Archive for the ‘ Políticas públicas ’ Category

Um exemplo de “documentação escolar”.

O trabalho de faculdade de Tomas Nilsson, é um exemplo de como um incontável número de trabalhos “escolares” são criados, nem sempre guardados e, pior, não compartilhados.  O de Tomas, conta a história de chapeuzinho vermelho. A frase mais que gasta sobre nossa época e o ” acúmulo de conhecimento” não seria possível, se dependermos dos conhecimentos contidos nos trabalhos escolares. Está claro que há, sim uma enorme preservação da documentação escolar: trabalhos são premiados, o youtube tem aproximadamente 4510 vídeos descritos com esses termos, mas isso não é nem de longe o possível. O Brasil está inserido na comunidade científica, onde os trabalhos “escolares” mais complexos, como monografias, dissertações e teses, são, em sua maioria, documentados, preservados e indexados em base de dados.

To: Cinemateca Brasileira

fonte: http://www.petitiononline.com/CCB2405/petition.html

São Paulo, 24 de maio de 2010

À Cinemateca Brasileira,

Reconhecemos o enorme esforço e o imenso trabalho que têm sido feitos, ao longo dos anos, para bem equipar a instituição com telecine, auditório, ambiente climatizado para guarda dos filmes, entre outras providencias, assim como a importância da política de aquisição de acervos como da Atlântida ou Jean Manzon que poderiam se perder por falta dos cuidados e guarda adequados.

Contudo, vimos por meio desta, solicitar uma reunião com o Conselho e a Diretoria da Fundação Cinemateca Brasileira no sentido de pedir o encaminhamento de soluções para a melhoria da política de atendimento à pesquisa (e ao público) no acervo desta instituição. Nós cineastas, pesquisadores, produtores, estudantes, cidadãos entendemos que:

• A FCB trabalha com um acervo que é bem público, que é seu dever não só preservar e adquirir novos materiais mas também disponibilizá-los para novas produções e para o público interessado em geral. Sem acesso não existe sentido na preservação pura e simples pois a ressignificação da memória audiovisual através de novas produções, reflexões e olhares se estanca.

• É necessária a criação de uma política de valores e prazos transparentes e publicada no site, nos moldes de outras instituições como o Arquivo Nacional.

• Acreditamos que a política de valores deve ser diferenciada , baseada no tipo de veiculação do projeto final. Desta forma pode-se atender as especificidades das demandas de pesquisa e tornar realmente acessível o acervo da Cinemateca respeitando projetos de orçamento mais baixos, viabilizando a utilização de imagens para historiadores, pesquisadores, estudantes que estejam fazendo teses na área e necessitem de material para seus projetos desde que comprovados por documentação da instituição a que estão ligados.

• É fundamental o acesso a todas as bases de dados disponíveis na Cinemateca para que o pesquisador/produtor/diretor que o queira possa ele mesmo filtrar os termos para a pesquisa de seu projeto.

• Propomos a ampliação da estrutura de atendimento a pesquisa , pois diante do aumento da demanda de documentários no país, se faz necessária a criação de uma política que permita que as pesquisas e os licenciamentos das imagens sejam feitos num prazo de realidade de mercado . Hoje em dia o tempo requerido para visualização do material, por si só , ja inviabiliza os projetos.

• Que seja dado a produção dos filmes e pesquisadores ter a possibilidade de fazer o telecine ou tranfer de VT do material levantado na FCB em outros lugares desde que sejam locais reconhecidamente profissionais; nos moldes do que era feito há alguns anos atrás quando a própria Cinemateca não tinha telecine, seria uma opção para o telecine da CB ocupado com os projetos de grande porte.

• Estudo de uma solução para o problema de acesso ao acervo Tupi , que se trata do único acervo televisivo dos anos 50/60 disponível para pesquisa. Atualmente encontram-se indisponíveis, inclusive, as fitas VHS que eram visionadas para escolha de material.

• Desenvolvimento de uma politica de atendimento aos acervos que recentemente foram adquiridos pela instituição e que estão indisponíveis, enquanto estes não forem totalmente digitalizados e disponibilizados no site da Cinemateca, processo que deverá levar muito tempo ainda.

Cordialmente abaixo assinados,

Sincerely,

The Undersigned


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Toda educação vem da cultura.

As tecnologias têm desenvolvimento mais acelerado que as sociedades que as criam. Isso quer dizer que a medida que se tornam complexas, escapam ao entendimento de seus próprios criadores. Assim, os criadores do disco de vinil, baseado na tecnologia da agulha para produzir som, jamais poderiam pensar que o uso propositado de um defeito, o scratch, seria incorporado pelos fabricantes dos toca-discos atuais, com seus sistemas hidráulicos de equilíbrio que permitem o contato manual com o disco sem perda de controle da sonoridade, ou efeito, pretendida.

Não podemos saber exatamente de onde vêm a invenção da roda. No entanto, seus usos são tantos e tão diferentes, que pode-se dizer que há neles um princípio, neste caso, o de circular. Mas ai, entra em questão uma ilusão da linguagem que pensa o princípio como existente antes da sua concepção. O verbo “rodar”, para objetos em contato com o solo, não poderia existir antes da roda…Hoje em dia, da mesma forma, já é possível dizer que “dar um nó em luz” não é algo figurado.

