Archive for the ‘ Patrimônio ’ Category

Um exemplo de “documentação escolar”.

O trabalho de faculdade de Tomas Nilsson, é um exemplo de como um incontável número de trabalhos “escolares” são criados, nem sempre guardados e, pior, não compartilhados.  O de Tomas, conta a história de chapeuzinho vermelho. A frase mais que gasta sobre nossa época e o ” acúmulo de conhecimento” não seria possível, se dependermos dos conhecimentos contidos nos trabalhos escolares. Está claro que há, sim uma enorme preservação da documentação escolar: trabalhos são premiados, o youtube tem aproximadamente 4510 vídeos descritos com esses termos, mas isso não é nem de longe o possível. O Brasil está inserido na comunidade científica, onde os trabalhos “escolares” mais complexos, como monografias, dissertações e teses, são, em sua maioria, documentados, preservados e indexados em base de dados.

Um edital sobre Acervos Digitais…

Do Observatório de Editais:

http://www.cultura.gov.br/site/2010/04/12/programa-de-incentivo-a-producao-do-conhecimento-tecnico-e-cientifico-na-area-da-cultura-2010/

12 de abril de 2010
Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnico e Científico na Área da Cultura – 2010
Inscrições até 24 de maio

Este edital tem como objeto selecionar bolsistas para o Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnico e Científico na Área da Cultura da FCRB, cuja finalidade é formar, treinar e capacitar recursos humanos em programas, projetos e atividades de pesquisa, desenvolvimento institucional, tecnológico e de referência em preservação e tratamento técnico de acervos museológico, arquivístico, bibliográfico e arquitetônico da FCRB, assim como nas áreas de pesquisa em história, direito, filologia, estudos ruianos e políticas culturais, de modo a fortalecer o cumprimento da missão institucional da Fundação, que é “promover a preservação e a pesquisa da memória e da produção literária e humanística e congregar iniciativas de reflexão e debate acerca da cultura brasileira, contribuindo para o conhecimento da sua diversidade e para o fortalecimento da cidadania.

Edital

* Publicado por Geisa – Observatório dos Editais
* Categoria(s): INSCRIÇÕES ABERTAS, Inscrições Abertas
* Tags: Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnic

Toda educação vem da cultura.

As tecnologias têm desenvolvimento mais acelerado que as sociedades que as criam. Isso quer dizer que a medida que se tornam complexas, escapam ao entendimento de seus próprios criadores. Assim, os criadores do disco de vinil, baseado na tecnologia da agulha para produzir som, jamais poderiam pensar que o uso propositado de um defeito, o scratch, seria incorporado pelos fabricantes dos toca-discos atuais, com seus sistemas hidráulicos de equilíbrio que permitem o contato manual com o disco sem perda de controle da sonoridade, ou efeito, pretendida.

Não podemos saber exatamente de onde vêm a invenção da roda. No entanto, seus usos são tantos e tão diferentes, que pode-se dizer que há neles um princípio, neste caso, o de circular. Mas ai, entra em questão uma ilusão da linguagem que pensa o princípio como existente antes da sua concepção. O verbo “rodar”, para objetos em contato com o solo, não poderia existir antes da roda…Hoje em dia, da mesma forma, já é possível dizer que “dar um nó em luz” não é algo figurado.

Essa rapidez das tecnologias em relação à sociedade, acontece de maneira mais intensa na educação. Isto porque o conhecimento científico está gerando objetos tecnológicos numa escala ais rápida que a escola consegue incorporar em seu discurso. As mudanças que as tecnologias sofrem, porém têm uma origem: a cultura. Por cultura, se entende as práticas que os grupos têm sobre seu ambiente, incluso nestes, os objetos tecnológicos disponíveis para tais práticas.

Os usos que os toca-discos tiveram foram variando segundo as práticas culturais que utilizavam estes objetos tecnológicos. Se o uso de arranhões mudou uma parte da música mundial, criou uma cultura planetária, e instituiu um novo padrão de objetos tecnológicos( as pick-ups dos DJs) as escolas, tanto de engenharia de som, quanto os conservatórios musicais, ainda não adotaram totalmente tal transformação. Há outros objetos tecnológicos que tiveram um profundo impacto. O vídeo, o telefone celular, o computador… Acontece que agora um objeto tecnológico de tipo diferente, com uma história de uso social com mais de dez anos, está literalmente agregando todos os outros: a internet.

Mais que um objeto, a internet é um conjunto, em escala global, de muitos equipamentos. Uma rede. Tal inovação permitiu que a educação pensasse daqui em diante, com sua lógica,  em coisas como “educação à distância”, “tele-aprendizado” e outros temos que dessem conta da contradição de situações de aprendizagem que prescindiam da tecnologia tradicional da escola: o quadro negro na sala de aula, cadeira enfileiradas, livros escolares. Todos esses objetos ficaram obsoletos com a internet.

Quando se fala em “Educação e Tecnologia” não se discute o fato de que “educação pública” é uma forma de tecnologia de aprendizado, um conceito ocidental recente. A maioria das culturas não possui um equivalente para tal atividade. Esta, aqui também no ocidente( os países de matriz cultural européia, com também é o caso do Brasil) não surgiu para o bem da população mas por demanda do capitalismo…

Enfim, As mudanças culturais (como a demanda por mão de obra qualificada) ocorrem sempre adiante da educação. Educação é tecnologia, e tecnologia é reflexo das práticas culturais. Isolar a educação numa redoma de “conteúdos curriculares”não se se mostrou ineficaz, como também excludente. Ainda não  existe uma grade curricular que englobe as imensas diferenças que existem nas sociedades modernas, todas elas desesperadas por “mão de obra” qualificada, ou educada…Não reconhecer que toda educação deve ser retirada da vida, e não apenas dos “conteúdos programáticos” ajuda, em muito, a perpetuar a exclusão que submete milhões de pessoas ( tanto alunos quanto professores) ao fracasso.

