Archive for the ‘ Visualização da informação ’ Category

Um exemplo de “documentação escolar”.

O trabalho de faculdade de Tomas Nilsson, é um exemplo de como um incontável número de trabalhos “escolares” são criados, nem sempre guardados e, pior, não compartilhados.  O de Tomas, conta a história de chapeuzinho vermelho. A frase mais que gasta sobre nossa época e o ” acúmulo de conhecimento” não seria possível, se dependermos dos conhecimentos contidos nos trabalhos escolares. Está claro que há, sim uma enorme preservação da documentação escolar: trabalhos são premiados, o youtube tem aproximadamente 4510 vídeos descritos com esses termos, mas isso não é nem de longe o possível. O Brasil está inserido na comunidade científica, onde os trabalhos “escolares” mais complexos, como monografias, dissertações e teses, são, em sua maioria, documentados, preservados e indexados em base de dados.

O paradoxo da tecnologia e a digitalização da cultura

Saiu a composição das mesas do encontro de museus e a web 2010. O mais frequentado ( digamos, mainstream ) encontro de museus e tecnologia. O que significa que em breve, os participantes internacionais terão novidades para os visitantes dos museus de seus países…

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Dentre os assuntos, mesas e oficinas que serão realizadas, há uma que fala dos usos das tecnologias de multi-toque, ou multitouch, que possibilitam a interação diretamente com a imagem, som e texto: um paradoxo, já que os conteúdos digitais tem como característica intrínseca a intangibilidade. Não posso literalmente pegar a letra desse texto e mudar os caracteres com a mão. Não podia. A importância dessas tecnologias estarem em grandes vitrines é a de que torna-se rápida sua adoção, seja isso positivo ou não…

Agora, com as possibilidades de mapeamento espacial sobre os conteúdos e seu ambiente, abriu-se a possibilidade de alterar, segundo uma modelagem das mesmas leis da física, tanto o conteúdo quanto o ambiente digital, de forma análoga ao correspondente material, a popular interatividade, só que sem mouses ou teclados, diretamente no conteúdo digital.

Não há mudança tecnológica neutra. Ocorrem sempre por interesses sociais, coletivos, mas localizados, e bem menos como consequência de adequação das necessidades mais amplas. De modo que um pequeno grupo, ou uma grande empresa, podem, por interesse, desenvolver tecnologias que dêem conta de necessidades especificas, com consequência para parcelas mais amplas.

Não é muito difícil imaginar um uso semelhante para equipamentos como o capacete de sensoriamento cerebral que, da mesma forma que os dispositivos multitouch, já são encontrados comercialmente.

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Para estas tecnologias e para outras que virão, os usos são impensados. Se as discussões atuais sobre banda larga ocorrem com vistas ao tráfego de voz, texto e imagem, em breve, discutirão tráfegos de outra ordem: sensores cerebrais. Está em curso uma adaptação dos objetos para que estes entrem em convergência com os conteúdos digitais. O que se chama hoje de realidade aumentada. Essas transformações terão impacto na cultura, na educação, no trabalho, e embora não estejam longe, parecem de um tempo que não chegará tão cedo. Esse é o descompasso entre a tecnologia e seu uso, entre o instrumento e a aplicação…

Quando em 1995 se falava em multimídia, ou multimeios, não se poderia ter uma noção do que isso significa daqui há dez anos. Ou se tinha uma dimensão imaterial, pura descritiva de possibilidades digitais, ou se concebia uma tecnologia imersiva, como a realidade virtual. O ritmo com que tais descrições caíram no desuso, ou em termos de memória, no esquecimento, mostra o que se entende hoje por multifunção, palavra também cada vez mais subentendida em qualquer dispositivo eletrônico.