Essa rapidez das tecnologias em relação à sociedade, acontece de maneira mais intensa na educação. Isto porque o conhecimento científico está gerando objetos tecnológicos numa escala ais rápida que a escola consegue incorporar em seu discurso. As mudanças que as tecnologias sofrem, porém têm uma origem: a cultura. Por cultura, se entende as práticas que os grupos têm sobre seu ambiente, incluso nestes, os objetos tecnológicos disponíveis para tais práticas.

Os usos que os toca-discos tiveram foram variando segundo as práticas culturais que utilizavam estes objetos tecnológicos. Se o uso de arranhões mudou uma parte da música mundial, criou uma cultura planetária, e instituiu um novo padrão de objetos tecnológicos( as pick-ups dos DJs) as escolas, tanto de engenharia de som, quanto os conservatórios musicais, ainda não adotaram totalmente tal transformação. Há outros objetos tecnológicos que tiveram um profundo impacto. O vídeo, o telefone celular, o computador… Acontece que agora um objeto tecnológico de tipo diferente, com uma história de uso social com mais de dez anos, está literalmente agregando todos os outros: a internet.

Mais que um objeto, a internet é um conjunto, em escala global, de muitos equipamentos. Uma rede. Tal inovação permitiu que a educação pensasse daqui em diante, com sua lógica,  em coisas como “educação à distância”, “tele-aprendizado” e outros temos que dessem conta da contradição de situações de aprendizagem que prescindiam da tecnologia tradicional da escola: o quadro negro na sala de aula, cadeira enfileiradas, livros escolares. Todos esses objetos ficaram obsoletos com a internet.

Quando se fala em “Educação e Tecnologia” não se discute o fato de que “educação pública” é uma forma de tecnologia de aprendizado, um conceito ocidental recente. A maioria das culturas não possui um equivalente para tal atividade. Esta, aqui também no ocidente( os países de matriz cultural européia, com também é o caso do Brasil) não surgiu para o bem da população mas por demanda do capitalismo…

Enfim, As mudanças culturais (como a demanda por mão de obra qualificada) ocorrem sempre adiante da educação. Educação é tecnologia, e tecnologia é reflexo das práticas culturais. Isolar a educação numa redoma de “conteúdos curriculares”não se se mostrou ineficaz, como também excludente. Ainda não  existe uma grade curricular que englobe as imensas diferenças que existem nas sociedades modernas, todas elas desesperadas por “mão de obra” qualificada, ou educada…Não reconhecer que toda educação deve ser retirada da vida, e não apenas dos “conteúdos programáticos” ajuda, em muito, a perpetuar a exclusão que submete milhões de pessoas ( tanto alunos quanto professores) ao fracasso.

A inclusão de propostas de educação no Plano Nacional de Cultura, é uma esperança, mas não podemos esperar muito. Segundo a coordenação de cultura digital do MinC, “10 das 32 propostas finais da #iicnc atrelam as necessidades da cultura às da educação ” o que evidencia que uma, sem a outra, não se completam. Não pode haver educação dissociada da vida, da cultura. Por outro lado, não pode haver cultura, sem saber acumulado, sem sistematização das experiências…sem um esforço conjunto.

SXSW 2010

On Friday, March 12, one the biggest and most hyped media festivals of the year kicks off in Austin, Texas: South by Southwest 2010.

Os instrumentos inventados num determinado povo, teve melhoramentos por outro, adaptações e imitações imperfeitas, de forma independente das sociedades iniciais.

#culturadigital.br:digitalização de acervos\acesso\domínio público

Quando o documento base de discussão do eixo de memória digital foi entregue no evento do Fórum da Cultura Digital Brasileira, em novembro, um dos itens, o Plano Nacional de Digitalização de Acervos foi, de longe, o ponto mais discutido. Um plano nacional é algo complexo que abrange várias etapas, assuntos, tem vários constituintes. Assim, o processo de conscientização, tanto da população, quanto dos representantes políticos sobre o que significa constituir, promover e conservar acervos públicos, também tem que ser feito por etapas.

A produção das culturas brasileiras é resultado de práticas de expressão individual e coletiva, materiais e imateriais, diversas e exuberantes. Há muitas variedades de identidades neste país e todas elas têm, em maior ou menor grau, produções culturais que as representam. Ocorre porém, que esta produção não permanece no tempo, a maior parte dela, se dissolve nas mudanças do dia à dia. Sem permanência, tais produções acontecem apenas como memória coletiva: existem para um grupo, e somente enquanto aquele grupo existir. O que acontece depois?

Entra ai uma política da memória que determina, por diversos meios legais e morais, o que deve ou não ser lembrado, tomado como identidade e memória. Em outras palavras, permanece a memória daquilo que é considerado oficial.  A opressão do silêncio, do calar a voz, do apagar ou distorcer a imagem, todas estas situações estão nos acervos, nos arquivos, ou fora deles.

Há uma crença de que o passado, aquilo que já aconteceu, não volta, e por isso, pensar no futuro, no que está por vir é mais importante. De fato, não só não conhecemos todo o passado, algo impossível, como também não temos conhecimento do que existe hoje, atualmente. Nossa compreensão histórica tem limitações de tempo e de espaço. Pois isso é, ao mesmo tempo, uma vantagem e uma dificuldade. Tanto o passado quanto o futuro são trabalho do presente, estão por (re) fazer.

