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O tamanho do patrimônio cultural digital brasileiro, em terabytes.

Em quantos terabytes está o atual patrimônio cultural digitalizado no Brasil?  Se fosse possível conectar os bancos de dados das instituições brasileiras do sistema MINC, dos Institutos Culturais, das Universidades, enfim, dos arquivos que contém impressos, discos, filmes, mapas, cartazes, fotografias, vídeos, arquivos de maquetes digitais, de animação, áudios…enfim, uma miríade de de objetos e suportes.

Ao que parece não há um levantamento dessa quantidade. Melhor seria, além disso, o de saber quantos sistemas há no controle desses bancos de dados e seus objetos digitais. Qual a quantidade de arquivos, a qualidade, a nomenclatura…uma interminável cadeia de fatores, de problemas e de soluções.

III Seminário Internacional de Memória e Patrimônio – Pelotas/RS

Entrecortando a discussão sobre o que é um documento na Cultura Digital, mais um exemplo de que estas perguntas estão surgindo em vários lugares, sob várias perspectivas…

Inscrições, programação e outras informações no site: http://simpufpel.wordpress.com/

Programação

Dia 28/10 – Quarta-Feira
14 horas Painéis
18 horas Credenciamentos
19 horas Abertura oficial
19h30min Conferência: Prof. Dr. Pedro Paulo Funari (Unicamp) – Diversidade, Inclusão Social e Políticas Públicas
Dia 29/10 – Quinta-Feira
14 horas Painéis
19 h 30 min. Mesa-redonda:  Políticas públicas de patrimônio na América Latina:

Alicia Martin (UBA – Argentina)

Ana Maria Beltrami (IPHAN)

Lourdes Dominguez (Cuba)

Dia 30/10 – Sexta-Feira
14 horas Mesa-redonda:  “Patrimônio cultural: classificação, registro e salvaguarda”

Flavia Rieth (UFPel)

Mônica Rotman (UBA)

Arturo Toscano (Museo Nacional de Historia Natural y Antropologia – Uruguai)

19h30min Conferência de encerramento: Profª. Drª. Maria Cecília Londres Fonseca – “Questões atuais na preservação do patrimônio cultural”

A visualização da informação e os portugueses.

Não é de hoje que me pergunto, mas é algo curioso alguns dos nomes mais destacados mundialmente nos campos de Visualização da Informação, como o Manuel Lima e Business Intelligence, com a Daniela Barbosa, serem portugueses. Tudo bem, há uma brasileira, a Fernada Viegas, do Many Eyes, mas, com esse sobrenome, a distância não é assim tão grande.

O Manuel Lima, é um designer que criou um website simples e arrebatador, o visual complexity, o qual evangelizo sempre que posso. É um apanhado (708 exemplos e aumentando…) da visualização de dados nas mais diversas áreas. Vale ver, se você ainda não conhece.

No caso das estratégias de design da informação propriamente ditas, um nome é o de Daniela Barbosa.  Os especialistas a citam como um nome chave na questão dos protocolos abertos, da portabilidade e do acesso por meios de dados estruturados, utilizados na indústria. É curioso notar que não são os únicos. Como esse post não é sobre os portugueses, mas sim sobre alguns de seus cidadãos (e concidadãos históricos) o importante é notar que nem tudo que há hoje em tecnologia de ponta, é anglo saxão, ou seja, vem dos Estados Unidos.

Parece curioso por que, como sabemos, os portugueses têm uma história de tecnologia da informação antiga, desde os tempos horrendos do mercantilismo escravista, ou das “navegações” para usar um termo mais suave. Tristezas culturais à parte, é notável que essa herança e talento sejam utilizados hoje em dia para puxar os limites do conhecimento tecnológico da informação. Por exemplo, o site da IBM “many eyes, é uma forma inovadora, de disponibilizar informações dos mais diversos lugares, numa forma compartilhada, ou rede social, para ser atual. De fato, o  site agora tem uma versão  “wiki”.

Como foi postado anteriormente, houve em setembro, um congresso sobre o que pode ser classificado como antropologia da informação que discutiu questões importantíssimas relativas à Acervo, Memória, História, Identidade e Cultura Digital. Não é, nem de longe, o caso de pressupor algo “no sangue” como a brasileira Fernanda Viegas demonstra, já que não é “100% portuguesa”, mas sim, o ambiente cultural, que pode ter levado os portugueses a terem um destaque nessa área.