Esses usos não podem ser nem pensados nem executados, sem a discussão de como, e para quem se destinam. Os direitos autorais, os financiamentos, são assuntos políticos e vê-los como algo distante, apenas impede que se depare, o quanto antes, com a responsabilidade de democratização dessas tecnologias. Com o paradoxo de ter que incorporar objetos que estão numa dimensão digital, virtual, tanto a produção da cultura, quanto sua compreensão, passam a compor um campo de cultura digital, ou a digitalização da cultura, que longe de ser científico ou mágico, político ou conceitual, é histórico, resultado dos usos que damos as tecnologias que dispomos.

Livro culturadigital.br no Manyeyes

Uma experiência/montagem no manyeyes com a palavra digital, em suas ocorrências no livro CulturaDigital.BR…

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Paredes interativas, wiimote e tecnologias livres

Quando se pensa em “tecnologia de ponta”, equipamentos caros, de milhares de dólares (ou reais…) são uma referência quase imediata. O pesquisador Johnny Chung Lee contradiz essa idéia. Ele é o inventor de algumas idéias que não só custam muito barato, mas além disso, parecem que saíram de laboratórios de pesquisa com alto custo de financiamento. Para se ter uma idéia, ele projetou uma steadycam, um equipamento, caro, que é utilizado para estabilizar a gravação de imagens em movimento. O diferencial de Chung Lee, é que seu invento custa 14 doláres.

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O conceito por tras das invenções de Lee é simples. Ele utiliza peças do cotidiano: canetas, fita adesiva e todos os materiais que estão ao alcance de mãos não especializadas. O famoso jeito DIY de se fazer as coisas. Mas uma de suas invenções, o Wiimote tem o potencial para simplesmente revolucionar o uso de tecnologias interativas a baixo custo. Trata-se de um controle de videogame que adaptado com o software que Lee disponibiliza em sua página, transforma superfícies em quadros interativos, daqueles onde se pode, com a mãos, movimentar objetos virtuais.

Estas, e muitas outras soluções tecnológicas de baixo custo poderiam ser adotadas por escolas, bibliotecas, museus, centro culturais, pontos de cultura… como forma de dar acesso a instrumentos que até pouco tempo, eram caros e inacessíveis.

Além da desmistificação inerente, há também outro lado nessas tecnologias alternativas: elas podem ser feitas a partir de iniciativas locais, prescindindo de complicados( mas necessários) procedimentos de compra ou uso do dinheiro público.

Isto é o que se denominou chamar de “open hardware“, isto é, tecnologias que não são exclusivas de grandes empresas privadas e uso comercial restrito por patentes… Estamos num momento histórico da tecnologia que, mais do que nunca, propiciará tecnologias que não virão de soluções comerciais somente.

Criatividade + pesquisa + acesso = democracia. Fórmula não mágicas, mas abertas e livres.

História incompleta dos sistemas públicos de gestão, catalogação e indexação de acervos culturais.

Quantos, como, e onde estão os diferentes sistemas de catalogação, indexação e recuperação das informações museológicas, cinematográficas, televisivas, videográficas, fotográficas, bibliográficas, fonográficas, jornalísticas e iconográficas que estão em acervos públicos no Brasil? O desafio , bem maior que a longa pergunta, é de importância decisiva, para não dizer incomensurável.
Não há no Brasil estudos publicados que dêem conta de mapear essa necessidade, comum à todas organizações que têm acervos digitais. Para o documento preliminar que trata do eixo de Memória Digital, fiz um brevíssimo diagnósticos da situação histórica de um dos sistemas atualmente em uso no Brasil, o DONATO, o qual reproduzo aqui:
O uso de software de gerenciamento dos bancos de dados nas instituições públicas é, em geral, feito por softwares proprietários. A exceção do DONATO / MNBA (nome de um antigo e destacado funcionário do museu, reconhecido pelo seu trabalho  e cuidado para com as informações e os acervos…) que teve seu início em 1990 e, em 2005, fez a migração para um banco de dados em MySQL, não foi observada nas instituições públicas o uso de software livre. O DONATO é utilizado atualmente em 46 instituições museológicas no Brasil. Tal desenvolvimento é fruto de profissionais não diretamente relacionados com o campo profissional de tecnologia da Informação. Isto fez com que as características desse sistema de gerenciamento de acervos se destacassem entre as instituições. Primeiro, pelas vantagens inerentes do software livre. Depois, pelo alto grau de especificidade e recursos encontrados no sistema, como por exemplo, a capacidade de catalogação de peças distintas tais como indumentária ou objetos tridimensionais. Estima-se que o banco de dados do sistema possua aproximadamente 18 mil registros que totalizam 80 megabytes de espaço utilizados em disco.

