Archive for the ‘ Protocolos ’ Category

Um exemplo de “documentação escolar”.

O trabalho de faculdade de Tomas Nilsson, é um exemplo de como um incontável número de trabalhos “escolares” são criados, nem sempre guardados e, pior, não compartilhados.  O de Tomas, conta a história de chapeuzinho vermelho. A frase mais que gasta sobre nossa época e o ” acúmulo de conhecimento” não seria possível, se dependermos dos conhecimentos contidos nos trabalhos escolares. Está claro que há, sim uma enorme preservação da documentação escolar: trabalhos são premiados, o youtube tem aproximadamente 4510 vídeos descritos com esses termos, mas isso não é nem de longe o possível. O Brasil está inserido na comunidade científica, onde os trabalhos “escolares” mais complexos, como monografias, dissertações e teses, são, em sua maioria, documentados, preservados e indexados em base de dados.

As Instituições e a definição do campo de Acervos Digitais Públicos

Uma das palestras do Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais , de fato, a de encerramento, talvez tenha passado desapercebida da maioria de participantes. Durante três dias, foi possível ver, ouvir e discutir as apresentações que compuseram a programação do evento. Como palavra final que foi, a apresentação do CONARQ, deu o sinal que este Fórum refletiu, discutiu  e propôs ao longo de sua existência: as bases de um tão esperado Plano Nacional de Digitalização de Acervos.

Este blog, a blogosfera aqui no cd.br, e na rede em geral, têm em comum, o reconhecimento que o país precisa de um padrão de acervos digitais. Sejam eles públicos ou privados, individuais ou coletivos, a necessidade de definir uma padronização base, ocorre em todos esses  níveis de organização. Desde a concepção até a disponibilização, um diálogo entre todos os elementos dessa cadeia é fundamental.

A discussão não pode ser apenas vertical, indo do acesso ao acervo. Pode ser também horizontal, isto é, possibilitar que os acervos e usuários troquem entre si.Os metadados, e a recuperação desses conteúdos podem ser intercambiáveis, algo mais ousado e ao mesmo tempo equilibrado, em todos os níveis.

Por cima dessas possibilidades, a troca entre acervos permite que a educação, a cultura e a ciência, ultrapassem essa divisão do passado que dificilmente será a do futuro. Não há motivo para que alunos de escolas não possam receber, ao procurarem algo, o maior número de informações coerentes sobre o que pesquisam. A tecnologia pode expandir e dar os filtros para selecionar.

Essa mesma preocupação ocorre em muitos níveis, lugares, porções dessa dinâmica cultural. Assim, há projetos mundiais de integração de acervos, latino-americanos, nacionais e locais da mesma natureza.

Esse dispositivo, a tecnologia, não difere os níveis e lugares, podendo, assim, estar em todos ao mesmo tempo. O digital tem essa recursividade. Essa possibilidade, não excludente, matricial, e principalmente caótica, traz possibilidades impensadas. Mas para tanto, é preciso que sua estrutura seja forte não como instituição, mas como sentido. O que dá relevância às instituições é a sua representatividade.

O macro e o micro são semelhantes. Em ambos há hierarquias, em ambos há anarquias, a maioria de ambos é de autarquias… E mais que haver contradição, há uma dinâmica, tal que de tanto serem espontâneos, os grupos humanos acabam por ritualizar o que fazem, criando assim sua tradição. As instituições, publicas e privadas, por suas vez, são movidas por pessoas que quase sempre de forma heterodoxa e discreta, fazem funcionar na medida do possível, um maquinário precário.

[Bib_virtual] Um novo blog na praça

Difusão:
Prezados colegas,

estamos lançando um novo blog na praça. Trata-se do Blog Repositórios
Institucionais Brasileiros <http://blogrib.wordpress.com> que tem como
objetivo principal acompanhar o desenvolvimento de repositórios
institucionais de acesso livre no Brasil. Portanto, não apenas acessem
este blog, mas também, por favor, nos encaminhem matérias sobre
repositórios institucionais e, em especial aquelas instituições que
estejam implantando os seus repositórios institucionais, encaminhem
matérias contendo o estágio de desenvolvimento de seus blogs para o meu
email: kuramoto@ibict.br ou para a Sra. Aline Ferrari, pelo email:
alineferrari@ibict.br. O referido blog terão a colaboração da Dra.
Bianca Amaro de Melo, do Fernando César Lima Leite e da Aline Ferrari.

Cordiais Saudações.
Hélio Kuramoto
_______________________________________________
Arquivos da Bib_virtual: http://listas.ibict.br/pipermail/bib_virtual/
Instruções para desiscrever-se por conta própria:
http://listas.ibict.br/cgi-bin/mailman/options/bib_virtual
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O patrimônio cultural dos bancos de dados.

Não há obra de arte, livro ou filme, que não possam serem incluídos numa coleção. Listar as coisas. A construção de um banco de dados, tem como primeiro passo, uma lista, ou coluna, de elementos. Depois, são adicionadas outras, que dirão as qualidades, atributos, estados e características do que se lista. Por exemplo, uma lista de livros sobre Análise do Discurso, teria que conter, além da primeira coluna, com digamos, o título, outras como autores, ano, e assim por diante. De início, percebe-se que a seleção do que vem depois do nome, não só é arbitrária, como também, digamos, discutível.