O uso da informação é algo político, a tecnologia nunca é isenta. Mas estes podem ser usados, como ferramentas, para muitos objetivos. Atualmente, os portugueses vêm dando um contribuição de acesso à informação que merece nota  e respeito.

As sociedades e a busca da informação crítica.

Society of the Query conference

Cartaz da Conferência Society of the Query

Muito legal o tema da conferência (dica do efeefe, aqui do Fórum) que vai ocorrer dias 13 e 14 de novembro, em Amsterdam, Holanda. O encontro coloca uma questão muito pertinente, por sinal,  a esse Fórum de Cultura Digital.  Procurar, buscar apenas, ou questionar?  Em termos de fontes confiáveis, essa é uma questão política e tecnológica, o que, em termos antropológicos, é a mesma coisa.

O encontro tem a proposta de discutir os seguintes assuntos:

  • Como a idéia de “máquinas inteligentes” influencia campos do saber que têm a “organização do conhecimento” como área?
  • Como os aspectos jurídicos, legais, estão dispostos nessas configurações tecnológicas?
  • O que fazer com a ubiquidade do Google? Estaria esta empresa afetando os modos como o conhecimento se distribui, bem como as práticas culturais?
  • Há um papel hegemônico na atuação dessas empresas? Não apenas o Google, mas o Bing ( Yahoo/ Microsoft) e outras? Estariam elas alterando os fluxos culturais, como no caso dos saberes tradicionais que não estão na internet? Como seria uma regulação desse fluxo?
  • Levando em conta os avanços trabalhos com arte e design da informação, como obter interfaces mias sofisticadas, mais centradas na usabilidade? Como melhorar as formas de apresentar os resultados?
  • Quais são as alternativas existentes, em software, em redes e, para o usuário, que desafiam os atuais paradigmas ( ou paradogmas, heheh) existentes…

Os temas da Conferência

  • Sociedades de busca
  • Direitos Civis Digitais e Estudo Crítico da Mídia.
  • Buscas Alternativas
  • A “Googlelização” de tudo
  • Arte e Máquinas

Mais na página do evento com outras informações.

O legal disso tudo, é que há uma variedade de sites que se dedicam a discutir isso de vários pontos de vista: de negócios, de publicidade, de Cência da Informação…sinal de que a web é pervasiva. Aqui, por exemplo, uma lista bem legal dos “sites de busca” que já existiram (existe uma lista em português, mas não tão atualizada).

Novamente, o assunto meta tags, em evidência. Indexação e informação. E e ai, na cultura Digital quem diz o que é um documento?

Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação

As publicações do IBCT e um apanhado atual dos que os cientistas da informação vêm discutindo…
EDITORIAL
Joana Coeli Ribeiro Garcia e Maria das Graças Targino
I PARTE
ANCIB: MOMENTO DE RESGATE
Olhar sobre os 20 anos da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação (ANCIB)/ An overview of the past twenty years of the Brazilian Scentific Society for Information Science (ANCIB)
Aldo de Albuquerque Barreto
30 anos da Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba/ Thirty years of the Post graduation in Information Science of the Federal University of Paraíba (UFPB)
Terezinha Elisabeth da Silva
II PARTE
ANCIB: MOMENTO DOS GRUPOS DE TRABALHO
Grupo de Trabalho 1 – Estudos Históricos e Epistemológicos da Informação
Grupos de pesquisa em Ciência da Informação no Brasil/ The groups of research in Brazil: the Information Science
Marlene de Oliveira

Grupo de Trabalho 2 – Organização e Representação do Conhecimento
Tendências da pesquisa em organização do conhecimento/ Trends of research in knowledge organization
Hagar Espanha Gomes