Uma discussão sobre adoção de padrões livres no ciclo de digitalização, tanto para hardware quanto para software, está em curso em algumas dessas instituições. No horizonte, porém, estão os contratos já firmados com empresas que, como dito acima, ocupam a lacuna de expertise em relação à digitalização e gestão do patrimônio cultural brasileiro.

Diante desse cenário, onde o risco de “inventar a roda” ou de aprisionar a solução num software proprietário é grande, devem ser pensados os recursos já existentes e aprovados por aqueles que efetivamente precisam desses sistemas: os funcionários das instituições de acervos. Um grupo poderia ser criado, reunindo tais iniciativas que hoje são esparsas e escassas, num esforço conjunto, com o intúito de otimizar e concentrar esforços para adoção de plataformas livres… Fica aqui a sugestão para os setores que tratam dessa questão no Governo Federal, ou, melhor ainda, nas esferas estaduais, municipais, bemcomo aquelas instituições privadas que queriam colaborar com tal iniciativa.

Por uma delimitação do Eixo de memória Digital

Um dos objetivos deste blog, é apresentar sugestões sobre as discussões do eixo Memória Digital. Ao longo desse processo que vem sendo estabelecido pela coordenação do fórum, foi solicitado aos curadores de cada eixo, que propusessem uma linha de discussão, a delimitação de seus campos.

Embora ainda ocorra mais discussões externas ao Blog, espaço aqui disponibilizado por esta iniciativa do MINC e RNP, como meta do cronograma de elaboração das propostas do eixos, são apresentadas abaixo, a linhas centrais de discussão do eixo de memória digital.  Trata-se de uma proposta aberta, que já incorpora o resultado de sugestões e discussões exteriores ao blog, provindas da coleta de informações de setores e atores envolvidos nesse campo.

Como está afirmado na primeira pagina do Fórum:

Um novo jeito de fazer Política Pública

Bem-vindo à rede social da Cultura Digital Brasileira, espaço público e aberto voltado para a formulação e a construção democrática de uma política pública de cultura digital, integrando cidadãos e insituições governamentais, estatais, da sociedade civil e do mercado.

Este espaço (o Fórum, o qual hospeda esse blog) tem como proposta a possibilidade de colocar, propor, criticar e comentar os conteúdos aqui postados. Tais discussões, somadas a outras, servirão de base para elaborar uma proposta de delimitação de ações do que pode ser feito em termos de digitalização do patrimônio cultural brasileiro.
A continuidade, distribuição e preservação do fluxo histórico cultural do Brasil passa pelo acesso de sua população ao seu patrimônio material e imaterial digitalizado.

Entende-se que a compreensão atual desse fluxo, esteja orientada e distribuída por suportes tais como filmes ou livros. No entanto, percebe-se que novos dispositivos multimídia começam a promover, em seus usuários, a necessidade de adaptação desses conteúdos culturais para serem utilizados e distribuídos digitalmente.

Os objetos e ações culturais não digitais, aqueles que não são criados a partir de código de máquina, passam por um processo de duplicação de suas propriedades, que são transportadas para o digital, ou digitalizadas, por meio de processos distintos. Desta forma, a Memória Digital, seja aquela produzida em meios digitais, ou aquela digitalizada, deve possibilitar a comunicação entre distintos suportes, como possibilidades de convergência de seus conteúdos.

1- Escopo

Propõe-se que a memória digital seja pensada não como campo ou conjunto, mas como fluxos, coletivos, processos. Desta forma, busca-se evidenciar que, tanto o passado quanto o presente, bem como o futuro, podem ser combinados física e conceitualmente por meio de artifícios digitais.