O ato de nomear e guardar, a prática da documentação, daqui para frente, neste contexto de uma cultura digital, não pode mais ser visto como algo para especialistas. Eles próprios, ao iniciarem esse movimento, anos atrás, pela compreensão social das informações, tratam de reconhecer que profissões que lidam com a informação, isto é, lidam com a produção cultural, são hoje em dia possíveis a parcelas cada vez maiores da população. A medida que vão sendo gerados mais e mais conteúdos digitais, maior o acesso e maior o acervo desses conteúdos.

Muitos desses acervos, para a memória do futuro, serão decisivos, embora ainda não sejam compreendidos como tal, Serão os bancos compostos por dados. Números, nomes, cores, meta tags.  Sua importância política é, desde já inestimável, visto que ao sistematizar dados sobre por exemplo, as concessões de comunicação social no Brasil, obtém-se um conjunto que permite que a população tome decisões embasadas no acúmulo de suas escolhas passadas.

Diferentes dos bancos de dados utilizados para coleções de objetos, uma coleção como o número de filmes vistos nos últimos vinte anos, vem se tornando tão importante quanto saber quais e onde estão os filmes produzidos nesse mesmo período.

Hoje, os cidadãos estadunidenses podem ter acesso à todas as agências governamentais, por ordem de decreto presidencial, em páginas na internet. Toda agência deve ter um website que contenha a sequência www.nome.gov/data. Isto é, um endereço padronizado de localização. Há também, oito princípios para que estes dados sejam plenamente acessíveis:

Os itens são propostos pelo projeto Open Government Data Principles. Toda informação governamental pública será considerada aberta se estiver nas seguintes condições:

1. Completa
Todos os dados devem ser disponibilizados de forma integral. A informação não está sujeita a restrições de privacidade, segurança ou limitações outras.
2. Primaria
Informações coletadas na fonte. Com o grau mias alto de granularidade, sem estar em formas agregadas ou modificadas.
3. Recente
A informação pública deve ser disponibilizada o mais rápido o possível para preservar seu valor de uso.
4. Acessível
A informação pública deve estar disponível para o maior número de pessoas e usos possíveis.
5. Processável por máquinas
A informação pública deve estar razoalvelmente estruturada para permitir a leitura por máquina.
6. Não-discriminatória
A informação pública deve ser acessível para qualquer pessoa, sem necessidade de registro prévio.
7. Não-proprietária
A informação pública é disponível num formato não controlado de forma proprietária.
8. Licença livre
A informação pública não deve estar submetida a qualquer direito autoral, copyright, patente, marca registrada ou secreta. Privacidade e restrições de segurnça em termos razoáveis serão permitidas.

Aqui no Brasil estamos indo na mesma direção, por caminhos diferentes.  O fato de que há iniciativas como a do LexML, ou  do Transparência Hack Day, mostram que a sociedade está amadurecendo suas formas de participação.  Assim, isto poderia ocorrer com todos os demais bens culturais públicos produzidos. Da mesma forma, outros tipos de informação estatística têm chamado a atenção pelo seu cada vez mais evidente valor. Pense nos números dos orçamentos dos ministérios, tribunais, câmaras e assembléias de todo o Brasil, neste período de vinte anos.

O valor dos dados tem garantido a prospecção de fatos históricos, como num mergulho aos arquivos sobre diversos assuntos: reforma agrária, direitos humanos, política partidária, movimentos sociais, educação, saúde…afora os arquivos mais óbvios culturalmente: os acervos das companhias de cimena, das rádios, televisões, bibliotecas particulares…

Open Hardware e Software: a integração com o que já existe.

Quando se fala em Cultura Digital, normalmente se tem a noção de algo dentro do computador. Digital é, de forma “geral, ampla e irrestrita”, tudo que se transformou em código de máquina. Mas nem tudo. Por exemplo, hoje em dia, quando alguém diz:” preciso trocar minha máquina”, muito dificilmente  pensa em engrenagens…

O sucesso do Linux, sistema operacional baseado em código fonte aberto, ou open source, não se restringe apenas ao mundo das “máquinas digitais”, vai além, como uma alternativa ao que hoje (ou já desde algum tempo)  se entende por tecnologias proprietárias.

Um dos precursores desse movimento, Lawrence Lessig, escreveu, em 2004, um livro clássico ( link para o pdf) , seminal, no qual expõe suas idéias sobre o que seria uma “cultura livre”. Desde então, esse professor de direito, tem mostrado que cometemos erros, ao igualarmos economia, ao sistema econômico capitalista. Tendo em vista que este é um, dos muitos sistemas possíveis de fazer circular nas sociedades os bens por elas produzidos. Capitalismo é uma, dentre muitas, das formas possíveis de economia.