A inclusão de propostas de educação no Plano Nacional de Cultura, é uma esperança, mas não podemos esperar muito. Segundo a coordenação de cultura digital do MinC, “10 das 32 propostas finais da #iicnc atrelam as necessidades da cultura às da educação ” o que evidencia que uma, sem a outra, não se completam. Não pode haver educação dissociada da vida, da cultura. Por outro lado, não pode haver cultura, sem saber acumulado, sem sistematização das experiências…sem um esforço conjunto.

SXSW 2010

On Friday, March 12, one the biggest and most hyped media festivals of the year kicks off in Austin, Texas: South by Southwest 2010.

Os instrumentos inventados num determinado povo, teve melhoramentos por outro, adaptações e imitações imperfeitas, de forma independente das sociedades iniciais.

A importância da Memória para a Cultura.

Em geral, quando se discute o que significa cultura, a palavra tradição sempre aparece. Cultura, que pode ter também o significado de cultivar, culto, e demais extensões, dessa maneira quer dizer aquilo que se mantém, que se perpetua, se preserva. O limite entre o que se apaga e o que se recorda, se registra, é tênue, é principalmente, o limite do interesse…

altura da coluna indica buscas no inicio do terceiro mês de 2010.

altura da última coluna indica buscas no inicio do terceiro mês de 2010.

Assim, mais do que o passado, a tradição é usada como uma regra para o presente: ” faremos assim porque nossos ancestrais fizeram, ou faziam …” então mesmo o futuro, ou aquilo se é decidido que será preservado, está baseado na tradição. Isto vale tanto para a educação ou costumes, quanto para as leis. Assim, por exemplo, financiamentos públicos têm, também, uma tradição de destinação das verbas, baseadas em estimativas passadas.  Ocorre que o passado, ao contrário do que se pensa, é móvel, dinâmico. Já fomos, brasileiros de muitas maneiras, de muitos lugares e hoje, sem dúvida, estamos em transição.

Quando se discute banda larga, concessão dos meios de comunicação, direito autoral, padrões de tecnologia audiovisual, de leitores de livros eletrônicos, de sistemas operacionais, discute-se junto, sempre, a cultura. Assim, é possível ler sobre o Brasil, não raro, sendo apontado como um país progressista, em termos da elaboração de propostas para questões como os direitos autorais, quebra de patentes medicamentos, ou mesmo participação nas discussões sobre o clima. Claro que o Brasil tem idéias e participações que precisam melhorar, mas sem empenho, participação, cobrança e boa vontade, não há muito a ser feito.  Afora isso, o processo da participação social tem demonstrado avanços na visão que o pais tem de sí e dos demais países. Para o lado bom, e o nem tanto, estamos aprendendo nossas possibilidades no mundo.

Junto a esse movimento de fazer um presente mais participativo, aberto, vêm também a necessidade de preservação do que se constrói coletivamente. Para quem procura pela história dos movimentos sociais no brasil, há poucas fontes que reúnam de forma sistemática as ações realizadas por esses coletivos. Não se trata apenas de falta de imagens, mas sim de cervos, de conjuntos sistemáticos de objetos culturalmente valorizados.

A mesma situação existe para os milhares de shows musicais, trabalhos escolares, o pesquisas acadêmicas, grupos de estudo, de atividades esportivas, de associações culturais, enfim, a sociedade civil organizada. Num período de tanta agitação como hoje, isso pode parecer nagativismo, mas a cultura que atualmente se produz não tem garantia de existir amanhã. Com o conteúdo digital, isso se acentua, em muito.

O programa “Pontos de Cultura” é uma iniciativa governamental iniciada em 2003. Visa democratizar de forma livre e qualificada, o acesso à informação da população brasileira. Como um programa governamental, é composto por verbas que são destinadas a sua realização. Tais recursos, uma vez bem gastos, retornarão aos contribuintes na forma de atividades relacionadas à produção cultura, busca pela cidadania e humanização do ambiente. Ocorre que, sem equívoco, menos de dez por cento de todos os pontos de cultura, o processo mais dinâmico em termos sociais no momento, têm um acervo audiovisual adequado. A indexação dos conteúdos, reduz esse número…O fato é que tal programa, replicado em países como, Inglaterra, Itália, Áustria, Argentina, Uruguai ou Paraguai, não pode ter o mesmo destino que tantos outros, governamentais ou não.

As ações que estão em curso hoje não podem ser tomadas como perenes. São fruto de pessoas que as realizam, mas isto deve, de forma coletiva, ser preservado. Para isso, cabe recursos do governo e sociedade civil mobilizada, no sentido de garantir tal preservação. Se a Conferência Nacional de Comunicação, CONFECOM, não discutiu de forma necessária a questão dos acervos e digitalização, a CONFECULT, ou Conferência Nacional de Cultura, não poderia ser da a esse descuido. Para além da definição  errônea e dicotômica entre “graus” de cultura, existe a dignidade do que se considera expressão do espírito humano: sua engenhosidade e infinidade.