1.1 Objetos digitais
1.2 Processo de digitalização
1.3 Divulgação e circulação

2 -Técnicas e Métodos

As técnicas e tecnologias adotadas pelos diferentes suportes, formatos e padrões atuais, devem ser pensados em dois planos: o atual e o escalar.

O primeiro, atual, diz respeito aos procedimentos historicamente adotados pelos diferentes produtores de comunicação e cultura digital. O segundo, escalar, trata da produção digital futura, bem como das digitalizações atuais: os objetos digitalmente criados e os objetos que serão digitalizados.

2.1 Produção e Armazenamento digital atuais

2.1.1. Hardware
2.1.2. Middleware
2.1.3. Software
2.1.4. Padrões e metadados
2.1.5. Legislações
2.1.6. Acervos digitais

2.1.6.1. Multimídia
2.1.6.2. Bases de dados

2.2   Tipos de Digitalização

2.2.1. Arquivos Planos

2.2.1.1. Imagem
2.2.1.2. Texto

2.2.2.  Acervos Audiovisuais

2.2.2.1. Áudio
2.2.2.2. Vídeo
2.2.2.3. Película

2.2.3.  Objetos tridimensionais

2.2.3.1. Modelagem
2.2.3.2. Protótipo

2.3  Constituição escalar de acervos digitais

2.3.1. Convergência

2.3.1.1. Padrões de produção digital
2.3.1.2. Padrões de digitalização
2.3.1.3. Interoperabilidade de protocolos
2.3.1.4. Padrões de metadados
2.3.1.5. Agregamento colaborativo
2.3.1.6. Direito autoral
2.3.1.7. Acesso e distribuição

2.3.2. Interfaces

2.3.2.1. Acessibilidade
2.3.2.2. Visualização
2.3.2.3. Sonificação

3. Pesquisa e Desenvolvimento

3.1 Mapeamento dos sistemas de armazenamento e gestão digital

3.2 Identificação e quantificação do patrimônio digitalizado

3.3 Desenvolvimento

3.3.1. Hardware
3.3.2. Middleware
3.3.3. Software

São propostas abertas, mais uma vez, comente, modifique, contribua.

Thesauros Visuais como interfaces interativas

Estão em curso experiências que visam mudar a forma com enxergamos a informação. Por causa do post que diz sobre o tamanho do patrimônio Digital no Brasil, e quanto seria isso em terabytes, há quem pense que uma das soluções a serem adotadas nesse sentido, é o de visualizar esse patrimônio. Tanto faz visualizar os conteúdos quanto as listas, a necessidade é a mesma.

Até bem pouco tempo, ícones, símbolos, imagens gráficas eram destinadas a orientar nosso sentido, como as placas de trânsito, ou nos edifícios de empresas. Agora o número dessas figuras cresceu e qualquer telefone celular tem ícones e símbolos, e, são eles mesmos um signo tecnológico. A medida que a informação vai aumentando, o tamanho e variedade dos dispositivos digitais para acessá-la, varia. Alguns dias atrás, a RNP fez uma transmissão junto com o FILE, de um filme em 4K. Hoje em dia, é possível ver imagens em 5K

Então, pode ser que um dia, a gente possa se dirigir até um cinema para buscar…informação. Com as possibilidades de tamanho da imagem, e as técnicas de visualização, mais cedo ou mais tarde, haverá uma junção da definição com a precisão… Isto é o que ocorre com um movimento entre arte, tecnologia e ciência que vem sendo chamado de Visualização da Informação. A possibilidade de ver, literalmente, as relações entre os elementos é um dos maiores incentivos para que pesquisas assim sejam feitas.

Abaixo, uma visualização de um banco de dados genéticos. Mas, por esse mesmo princípio, poderíamos falar de imagens, vídeos, textos, sons, mapas, partituras, roteiros, storyboards, esculturas…

O software é livre. Desenvolvido em Processing, uma interface de programação que implementa a versão final numa linguagem mais complexa, o Java.