Assim, vivemos um momento de questionar o que queremos como modelo de divisão social: do  saber, do capital, do trabalho, das relações sociais…

Esse movimento, de pensar a liberdade de uma economia não baseada no sistema mercantil, é pensado em muitas esferas. Um dos websites científicos que mais cresce, o Plos, Public Library of Science, seria impensável sem a internet, pois os custos de publicação, seriam proibitivos. Como o Plos é online, os pesquisadores apenas têm que concordar em terem publicados seus trabalhos num espaço acessível a quem se interesse. Nele, caso alguém se interessa, está boa parte dos dados sobre o genoma humano.

Agora, este movimento, que já se encontra bem difundido na produção de software, chega, de maneira bem acelerada, às máquinas. Se já se ouvia falar de “Open Sofrware”, “Open Hardware”, dessa vez, busca fazer o mesmo percurso colaborativo para que as máquinas agora, sejam produzidas de forma livre. Algum dia, nem todos os carros (se ainda for este o modelo de transporte) serão feitos em fábricas, ou de maneira solitária, por algum engenheiro solitário em alguma garagem. Com a internet, tornou-se mais fácil  compartilhar e dividir esforços no sentido de construções tecnológicas coletivas.

Um exemplo disso, é Open Hardware Conference,  que acontece agora, dia 4 de dezembro durante todo o dia, em Londres. Lá, estão agendados alguns assuntos que já foram questões do software livre, a agora, passam para outras esferas, físicas. Como organizar coletivos que pensem a colaboração entre engenheiros, designers e demais profissionais para a produção? De que forma podem ser incentivadas ações que promovam o espírito altruísta, pragmático econômico na produção de objetos complexos, como os equivalentes hardwares proprietários? Qual seria o equivalente ( em termos de patentes) ao modelo de licenciamento que fez sucesso no caso do software, o modelo  GPL (Licença Pública Geral do GNU) do Creative Commons ?

Ainda que a cultura digital não seja algo assim tão novo, as novidades que ela permite não cessam. Mas, além disso, diferente dos modelos econômicos anteriores, estas mudanças não são para serem apenas assistidas, são, assim como as demais ações que estão em curso nesse movimento, para serem participativas, colaborativas e livres.

Paredes interativas, wiimote e tecnologias livres

Quando se pensa em “tecnologia de ponta”, equipamentos caros, de milhares de dólares (ou reais…) são uma referência quase imediata. O pesquisador Johnny Chung Lee contradiz essa idéia. Ele é o inventor de algumas idéias que não só custam muito barato, mas além disso, parecem que saíram de laboratórios de pesquisa com alto custo de financiamento. Para se ter uma idéia, ele projetou uma steadycam, um equipamento, caro, que é utilizado para estabilizar a gravação de imagens em movimento. O diferencial de Chung Lee, é que seu invento custa 14 doláres.

embedded by Embedded Video

O conceito por tras das invenções de Lee é simples. Ele utiliza peças do cotidiano: canetas, fita adesiva e todos os materiais que estão ao alcance de mãos não especializadas. O famoso jeito DIY de se fazer as coisas. Mas uma de suas invenções, o Wiimote tem o potencial para simplesmente revolucionar o uso de tecnologias interativas a baixo custo. Trata-se de um controle de videogame que adaptado com o software que Lee disponibiliza em sua página, transforma superfícies em quadros interativos, daqueles onde se pode, com a mãos, movimentar objetos virtuais.

Estas, e muitas outras soluções tecnológicas de baixo custo poderiam ser adotadas por escolas, bibliotecas, museus, centro culturais, pontos de cultura… como forma de dar acesso a instrumentos que até pouco tempo, eram caros e inacessíveis.

Além da desmistificação inerente, há também outro lado nessas tecnologias alternativas: elas podem ser feitas a partir de iniciativas locais, prescindindo de complicados( mas necessários) procedimentos de compra ou uso do dinheiro público.

Isto é o que se denominou chamar de “open hardware“, isto é, tecnologias que não são exclusivas de grandes empresas privadas e uso comercial restrito por patentes… Estamos num momento histórico da tecnologia que, mais do que nunca, propiciará tecnologias que não virão de soluções comerciais somente.

Criatividade + pesquisa + acesso = democracia. Fórmula não mágicas, mas abertas e livres.

História incompleta dos sistemas públicos de gestão, catalogação e indexação de acervos culturais.

Quantos, como, e onde estão os diferentes sistemas de catalogação, indexação e recuperação das informações museológicas, cinematográficas, televisivas, videográficas, fotográficas, bibliográficas, fonográficas, jornalísticas e iconográficas que estão em acervos públicos no Brasil? O desafio , bem maior que a longa pergunta, é de importância decisiva, para não dizer incomensurável.
Não há no Brasil estudos publicados que dêem conta de mapear essa necessidade, comum à todas organizações que têm acervos digitais. Para o documento preliminar que trata do eixo de Memória Digital, fiz um brevíssimo diagnósticos da situação histórica de um dos sistemas atualmente em uso no Brasil, o DONATO, o qual reproduzo aqui:
O uso de software de gerenciamento dos bancos de dados nas instituições públicas é, em geral, feito por softwares proprietários. A exceção do DONATO / MNBA (nome de um antigo e destacado funcionário do museu, reconhecido pelo seu trabalho  e cuidado para com as informações e os acervos…) que teve seu início em 1990 e, em 2005, fez a migração para um banco de dados em MySQL, não foi observada nas instituições públicas o uso de software livre. O DONATO é utilizado atualmente em 46 instituições museológicas no Brasil. Tal desenvolvimento é fruto de profissionais não diretamente relacionados com o campo profissional de tecnologia da Informação. Isto fez com que as características desse sistema de gerenciamento de acervos se destacassem entre as instituições. Primeiro, pelas vantagens inerentes do software livre. Depois, pelo alto grau de especificidade e recursos encontrados no sistema, como por exemplo, a capacidade de catalogação de peças distintas tais como indumentária ou objetos tridimensionais. Estima-se que o banco de dados do sistema possua aproximadamente 18 mil registros que totalizam 80 megabytes de espaço utilizados em disco.