A medida que as demandas por mais comunicação, melhor informação e mais democracia avançam, partes da população, os incluídos digitais, começam a alterar o perfil do que seja ativismo, ou o antigo civismo, começa a ser consultada em questões que antes ficavam restritas aos representantes do povo , os partidos políticos e poucos participantes de entidades políticas, como sindicatos, centros estudantis ou grupos diversos.

Outro dia, recebi uma mensagem aqui no Fórum, de alguém que perguntava sobre as relações, e naturalmente as implicações para o cenário descrito acima, entre a digitalização de acervos, o acesso livre e o domínio público. Umas das prioridades que se delineia no horizonte, sem dúvida é a de constituir espaços virtuais onde os cidadãos possam ter acesso livre às informações culturais que já estão disponíveis, nas diversas instituições  brasileiras. Já existe muita coisa, mas não é nem a metade do que existe. E o que existe?

Dentre as ações previstas para esse ano, conforme anunciado no evento do Fórum em novembro, haverá um  Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais. Assunto complexo, como à esta altura já se pressupõe…

A noção de que os governos devem disponibilizar Repositórios Institucionais Públicos ainda é nova, e nem os próprios cidadãos têm muita noção do que deveriam ser tais repositórios. De início, há discussões sobre sua natureza (única, ou espelhada, por questões de segurança) , sua gestão (seria um condomínio, haveria outros modelos?) e seu acesso( público, livre, quais seriam as condições para que conteúdos fossem agregados?) e muitas, mas muitas outras discussões. No entanto, o ritmo que tais discussões têm não é nem o necessário, nem o desejável. A miríade de elementos que estão envolvidos numa ação conjunta para se pensar essa questão só será percebida nos detalhes mias sensíveis( quem tem a posse, o uso e o acesso dos conteúdos) no momento que esta questão se tornar mais pública. Por tal adjetivo, se entende que deve haver uma discussão de um processo que está em curso, mas que por diversos motivos, fica a reboque de outras, tais como as relativas ao direito autoral, a regulamentação da internet e o próprio acesso, em termos de infra-estrutura, aos acervos.

O percurso que tais discussões tomará, ainda está em discussão, tendo em vista essa rede de interdependência de assuntos. Enquanto isso, o tempo passa.

PNC:Digitalização de Acervos, Direitos Autorais e Banda Larga, ipsis literis.

Num momento como o que vivemos sobre as decisões públicas, não há como não postar esse trecho do documento base do Plano Nacional de Cultura, feito em um passado não muito distante. O texto  abaixo é o que foi publicado na página 47. Os links,  são da mesma forma, uma realidade em construção:

Ampliar o uso dos meios digitais de expressão e acesso à cultura e ao conhecimento

A cultura digital, disseminada pela rede mundial de computadores e tecnologias afins, muda significativamente a forma como a gestão cultural deve encarar seus instrumentos e finalidades. De um lado, os novos meios criam a possibilidade de conservar e facilitar o acesso a amplos e valiosos acervos culturais que compõem o patrimônio do Brasil e da humanidade. De outro, são apropriados por grupos e indivíduos como seu lugar de criação, de modo que o mundo digital se torna ele mesmo um novo campo onde formas de expressão e articulação das identidades são inventadas a todo o momento. O Estado deve garantir acesso universal e pleno às novas oportunidades criadas pela tecnologia.

A chamada exclusão digital diminuiu nos últimos anos no país, embora permaneça significativa. No entanto, o principal desafio para a política pública voltada à cultura digital não se esgota nos programas de inclusão. Diz respeito também à articulação institucional necessária à promoção do livre uso das ferramentas tecnológicas na experiência cultural, por meio de programas de capacitação, sem deixar de lado o apoio ao  desenvolvimento das linguagens de expressão e a oferta de conhecimentos de domínio público por meio das plataformas digitais. Uma política de digitalização de acervos é indispensável para permitir uma circulação inédita de registros de nossa memória cultural, pictórica, gráfica e textual.
Nesse contexto, a evolução da internet e da infra-estrutura de conexão em banda larga firma-se como um instrumento estratégico para novas formas comerciais e não-comerciais de compartilhamento de cultura. A adoção de novos aparatos de transferência e armazenamento da informação influencia as dinâmicas de consumo e faz surgir, em conseqüência, modelos de exploração econômica cada vez menos baseados na massificação e formas de sociabilidade e de construção de identidades independentes do espaço geográfico.

A convergência digital representa o ambiente contemporâneo de circulação da cultura, que deve ser observado sob uma perspectiva atenta à distribuição das tecnologias e às suas formas de utilização, bem como ao desenvolvimento de conteúdos, digitalização de acervos públicos e incentivos aos projetos experimentais.

Informação, formação e transformação.

primeiro para onde?

Primeiro para onde?

Pode ser exagero, mas parece que o futuro já se tornou uma palavra gasta. A cada dia, nuvens de sentidos, valores, saberes e práticas tomam existência no que conhecemos por ” sociedade da informação”. Esta palavra, que designa o grupo, o coletivo, nunca esteve tão conturbada, posta em questão. Por exemplo, é comum falar de algo “para pobres”, dizendo-se o “aspecto social” do que se fala. Assim, uma instituição que “pensa no social”, pensa, no senso comum, e antes de tudo, nos que não são abastados. Para estes, dá-se o nome de “a sociedade”, que tem mais ou menos o valor que o termo democracia, tinha para os gregos: direito aos que têm direito, e poder.