#culturadigital.br:digitalização de acervos\acesso\domínio público

Quando o documento base de discussão do eixo de memória digital foi entregue no evento do Fórum da Cultura Digital Brasileira, em novembro, um dos itens, o Plano Nacional de Digitalização de Acervos foi, de longe, o ponto mais discutido. Um plano nacional é algo complexo que abrange várias etapas, assuntos, tem vários constituintes. Assim, o processo de conscientização, tanto da população, quanto dos representantes políticos sobre o que significa constituir, promover e conservar acervos públicos, também tem que ser feito por etapas.

A produção das culturas brasileiras é resultado de práticas de expressão individual e coletiva, materiais e imateriais, diversas e exuberantes. Há muitas variedades de identidades neste país e todas elas têm, em maior ou menor grau, produções culturais que as representam. Ocorre porém, que esta produção não permanece no tempo, a maior parte dela, se dissolve nas mudanças do dia à dia. Sem permanência, tais produções acontecem apenas como memória coletiva: existem para um grupo, e somente enquanto aquele grupo existir. O que acontece depois?

Entra ai uma política da memória que determina, por diversos meios legais e morais, o que deve ou não ser lembrado, tomado como identidade e memória. Em outras palavras, permanece a memória daquilo que é considerado oficial.  A opressão do silêncio, do calar a voz, do apagar ou distorcer a imagem, todas estas situações estão nos acervos, nos arquivos, ou fora deles.

Há uma crença de que o passado, aquilo que já aconteceu, não volta, e por isso, pensar no futuro, no que está por vir é mais importante. De fato, não só não conhecemos todo o passado, algo impossível, como também não temos conhecimento do que existe hoje, atualmente. Nossa compreensão histórica tem limitações de tempo e de espaço. Pois isso é, ao mesmo tempo, uma vantagem e uma dificuldade. Tanto o passado quanto o futuro são trabalho do presente, estão por (re) fazer.

A medida que as demandas por mais comunicação, melhor informação e mais democracia avançam, partes da população, os incluídos digitais, começam a alterar o perfil do que seja ativismo, ou o antigo civismo, começa a ser consultada em questões que antes ficavam restritas aos representantes do povo , os partidos políticos e poucos participantes de entidades políticas, como sindicatos, centros estudantis ou grupos diversos.

Outro dia, recebi uma mensagem aqui no Fórum, de alguém que perguntava sobre as relações, e naturalmente as implicações para o cenário descrito acima, entre a digitalização de acervos, o acesso livre e o domínio público. Umas das prioridades que se delineia no horizonte, sem dúvida é a de constituir espaços virtuais onde os cidadãos possam ter acesso livre às informações culturais que já estão disponíveis, nas diversas instituições  brasileiras. Já existe muita coisa, mas não é nem a metade do que existe. E o que existe?

Dentre as ações previstas para esse ano, conforme anunciado no evento do Fórum em novembro, haverá um  Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais. Assunto complexo, como à esta altura já se pressupõe…

A noção de que os governos devem disponibilizar Repositórios Institucionais Públicos ainda é nova, e nem os próprios cidadãos têm muita noção do que deveriam ser tais repositórios. De início, há discussões sobre sua natureza (única, ou espelhada, por questões de segurança) , sua gestão (seria um condomínio, haveria outros modelos?) e seu acesso( público, livre, quais seriam as condições para que conteúdos fossem agregados?) e muitas, mas muitas outras discussões. No entanto, o ritmo que tais discussões têm não é nem o necessário, nem o desejável. A miríade de elementos que estão envolvidos numa ação conjunta para se pensar essa questão só será percebida nos detalhes mias sensíveis( quem tem a posse, o uso e o acesso dos conteúdos) no momento que esta questão se tornar mais pública. Por tal adjetivo, se entende que deve haver uma discussão de um processo que está em curso, mas que por diversos motivos, fica a reboque de outras, tais como as relativas ao direito autoral, a regulamentação da internet e o próprio acesso, em termos de infra-estrutura, aos acervos.

O percurso que tais discussões tomará, ainda está em discussão, tendo em vista essa rede de interdependência de assuntos. Enquanto isso, o tempo passa.

PNC:Digitalização de Acervos, Direitos Autorais e Banda Larga, ipsis literis.

Num momento como o que vivemos sobre as decisões públicas, não há como não postar esse trecho do documento base do Plano Nacional de Cultura, feito em um passado não muito distante. O texto  abaixo é o que foi publicado na página 47. Os links,  são da mesma forma, uma realidade em construção:

Ampliar o uso dos meios digitais de expressão e acesso à cultura e ao conhecimento

A cultura digital, disseminada pela rede mundial de computadores e tecnologias afins, muda significativamente a forma como a gestão cultural deve encarar seus instrumentos e finalidades. De um lado, os novos meios criam a possibilidade de conservar e facilitar o acesso a amplos e valiosos acervos culturais que compõem o patrimônio do Brasil e da humanidade. De outro, são apropriados por grupos e indivíduos como seu lugar de criação, de modo que o mundo digital se torna ele mesmo um novo campo onde formas de expressão e articulação das identidades são inventadas a todo o momento. O Estado deve garantir acesso universal e pleno às novas oportunidades criadas pela tecnologia.