Esta outra é uma experiência direta em gestão da informação. O Reza Ali, pegou os registros de uso da biblioteca publica de biblioteca pública de Seattle e utilizou os registros de entrada e saída como banco de dados para a experiência de visualizar as relações desses registros. Para os que não estão cientes, a Classificação decimal de Dewey é o instrumento básico pelo qual as informações são classificadas e assim se inserem no padrão mundial de documentação internacional. Uma ótima vantagem dessa classificação foi pensar, em 1786, que uma combinação de números e palavras seria o suficiente para guardar toda informação documentável, isto é, classificável, como possível de sistematização.

A visualização da informação não é nova. Só para registro, os objetos ai em baixo nessa outra imagem tem cerca de 100 mil anos. Foram achados na caverna de Blombos, em Joanesburgo, na África do Sul.  Têm formas geométricas regulares…semelhantes as atuais formas digitais…

Não há separação entre o conhecimento “mais tradicional” e o “mais moderno’. Entender isso ajudaria a não promover o misticismo da tecnologia e a distorção de sentido do uso. Ambos são um contínuo.


O tamanho do patrimônio cultural digital brasileiro, em terabytes.

Em quantos terabytes está o atual patrimônio cultural digitalizado no Brasil?  Se fosse possível conectar os bancos de dados das instituições brasileiras do sistema MINC, dos Institutos Culturais, das Universidades, enfim, dos arquivos que contém impressos, discos, filmes, mapas, cartazes, fotografias, vídeos, arquivos de maquetes digitais, de animação, áudios…enfim, uma miríade de de objetos e suportes.

Ao que parece não há um levantamento dessa quantidade. Melhor seria, além disso, o de saber quantos sistemas há no controle desses bancos de dados e seus objetos digitais. Qual a quantidade de arquivos, a qualidade, a nomenclatura…uma interminável cadeia de fatores, de problemas e de soluções.

A visualização da informação e os portugueses.

Não é de hoje que me pergunto, mas é algo curioso alguns dos nomes mais destacados mundialmente nos campos de Visualização da Informação, como o Manuel Lima e Business Intelligence, com a Daniela Barbosa, serem portugueses. Tudo bem, há uma brasileira, a Fernada Viegas, do Many Eyes, mas, com esse sobrenome, a distância não é assim tão grande.

O Manuel Lima, é um designer que criou um website simples e arrebatador, o visual complexity, o qual evangelizo sempre que posso. É um apanhado (708 exemplos e aumentando…) da visualização de dados nas mais diversas áreas. Vale ver, se você ainda não conhece.

No caso das estratégias de design da informação propriamente ditas, um nome é o de Daniela Barbosa.  Os especialistas a citam como um nome chave na questão dos protocolos abertos, da portabilidade e do acesso por meios de dados estruturados, utilizados na indústria. É curioso notar que não são os únicos. Como esse post não é sobre os portugueses, mas sim sobre alguns de seus cidadãos (e concidadãos históricos) o importante é notar que nem tudo que há hoje em tecnologia de ponta, é anglo saxão, ou seja, vem dos Estados Unidos.

Parece curioso por que, como sabemos, os portugueses têm uma história de tecnologia da informação antiga, desde os tempos horrendos do mercantilismo escravista, ou das “navegações” para usar um termo mais suave. Tristezas culturais à parte, é notável que essa herança e talento sejam utilizados hoje em dia para puxar os limites do conhecimento tecnológico da informação. Por exemplo, o site da IBM “many eyes, é uma forma inovadora, de disponibilizar informações dos mais diversos lugares, numa forma compartilhada, ou rede social, para ser atual. De fato, o  site agora tem uma versão  “wiki”.

