis

51- Requisitos de resolução digital para textos: métodos para o estabelecimento de critérios de qualidade de imagem – Anne R. Kenney e Stephen Chapman

52- Preservação no Universo Digital – Paul Conway

53- Manual do RLG para microfilmagem de arquivos – Nancy E.Elkington

Atenciosamente,
Domícia Gomes Borges
Coordenação de Apoio ao CONARQ

Presidência da República – Casa Civil
Arquivo Nacional – Conselho Nacional de Arquivos – CONARQ
Praça da República, 173 – Centro.
20211-350 Rio de Janeiro, RJ – Brasil
Tel: (55-21) 2179-1271 / 1293
Fax: (55-21) 2179-1293
E-mail: conarq@arquivonacional.gov.br
Sítio web: www.conarq.arquivonacional.gov.br

_______________________________________________________________________________

De: Rogério Santana Lourenço
Enviado: quinta-feira, 26 de novembro de 2009 15:53
Para: Conarq
Assunto: Re: RES: RES: arquivos audiovisuais

Prezada Domícia Gomes e demais membros do COANRQ,

Grato pela resposta e consideração para com minha pergunta. Como cidadão, e como participante das discussões do Fórum da Cultura Digital Brasileira, tenho a dizer que a postura de abertura e transparência do CONARQ, só engrandece as avaliações positivas dos esforços que nós, brasileiros, realizamos para nos tornarmos mais organizados e eficazes no uso, preservação e difusão de informações, sejam quais forem seus suportes.

Tenho a dizer que, na condição de curador de um dos eixos de discussão (Memória Digital) do evento realizado na Cinemateca Brasileira, entre os dias 18 e 21 de novembro, que reuniu desde pesquisadores informais, como eu, até o Ministro da Cultura do Brasil, que tal procedimento confirma que os desafios são muitos, mas, muitas, também, são as pessoas envolvidas em resolvê-los da melhor forma possível.

Peço a permissão para publicar no espaço do Fórum da Cultural Digital Brasileira (http://culturadigital.br), essa comunicação eletrônica (ipsis litteris) como forma de ampliar e divulgar a maneira como o CONARQ conduz seu papel de òrgão que tem por finalidade:

“definir a política nacional de arquivos públicos e privados, como órgão central de um Sistema Nacional de Arquivos, bem como exercer orientação normativa visando à gestão documental e à proteção especial aos documentos de arquivo.”

Sem mais, agradeço e desejo boas e produtivas discussões sobre os esforços que estão em curso para regulamentação de arquivos audiovisuais.

Atenciosamente,
Rogério Santana Lourenço.

__________________________________________________________________________________

Subject: RES: RES: RES: arquivos audiovisuais
From: “Conarq” <conarq@arquivonacional.gov.br>
Date: Fri, November 27, 2009 10:40
To: Rogério Santana Lourenço

Prezado Rogério,

Não há problema algum em publicar a resposta completa, prestada pelo CONARQ,  à sua dúvida no Fórum da Cultura Digital Brasileira.
Estamos à disposição para quaisquer outros esclarecimentos necessários.

Atenciosamente,

Luis Carlos / CONARQ

Presidência da República – Casa Civil
Arquivo Nacional – Conselho Nacional de Arquivos – CONARQ
Praça da República, 173 – Centro.
20211-350 Rio de Janeiro, RJ – Brasil
Tel: (55-21) 2179-1271 / 1293
Fax: (55-21) 2179-1293
E-mail: conarq@arquivonacional.gov.br
Sítio web: www.conarq.arquivonacional.gov.br

__________________________________________________________________________________

O caminho é longo, a pernas, curtas.
A vontade, grande.
Adiante.

Por uma delimitação do Eixo de memória Digital

Um dos objetivos deste blog, é apresentar sugestões sobre as discussões do eixo Memória Digital. Ao longo desse processo que vem sendo estabelecido pela coordenação do fórum, foi solicitado aos curadores de cada eixo, que propusessem uma linha de discussão, a delimitação de seus campos.

Embora ainda ocorra mais discussões externas ao Blog, espaço aqui disponibilizado por esta iniciativa do MINC e RNP, como meta do cronograma de elaboração das propostas do eixos, são apresentadas abaixo, a linhas centrais de discussão do eixo de memória digital.  Trata-se de uma proposta aberta, que já incorpora o resultado de sugestões e discussões exteriores ao blog, provindas da coleta de informações de setores e atores envolvidos nesse campo.