A chamada exclusão digital diminuiu nos últimos anos no país, embora permaneça significativa. No entanto, o principal desafio para a política pública voltada à cultura digital não se esgota nos programas de inclusão. Diz respeito também à articulação institucional necessária à promoção do livre uso das ferramentas tecnológicas na experiência cultural, por meio de programas de capacitação, sem deixar de lado o apoio ao  desenvolvimento das linguagens de expressão e a oferta de conhecimentos de domínio público por meio das plataformas digitais. Uma política de digitalização de acervos é indispensável para permitir uma circulação inédita de registros de nossa memória cultural, pictórica, gráfica e textual.
Nesse contexto, a evolução da internet e da infra-estrutura de conexão em banda larga firma-se como um instrumento estratégico para novas formas comerciais e não-comerciais de compartilhamento de cultura. A adoção de novos aparatos de transferência e armazenamento da informação influencia as dinâmicas de consumo e faz surgir, em conseqüência, modelos de exploração econômica cada vez menos baseados na massificação e formas de sociabilidade e de construção de identidades independentes do espaço geográfico.

A convergência digital representa o ambiente contemporâneo de circulação da cultura, que deve ser observado sob uma perspectiva atenta à distribuição das tecnologias e às suas formas de utilização, bem como ao desenvolvimento de conteúdos, digitalização de acervos públicos e incentivos aos projetos experimentais.

Comunicação: nem máquina nem teoria.

A historia de Belerofonte conta que uma vez, este guerreiro mítico, orgulhoso por seus atos, tentou ir até o Monte Olimpo, a moradia dos deuses gregos, e por isso, foi penalizado com a perda de seu cavalo alado, Pégasus. Diferente de Ícaro, que por seu engenho, tentou realizar algo semelhante indo em direção ao sol, Belerofonte foi movido pela vaidade…

embedded by Embedded Video

Esse vídeo ai em cima, que cita outro mito grego, o de Prometeu, é sobre um cenário futurista da sociedade da informação, feito em 2007…quando foi publicado, foi um dos hits no Youtube. Com as estórias desses mitos, consegue-se entender, em termos culturais, um pouco, as decisões que as indústrias e governos adotam, em sua maioria, sobre informação. Tais mitos estão na base da cultura atual que produz essas empresas e governos descontentes com a mudança. Hoje  em dia, embora uma a uma das previsões desse vídeo estejam se confirmando (é um vídeo sobre a memória do futuro…) não há, pelo menos por partes do governo, da grande imprensa, das editoras, gravadoras, produtoras, galerias, companhias, acervos públicos e particulares, uma manifestação (declarada) de convergência, no que se refere ao acesso à produção cultural por parte dos cidadãos.

Esse mito sobre o guerreiro que matou a Quimera, monstro que tinha corpo de leão e duas cabeças: uma de dragão, a outra de cabra, serve para exemplificar um paradoxo que as tecnologias atuais, estas que exaurem os recursos naturais por um lado, e proporcionam coisas como computadores e suas memórias sintéticas que, agora, como os neurônios, interligam partes crescentes da humanidade num pensamento e sentimento complexos. Assim como mula-sem-cabeça, a Quimera respirava fogo…

Assim, as vezes, em direção ao futuro (para o alto e avante), esquece-se que o sol não está tão longe quanto parece. As asas da tecnologia são de cera. Por tecnologia, entende-se todo saber sobre a técnica, seja ela qual for. Desta maneira, concentrados no dia -a dia, os profissionais de diferentes áreas, com suas asas de cera, seus instrumentos, voam cada vez mais alto. Seja por força da lei, ou pela força da técnica, o poder de impulso os faz criarem a ilusão de que não há necessidade de diálogo. E assim o sol continua quente e, naturalmente, mais alto que todos.

Mas, onde entra a parte de acervo, indexação, memória nisso tudo? Simples, Os gregos, seus mitos e origens, não surgiram do nada. Há uma história pregressa, não contatada, talvez pelo brilho dos feitos atuais, que terá que ser feita. O que se entende por máquina, magia, teoria e saber, tem muitas versões. Uma delas, que me fez escrever esse post, Metadesign, é um artigo de um biólogo chileno.

Meio hermético esse post, de propósito. Não, não há idiosincrasias ou codificações aqui, apenas a constatação de que neste Fórum da Cultura Digital Brasileira, os atuais 157 grupos, produziram conversas, textos, imagens, sons opiniões mas realmente, sinto falta de outra coisa: diálogo. Dialogar com os pares, como se tem feito no século passado, ainda é uma prática do presente, e, rumo ao sol…com vistas à construção do futuro. A sociedade já está representada, nas suas comunidades de interesses, aqui neste Fórum, falta agora, se olhar e comunicar.

[Bib_virtual] Um novo blog na praça

Difusão:
Prezados colegas,

estamos lançando um novo blog na praça. Trata-se do Blog Repositórios
Institucionais Brasileiros <http://blogrib.wordpress.com> que tem como
objetivo principal acompanhar o desenvolvimento de repositórios
institucionais de acesso livre no Brasil. Portanto, não apenas acessem
este blog, mas também, por favor, nos encaminhem matérias sobre
repositórios institucionais e, em especial aquelas instituições que
estejam implantando os seus repositórios institucionais, encaminhem
matérias contendo o estágio de desenvolvimento de seus blogs para o meu
email: kuramoto@ibict.br ou para a Sra. Aline Ferrari, pelo email:
alineferrari@ibict.br. O referido blog terão a colaboração da Dra.
Bianca Amaro de Melo, do Fernando César Lima Leite e da Aline Ferrari.