Uma discussão sobre adoção de padrões livres no ciclo de digitalização, tanto para hardware quanto para software, está em curso em algumas dessas instituições. No horizonte, porém, estão os contratos já firmados com empresas que, como dito acima, ocupam a lacuna de expertise em relação à digitalização e gestão do patrimônio cultural brasileiro.

Diante desse cenário, onde o risco de “inventar a roda” ou de aprisionar a solução num software proprietário é grande, devem ser pensados os recursos já existentes e aprovados por aqueles que efetivamente precisam desses sistemas: os funcionários das instituições de acervos. Um grupo poderia ser criado, reunindo tais iniciativas que hoje são esparsas e escassas, num esforço conjunto, com o intúito de otimizar e concentrar esforços para adoção de plataformas livres… Fica aqui a sugestão para os setores que tratam dessa questão no Governo Federal, ou, melhor ainda, nas esferas estaduais, municipais, bemcomo aquelas instituições privadas que queriam colaborar com tal iniciativa.

Um milhão de arquivos, XML e a transparência das leis.

GT LexML da Comunidade TI Controle, é um grupo de trabalho que reúne vários órgãos do governo federal é um projeto que tem indexados um milhão de arquivos de toda Legislação brasileira. Reunir para consulta um número como esse de documentos em papel, é simplesmente impossível. Por isso, muitas pessoas, a maioria, também simplesmente também não procura seus direitos, que assim como seus deveres, deveriam estar legalmente garantidos em algum lugar da miríade de textos jurídicos.

O acesso à lei das pessoas com menor poder aquisitivo é algo que, perversamente, afasta a justiça de quem menos tem recursos para buscá-la. No portal de buscas tornou-se possível, por exemplo, saber o que já foi proposto, aprovado, ou arquivado sobre a digitalização no Brasil, nesse link. Buscando essa palavra, ou “entrada” para usar o vocabulário mais técnico, descobri que existiu, 1974, a DIGIBRÁS, que hoje se transformou em outra coisa.

clique para ir ao LexML!

clique para ir ao LexML!

O poder do XML, ou xemelê, que também tem um grupo aqui no Fórum da Cultura Digital Brasileira, está, aos poucos, mostrando que organizar, nem sempre é prender, ser rígido. A estruturação de informações, graças a esse protocolo, presta um serviço enorme e, tomara, sirva de exemplo de como é possível realizar o que disse num post anterior:

“A variedade de ações, objetos, políticas, conteúdos, padrões, acervos, propósitos, públicos, legislações entre muitos outros aspectos que constituem e interligam esse sistema é imensa. Do mesmo tamanho, são as realidades da Comunicação, da Ciência e Tecnologia e da Educação, para ficar na esfera do Governo Federal. Soma-se a essas estruturas, outros elementos, como os econômicos, os jurídicos, e os legislativos. Esse quadro complexo, todo ele, pode ser unificado (e não necessariamente de forma centralizada) pela tecnologia Digital.”

Iniciativas como essa, e outras como a do processo colaborativo de discussão e formulação de um marco civil para a Internet brasileira, também esta uma ação interministerial, penso, mostram que caminho está aberto. Não quer dizer que já chegamos, nem que todos vão, mas sim que vamos adiante.

Por uma delimitação do Eixo de memória Digital

Um dos objetivos deste blog, é apresentar sugestões sobre as discussões do eixo Memória Digital. Ao longo desse processo que vem sendo estabelecido pela coordenação do fórum, foi solicitado aos curadores de cada eixo, que propusessem uma linha de discussão, a delimitação de seus campos.

Embora ainda ocorra mais discussões externas ao Blog, espaço aqui disponibilizado por esta iniciativa do MINC e RNP, como meta do cronograma de elaboração das propostas do eixos, são apresentadas abaixo, a linhas centrais de discussão do eixo de memória digital.  Trata-se de uma proposta aberta, que já incorpora o resultado de sugestões e discussões exteriores ao blog, provindas da coleta de informações de setores e atores envolvidos nesse campo.

Como está afirmado na primeira pagina do Fórum:

Um novo jeito de fazer Política Pública

Bem-vindo à rede social da Cultura Digital Brasileira, espaço público e aberto voltado para a formulação e a construção democrática de uma política pública de cultura digital, integrando cidadãos e insituições governamentais, estatais, da sociedade civil e do mercado.