Grupo de Trabalho 3 – Mediação, Circulação e Uso da Informação
Mediação da informação e múltiplas linguagens/ Information mediation and multiple languages
Oswaldo Francisco de Almeida Júnior
Grupo de Trabalho 4 – Gestão da Informação e do Conhecimento nas Organizações
A informação nossa de cada dia na decisão organizacional/ Every day information in organizational decision
Nádina Aparecida Moreno
Grupo de Trabalho 5 – Política e Economia da Informação
A reinvenção contemporânea da informação: entre o material e o imaterial/ The contemporary reinvention of information: between materiality and immateriality
Maria Nélida González de Gómez
Grupo de Trabalho 6 – Informação, Educação e Trabalho
Reflexões sobre o Grupo de Trabalho (GT-6) do Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ENANCIB) – Informação, Educação e Trabalho: um olhar a partir da sociologia da profissões e da sociologia do trabalho/ Reflections on a study group: a perspective based on the sociology of professions and the sociology of work
Helena Maria Tarchi Crivellari e Miriam Vieira da Cunha
Grupo de Trabalho 7 – Produção e Comunicação da Informação em CT&I
Bibliometria, cientometria, infometria: conceitos e aplicações/ Bibliometrics, scientometrics, informetrics: concepts and applications
Raimundo Nonato Macedo dos Santos e Nair Yumiko Kobashi

Grupo de Trabalho 8 – Informação e Tecnologia
Uma arquitetura genérica para sistemas de biblioteca digital como pretexto para criação de uma agenda de pesquisa/ A generic architecture for digital library systems as a pretext for creating a research agenda
Luís Fernando Sayão
O acesso aos textos está aqui. . O link foi achado nesse blog aqui.

Biblioteca como rede social.

Digitando “library as social network” no google achei um arquivo em pdf que menciona tal possibilidade. Trata-se de uma prestação de contas municipal da cidade de Fife, Washington, nos Estados Unidos, em que se cogita pensar a biblioteca como uma rede social.Vale notar que no referido documento, eles checam o que já foi feito, e o que há por fazer.

Tal idéia, exposta aqui no Fórum chama-se Biblioteca 2.0. Depois de procurar por essa entrada, descobri que não basta descrever a atividade. Tem que nomear… Essa discussão ocorre agora, em termos reduzidos, na Wikipédia e outros espaços.  Por que será que isso ocorre a Ciência da Informação e, por outro lado, profissões que também lidam com a informação requerem exclusividade de legitimação profissional? Será que uma “legislação 2.0″ é o Fórum? Ou aqui estão só as propostas e a ação ainda a ser materializada…

Em 2010, vai acontecer a Hypertext 2010, uma conferência que discutirá a própria Web 2.0. O interessante é que cada uma das “faixas de discussão” têm declaradamente autonomia para elaboração de suas atividades. Entretanto, Computação Social, Hipermídia Adaptativa e suas Aplicações e Hipertexto em Educação e Comunicação, temas de cada faixa, têm grande semelhança…

Hypertext 2010 will consist of three autonomous tracks, each with its own program committee and reviewing team.

Track 1 – Social Computing
Chair:  Anabel Quan-Haase, University of Western Ontario

This track invites papers investigating social processes and practices in Hypermedia and Web 2.0 environments. These include tagging, filtering, voting, editing, trusting, and rating. These social processes result in many types of links between texts, users, concepts, pages, etc. We want to better understand the processes and practices themselves as well as the social, political, and semantic networks that result from these processes over time. Topics of interest include, but are not limited to:

  • Social information diffusion
  • Social linking
  • Social and collaborative annotation
  • Social knowledge and information representation
  • Social networking technologies (e.g., Facebook, YouTube and Twitter)
  • Mapping and visualization of social spaces and networks
  • Linking virtual networks and offline networks
  • Time analysis of social, information, and semantic networks
  • Critical mass and incentives of social participation (e.g. games)
  • Automatic and user-based evaluation

Track 2 – Adaptive Hypermedia and Applications
Chair:  Richard Kopak, University of British Columbia

The Adaptive Hypermedia and Applications track invites papers reporting on theoretical, empirical, and methodological studies on adaptive hypermedia, including the application of adaptive hypermedia in varying domains and contexts. The scope of the Adaptive Hypermedia and Applications Track includes all forms of Web and Hypermedia system generated personalization, including user modeling, recommender systems, and e-learning.   Topics may include, but are not limited to:

  • Adaptive presentation of hypermedia content
  • Adaptive navigation (link hiding, dynamic maps)
  • Adaptivity and the semantic Web
  • Algorithms and methods in explicit recommender systems
  • Comparison of effectiveness of implicit and explicit recommender systems
  • User modeling
  • Evaluation and usability of adaptive systems
  • Personalized e-learning
  • Personalized digital libraries

Track 3 – Hypertext in Education and Communication
Co-Chairs: Mark Bernstein, Eastgate Systems, Inc., David Millard, University of Southampton, UK

Hypertext tools are indispensable for e-learning and m-learning, and teaching. Hypertext as a discipline in its own right — including literary fiction, new scholarship and digital media — plays a growing role in education. This track targets hypertext as both a tool and a discipline, as well as focusing on the use of spatial hypertext and Web 2.0 applications such as blogs, wikis and e-portfolios. We hope to highlight our understanding of links as a new component of writing and communication, and to increase our understanding of the ways that they are used in education, research, journalism, and literature. Topics of interest include, but are not limited to:

  • blogs and wikis in teaching and learning
  • collaborative e-learning
  • non-linear writing and interactive fiction
  • communication theory and the web
  • concept maps and knowledge structures
  • digital narratives
  • open educational resources
  • personal learning and research tools
  • hypertext literature and art
  • e-journalism
  • digital aesthetics and cyber culture

Se os itens  de cada “faixa de discussão” estivessem alinhados em três colunas, daria para ver que os primeiros temas de cada eixo tratam de suas especificidades, mas se percebe um diálogo entre os assuntos. Assim, quando um diz sobre difusão social da informação (Computação Social) , o seguinte, discute a adaptação de conteúdos multimídia ( Hipermídia Adaptativa e suas Aplicações) e o resultado disso esta na discussão de blogs e wikis, no grupo de comunicação e educação. Fico pensando se foi o word ou o diálogo quem criou essa simetria…

Antropologia da Informação e as categorias do pensamento humano

Um dos membros do Fórum, me fez lembrar porque estou aqui. Sou antropólogo, mais por força da formação acadêmica, e menos da titulação. Etiquetas à parte, é este exatamente o assunto: classificações. Antropólogos as adoram. Elas dizem se sou branco, negro, rico, pobre, hetero ou homossexual, de esquerda, direita…ou nada disso.
Pois bem, o fato é que no blog do citado membro do Fórum, encontra-se o link para o IV Congresso de Antropologia – Associação Portuguesa de Antropologia, ocorrido entre 9 e 11 de setembro passado, e que teve o incrível tema “CLASSIFICAR O MUNDO”, assim, em letras maiúsculas. Pois não bastasse o tema, em total sintonia com este blog, os assuntos dos painéis são também altamente pertinentes às discussões aqui no Fórum de Cultura Digital.

Para se ter uma idéia, eis alguns dos painéis mais explicitamente relacionados ao tema Memória Digital:

Nº 1 – Objectos comuns de ontem, objectos de museu hoje: processos de classificação e de activação patrimonial nos museus
Nº: 2 – Museus e Património Imaterial
Nº: 5 – Organizando a sociedade, ordenando o social.
Nº: 7 – Tradução cultural, fronteiras e dinâmicas globais.
Nº: 14 – Turismo, Património e Usos da Cultura.
Nº: 23 – Lógicas de classificação social e formas de poder: agência, estrutura e significado.
Nº: 24 – Reconstruções identitárias em espaços universitários multiculturais.
Nº: 25 – Classificações coloniais: passado e des/continuidades no mundo contemporâneo.
Nº: 26 – Antropologia dos Media: práticas, consumos e representações.
Nº: 27 – Tecnologias Digitais: novos objectos empíricos e práticas de pesquisa etnográfica.
Nº: 29 – Consenso e dissensão: responsabilidade colectiva e autonomia individual.
Nº: 31 – Saberes Tradicionais, Práticas Sociais e Biodiversidade.
Nº: 33 – Arte. Identidade e Poder.
Nº: 35 – Conceitos, categorias, classes, processos: fronteiras e novas conceptualizações.
Nº: 37 – Classificações e desigualdades: produção e reprodução.
Nº 39 – Interculturalidade(s) Espaços de alteridade e de diálogo.
Nº 40 – Apresentações da Cultura: performances artísticas, narrativas de poder e reflexividade.