Com os acervos públicos, com os constituídos com dinheiro público, e aos privados, coloca-se uma pergunta que não pode ser ignorada. De quem são, de fato, as informações ali contidas? Mas para além dessa pergunta, cabe outra ainda mais importante. Ainda que se soubesse que, no fundo, nenhuma informação, peça de arte ou qualquer outro objeto nestes acervos foram feitos para não serem usados. Todos, sem exceção, são fruto do que se convencionou chamar de culturas “material” e “imaterial”. Ao longo de muitos anos, foram acumulando como memória de usos, crenças, gostos, enfim, a história dos grupos que os produziram.O acervos são vistos, ou melhor, e para ser mais crítico e correto, mal vistos, como algo do passado. Seu valor começa a ser, senão, reconhecido, ao menos discutido. Antes tarde, cerca de quinhentos anos, do que nunca, pois, quando essa “ficha cair” para a “sociedade”, já não será uma moeda de troca, mas sim um piano de cauda…

O termo memória do futuro, já foi usado muito antes do uso que fazemos da palavra hoje em dia. A noção de que se pode guardar algo para ser recuperado no futuro, perpassa desde a  percepção de dias, com a utilização das “caixas de tempo” ou os calendários, até a própria informação em si: a escrita, os gráficos…

memoriadofuturo

Nossa formação histórica tem sido a do silêncio, do opaco, do esquecimento. Melhor assim, uns dizem, com medo de que um novo Haiti por aqui se instaure, como já cantaram alguns.

A transformação disso, desse cenário onde a preocupação com o futuro convive com o silenciamento do passado, deve mudar. São muitos os caminhos, muitos os problemas e várias as soluções. Talvez, este seja uma dificuldade em si: uma pletora de soluções… Uma quantidade tão grande de sendas que não há como não se perder. Os fatores políticos, já que os econômicos ao menos por enquanto estão levemente equilibrados, são os mais determinantes. Com isso, trata-se de uma questão de gestão das informações, de constituição de acervos, mas, nesse contexto confuso e veloz, de saber de quais acervos se fala. É muito difícil dizer que há um consenso, quanto mais acordo, sobre o que é um documento, o que deve constituir um acervo, isto é o que se entende por memória, e certamente,  quem deve ter acesso a o que. São muitos os vetores nesta discussão. Vamos por partes. A primeira, já postada aqui, elencou uma série de temas sensíveis. Ficaram outros, certamente tão importantes, como a acessibilidade, ou os novos modelos de negócios sobre os conteúdos digitais.

Como há todo um ano, e muita coisa pela frente, seria bom, desde já começar a pensar numa prioridade, mesmo sabendo que há uma infinidade de caminhos. Estes, só podem ser percorridos como vias abertas, públicas, as “infovias da cultura”, como andam dizendo por ai.

2010: uma agenda da memória do futuro.

O ano de 2010, ainda não começou, em termos culturais, é claro.  No entanto, outros aspectos: o profissional, o acadêmico e o político, estão em curso. De modo que, dado o calendário (sim, sempre os calendários) , o horizonte deste blog tem por paisagem os itens abaixo relacionados:

  1. Digitalização
  2. Acervos Particulares
  3. Acervos públicos:constituição, preservação e divulgação
  4. Regulamentação de Documentação não-escrita
  5. Regulamentação dos acervos audiovisuais
  6. Padrões livres de arquivos digitais
  7. Dados governamentais Públicos e Livres
  8. Repositórios públicos, abertos e livres
  9. Interfaces visuais
  10. Conteúdo colaborativo
  11. Direitos Autorais
  12. Indexação

Seira muita utopia que esses doze itens fossem resolvidos, ao final dos doze meses… O número aqui é mais fruto de coincidência do que adequação. Por coincidência entende-se o fato de que, ao elencar os temas acima, isto não os faz mais ou menos prioritários frente a mobilização das instituições, sociedade civil e governo. O tempo dirá no final do ano, o que será discutido neste, ou no próximo, o que foi abordado nesse, e o que vem se protelando desde o ano passado. As tendências mundiais sobre estes assuntos, são promissoras, em sua maioria. Ocorre porém, que a realidade brasileira tem suas peculiaridades…Como são extensos, interligados e por si complexos, os temas serão abordados em posts daqui para frente, uma coisa de cada vez.

Na verdade,esses doze pontos são vinte e quatro, quarenta e oito…ou tantos quantos forem os assuntos que surgirem aqui, ou no grupo de Memória Digital, por sugestão, durante o ano.

De início, cabe dizer que os assuntos não estão em qualquer ordem, melhor assim, pois trata-se de uma previsão, e acertar a ordem de prioridade, além de agenda, já extrapola em muito a mágica aqui em curso neste Fórum da Cultura Digital Brasileira.

A Carta de Ouro Preto 2009 da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA)

da fonte: http://abpablog.wordpress.com/

Os integrantes da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA) e os participantes do 4º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros, reunidos na 4ª Mostra de Cinema de Ouro Preto – CINEOP, reafirmam este evento como fórum de discussão e encaminhamento de reflexões e ações para a preservação do patrimônio audiovisual brasileiro.