Como está afirmado na primeira pagina do Fórum:

Um novo jeito de fazer Política Pública

Bem-vindo à rede social da Cultura Digital Brasileira, espaço público e aberto voltado para a formulação e a construção democrática de uma política pública de cultura digital, integrando cidadãos e insituições governamentais, estatais, da sociedade civil e do mercado.

Este espaço (o Fórum, o qual hospeda esse blog) tem como proposta a possibilidade de colocar, propor, criticar e comentar os conteúdos aqui postados. Tais discussões, somadas a outras, servirão de base para elaborar uma proposta de delimitação de ações do que pode ser feito em termos de digitalização do patrimônio cultural brasileiro.
A continuidade, distribuição e preservação do fluxo histórico cultural do Brasil passa pelo acesso de sua população ao seu patrimônio material e imaterial digitalizado.

Entende-se que a compreensão atual desse fluxo, esteja orientada e distribuída por suportes tais como filmes ou livros. No entanto, percebe-se que novos dispositivos multimídia começam a promover, em seus usuários, a necessidade de adaptação desses conteúdos culturais para serem utilizados e distribuídos digitalmente.

Os objetos e ações culturais não digitais, aqueles que não são criados a partir de código de máquina, passam por um processo de duplicação de suas propriedades, que são transportadas para o digital, ou digitalizadas, por meio de processos distintos. Desta forma, a Memória Digital, seja aquela produzida em meios digitais, ou aquela digitalizada, deve possibilitar a comunicação entre distintos suportes, como possibilidades de convergência de seus conteúdos.

1- Escopo

Propõe-se que a memória digital seja pensada não como campo ou conjunto, mas como fluxos, coletivos, processos. Desta forma, busca-se evidenciar que, tanto o passado quanto o presente, bem como o futuro, podem ser combinados física e conceitualmente por meio de artifícios digitais.

1.1 Objetos digitais
1.2 Processo de digitalização
1.3 Divulgação e circulação

2 -Técnicas e Métodos

As técnicas e tecnologias adotadas pelos diferentes suportes, formatos e padrões atuais, devem ser pensados em dois planos: o atual e o escalar.

O primeiro, atual, diz respeito aos procedimentos historicamente adotados pelos diferentes produtores de comunicação e cultura digital. O segundo, escalar, trata da produção digital futura, bem como das digitalizações atuais: os objetos digitalmente criados e os objetos que serão digitalizados.

2.1 Produção e Armazenamento digital atuais

2.1.1. Hardware
2.1.2. Middleware
2.1.3. Software
2.1.4. Padrões e metadados
2.1.5. Legislações
2.1.6. Acervos digitais

2.1.6.1. Multimídia
2.1.6.2. Bases de dados

2.2   Tipos de Digitalização

2.2.1. Arquivos Planos

2.2.1.1. Imagem
2.2.1.2. Texto

2.2.2.  Acervos Audiovisuais

2.2.2.1. Áudio
2.2.2.2. Vídeo
2.2.2.3. Película

2.2.3.  Objetos tridimensionais

2.2.3.1. Modelagem
2.2.3.2. Protótipo

2.3  Constituição escalar de acervos digitais

2.3.1. Convergência

2.3.1.1. Padrões de produção digital
2.3.1.2. Padrões de digitalização
2.3.1.3. Interoperabilidade de protocolos
2.3.1.4. Padrões de metadados
2.3.1.5. Agregamento colaborativo
2.3.1.6. Direito autoral
2.3.1.7. Acesso e distribuição

2.3.2. Interfaces

2.3.2.1. Acessibilidade
2.3.2.2. Visualização
2.3.2.3. Sonificação

3. Pesquisa e Desenvolvimento

3.1 Mapeamento dos sistemas de armazenamento e gestão digital

3.2 Identificação e quantificação do patrimônio digitalizado

3.3 Desenvolvimento

3.3.1. Hardware
3.3.2. Middleware
3.3.3. Software

São propostas abertas, mais uma vez, comente, modifique, contribua.

33 razões por que as bibliotecas e bibliotecários ainda se mantêm extremamente importantes

Uma discussão bem importante, e por vezes, exaltada, no campo de CI. Achei por bem colocar do jeito que ela está no blog ExtraLibris

Muitos acreditam que a era digital irá acabar com as estantes públicas e extinguir permanentemente a era centenária das bibliotecas. A desconcertante proeza e progresso da tecnologia fez até um bibliotecário prever a queda da instituição.