CONVIDADO I – Cosmopolitismo: metrópoles, trajectórias e subjectividade.
CONVIDADO VII – Classificar: objectos, sujeitos, acções.
CONVIDADO VIII – Fronteiras.
CONVIDADO IX – Classificar: capital e mobilidade.

O link do Congresso, com o trabalhos apresentados e o nomes está aqui. Vale dar uma olhada. Como não poderia deixar de ser, há muitos brasileiros de diversas universidades presentes…

Vale dizer que foram ao todo 51 painéis. Desses, 17 acima aqui destacados. O que confirma que o assunto “informação” extrapola tanto as TICs (tecnologias da informação e comunicação) como as CIs (ciências da informação) as quais, são, em termos antropológicos, construções sociais.  Conforme vem sendo publicado aqui no blog, está em curso uma discussão crucial sobre o que se entende por informação, os padrões e protocolos que a definem e mais do que nunca, os poderes, direitos e deveres implicados.

Os fatores culturais dessas práticas tecnológicas e científicas, têm uma discussão restrita aos meios acadêmicos, sendo parcialmente debatida nos meios de comunicação alternativa. Entretanto, vários aspectos passam desapercebidos, tais como o fato de que saberes como a etnomatemática, por exemplo, são conhecimentos que concretamente podem contribuir em muito para a democratização do conhecimento, na medida em que inserem historicamente elementos de culturas que têm sido excluídas, mas que através desse campo de pesquisa, têm reconhecida não apenas sua relevância, mas também sua antecedência sobre a ciência do que se convencionou chamar (classificar de) ocidental.

É preciso levar em conta que há esforços em curso sobre a inserção e o reconhecimento dos saberes tradicioniais no campo da Ciência da Informação. Contudo, tal postura não é generalizada e persistem muitos equívocos e preconceitos. Adiante, quando se chegar á conclusão, nem sempre altruísta de que o conhecimento desses povos, muitos com a face pintada, habitando lugares classificados como “selva” (e por extensão sendo portanto, selvagens) têm algoritmos que poderiam inovar a computação, assim como as indústrias farmacêuticas e de cosméticos já descobriram com o saber tradicional sobre as plantas.

O congresso português dá claros indícios de que essa discussão ainda não começou e irá ganhar, em algum momento mais a frente, as páginas, físicas e virtuais, dos meios de comunicação. Aqui no Fórum de Cultura Digital, ela já começou, há um grupo, pequeno, mas existente, que tem como escopo abordar essas e outras peculiaridades dos saberes tradicionais.

A linguagem humana, que possibilita todas as demais linguagens, as naturais e artificiais, é uma tecnologia. Pode haver controvérsias sobre sua origem, função, mas é inegável que se trata de uma ferramenta mental, ou capacidade social, utilizada por todos os povos do planeta, desde tempos imemoriais. No momento em que buscamos a unificação de diversos campos do saber humano, não podemos deixar de lado aqueles que nos forneceram as bases do que conhecemos, ou classificamos hoje por ciência e tecnologia.

Ciência da Informação: passado ou futuro?

Aqui, um texto de 1976:

As bibliotecas estão atravessando um período de grandes mudanças devido à crescente disponibilidade de bases de dados, legíveis por máquina, e sistemas de recuperação da informação. Alguns produtores de bases de dados estabeleceram redes a nível nacional e internacional a fim de torná-las disponíveis. O fato de que poucas instituições tenham um nível de demanda que justifique operações deste tipo levou ao desenvolvimento de centros de disseminação de informação científica e ao desenvolvimento de buscas on-line. Em relação a estas mudanças, o bibliotecário está assumindo o papel de intermediário entre os usuários e a massa de dados bibliográficos existente em forma legível por máquina.

Pois é, e vale dar uma olhada nele aqui. ( em inglês)

Por outro lado , essa entrevista de 1995, com a professora Celia Ribeiro Zaher mostra que há, sim, um pensamento sobre os rumos convergentes do digital na documentação aqui no Brasil.