Considerando:

  • a urgência do reconhecimento da relevância desse Patrimônio Cultural pelos poderes públicos, pela sociedade, inclusive pelos profissionais das atividades cinematográficas e audiovisuais;
  • a constatação do risco iminente de desaparecimento desse Patrimônio Cultural, que representa igualmente um ativo econômico e se encontra em condições desiguais de preservação nas diferentes unidades da Federação;
  • a insuficiência de uma política pública específica e sistemática que contemple o campo da preservação audiovisual no Brasil;
  • que a ABPA foi designada pelas organizações, instituições, entidades e profissionais presentes, ligados ao campo da preservação, como entidade representativa e interlocutora junto aos demais segmentos da área audiovisual, à sociedade civil e ao poder público.

Afirmam que:

  • diante da carência de recursos financeiros e humanos, e de mecanismos específicos destinados ao campo da preservação, questionam a manutenção da disparidade existente e propõem uma distribuição equânime dos recursos públicos para o setor audiovisual; e
  • destacam que existem necessidades específicas do campo da preservação audiovisual que devem ser consideradas na reformulação da Lei Rouanet, em curso, e de outros textos legais que tem por objeto o audiovisual e as políticas de Cultura.

Solicitam:

  • a participação da ABPA nas instâncias de decisões governamentais referentes ao setor audiovisual; e
  • como forma de contribuição direta, assento para ABPA junto ao Conselho Consultivo da Secretaria do Audiovisual – SAv-MinC, e em outros fóruns similares, estaduais e municipais.

A partir do quadro acima exposto, vimos, da mesma forma, nos manifestar a favor do reconhecimento da importância da Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre, e do Centro de Referência Audiovisual (CRAv), em Belo Horizonte, e apoiar publicamente os pleitos dessas instituições.

  • Cinemateca Capitólio - solicitar aos órgãos federais, estaduais e municipais, agilidade no processo de conclusão da obra civil da Cinemateca Capitólio, e sua implantação, como forma de garantir a memória audiovisual gaúcha.
  • CRAv – recomendar a continuidade das ações desenvolvidas pelo CRAv na consolidação de seu projeto institucional e recomposição de seu quadro de funcionários, gravemente afetado pela demissão dos especialistas, em janeiro de 2009.

Ressaltamos que estas iniciativas se incluem em um conjunto maior de ações de fundamental importância para a execução de uma política nacional de preservação do Patrimônio audiovisual brasileiro.

Ouro Preto, 22 de junho de 2009.

Reuniões do CONARQ…

Durante essas duas Reuniões, foram apresentados e aprovados pelo Plenário do CONARQ, a versão final do texto referente aos Metadados – Parte II do Modelo de Requisitos para Sistemas Informatizados de Gestão Arquivística de Documentos – e-ARQ Brasil, a versão final das Recomendações para digitalização de documentos arquivísticos permanentes,  o parecer da Comissão Técnica de Avaliação, reconhecendo o acervo de Abdias Nascimento, como de interesse público e social, a minuta de resolução reformulando a Resolução nº 26, que estabelece diretrizes básicas de gestão documental a serem adotadas nos arquivos do Poder Judiciário.

Houve ainda, a avaliação da Proposta de criação de uma Câmara sobre Documentos Audiovisuais, Iconográficos e Sonoros, a apresentação de proposta de reformulação da Resolução do CONARQ nº 6, de 15 de maio de 1997, sobre a terceirização de serviços arquivísticos públicos, que resultou na criação de uma comissão especial com a finalidade de aprofundar os estudos sobre a matéria e de um grupo de trabalho para reformular a referida resolução

e finalmente, a confraternização em comemoração ao 15º aniversário de instalação do CONARQ.

fonte:http://www.conarq.arquivonacional.gov.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm

[Bib_virtual] Um novo blog na praça

Difusão:
Prezados colegas,

estamos lançando um novo blog na praça. Trata-se do Blog Repositórios
Institucionais Brasileiros <http://blogrib.wordpress.com> que tem como
objetivo principal acompanhar o desenvolvimento de repositórios
institucionais de acesso livre no Brasil. Portanto, não apenas acessem
este blog, mas também, por favor, nos encaminhem matérias sobre
repositórios institucionais e, em especial aquelas instituições que
estejam implantando os seus repositórios institucionais, encaminhem
matérias contendo o estágio de desenvolvimento de seus blogs para o meu
email: kuramoto@ibict.br ou para a Sra. Aline Ferrari, pelo email:
alineferrari@ibict.br. O referido blog terão a colaboração da Dra.
Bianca Amaro de Melo, do Fernando César Lima Leite e da Aline Ferrari.

Cordiais Saudações.
Hélio Kuramoto
_______________________________________________
Arquivos da Bib_virtual: http://listas.ibict.br/pipermail/bib_virtual/
Instruções para desiscrever-se por conta própria:
http://listas.ibict.br/cgi-bin/mailman/options/bib_virtual
Bib_virtual mailing list
Bib_virtual@ibict.br
http://listas.ibict.br/cgi-bin/mailman/listinfo/bib_virtual

O patrimônio cultural dos bancos de dados.