Ele pode estar certo.

Porém, se estiver, então a perda será irreparável. Conforme a relevância das bibliotecas entra em questão, elas encaram uma crise existencial em uma época onde elas talvez sejam mais necessárias. Apesar de sua percebida obsolescência em uma era digital, tanto bibliotecas – quanto bibliotecários – são insubstituíveis por várias razões. 33, de fato.

Eles listam as 33, e depois concluem:

Conclusão

A sociedade não está pronta para abandonar a biblioteca, e provavelmente nunca estará. Bibliotecas podem adaptar-se as mudanças sociais e tecnológicas, mas elas não são substituíveis. Enquanto que as bibliotecas são distintas da internet, os bibliotecários são os melhores profissionais para guiar acadêmicos e cidadãos para um melhor entendimento de como encontrar informação de valor online. Certamente, existe muita informação online. Mas ainda existe muita informação em papel. Ao invés de taxar as bibliotecas como obsoletas, os governos estaduais e federais deveriam aumentar os recursos para garantir melhores funcionários e tecnologias. Ao invés de galopar cegamente através da era digital, guiado apenas pelos interesses corporativos da economia da web, a sociedade deveria adotar uma cultura de guias e sinalizações. Hoje, mais do que nunca, as bibliotecas e os bibliotecários são extremamente importantes para a preservação e melhoria da nossa cultura.

Artigo original: Are Librarians Totally Obsolete?
Disponível em: degreetutor.com

Plano Nacional de Digitalização de Acervos Culturais em discussão

Aqui, no Fórum, ela já começou. Meio pequena, como uma preparação. Todo mundo concorda que acervo é importante. Mas poucos se importam com eles. Acervo sempre foi coisa de bibliotecário, aquele profissional que a gente via vez ou outra. Mas quando o bibliotecário tem que ser a gente?  O assunto é grande e delicado. Porque à medida que os documentos vão sendo tragados pelas descrições( metatags,  e protocolos)  e transferências de suporte( analógico para digital), vão ganhando novas camadas de informação e usos, nem sempre profissionais ou voltados para essa finalidade de tratamento da informação.

O que se busca nesse blog, e em várias instâncias desse Fórum, mais que boas idéias, projetos ou nomes, é o diálogo. Mas esse diálogo não vai ser condicionante de uma proposta para o Plano Nacional de Digitalização de Acervos Culturais. Ocorre que estes assuntos complexos sobre o que é um documento, o que é informação, têm sido pensados em campos tão distintos quanto a biblioteconomia, a Antropologia, Ciência da Computação, Administração, Direito, Matemática, enfim, outros mais.

O que está em jogo? O acesso á informação ou a produção desta? Posso acessar um livro ou, de maneira colaborativa, também autora-lo? Mas, e quanto aos outros meios? O audiovisual? Há ainda outras formas de comunicação, como a gestual por exemplo, que estão em desenvolvimento, e que vão implicar na telepresença, como nesse caso da dança em rede.

Não se pode esquecer que não apenas o audiovisual está sendo digitalizado. Há impressos, ou os “arquivos planos”, para usar a terminologia técnica. Há ainda, os objetos e ações (cultura imaterial) a serem documentados…

Biblioteca como rede social.

Digitando “library as social network” no google achei um arquivo em pdf que menciona tal possibilidade. Trata-se de uma prestação de contas municipal da cidade de Fife, Washington, nos Estados Unidos, em que se cogita pensar a biblioteca como uma rede social.Vale notar que no referido documento, eles checam o que já foi feito, e o que há por fazer.

Tal idéia, exposta aqui no Fórum chama-se Biblioteca 2.0. Depois de procurar por essa entrada, descobri que não basta descrever a atividade. Tem que nomear… Essa discussão ocorre agora, em termos reduzidos, na Wikipédia e outros espaços.  Por que será que isso ocorre a Ciência da Informação e, por outro lado, profissões que também lidam com a informação requerem exclusividade de legitimação profissional? Será que uma “legislação 2.0″ é o Fórum? Ou aqui estão só as propostas e a ação ainda a ser materializada…

Em 2010, vai acontecer a Hypertext 2010, uma conferência que discutirá a própria Web 2.0. O interessante é que cada uma das “faixas de discussão” têm declaradamente autonomia para elaboração de suas atividades. Entretanto, Computação Social, Hipermídia Adaptativa e suas Aplicações e Hipertexto em Educação e Comunicação, temas de cada faixa, têm grande semelhança…

Hypertext 2010 will consist of three autonomous tracks, each with its own program committee and reviewing team.