O fato é que da mesma forma como a internet perpassa quase todas as demais atividades sociais, a Ciência da Informação perpassa quase toda produção do conhecimento e, certamente, todo conhecimento científico.  Então o que ocorre é que não se trata de abandonar a “biblioteconomia”, mas de conjugá-la, por sua importância, aos demais saberes que surgem. Não apenas os “objetos digitais” para a comunicação e cultura: filmes, textos, sons, imagens…são o alvo desse campo. Imagine um campo que tem como abrangência desde os prontuários médicos, as legislações, todas elas, as comerciais, as técnicas, enfim, a informação. Não se trata apenas de ignorar a internet, ela mesma uma grande biblioteca distribuída por servidores, mas de aproveitar que as duas coisas se fundem e unir a estas, muitas outras, como as culturas tradicionais e seus modos de conhecimento.

Uma experiência em digitalização de acervos, vinda da Europa.

Aqui estão os vídeos do Seminário “A Experiência da Comunidade Européia na construção do portal Europeana” ocorrido em 8 de setembro de 2009 na sede do Comitê Gestor da Internet no Brasil

O workshop contou com a presença do Diretor Técnico da Europeana, Bram van der Werf, que apresentou, de forma técnica, o portal que disponibiliza acervos de bibliotecas, museus e arquivos dos países da região européia, mostrando a arquitetura da solução, padrões e softwares utilizados.

Este evento foi destinado a profissionais da área de Ciência da Informação e Tecnologia da Informação com projetos de disponibilização de acervos digitais.

Apresentações (em formato PDF)

Português, com tradução simultânea

Inglês, sem tradução

Na Cultura Digital, quem define o que é documento?

Uma das questões mais candentes atualmente no campo da Ciência da Informação é a do que se entende por documento. Longe de ser algo teórico e conceitual, está em jogo a memória dos valores, conhecimentos e objetos (artefatos) socialmente valorizados…Em prol dos objetivos de uma política pública de universalização do acesso à cultura e ao conhecimento no meio digital; torna-se necessário também ampliar os conceitos do que seja documentável e do que se entende por memória.

As políticas de memória, aquelas que definem linhas de atuação para a preservação do Patrimônio Nacional, são geralmente voltadas para duas áreas distintas: de um lado o acervo da cultura imaterial, sob responsabilidade do IPHAN, que a define como:

“as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas – junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados – que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural.”

Por outro lado, existem os acervos bibliográficos e documentais “propriamente ditos”, os quais tratam dos documentos que são considerados como pertinentes à categoria de patrimônio documental e, portanto, material. Ambos os lados se complementam, de modo que, em última instância, o patrimônio  imaterial, ao ser registrado, se torna documento e passa a ser classificado como patrimônio material… na forma de livros, discos, partituras, mapas e outros suportes físicos.

Neste Fórum de Cultura Digital, há uma confluência de memórias, as do passado e também as do futuro. Memórias do Futuro, são aquelas que temos que assegurar que existam para as gerações que precisarão ter o conhecimento de onde vêm. É a memória que ainda não foi realizada.

Para que essa memória seja democrática, aberta às considerações culturais, é preciso definir, também de forma aberta e democrática, os produtores de sentido que não se encaixam nestas duas abordagens tradicionais.  O campo da Ciência da Informação precisa mudar. Esta mudança não é apenas técnica, ou teórica. É uma mudança política, ou como diria Bourdieu, de campus,  de habitus

A Política Nacional de Arquivos Públicos e Privados, define que todo arquivo no Brasil deve estar em consonância com a Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991. Além disso,  já existem diretrizes específicas para os documentos digitais, presentes no documento e-ARQ Brasil, que dispõe sobre o tratamento documental nas tecnologias digitais.

O ponto interessante é que o próprio CONARQ prevê essa possibilidade:

O e-ARQ Brasil em seu item n° 3 (LIMITES DA ESPECIFICAÇÃO) dispõe


Esse documento, ainda que discorra sobre vários aspectos da gestão arquivística de documentos, deixa a critério de cada organização ou grupo de organização a decisão de

como adotar o e-ARQ Brasil, se de forma modular ou completa. Por último, cabe ressaltar que o presente documento foi elaborado para profissionais das áreas de administração, de arquivo e de tecnologia da informação, requerendo a interação entre esses profissionais para que a implementação seja bem sucedida.