Não há obra de arte, livro ou filme, que não possam serem incluídos numa coleção. Listar as coisas. A construção de um banco de dados, tem como primeiro passo, uma lista, ou coluna, de elementos. Depois, são adicionadas outras, que dirão as qualidades, atributos, estados e características do que se lista. Por exemplo, uma lista de livros sobre Análise do Discurso, teria que conter, além da primeira coluna, com digamos, o título, outras como autores, ano, e assim por diante. De início, percebe-se que a seleção do que vem depois do nome, não só é arbitrária, como também, digamos, discutível.

O ato de nomear e guardar, a prática da documentação, daqui para frente, neste contexto de uma cultura digital, não pode mais ser visto como algo para especialistas. Eles próprios, ao iniciarem esse movimento, anos atrás, pela compreensão social das informações, tratam de reconhecer que profissões que lidam com a informação, isto é, lidam com a produção cultural, são hoje em dia possíveis a parcelas cada vez maiores da população. A medida que vão sendo gerados mais e mais conteúdos digitais, maior o acesso e maior o acervo desses conteúdos.

Muitos desses acervos, para a memória do futuro, serão decisivos, embora ainda não sejam compreendidos como tal, Serão os bancos compostos por dados. Números, nomes, cores, meta tags.  Sua importância política é, desde já inestimável, visto que ao sistematizar dados sobre por exemplo, as concessões de comunicação social no Brasil, obtém-se um conjunto que permite que a população tome decisões embasadas no acúmulo de suas escolhas passadas.

Diferentes dos bancos de dados utilizados para coleções de objetos, uma coleção como o número de filmes vistos nos últimos vinte anos, vem se tornando tão importante quanto saber quais e onde estão os filmes produzidos nesse mesmo período.

Hoje, os cidadãos estadunidenses podem ter acesso à todas as agências governamentais, por ordem de decreto presidencial, em páginas na internet. Toda agência deve ter um website que contenha a sequência www.nome.gov/data. Isto é, um endereço padronizado de localização. Há também, oito princípios para que estes dados sejam plenamente acessíveis:

Os itens são propostos pelo projeto Open Government Data Principles. Toda informação governamental pública será considerada aberta se estiver nas seguintes condições:

1. Completa
Todos os dados devem ser disponibilizados de forma integral. A informação não está sujeita a restrições de privacidade, segurança ou limitações outras.
2. Primaria
Informações coletadas na fonte. Com o grau mias alto de granularidade, sem estar em formas agregadas ou modificadas.
3. Recente
A informação pública deve ser disponibilizada o mais rápido o possível para preservar seu valor de uso.
4. Acessível
A informação pública deve estar disponível para o maior número de pessoas e usos possíveis.
5. Processável por máquinas
A informação pública deve estar razoalvelmente estruturada para permitir a leitura por máquina.
6. Não-discriminatória
A informação pública deve ser acessível para qualquer pessoa, sem necessidade de registro prévio.
7. Não-proprietária
A informação pública é disponível num formato não controlado de forma proprietária.
8. Licença livre
A informação pública não deve estar submetida a qualquer direito autoral, copyright, patente, marca registrada ou secreta. Privacidade e restrições de segurnça em termos razoáveis serão permitidas.

Aqui no Brasil estamos indo na mesma direção, por caminhos diferentes.  O fato de que há iniciativas como a do LexML, ou  do Transparência Hack Day, mostram que a sociedade está amadurecendo suas formas de participação.  Assim, isto poderia ocorrer com todos os demais bens culturais públicos produzidos. Da mesma forma, outros tipos de informação estatística têm chamado a atenção pelo seu cada vez mais evidente valor. Pense nos números dos orçamentos dos ministérios, tribunais, câmaras e assembléias de todo o Brasil, neste período de vinte anos.

O valor dos dados tem garantido a prospecção de fatos históricos, como num mergulho aos arquivos sobre diversos assuntos: reforma agrária, direitos humanos, política partidária, movimentos sociais, educação, saúde…afora os arquivos mais óbvios culturalmente: os acervos das companhias de cimena, das rádios, televisões, bibliotecas particulares…

História incompleta dos sistemas públicos de gestão, catalogação e indexação de acervos culturais.

Quantos, como, e onde estão os diferentes sistemas de catalogação, indexação e recuperação das informações museológicas, cinematográficas, televisivas, videográficas, fotográficas, bibliográficas, fonográficas, jornalísticas e iconográficas que estão em acervos públicos no Brasil? O desafio , bem maior que a longa pergunta, é de importância decisiva, para não dizer incomensurável.
Não há no Brasil estudos publicados que dêem conta de mapear essa necessidade, comum à todas organizações que têm acervos digitais. Para o documento preliminar que trata do eixo de Memória Digital, fiz um brevíssimo diagnósticos da situação histórica de um dos sistemas atualmente em uso no Brasil, o DONATO, o qual reproduzo aqui:
O uso de software de gerenciamento dos bancos de dados nas instituições públicas é, em geral, feito por softwares proprietários. A exceção do DONATO / MNBA (nome de um antigo e destacado funcionário do museu, reconhecido pelo seu trabalho  e cuidado para com as informações e os acervos…) que teve seu início em 1990 e, em 2005, fez a migração para um banco de dados em MySQL, não foi observada nas instituições públicas o uso de software livre. O DONATO é utilizado atualmente em 46 instituições museológicas no Brasil. Tal desenvolvimento é fruto de profissionais não diretamente relacionados com o campo profissional de tecnologia da Informação. Isto fez com que as características desse sistema de gerenciamento de acervos se destacassem entre as instituições. Primeiro, pelas vantagens inerentes do software livre. Depois, pelo alto grau de especificidade e recursos encontrados no sistema, como por exemplo, a capacidade de catalogação de peças distintas tais como indumentária ou objetos tridimensionais. Estima-se que o banco de dados do sistema possua aproximadamente 18 mil registros que totalizam 80 megabytes de espaço utilizados em disco.