Track 1 – Social Computing
Chair:  Anabel Quan-Haase, University of Western Ontario

This track invites papers investigating social processes and practices in Hypermedia and Web 2.0 environments. These include tagging, filtering, voting, editing, trusting, and rating. These social processes result in many types of links between texts, users, concepts, pages, etc. We want to better understand the processes and practices themselves as well as the social, political, and semantic networks that result from these processes over time. Topics of interest include, but are not limited to:

  • Social information diffusion
  • Social linking
  • Social and collaborative annotation
  • Social knowledge and information representation
  • Social networking technologies (e.g., Facebook, YouTube and Twitter)
  • Mapping and visualization of social spaces and networks
  • Linking virtual networks and offline networks
  • Time analysis of social, information, and semantic networks
  • Critical mass and incentives of social participation (e.g. games)
  • Automatic and user-based evaluation

Track 2 – Adaptive Hypermedia and Applications
Chair:  Richard Kopak, University of British Columbia

The Adaptive Hypermedia and Applications track invites papers reporting on theoretical, empirical, and methodological studies on adaptive hypermedia, including the application of adaptive hypermedia in varying domains and contexts. The scope of the Adaptive Hypermedia and Applications Track includes all forms of Web and Hypermedia system generated personalization, including user modeling, recommender systems, and e-learning.   Topics may include, but are not limited to:

  • Adaptive presentation of hypermedia content
  • Adaptive navigation (link hiding, dynamic maps)
  • Adaptivity and the semantic Web
  • Algorithms and methods in explicit recommender systems
  • Comparison of effectiveness of implicit and explicit recommender systems
  • User modeling
  • Evaluation and usability of adaptive systems
  • Personalized e-learning
  • Personalized digital libraries

Track 3 – Hypertext in Education and Communication
Co-Chairs: Mark Bernstein, Eastgate Systems, Inc., David Millard, University of Southampton, UK

Hypertext tools are indispensable for e-learning and m-learning, and teaching. Hypertext as a discipline in its own right — including literary fiction, new scholarship and digital media — plays a growing role in education. This track targets hypertext as both a tool and a discipline, as well as focusing on the use of spatial hypertext and Web 2.0 applications such as blogs, wikis and e-portfolios. We hope to highlight our understanding of links as a new component of writing and communication, and to increase our understanding of the ways that they are used in education, research, journalism, and literature. Topics of interest include, but are not limited to:

  • blogs and wikis in teaching and learning
  • collaborative e-learning
  • non-linear writing and interactive fiction
  • communication theory and the web
  • concept maps and knowledge structures
  • digital narratives
  • open educational resources
  • personal learning and research tools
  • hypertext literature and art
  • e-journalism
  • digital aesthetics and cyber culture

Se os itens  de cada “faixa de discussão” estivessem alinhados em três colunas, daria para ver que os primeiros temas de cada eixo tratam de suas especificidades, mas se percebe um diálogo entre os assuntos. Assim, quando um diz sobre difusão social da informação (Computação Social) , o seguinte, discute a adaptação de conteúdos multimídia ( Hipermídia Adaptativa e suas Aplicações) e o resultado disso esta na discussão de blogs e wikis, no grupo de comunicação e educação. Fico pensando se foi o word ou o diálogo quem criou essa simetria…

Antropologia da Informação e as categorias do pensamento humano

Um dos membros do Fórum, me fez lembrar porque estou aqui. Sou antropólogo, mais por força da formação acadêmica, e menos da titulação. Etiquetas à parte, é este exatamente o assunto: classificações. Antropólogos as adoram. Elas dizem se sou branco, negro, rico, pobre, hetero ou homossexual, de esquerda, direita…ou nada disso.
Pois bem, o fato é que no blog do citado membro do Fórum, encontra-se o link para o IV Congresso de Antropologia – Associação Portuguesa de Antropologia, ocorrido entre 9 e 11 de setembro passado, e que teve o incrível tema “CLASSIFICAR O MUNDO”, assim, em letras maiúsculas. Pois não bastasse o tema, em total sintonia com este blog, os assuntos dos painéis são também altamente pertinentes às discussões aqui no Fórum de Cultura Digital.