Cordiais Saudações.
Hélio Kuramoto
_______________________________________________
Arquivos da Bib_virtual: http://listas.ibict.br/pipermail/bib_virtual/
Instruções para desiscrever-se por conta própria:
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O patrimônio cultural dos bancos de dados.

Não há obra de arte, livro ou filme, que não possam serem incluídos numa coleção. Listar as coisas. A construção de um banco de dados, tem como primeiro passo, uma lista, ou coluna, de elementos. Depois, são adicionadas outras, que dirão as qualidades, atributos, estados e características do que se lista. Por exemplo, uma lista de livros sobre Análise do Discurso, teria que conter, além da primeira coluna, com digamos, o título, outras como autores, ano, e assim por diante. De início, percebe-se que a seleção do que vem depois do nome, não só é arbitrária, como também, digamos, discutível.

O ato de nomear e guardar, a prática da documentação, daqui para frente, neste contexto de uma cultura digital, não pode mais ser visto como algo para especialistas. Eles próprios, ao iniciarem esse movimento, anos atrás, pela compreensão social das informações, tratam de reconhecer que profissões que lidam com a informação, isto é, lidam com a produção cultural, são hoje em dia possíveis a parcelas cada vez maiores da população. A medida que vão sendo gerados mais e mais conteúdos digitais, maior o acesso e maior o acervo desses conteúdos.

Muitos desses acervos, para a memória do futuro, serão decisivos, embora ainda não sejam compreendidos como tal, Serão os bancos compostos por dados. Números, nomes, cores, meta tags.  Sua importância política é, desde já inestimável, visto que ao sistematizar dados sobre por exemplo, as concessões de comunicação social no Brasil, obtém-se um conjunto que permite que a população tome decisões embasadas no acúmulo de suas escolhas passadas.

Diferentes dos bancos de dados utilizados para coleções de objetos, uma coleção como o número de filmes vistos nos últimos vinte anos, vem se tornando tão importante quanto saber quais e onde estão os filmes produzidos nesse mesmo período.

Hoje, os cidadãos estadunidenses podem ter acesso à todas as agências governamentais, por ordem de decreto presidencial, em páginas na internet. Toda agência deve ter um website que contenha a sequência www.nome.gov/data. Isto é, um endereço padronizado de localização. Há também, oito princípios para que estes dados sejam plenamente acessíveis:

Os itens são propostos pelo projeto Open Government Data Principles. Toda informação governamental pública será considerada aberta se estiver nas seguintes condições:

1. Completa
Todos os dados devem ser disponibilizados de forma integral. A informação não está sujeita a restrições de privacidade, segurança ou limitações outras.
2. Primaria
Informações coletadas na fonte. Com o grau mias alto de granularidade, sem estar em formas agregadas ou modificadas.
3. Recente
A informação pública deve ser disponibilizada o mais rápido o possível para preservar seu valor de uso.
4. Acessível
A informação pública deve estar disponível para o maior número de pessoas e usos possíveis.
5. Processável por máquinas
A informação pública deve estar razoalvelmente estruturada para permitir a leitura por máquina.
6. Não-discriminatória
A informação pública deve ser acessível para qualquer pessoa, sem necessidade de registro prévio.
7. Não-proprietária
A informação pública é disponível num formato não controlado de forma proprietária.
8. Licença livre
A informação pública não deve estar submetida a qualquer direito autoral, copyright, patente, marca registrada ou secreta. Privacidade e restrições de segurnça em termos razoáveis serão permitidas.

Aqui no Brasil estamos indo na mesma direção, por caminhos diferentes.  O fato de que há iniciativas como a do LexML, ou  do Transparência Hack Day, mostram que a sociedade está amadurecendo suas formas de participação.  Assim, isto poderia ocorrer com todos os demais bens culturais públicos produzidos. Da mesma forma, outros tipos de informação estatística têm chamado a atenção pelo seu cada vez mais evidente valor. Pense nos números dos orçamentos dos ministérios, tribunais, câmaras e assembléias de todo o Brasil, neste período de vinte anos.

O valor dos dados tem garantido a prospecção de fatos históricos, como num mergulho aos arquivos sobre diversos assuntos: reforma agrária, direitos humanos, política partidária, movimentos sociais, educação, saúde…afora os arquivos mais óbvios culturalmente: os acervos das companhias de cimena, das rádios, televisões, bibliotecas particulares…

História incompleta dos sistemas públicos de gestão, catalogação e indexação de acervos culturais.