Uma discussão sobre adoção de padrões livres no ciclo de digitalização, tanto para hardware quanto para software, está em curso em algumas dessas instituições. No horizonte, porém, estão os contratos já firmados com empresas que, como dito acima, ocupam a lacuna de expertise em relação à digitalização e gestão do patrimônio cultural brasileiro.

Diante desse cenário, onde o risco de “inventar a roda” ou de aprisionar a solução num software proprietário é grande, devem ser pensados os recursos já existentes e aprovados por aqueles que efetivamente precisam desses sistemas: os funcionários das instituições de acervos. Um grupo poderia ser criado, reunindo tais iniciativas que hoje são esparsas e escassas, num esforço conjunto, com o intúito de otimizar e concentrar esforços para adoção de plataformas livres… Fica aqui a sugestão para os setores que tratam dessa questão no Governo Federal, ou, melhor ainda, nas esferas estaduais, municipais, bemcomo aquelas instituições privadas que queriam colaborar com tal iniciativa.

Acervos Digitais Públicos: convergência entre comunicação e cultura

O fato de que todos nós, os que usamos computadores em redes digitais, estamos aprendendo a lidar com os  instrumentos que a história atual permite, colocou diante das sociedades uma avenida longa, ampla e não-congestionada na frente de muitas pessoas acostumadas aos espaços fechados… Isso quer dizer que, os melhores “veículos”, aqueles que vão mais longe, e mais rápido no trajeto dessa avenida, levando conteúdos (eu poderia fazer um distinção entre informação e entretenimento, mas ela será esquecida…assim como, um dia, o científico e cultural também…) ocupam o espaço. Quem tem a palavra, tem a ação.

O conjunto de conteúdos dessa “infovia” não tem apenas o que é feito hoje. Assim como é possível ver um filme dos anos 40 na televisão, ou ouvir uma obra musical dos anos 20 na radio atual, na infovia, posso musicar as imagens do século passado, misturá-las com as imagens da televisão e inserir tudo isso, minhas próprias imagens, sons e textos…

O cenário atual de produção digital de conteúdos é algo diferente do modo adotado pelo ensino, pelo trabalho e pela ciência tradicionais. Descentralizado, em rede, colaborativo, agregado, efêmero, e dinâmico. Está foi a definição de William Uricchio, num livro de análises sobre um documento publicado em 2003 pela UNESCO, a Carta Para a Preservação da Herança Digital. Nesse documento, foi feita uma pergunta sobre o patrimônio digital mundial já constituído, bem como aquele a ser digitalizado. Essa pergunta, agora em 2007 já feita  por interesses comerciais sob o nome de “The Digital Dilemma” , uma referência à situação da indústria de Hollywood que, ao ganhar distribuição e potencial tecnológico criativos quase sem limites, quis garantir que tudo isso fosse devidamente assegurado por direitos autorais. Mas além disso, há também a percepção, ainda que específica e tardia, em relação ao fato de que preservar esse patrimônio efêmero é decisivo para a história cultural,  do mundo, no caso da UNESCO, e dos Estado Unidos da América, no caso da Academia Nacional de Cinema.

O assunto de tornar digital, a digitalização das coisas: informação, economias, legislações…A respeito desse monte de conceitos, um documento muito legal de orientação técnica sobre o assunto pode ser encontrado na proposta do Clube de Engenharia. Tão importante quanto os engenheiros estarem atentos à digitalização das tecnologias, somado ao que a UNESCO e Hollywood já disseram, é preservar a memória digital: a identidade do passado, a do presente, e as que virão.  Assim, achei muito importante que o Caderno de Resultados da I Conferência Livre de Comunicação para a Cultura, resultado de discussões que irão para a CONFECOM contivesse propostas como essa:

Trecho do Caderno de Resultados da I Conferência Livre de Comunicação para a Cultura
Trecho do Caderno de Resultados da I Conferência Livre de Comunicação para a Cultura

Isso significa que será possível um dia, conectar escolas, universidades, bibliotecas, museus e outras instituições numa Rede de Conteúdos Livres, de acesso à cultura, do Brasil e mundial. Embora hoje a internet seja uma primeira etapa, na qual já podemos ir até lugares diversos, uma parte imensa do acervo cultural brasileiro ainda pode ser incluída. Preservar é mais que guardar. É saber. Nesse momento em que se prepara a discussão sobre o falso dilema entre ideologia e prática, entre tecnologia e tradição, estar ciente de que a resolução dessas questões passa pela memória é fundamental.

Um milhão de arquivos, XML e a transparência das leis.