Para se ter uma idéia, eis alguns dos painéis mais explicitamente relacionados ao tema Memória Digital:

Nº 1 – Objectos comuns de ontem, objectos de museu hoje: processos de classificação e de activação patrimonial nos museus
Nº: 2 – Museus e Património Imaterial
Nº: 5 – Organizando a sociedade, ordenando o social.
Nº: 7 – Tradução cultural, fronteiras e dinâmicas globais.
Nº: 14 – Turismo, Património e Usos da Cultura.
Nº: 23 – Lógicas de classificação social e formas de poder: agência, estrutura e significado.
Nº: 24 – Reconstruções identitárias em espaços universitários multiculturais.
Nº: 25 – Classificações coloniais: passado e des/continuidades no mundo contemporâneo.
Nº: 26 – Antropologia dos Media: práticas, consumos e representações.
Nº: 27 – Tecnologias Digitais: novos objectos empíricos e práticas de pesquisa etnográfica.
Nº: 29 – Consenso e dissensão: responsabilidade colectiva e autonomia individual.
Nº: 31 – Saberes Tradicionais, Práticas Sociais e Biodiversidade.
Nº: 33 – Arte. Identidade e Poder.
Nº: 35 – Conceitos, categorias, classes, processos: fronteiras e novas conceptualizações.
Nº: 37 – Classificações e desigualdades: produção e reprodução.
Nº 39 – Interculturalidade(s) Espaços de alteridade e de diálogo.
Nº 40 – Apresentações da Cultura: performances artísticas, narrativas de poder e reflexividade.

CONVIDADO I – Cosmopolitismo: metrópoles, trajectórias e subjectividade.
CONVIDADO VII – Classificar: objectos, sujeitos, acções.
CONVIDADO VIII – Fronteiras.
CONVIDADO IX – Classificar: capital e mobilidade.

O link do Congresso, com o trabalhos apresentados e o nomes está aqui. Vale dar uma olhada. Como não poderia deixar de ser, há muitos brasileiros de diversas universidades presentes…

Vale dizer que foram ao todo 51 painéis. Desses, 17 acima aqui destacados. O que confirma que o assunto “informação” extrapola tanto as TICs (tecnologias da informação e comunicação) como as CIs (ciências da informação) as quais, são, em termos antropológicos, construções sociais.  Conforme vem sendo publicado aqui no blog, está em curso uma discussão crucial sobre o que se entende por informação, os padrões e protocolos que a definem e mais do que nunca, os poderes, direitos e deveres implicados.

Os fatores culturais dessas práticas tecnológicas e científicas, têm uma discussão restrita aos meios acadêmicos, sendo parcialmente debatida nos meios de comunicação alternativa. Entretanto, vários aspectos passam desapercebidos, tais como o fato de que saberes como a etnomatemática, por exemplo, são conhecimentos que concretamente podem contribuir em muito para a democratização do conhecimento, na medida em que inserem historicamente elementos de culturas que têm sido excluídas, mas que através desse campo de pesquisa, têm reconhecida não apenas sua relevância, mas também sua antecedência sobre a ciência do que se convencionou chamar (classificar de) ocidental.

É preciso levar em conta que há esforços em curso sobre a inserção e o reconhecimento dos saberes tradicioniais no campo da Ciência da Informação. Contudo, tal postura não é generalizada e persistem muitos equívocos e preconceitos. Adiante, quando se chegar á conclusão, nem sempre altruísta de que o conhecimento desses povos, muitos com a face pintada, habitando lugares classificados como “selva” (e por extensão sendo portanto, selvagens) têm algoritmos que poderiam inovar a computação, assim como as indústrias farmacêuticas e de cosméticos já descobriram com o saber tradicional sobre as plantas.

O congresso português dá claros indícios de que essa discussão ainda não começou e irá ganhar, em algum momento mais a frente, as páginas, físicas e virtuais, dos meios de comunicação. Aqui no Fórum de Cultura Digital, ela já começou, há um grupo, pequeno, mas existente, que tem como escopo abordar essas e outras peculiaridades dos saberes tradicionais.

A linguagem humana, que possibilita todas as demais linguagens, as naturais e artificiais, é uma tecnologia. Pode haver controvérsias sobre sua origem, função, mas é inegável que se trata de uma ferramenta mental, ou capacidade social, utilizada por todos os povos do planeta, desde tempos imemoriais. No momento em que buscamos a unificação de diversos campos do saber humano, não podemos deixar de lado aqueles que nos forneceram as bases do que conhecemos, ou classificamos hoje por ciência e tecnologia.