Este espaço (o Fórum, o qual hospeda esse blog) tem como proposta a possibilidade de colocar, propor, criticar e comentar os conteúdos aqui postados. Tais discussões, somadas a outras, servirão de base para elaborar uma proposta de delimitação de ações do que pode ser feito em termos de digitalização do patrimônio cultural brasileiro.
A continuidade, distribuição e preservação do fluxo histórico cultural do Brasil passa pelo acesso de sua população ao seu patrimônio material e imaterial digitalizado.

Entende-se que a compreensão atual desse fluxo, esteja orientada e distribuída por suportes tais como filmes ou livros. No entanto, percebe-se que novos dispositivos multimídia começam a promover, em seus usuários, a necessidade de adaptação desses conteúdos culturais para serem utilizados e distribuídos digitalmente.

Os objetos e ações culturais não digitais, aqueles que não são criados a partir de código de máquina, passam por um processo de duplicação de suas propriedades, que são transportadas para o digital, ou digitalizadas, por meio de processos distintos. Desta forma, a Memória Digital, seja aquela produzida em meios digitais, ou aquela digitalizada, deve possibilitar a comunicação entre distintos suportes, como possibilidades de convergência de seus conteúdos.

1- Escopo

Propõe-se que a memória digital seja pensada não como campo ou conjunto, mas como fluxos, coletivos, processos. Desta forma, busca-se evidenciar que, tanto o passado quanto o presente, bem como o futuro, podem ser combinados física e conceitualmente por meio de artifícios digitais.

1.1 Objetos digitais
1.2 Processo de digitalização
1.3 Divulgação e circulação

2 -Técnicas e Métodos

As técnicas e tecnologias adotadas pelos diferentes suportes, formatos e padrões atuais, devem ser pensados em dois planos: o atual e o escalar.

O primeiro, atual, diz respeito aos procedimentos historicamente adotados pelos diferentes produtores de comunicação e cultura digital. O segundo, escalar, trata da produção digital futura, bem como das digitalizações atuais: os objetos digitalmente criados e os objetos que serão digitalizados.

2.1 Produção e Armazenamento digital atuais

2.1.1. Hardware
2.1.2. Middleware
2.1.3. Software
2.1.4. Padrões e metadados
2.1.5. Legislações
2.1.6. Acervos digitais

2.1.6.1. Multimídia
2.1.6.2. Bases de dados

2.2   Tipos de Digitalização

2.2.1. Arquivos Planos

2.2.1.1. Imagem
2.2.1.2. Texto

2.2.2.  Acervos Audiovisuais

2.2.2.1. Áudio
2.2.2.2. Vídeo
2.2.2.3. Película

2.2.3.  Objetos tridimensionais

2.2.3.1. Modelagem
2.2.3.2. Protótipo

2.3  Constituição escalar de acervos digitais

2.3.1. Convergência

2.3.1.1. Padrões de produção digital
2.3.1.2. Padrões de digitalização
2.3.1.3. Interoperabilidade de protocolos
2.3.1.4. Padrões de metadados
2.3.1.5. Agregamento colaborativo
2.3.1.6. Direito autoral
2.3.1.7. Acesso e distribuição

2.3.2. Interfaces

2.3.2.1. Acessibilidade
2.3.2.2. Visualização
2.3.2.3. Sonificação

3. Pesquisa e Desenvolvimento

3.1 Mapeamento dos sistemas de armazenamento e gestão digital

3.2 Identificação e quantificação do patrimônio digitalizado

3.3 Desenvolvimento

3.3.1. Hardware
3.3.2. Middleware
3.3.3. Software

São propostas abertas, mais uma vez, comente, modifique, contribua.

33 razões por que as bibliotecas e bibliotecários ainda se mantêm extremamente importantes

Uma discussão bem importante, e por vezes, exaltada, no campo de CI. Achei por bem colocar do jeito que ela está no blog ExtraLibris

Muitos acreditam que a era digital irá acabar com as estantes públicas e extinguir permanentemente a era centenária das bibliotecas. A desconcertante proeza e progresso da tecnologia fez até um bibliotecário prever a queda da instituição.

Ele pode estar certo.

Porém, se estiver, então a perda será irreparável. Conforme a relevância das bibliotecas entra em questão, elas encaram uma crise existencial em uma época onde elas talvez sejam mais necessárias. Apesar de sua percebida obsolescência em uma era digital, tanto bibliotecas – quanto bibliotecários – são insubstituíveis por várias razões. 33, de fato.

Eles listam as 33, e depois concluem:

Conclusão

A sociedade não está pronta para abandonar a biblioteca, e provavelmente nunca estará. Bibliotecas podem adaptar-se as mudanças sociais e tecnológicas, mas elas não são substituíveis. Enquanto que as bibliotecas são distintas da internet, os bibliotecários são os melhores profissionais para guiar acadêmicos e cidadãos para um melhor entendimento de como encontrar informação de valor online. Certamente, existe muita informação online. Mas ainda existe muita informação em papel. Ao invés de taxar as bibliotecas como obsoletas, os governos estaduais e federais deveriam aumentar os recursos para garantir melhores funcionários e tecnologias. Ao invés de galopar cegamente através da era digital, guiado apenas pelos interesses corporativos da economia da web, a sociedade deveria adotar uma cultura de guias e sinalizações. Hoje, mais do que nunca, as bibliotecas e os bibliotecários são extremamente importantes para a preservação e melhoria da nossa cultura.