Quantos, como, e onde estão os diferentes sistemas de catalogação, indexação e recuperação das informações museológicas, cinematográficas, televisivas, videográficas, fotográficas, bibliográficas, fonográficas, jornalísticas e iconográficas que estão em acervos públicos no Brasil? O desafio , bem maior que a longa pergunta, é de importância decisiva, para não dizer incomensurável.
Não há no Brasil estudos publicados que dêem conta de mapear essa necessidade, comum à todas organizações que têm acervos digitais. Para o documento preliminar que trata do eixo de Memória Digital, fiz um brevíssimo diagnósticos da situação histórica de um dos sistemas atualmente em uso no Brasil, o DONATO, o qual reproduzo aqui:
O uso de software de gerenciamento dos bancos de dados nas instituições públicas é, em geral, feito por softwares proprietários. A exceção do DONATO / MNBA (nome de um antigo e destacado funcionário do museu, reconhecido pelo seu trabalho  e cuidado para com as informações e os acervos…) que teve seu início em 1990 e, em 2005, fez a migração para um banco de dados em MySQL, não foi observada nas instituições públicas o uso de software livre. O DONATO é utilizado atualmente em 46 instituições museológicas no Brasil. Tal desenvolvimento é fruto de profissionais não diretamente relacionados com o campo profissional de tecnologia da Informação. Isto fez com que as características desse sistema de gerenciamento de acervos se destacassem entre as instituições. Primeiro, pelas vantagens inerentes do software livre. Depois, pelo alto grau de especificidade e recursos encontrados no sistema, como por exemplo, a capacidade de catalogação de peças distintas tais como indumentária ou objetos tridimensionais. Estima-se que o banco de dados do sistema possua aproximadamente 18 mil registros que totalizam 80 megabytes de espaço utilizados em disco.

Uma discussão sobre adoção de padrões livres no ciclo de digitalização, tanto para hardware quanto para software, está em curso em algumas dessas instituições. No horizonte, porém, estão os contratos já firmados com empresas que, como dito acima, ocupam a lacuna de expertise em relação à digitalização e gestão do patrimônio cultural brasileiro.

Diante desse cenário, onde o risco de “inventar a roda” ou de aprisionar a solução num software proprietário é grande, devem ser pensados os recursos já existentes e aprovados por aqueles que efetivamente precisam desses sistemas: os funcionários das instituições de acervos. Um grupo poderia ser criado, reunindo tais iniciativas que hoje são esparsas e escassas, num esforço conjunto, com o intúito de otimizar e concentrar esforços para adoção de plataformas livres… Fica aqui a sugestão para os setores que tratam dessa questão no Governo Federal, ou, melhor ainda, nas esferas estaduais, municipais, bemcomo aquelas instituições privadas que queriam colaborar com tal iniciativa.

Banco de dados, num cinema perto de você.

Geert Lovink, um artista holandês, disse a seguinte frase:

“Nós não assistimos mais filmes ou tv, nós assistimos bancos de dados.”

A frase, presente na publicação  “The Video Vortex Reader”,  foi dirigida ao fenômeno do Youtube, e a discussão sobre a torrente de videoclipes que lá existe. Refletindo bem, as “séries de TV”, os desenhos, os filmes novelas, jornais “analógicos” seguem quase a mesma lógica…Geert diz que, atualmente, não há mais, tanto por parte dos produtores, quanto da audiência, uma compreensão de que o audiovisual serve, também, para pensar. De modo que, não raro, assistimos à uma série muito mais por inércia do que por interesse. Dizemos: “o capitulo de hoje não foi tão interessante”, e voltamos , no dia seguinte, para ver de novo a mesma coisa, com esperanças de que, desta vez, seja melhor…

Existe uma interessantíssima discussão sobre o que se convencionou chamar dedatabase narrative. Sem entrar nas considerações teóricas desse debate que está em curso, cabe dizer que hoje em dia, assim como o “árido” assunto do qual trata esse blog (sim, sem auto complacência) tal questionamento ainda fará “cair a ficha” dos produtores e consumidores de cultura. Profético, mas realista. Não há como ignorar que a quantidade de mídias e seus conteúdos aumentam vertiginosamente. O que hoje vemos como algo positivo, o número de horas das quais dispomos, se tornará em breve, um desafio. Quem nunca se pegou rejeitando, evitando ficar em frente a televisão por não aguentar assistir tanta coisa que não queria ver?

Não há mais uma expectativa por parte de quem assiste filmes atuais, de que haja uma proposta única. Então essa introdução foi para lançar uma outra pergunta: Onde estão nossos bancos de imagens, vídeos e filmes? quais são as narrativas possíveis?

NO Brasil, a quem pertence os bancos de dados audiovisuais públicos? O púbico têm acesso a eles? Estas questões surgiriam aqui, onde mal sabemos o que há nos acervos? Porque não sabemos? Alguém quer saber? Chega de perguntas, alguém deve estar me dizendo…

Essa pergunta, não muito de teórica, diz mais sobre a constatação de que a pujança cultural brasileira, carece de estruturas que permitam que se reconstituam novas memórias. Qual a relação dessas possibilidades com os acervos, memórias, histórias, identidades e culturas digitais?

Quando se discute essas questões, onde estamos, ou melhor, onde estão nossos acervos audiovisuais?  O silêncio permanece.

A memória do futuro

O Fórum da Cultura Digital Brasileira, em sua versão “presencial” ocorreu durante os dias 18 a 21 de novembro. Foi um encontro onde pude ver pessoas com quem nos últimos meses tive apenas “contatos digitais” e que, ao vivo, são infinitamente mais interessantes. Elogios à parte, e fazendo um pausa ( pensei em dar uma de repórter e falar sobre o Fórum, mas mudei de idéia porque, de qualquer forma, houve uma cobertura bem legal do evento) aproveitei para olhar o que se passava naquele espaço onde havia gente de todo canto, mas todos com o mesmo objetivo: discutir e expor idéias e ideais sobre o uso social de tecnologias de comunicação e informação.

Essa pausa no blog teve como motivo principal uma avaliação. Feita a reflexão, é hora de voltar e retomar, direto do passado, ou seja, direto da constatação da situação atual dos acervos, para o futuro: o que fazer com esse patrimônio cultural?