Logo se abre uma discussão: o que é um arquivo, em termos digitais? Os materiais utilizados a partir do uso não técnico, aquele fora do cuidado dos profissionais de Ciência da Informação, mas que também não se encaixam na categoria de “Patrimônio Imaterial” onde ficam? Os trabalhos escolares, agora em sua versão atual, traduzidos em vídeos, blogues…uma miríade de formatos…para onde vão?

Os projetos que utilizam material de acervos públicos, e que posteriormente são transformados em produtos vendáveis, deveriam manter uma versão desse material utilizado disponível? Ou deveriam pagar para ter acesso a ele? Questões de economia digital, memória digital, comunicação digital e, porque não infra-estrutura digitalizada e de digitalização…

Torna-se necessária uma reflexão sobre a natureza dos suportes, a concepção do que seja documento, e de quem seja a responsabilidade de gestão desse patrimônio. O que dizer de uma biblioteca ou acervo que incorpore informações de seus usuários, agregando dados externos aqueles sistematizados pelos especialistas da informação?  Hoje em dia, com protocolos, como o XML, ou no nosso Xemelê, é possível equacionar estes dois lados: o da informação “oficial” e o da informação ” informal” ou informação na dinâmica de uso dos usuários, como um comentário num blog ou o próprio Fórum.

Ao longo dessa semana, o Acervo Digital irá colocar questões mais autorais de cunho participativo e portanto, político no melhor sentido da proposta dessa ferramenta digital. Espero que você, que lê esse post, ajude na discussão de pensar propostas de políticas públicas que levem com conta as especificidades colocadas acima, e outras, tal como se propõe o Fórum de Cultura Digital.

Biblioteca de bolso

Texto do Le Monde Diplomatic com uma questão: Acervo portátil? Como ultrapassar o formato restritivo dos suportes dos acervos (mídias físicas) com uma distribuição adequada a outros meios  e suportes, como por exemplo, os ubíquos telefones…

Uma prévia da questão:

“Em tempos de Google, os livros eletrônicos se somam ao processo de digitalização de “todos os saberes da
humanidade”. Acervos inteiros de bibliotecas já podem ser lidos pelo computador, em detrimento das versões
impressas, que permanecem um bastião da resistência ao imediatismo do fluxo incessante de informações”
POR CÉDRIC BIAGINI E GUILLAUME CARNINO*

leia aqui

Libros y bibliotecas digitales: ¿monopolio virtual?

O website Democracy Now é uma prova de que nem todos os estadunidenses se adequam aos estereótipos…

Por Amy Goodman

Publicado el 30 de Septiembre de 2009

Escuche

Se está desatando una batalla acerca del futuro de los libros en la era digital y la función que cumplirán las bibliotecas. Un caso que se encuentra en este momento ante un tribunal federal de Estados Unidos, según se ha indicado, podría otorgar prácticamente el monopolio del conocimiento humano registrado al gigante de los buscadores de Internet Google. El complejo caso concitó la oposición de cientos de personas y grupos de todo el planeta.

Google anunció en 2004 su plan de digitalizar millones de libros y ponerlos disponibles en Internet. Los libros que son de dominio público estarían disponibles en forma gratuita. Los libros más nuevos, publicados desde 1923 hasta la fecha, que aún tienen derecho de autor, también estarían en Internet, pero solamente estarían disponibles en lo que Google denominó “fragmentos”. El Gremio de Escritores y la Asociación de Editores Estadounidenses presentaron una demanda argumentando violaciones a los derechos de autor. En octubre de 2008, ambas organizaciones y Google anunciaron un acuerdo denominado “Acuerdo sobre Libros de Google” (GBS, por sus siglas en inglés). En virtud del acuerdo, Google pagaría 125 millones de dólares y crearía el Registro de Derechos de Libros, una nueva organización que le daría fondos provenientes del acuerdo y de las ganancias de ventas futuras de los libros a quienes poseen los derechos de autor. Google estaría facultado no solo a exhibir obras, sino también a convertirse en una enorme librería on-line de venta de libros electrónicos.