Artigo original: Are Librarians Totally Obsolete?
Disponível em: degreetutor.com

A visualização da informação e os portugueses.

Não é de hoje que me pergunto, mas é algo curioso alguns dos nomes mais destacados mundialmente nos campos de Visualização da Informação, como o Manuel Lima e Business Intelligence, com a Daniela Barbosa, serem portugueses. Tudo bem, há uma brasileira, a Fernada Viegas, do Many Eyes, mas, com esse sobrenome, a distância não é assim tão grande.

O Manuel Lima, é um designer que criou um website simples e arrebatador, o visual complexity, o qual evangelizo sempre que posso. É um apanhado (708 exemplos e aumentando…) da visualização de dados nas mais diversas áreas. Vale ver, se você ainda não conhece.

No caso das estratégias de design da informação propriamente ditas, um nome é o de Daniela Barbosa.  Os especialistas a citam como um nome chave na questão dos protocolos abertos, da portabilidade e do acesso por meios de dados estruturados, utilizados na indústria. É curioso notar que não são os únicos. Como esse post não é sobre os portugueses, mas sim sobre alguns de seus cidadãos (e concidadãos históricos) o importante é notar que nem tudo que há hoje em tecnologia de ponta, é anglo saxão, ou seja, vem dos Estados Unidos.

Parece curioso por que, como sabemos, os portugueses têm uma história de tecnologia da informação antiga, desde os tempos horrendos do mercantilismo escravista, ou das “navegações” para usar um termo mais suave. Tristezas culturais à parte, é notável que essa herança e talento sejam utilizados hoje em dia para puxar os limites do conhecimento tecnológico da informação. Por exemplo, o site da IBM “many eyes, é uma forma inovadora, de disponibilizar informações dos mais diversos lugares, numa forma compartilhada, ou rede social, para ser atual. De fato, o  site agora tem uma versão  “wiki”.

Como foi postado anteriormente, houve em setembro, um congresso sobre o que pode ser classificado como antropologia da informação que discutiu questões importantíssimas relativas à Acervo, Memória, História, Identidade e Cultura Digital. Não é, nem de longe, o caso de pressupor algo “no sangue” como a brasileira Fernanda Viegas demonstra, já que não é “100% portuguesa”, mas sim, o ambiente cultural, que pode ter levado os portugueses a terem um destaque nessa área.

O uso da informação é algo político, a tecnologia nunca é isenta. Mas estes podem ser usados, como ferramentas, para muitos objetivos. Atualmente, os portugueses vêm dando um contribuição de acesso à informação que merece nota  e respeito.

Biblioteca como rede social.

Digitando “library as social network” no google achei um arquivo em pdf que menciona tal possibilidade. Trata-se de uma prestação de contas municipal da cidade de Fife, Washington, nos Estados Unidos, em que se cogita pensar a biblioteca como uma rede social.Vale notar que no referido documento, eles checam o que já foi feito, e o que há por fazer.

Tal idéia, exposta aqui no Fórum chama-se Biblioteca 2.0. Depois de procurar por essa entrada, descobri que não basta descrever a atividade. Tem que nomear… Essa discussão ocorre agora, em termos reduzidos, na Wikipédia e outros espaços.  Por que será que isso ocorre a Ciência da Informação e, por outro lado, profissões que também lidam com a informação requerem exclusividade de legitimação profissional? Será que uma “legislação 2.0″ é o Fórum? Ou aqui estão só as propostas e a ação ainda a ser materializada…

Em 2010, vai acontecer a Hypertext 2010, uma conferência que discutirá a própria Web 2.0. O interessante é que cada uma das “faixas de discussão” têm declaradamente autonomia para elaboração de suas atividades. Entretanto, Computação Social, Hipermídia Adaptativa e suas Aplicações e Hipertexto em Educação e Comunicação, temas de cada faixa, têm grande semelhança…

Hypertext 2010 will consist of three autonomous tracks, each with its own program committee and reviewing team.

Track 1 – Social Computing
Chair:  Anabel Quan-Haase, University of Western Ontario

This track invites papers investigating social processes and practices in Hypermedia and Web 2.0 environments. These include tagging, filtering, voting, editing, trusting, and rating. These social processes result in many types of links between texts, users, concepts, pages, etc. We want to better understand the processes and practices themselves as well as the social, political, and semantic networks that result from these processes over time. Topics of interest include, but are not limited to:

  • Social information diffusion
  • Social linking
  • Social and collaborative annotation
  • Social knowledge and information representation
  • Social networking technologies (e.g., Facebook, YouTube and Twitter)
  • Mapping and visualization of social spaces and networks
  • Linking virtual networks and offline networks
  • Time analysis of social, information, and semantic networks
  • Critical mass and incentives of social participation (e.g. games)
  • Automatic and user-based evaluation

Track 2 – Adaptive Hypermedia and Applications
Chair:  Richard Kopak, University of British Columbia