Para quem não foi ao Fórum, para quem foi e não entendeu e, para quem foi, entendeu e gostou, fica aqui este espaço virtual aberto para interferir, perguntar e participar no processo que segue… O encontro acabou, mas o Fórum não.

Aliás, as discussões apenas começaram, já que os textos dos eixos temáticos para discussão, disponibilizados para o público servirão agora de baliza para novas participações. Nunca achei que o tema do eixo de memória fosse um sucesso de IBOPE, mas, pelo que pude constatar das discussões, houve uma percepção sensível do público, confrontado com a pergunta: produzir, distribuir e depois? Ninguém soube responder o que fazer com a produção, que clamavam para ser aumentada e receber linhas de financiamento. A pergunta continua.

De tudo que foi discutido, havia sempre a percepção de que estamos apenas no começo. Tudo muito novo: banda larga, direito autoral, apropriação coletiva de mídias, novos modelos de economia

números de buscas da palavra "digitalização "no Google por ano.

Número de buscas e notícias sobre a palavra “digitalização” no Google a cada ano.


Algo que me chamou a atenção durante o evento, foi o número de pessoas interessadas no assunto digitalização. Afora o tema ser confundido com outro, de igual importância, qual seja, a digitalização como fenômeno, quase todos o discutiram, em maior ou menor grau. O mundo passa por isso, afinal até cinco anos atrás, o digital ainda era futuro. Não apenas a televisão ou o cinema, mas, de fato, os fluxos de informação se “digitalizam”. Quando alguém fala em “online” está falando de algo que corre por servidores, “hubs”,  “switchs” e todos esses equipamentos com “luzinhas” (leds)  que piscam para alegria de muitos. Haja eletricidade.

Daqui para frente, as discussões da plenária sobre Acervo, Memória, História, Identidade e Cultura Digital, ocorrerão com base no que foi discutido no texto de memória digital.

Acervos Digitais Públicos: convergência entre comunicação e cultura

O fato de que todos nós, os que usamos computadores em redes digitais, estamos aprendendo a lidar com os  instrumentos que a história atual permite, colocou diante das sociedades uma avenida longa, ampla e não-congestionada na frente de muitas pessoas acostumadas aos espaços fechados… Isso quer dizer que, os melhores “veículos”, aqueles que vão mais longe, e mais rápido no trajeto dessa avenida, levando conteúdos (eu poderia fazer um distinção entre informação e entretenimento, mas ela será esquecida…assim como, um dia, o científico e cultural também…) ocupam o espaço. Quem tem a palavra, tem a ação.

O conjunto de conteúdos dessa “infovia” não tem apenas o que é feito hoje. Assim como é possível ver um filme dos anos 40 na televisão, ou ouvir uma obra musical dos anos 20 na radio atual, na infovia, posso musicar as imagens do século passado, misturá-las com as imagens da televisão e inserir tudo isso, minhas próprias imagens, sons e textos…

O cenário atual de produção digital de conteúdos é algo diferente do modo adotado pelo ensino, pelo trabalho e pela ciência tradicionais. Descentralizado, em rede, colaborativo, agregado, efêmero, e dinâmico. Está foi a definição de William Uricchio, num livro de análises sobre um documento publicado em 2003 pela UNESCO, a Carta Para a Preservação da Herança Digital. Nesse documento, foi feita uma pergunta sobre o patrimônio digital mundial já constituído, bem como aquele a ser digitalizado. Essa pergunta, agora em 2007 já feita  por interesses comerciais sob o nome de “The Digital Dilemma” , uma referência à situação da indústria de Hollywood que, ao ganhar distribuição e potencial tecnológico criativos quase sem limites, quis garantir que tudo isso fosse devidamente assegurado por direitos autorais. Mas além disso, há também a percepção, ainda que específica e tardia, em relação ao fato de que preservar esse patrimônio efêmero é decisivo para a história cultural,  do mundo, no caso da UNESCO, e dos Estado Unidos da América, no caso da Academia Nacional de Cinema.

O assunto de tornar digital, a digitalização das coisas: informação, economias, legislações…A respeito desse monte de conceitos, um documento muito legal de orientação técnica sobre o assunto pode ser encontrado na proposta do Clube de Engenharia. Tão importante quanto os engenheiros estarem atentos à digitalização das tecnologias, somado ao que a UNESCO e Hollywood já disseram, é preservar a memória digital: a identidade do passado, a do presente, e as que virão.  Assim, achei muito importante que o Caderno de Resultados da I Conferência Livre de Comunicação para a Cultura, resultado de discussões que irão para a CONFECOM contivesse propostas como essa:

Trecho do Caderno de Resultados da I Conferência Livre de Comunicação para a Cultura
Trecho do Caderno de Resultados da I Conferência Livre de Comunicação para a Cultura

Isso significa que será possível um dia, conectar escolas, universidades, bibliotecas, museus e outras instituições numa Rede de Conteúdos Livres, de acesso à cultura, do Brasil e mundial. Embora hoje a internet seja uma primeira etapa, na qual já podemos ir até lugares diversos, uma parte imensa do acervo cultural brasileiro ainda pode ser incluída. Preservar é mais que guardar. É saber. Nesse momento em que se prepara a discussão sobre o falso dilema entre ideologia e prática, entre tecnologia e tradição, estar ciente de que a resolução dessas questões passa pela memória é fundamental.