El acuerdo le da a Google en forma automática el permiso de escanear, exhibir y vender libros que aún tienen derecho de autor pero que se considera que “están agotados” y para los que el titular de los derechos de autor no puede ser hallado fácilmente. Estos libros son denominados “libros huérfanos”. La condición de “obras huérfanas” ha sido objeto de mucho debate, y hasta incluso se propuso establecer una legislación para poner a las obras huérfanas a disponibilidad del público.

El Acuerdo sobre Libros GBS le da a Google, y solamente a Google, el derecho legal de digitalizar y vender estos libros.
La profesora de Derecho de la Universidad UC Berkeley, Pamela Samuelson escribió recientemente: “De ser aprobado, el acuerdo “Google Búsqueda de Libros” será el emprendimiento más importante de la industria del libro de la era moderna…[y] transformará el futuro de la industria del libro y del acceso público al patrimonio cultural de la humanidad encarnado en los libros”.

Brewster Kahle es co-fundador del Archivo de Internet, una biblioteca digital que aspira a brindar “acceso universal al conocimiento humano”. La biblioteca contiene 150.000 millones de páginas web, 200.000 películas, 400.000 grabaciones de audio y más de 1,6 millones de textos. Kahle se opone al Acuerdo sobre Libros de Google. Google escanea grandes cantidades de libros que son propiedad de las bibliotecas y le devuelve a cada biblioteca versiones digitales de sus libros solamente disponibles en un número limitado de terminales de computadoras, que proporciona el propio Google.

Le pregunté a Khale cómo ve el futuro de las bibliotecas y respondió: “Las bibliotecas como un lugar físico al cual acudir, creo que continuarán existiendo. Pero si continúa esta tendencia, si permitimos que Google tenga un monopolio, entonces las bibliotecas como depósitos de libros, lugares que compran libros, que son dueños de libros, guardianes de los libros, dejarán de existir. Mirando hacia adelante, las bibliotecas quizá terminen siendo simplemente suscriptoras de las bases de datos de unas pocas empresas que tienen el monopolio de los libros”. La versión de biblioteca digital que Kahle está construyendo de manera colaborativa junto con otras personas es abierta y compartible, y no tiene ningún tipo de restricciones, a diferencia de lo que sucede con el acuerdo de Google. Kahle es cofundador de Open Book Alliance, la coalición que presentó una demanda contra el Acuerdo sobre Libros de Google, comparando a este acuerdo con los esquemas de fijación de precios del petróleo establecidos por los magnates de la industria del ferrocarril y la Standard Oil de John Rockefeller en la década de 1870.

Luego de que el Juez Denny Chin, quien preside el caso, lanzó la convocatoria para la presentación de comentarios públicos, comenzaron a llegar manifestaciones de oposición desde todas partes del mundo, de fuentes que van desde los gobiernos de Francia y Alemania hasta un sinnúmero de editores, autores y artistas como el cantante folk Arlo Guthrie y la autora Julia Wright, hija de Richard Wright, quien escribió los clásicos “Chico Negro” e “Hijo Nativo”. Marybeth Peters, directora de la Oficina de Derechos de Autor de Estados Unidos, denominó al Acuerdo propuesto por Google “una forma de evadir el proceso legislativo y las prerrogativas”. El Juez Chin propuso la realización de una “audiencia imparcial” el 7 de octubre para decidir sobre el Acuerdo sobre Libros de Google.

El 18 de septiembre, el Departamento de Justicia de Estados Unidos presentó un escrito de oposición. Dice en una parte: “la amplitud del Acuerdo Propuesto – especialmente los futuros arreglos comerciales que pretende crear – plantea preocupaciones jurídicas considerables….La posibilidad de disponer a nivel mundial de los derechos de millones de libros con derecho de autor es un tipo de cambio de política que debería implementarse mediante legislación, no mediante un acuerdo judicial privado”. El Juez Chin anunció un aplazamiento de la audiencia. Open Book Alliance, junto con otros grupos, aplaudió el aplazamiento y está solicitando un proceso abierto y transparente para lidiar con el futuro de la digitalización de los libros y el problema de los libros huérfanos de forma tal de que se beneficie al interés público.

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Denis Moynihan colaboró en la producción periodística de esta columna.

© 2009 Amy Goodman