The Adaptive Hypermedia and Applications track invites papers reporting on theoretical, empirical, and methodological studies on adaptive hypermedia, including the application of adaptive hypermedia in varying domains and contexts. The scope of the Adaptive Hypermedia and Applications Track includes all forms of Web and Hypermedia system generated personalization, including user modeling, recommender systems, and e-learning.   Topics may include, but are not limited to:

  • Adaptive presentation of hypermedia content
  • Adaptive navigation (link hiding, dynamic maps)
  • Adaptivity and the semantic Web
  • Algorithms and methods in explicit recommender systems
  • Comparison of effectiveness of implicit and explicit recommender systems
  • User modeling
  • Evaluation and usability of adaptive systems
  • Personalized e-learning
  • Personalized digital libraries

Track 3 – Hypertext in Education and Communication
Co-Chairs: Mark Bernstein, Eastgate Systems, Inc., David Millard, University of Southampton, UK

Hypertext tools are indispensable for e-learning and m-learning, and teaching. Hypertext as a discipline in its own right — including literary fiction, new scholarship and digital media — plays a growing role in education. This track targets hypertext as both a tool and a discipline, as well as focusing on the use of spatial hypertext and Web 2.0 applications such as blogs, wikis and e-portfolios. We hope to highlight our understanding of links as a new component of writing and communication, and to increase our understanding of the ways that they are used in education, research, journalism, and literature. Topics of interest include, but are not limited to:

  • blogs and wikis in teaching and learning
  • collaborative e-learning
  • non-linear writing and interactive fiction
  • communication theory and the web
  • concept maps and knowledge structures
  • digital narratives
  • open educational resources
  • personal learning and research tools
  • hypertext literature and art
  • e-journalism
  • digital aesthetics and cyber culture

Se os itens  de cada “faixa de discussão” estivessem alinhados em três colunas, daria para ver que os primeiros temas de cada eixo tratam de suas especificidades, mas se percebe um diálogo entre os assuntos. Assim, quando um diz sobre difusão social da informação (Computação Social) , o seguinte, discute a adaptação de conteúdos multimídia ( Hipermídia Adaptativa e suas Aplicações) e o resultado disso esta na discussão de blogs e wikis, no grupo de comunicação e educação. Fico pensando se foi o word ou o diálogo quem criou essa simetria…

Antropologia da Informação e as categorias do pensamento humano

Um dos membros do Fórum, me fez lembrar porque estou aqui. Sou antropólogo, mais por força da formação acadêmica, e menos da titulação. Etiquetas à parte, é este exatamente o assunto: classificações. Antropólogos as adoram. Elas dizem se sou branco, negro, rico, pobre, hetero ou homossexual, de esquerda, direita…ou nada disso.
Pois bem, o fato é que no blog do citado membro do Fórum, encontra-se o link para o IV Congresso de Antropologia – Associação Portuguesa de Antropologia, ocorrido entre 9 e 11 de setembro passado, e que teve o incrível tema “CLASSIFICAR O MUNDO”, assim, em letras maiúsculas. Pois não bastasse o tema, em total sintonia com este blog, os assuntos dos painéis são também altamente pertinentes às discussões aqui no Fórum de Cultura Digital.

Para se ter uma idéia, eis alguns dos painéis mais explicitamente relacionados ao tema Memória Digital:

Nº 1 – Objectos comuns de ontem, objectos de museu hoje: processos de classificação e de activação patrimonial nos museus
Nº: 2 – Museus e Património Imaterial
Nº: 5 – Organizando a sociedade, ordenando o social.
Nº: 7 – Tradução cultural, fronteiras e dinâmicas globais.
Nº: 14 – Turismo, Património e Usos da Cultura.
Nº: 23 – Lógicas de classificação social e formas de poder: agência, estrutura e significado.
Nº: 24 – Reconstruções identitárias em espaços universitários multiculturais.
Nº: 25 – Classificações coloniais: passado e des/continuidades no mundo contemporâneo.
Nº: 26 – Antropologia dos Media: práticas, consumos e representações.
Nº: 27 – Tecnologias Digitais: novos objectos empíricos e práticas de pesquisa etnográfica.
Nº: 29 – Consenso e dissensão: responsabilidade colectiva e autonomia individual.
Nº: 31 – Saberes Tradicionais, Práticas Sociais e Biodiversidade.
Nº: 33 – Arte. Identidade e Poder.
Nº: 35 – Conceitos, categorias, classes, processos: fronteiras e novas conceptualizações.
Nº: 37 – Classificações e desigualdades: produção e reprodução.
Nº 39 – Interculturalidade(s) Espaços de alteridade e de diálogo.
Nº 40 – Apresentações da Cultura: performances artísticas, narrativas de poder e reflexividade.

CONVIDADO I – Cosmopolitismo: metrópoles, trajectórias e subjectividade.
CONVIDADO VII – Classificar: objectos, sujeitos, acções.
CONVIDADO VIII – Fronteiras.
CONVIDADO IX – Classificar: capital e mobilidade.