Um milhão de arquivos, XML e a transparência das leis.

GT LexML da Comunidade TI Controle, é um grupo de trabalho que reúne vários órgãos do governo federal é um projeto que tem indexados um milhão de arquivos de toda Legislação brasileira. Reunir para consulta um número como esse de documentos em papel, é simplesmente impossível. Por isso, muitas pessoas, a maioria, também simplesmente também não procura seus direitos, que assim como seus deveres, deveriam estar legalmente garantidos em algum lugar da miríade de textos jurídicos.

O acesso à lei das pessoas com menor poder aquisitivo é algo que, perversamente, afasta a justiça de quem menos tem recursos para buscá-la. No portal de buscas tornou-se possível, por exemplo, saber o que já foi proposto, aprovado, ou arquivado sobre a digitalização no Brasil, nesse link. Buscando essa palavra, ou “entrada” para usar o vocabulário mais técnico, descobri que existiu, 1974, a DIGIBRÁS, que hoje se transformou em outra coisa.

clique para ir ao LexML!

clique para ir ao LexML!

O poder do XML, ou xemelê, que também tem um grupo aqui no Fórum da Cultura Digital Brasileira, está, aos poucos, mostrando que organizar, nem sempre é prender, ser rígido. A estruturação de informações, graças a esse protocolo, presta um serviço enorme e, tomara, sirva de exemplo de como é possível realizar o que disse num post anterior:

“A variedade de ações, objetos, políticas, conteúdos, padrões, acervos, propósitos, públicos, legislações entre muitos outros aspectos que constituem e interligam esse sistema é imensa. Do mesmo tamanho, são as realidades da Comunicação, da Ciência e Tecnologia e da Educação, para ficar na esfera do Governo Federal. Soma-se a essas estruturas, outros elementos, como os econômicos, os jurídicos, e os legislativos. Esse quadro complexo, todo ele, pode ser unificado (e não necessariamente de forma centralizada) pela tecnologia Digital.”

Iniciativas como essa, e outras como a do processo colaborativo de discussão e formulação de um marco civil para a Internet brasileira, também esta uma ação interministerial, penso, mostram que caminho está aberto. Não quer dizer que já chegamos, nem que todos vão, mas sim que vamos adiante.

Produção, distribuição, e depois?

Eu compreendo que este blog tem uma missão hercúlea. Digo “o blog”, porque este é, a princípio, um espaço de diálogo e não apenas de exposição de idéias ou congressos acadêmicos… Assim, a missão (coletiva) de fazer dialogarem pessoas envolvidas em atividades que, não raro, elas pensam alheias umas às outras, é algo necessário.

Isso implica em pensar, conceber e realizar, mais que diálogos, mas ações conjuntas de trabalhos no sentido de viabilizar a produção, distribuição e, por último mas não menos importante, o armazenamento dos conteúdos culturais. Sendo essa uma tarefa conjunta, ao saber que o texto do Documento Referência da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, baixei o pdf, e busquei as seguintes palavras( sempre elas) no texto:

patrimônio = 0 ocorrências

memória = 0 ocorrências

História = 2 ocorrências

A democratização da comunicação e a inclusão social por meio das novas tecnologias devem ser encaradas como Políticas de Estado estratégicas para a integração e desenvolvimento nacional em todas as escalas. Trata-se da integração entre o rural e o urbano; a periferia e a cidade; a favela e o asfalto. Não há limites para a busca, produção e distribuição da informação na Era Digital. É a maior oportunidade de nossa história na busca por meios poderosos para construção de direitos e de cidadania.(pg 11)

O brasileiro é um povo extremamente comunicativo, que gosta e se adapta facilmente às novas tecnologias. A história da comunicação brasileira está repleta de acontecimentos importantes, que contam o processo de desenvolvimento desse setor em nosso país. Alguns momentos, como mostraremos adiante, merecem destaque.(pg 9)

Depois dessa busca, fiquei pensando que isso se deve ao fato de que a premência das discussões é, em sua maioria, tecnológica: o problema atávico do sistema de comunicações brasilero, as conceções de radiodifusão, todas essas coisas poderiam estar tomando todo o espaço…

Assim, fui ao texto buscar a palavra identidade…

identidadenaconfecom

Mas ai, permanece a pergunta: produzir, distribuir e, guardar, onde? Sempre me faço essa pergunta. Quando tenho chance, às pessoas também. Elas respondem que isso é um problema, um projeto ou uma incógnita. A pergunta permanece.

Talvez, tais palavras: acervo, memória, história (excluindo-se aqui ‘digital’ por motivos óbvios) parece, então, que não fazem parte desse universo de comunicação. O que, todas as pessoas me diriam, prontamente, que não se é o caso.

A pergunta permanece. Quando se ouve assuntos sobre a universalização da banda larga, novos modelos de economia, comunicação compartilhada e a quebra da nefasta e preconceituosa divisão entre o que se denomina pejorativamente de baixa e alta cultura, em qual desses itens não está a história, a memória e a identidade? Quando empresas de tecnologia (assunto erroneamente tratado pelo público como objetivo e concreto) como as de telefonia ou de processadores, são suspeitas de práticas “não-normativas” ou ilegais, onde  não está a identidade?

Enfim, são muitos os caminhos e pouca a sinalização. Tateando pelos cantos, enquanto a faixa principal está congestionada com palavras e ações concretas, cada qual com as suas, avança-se, aos poucos.