GT LexML da Comunidade TI Controle, é um grupo de trabalho que reúne vários órgãos do governo federal é um projeto que tem indexados um milhão de arquivos de toda Legislação brasileira. Reunir para consulta um número como esse de documentos em papel, é simplesmente impossível. Por isso, muitas pessoas, a maioria, também simplesmente também não procura seus direitos, que assim como seus deveres, deveriam estar legalmente garantidos em algum lugar da miríade de textos jurídicos.

O acesso à lei das pessoas com menor poder aquisitivo é algo que, perversamente, afasta a justiça de quem menos tem recursos para buscá-la. No portal de buscas tornou-se possível, por exemplo, saber o que já foi proposto, aprovado, ou arquivado sobre a digitalização no Brasil, nesse link. Buscando essa palavra, ou “entrada” para usar o vocabulário mais técnico, descobri que existiu, 1974, a DIGIBRÁS, que hoje se transformou em outra coisa.

clique para ir ao LexML!

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O poder do XML, ou xemelê, que também tem um grupo aqui no Fórum da Cultura Digital Brasileira, está, aos poucos, mostrando que organizar, nem sempre é prender, ser rígido. A estruturação de informações, graças a esse protocolo, presta um serviço enorme e, tomara, sirva de exemplo de como é possível realizar o que disse num post anterior:

“A variedade de ações, objetos, políticas, conteúdos, padrões, acervos, propósitos, públicos, legislações entre muitos outros aspectos que constituem e interligam esse sistema é imensa. Do mesmo tamanho, são as realidades da Comunicação, da Ciência e Tecnologia e da Educação, para ficar na esfera do Governo Federal. Soma-se a essas estruturas, outros elementos, como os econômicos, os jurídicos, e os legislativos. Esse quadro complexo, todo ele, pode ser unificado (e não necessariamente de forma centralizada) pela tecnologia Digital.”

Iniciativas como essa, e outras como a do processo colaborativo de discussão e formulação de um marco civil para a Internet brasileira, também esta uma ação interministerial, penso, mostram que caminho está aberto. Não quer dizer que já chegamos, nem que todos vão, mas sim que vamos adiante.

Produção, distribuição, e depois?

Eu compreendo que este blog tem uma missão hercúlea. Digo “o blog”, porque este é, a princípio, um espaço de diálogo e não apenas de exposição de idéias ou congressos acadêmicos… Assim, a missão (coletiva) de fazer dialogarem pessoas envolvidas em atividades que, não raro, elas pensam alheias umas às outras, é algo necessário.

Isso implica em pensar, conceber e realizar, mais que diálogos, mas ações conjuntas de trabalhos no sentido de viabilizar a produção, distribuição e, por último mas não menos importante, o armazenamento dos conteúdos culturais. Sendo essa uma tarefa conjunta, ao saber que o texto do Documento Referência da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, baixei o pdf, e busquei as seguintes palavras( sempre elas) no texto:

patrimônio = 0 ocorrências

memória = 0 ocorrências

História = 2 ocorrências

A democratização da comunicação e a inclusão social por meio das novas tecnologias devem ser encaradas como Políticas de Estado estratégicas para a integração e desenvolvimento nacional em todas as escalas. Trata-se da integração entre o rural e o urbano; a periferia e a cidade; a favela e o asfalto. Não há limites para a busca, produção e distribuição da informação na Era Digital. É a maior oportunidade de nossa história na busca por meios poderosos para construção de direitos e de cidadania.(pg 11)

O brasileiro é um povo extremamente comunicativo, que gosta e se adapta facilmente às novas tecnologias. A história da comunicação brasileira está repleta de acontecimentos importantes, que contam o processo de desenvolvimento desse setor em nosso país. Alguns momentos, como mostraremos adiante, merecem destaque.(pg 9)

Depois dessa busca, fiquei pensando que isso se deve ao fato de que a premência das discussões é, em sua maioria, tecnológica: o problema atávico do sistema de comunicações brasilero, as conceções de radiodifusão, todas essas coisas poderiam estar tomando todo o espaço…

Assim, fui ao texto buscar a palavra identidade…

identidadenaconfecom

Mas ai, permanece a pergunta: produzir, distribuir e, guardar, onde? Sempre me faço essa pergunta. Quando tenho chance, às pessoas também. Elas respondem que isso é um problema, um projeto ou uma incógnita. A pergunta permanece.

Talvez, tais palavras: acervo, memória, história (excluindo-se aqui ‘digital’ por motivos óbvios) parece, então, que não fazem parte desse universo de comunicação. O que, todas as pessoas me diriam, prontamente, que não se é o caso.

A pergunta permanece. Quando se ouve assuntos sobre a universalização da banda larga, novos modelos de economia, comunicação compartilhada e a quebra da nefasta e preconceituosa divisão entre o que se denomina pejorativamente de baixa e alta cultura, em qual desses itens não está a história, a memória e a identidade? Quando empresas de tecnologia (assunto erroneamente tratado pelo público como objetivo e concreto) como as de telefonia ou de processadores, são suspeitas de práticas “não-normativas” ou ilegais, onde  não está a identidade?

Enfim, são muitos os caminhos e pouca a sinalização. Tateando pelos cantos, enquanto a faixa principal está congestionada com palavras e ações concretas, cada qual com as suas, avança-se, aos poucos.