O link do Congresso, com o trabalhos apresentados e o nomes está aqui. Vale dar uma olhada. Como não poderia deixar de ser, há muitos brasileiros de diversas universidades presentes…

Vale dizer que foram ao todo 51 painéis. Desses, 17 acima aqui destacados. O que confirma que o assunto “informação” extrapola tanto as TICs (tecnologias da informação e comunicação) como as CIs (ciências da informação) as quais, são, em termos antropológicos, construções sociais.  Conforme vem sendo publicado aqui no blog, está em curso uma discussão crucial sobre o que se entende por informação, os padrões e protocolos que a definem e mais do que nunca, os poderes, direitos e deveres implicados.

Os fatores culturais dessas práticas tecnológicas e científicas, têm uma discussão restrita aos meios acadêmicos, sendo parcialmente debatida nos meios de comunicação alternativa. Entretanto, vários aspectos passam desapercebidos, tais como o fato de que saberes como a etnomatemática, por exemplo, são conhecimentos que concretamente podem contribuir em muito para a democratização do conhecimento, na medida em que inserem historicamente elementos de culturas que têm sido excluídas, mas que através desse campo de pesquisa, têm reconhecida não apenas sua relevância, mas também sua antecedência sobre a ciência do que se convencionou chamar (classificar de) ocidental.

É preciso levar em conta que há esforços em curso sobre a inserção e o reconhecimento dos saberes tradicioniais no campo da Ciência da Informação. Contudo, tal postura não é generalizada e persistem muitos equívocos e preconceitos. Adiante, quando se chegar á conclusão, nem sempre altruísta de que o conhecimento desses povos, muitos com a face pintada, habitando lugares classificados como “selva” (e por extensão sendo portanto, selvagens) têm algoritmos que poderiam inovar a computação, assim como as indústrias farmacêuticas e de cosméticos já descobriram com o saber tradicional sobre as plantas.

O congresso português dá claros indícios de que essa discussão ainda não começou e irá ganhar, em algum momento mais a frente, as páginas, físicas e virtuais, dos meios de comunicação. Aqui no Fórum de Cultura Digital, ela já começou, há um grupo, pequeno, mas existente, que tem como escopo abordar essas e outras peculiaridades dos saberes tradicionais.

A linguagem humana, que possibilita todas as demais linguagens, as naturais e artificiais, é uma tecnologia. Pode haver controvérsias sobre sua origem, função, mas é inegável que se trata de uma ferramenta mental, ou capacidade social, utilizada por todos os povos do planeta, desde tempos imemoriais. No momento em que buscamos a unificação de diversos campos do saber humano, não podemos deixar de lado aqueles que nos forneceram as bases do que conhecemos, ou classificamos hoje por ciência e tecnologia.

Ciência da Informação: passado ou futuro?

Aqui, um texto de 1976:

As bibliotecas estão atravessando um período de grandes mudanças devido à crescente disponibilidade de bases de dados, legíveis por máquina, e sistemas de recuperação da informação. Alguns produtores de bases de dados estabeleceram redes a nível nacional e internacional a fim de torná-las disponíveis. O fato de que poucas instituições tenham um nível de demanda que justifique operações deste tipo levou ao desenvolvimento de centros de disseminação de informação científica e ao desenvolvimento de buscas on-line. Em relação a estas mudanças, o bibliotecário está assumindo o papel de intermediário entre os usuários e a massa de dados bibliográficos existente em forma legível por máquina.

Pois é, e vale dar uma olhada nele aqui. ( em inglês)

Por outro lado , essa entrevista de 1995, com a professora Celia Ribeiro Zaher mostra que há, sim, um pensamento sobre os rumos convergentes do digital na documentação aqui no Brasil.

O fato é que da mesma forma como a internet perpassa quase todas as demais atividades sociais, a Ciência da Informação perpassa quase toda produção do conhecimento e, certamente, todo conhecimento científico.  Então o que ocorre é que não se trata de abandonar a “biblioteconomia”, mas de conjugá-la, por sua importância, aos demais saberes que surgem. Não apenas os “objetos digitais” para a comunicação e cultura: filmes, textos, sons, imagens…são o alvo desse campo. Imagine um campo que tem como abrangência desde os prontuários médicos, as legislações, todas elas, as comerciais, as técnicas, enfim, a informação. Não se trata apenas de ignorar a internet, ela mesma uma grande biblioteca distribuída por servidores, mas de aproveitar que as duas coisas se fundem e unir a estas, muitas outras, como as culturas tradicionais e seus modos de conhecimento.

Biblioteca de bolso

Texto do Le Monde Diplomatic com uma questão: Acervo portátil? Como ultrapassar o formato restritivo dos suportes dos acervos (mídias físicas) com uma distribuição adequada a outros meios  e suportes, como por exemplo, os ubíquos telefones…

Uma prévia da questão:

“Em tempos de Google, os livros eletrônicos se somam ao processo de digitalização de “todos os saberes da
humanidade”. Acervos inteiros de bibliotecas já podem ser lidos pelo computador, em detrimento das versões
impressas, que permanecem um bastião da resistência ao imediatismo do fluxo incessante de informações”
POR CÉDRIC BIAGINI E GUILLAUME CARNINO*

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