Como foi postado anteriormente, houve em setembro, um congresso sobre o que pode ser classificado como antropologia da informação que discutiu questões importantíssimas relativas à Acervo, Memória, História, Identidade e Cultura Digital. Não é, nem de longe, o caso de pressupor algo “no sangue” como a brasileira Fernanda Viegas demonstra, já que não é “100% portuguesa”, mas sim, o ambiente cultural, que pode ter levado os portugueses a terem um destaque nessa área.

O uso da informação é algo político, a tecnologia nunca é isenta. Mas estes podem ser usados, como ferramentas, para muitos objetivos. Atualmente, os portugueses vêm dando um contribuição de acesso à informação que merece nota  e respeito.

As sociedades e a busca da informação crítica.

Society of the Query conference

Cartaz da Conferência Society of the Query

Muito legal o tema da conferência (dica do efeefe, aqui do Fórum) que vai ocorrer dias 13 e 14 de novembro, em Amsterdam, Holanda. O encontro coloca uma questão muito pertinente, por sinal,  a esse Fórum de Cultura Digital.  Procurar, buscar apenas, ou questionar?  Em termos de fontes confiáveis, essa é uma questão política e tecnológica, o que, em termos antropológicos, é a mesma coisa.

O encontro tem a proposta de discutir os seguintes assuntos:

  • Como a idéia de “máquinas inteligentes” influencia campos do saber que têm a “organização do conhecimento” como área?
  • Como os aspectos jurídicos, legais, estão dispostos nessas configurações tecnológicas?
  • O que fazer com a ubiquidade do Google? Estaria esta empresa afetando os modos como o conhecimento se distribui, bem como as práticas culturais?
  • Há um papel hegemônico na atuação dessas empresas? Não apenas o Google, mas o Bing ( Yahoo/ Microsoft) e outras? Estariam elas alterando os fluxos culturais, como no caso dos saberes tradicionais que não estão na internet? Como seria uma regulação desse fluxo?
  • Levando em conta os avanços trabalhos com arte e design da informação, como obter interfaces mias sofisticadas, mais centradas na usabilidade? Como melhorar as formas de apresentar os resultados?
  • Quais são as alternativas existentes, em software, em redes e, para o usuário, que desafiam os atuais paradigmas ( ou paradogmas, heheh) existentes…

Os temas da Conferência

  • Sociedades de busca
  • Direitos Civis Digitais e Estudo Crítico da Mídia.
  • Buscas Alternativas
  • A “Googlelização” de tudo
  • Arte e Máquinas

Mais na página do evento com outras informações.

O legal disso tudo, é que há uma variedade de sites que se dedicam a discutir isso de vários pontos de vista: de negócios, de publicidade, de Cência da Informação…sinal de que a web é pervasiva. Aqui, por exemplo, uma lista bem legal dos “sites de busca” que já existiram (existe uma lista em português, mas não tão atualizada).

Novamente, o assunto meta tags, em evidência. Indexação e informação. E e ai, na cultura Digital quem diz o que é um documento?

Impressão em 3D, Esculturas Digitais e sensores de movimento, para Museus de Arte.

Hoje em dia uma técnica que parece ficção científica, a impressão em 3D, começa a fazer sentido quando se fala de objetos de patrimônio. Quais são as possibilidades de reprodução e exibição de peças digitais, virtuais ou materiais para acervos? Vários exemplares de livros, esculturas, peças de diversos materiais… Com isso se pode, por exemplo, assistir presencialmente uma exposição, de quadros ou esculturas, por exemplo, que não estão necessariamente naquele local. Pode-se replicar tais obras por diversos motivos como, para fins de aprendizado, ou arte, por exemplo.

O acervos em vinil, que contém a captura dos programas de rádio, e agora estão a espera de serem transportados para outras mídias, com seus possíveis vários suportes, como os discos, certamente seriam bons concorrentes. Qualquer possibilidade de transmissão cultural tem como vantagem e responsabilidade, a discussão social de seus propósitos, o uso das tecnologias.

Como estas obras são objetos digitais, podem ser pensados usos que levem em conta a alta capacidade de rede que estará disponível. Resta pensar este e outros assuntos de forma a posicionar e consolidar as potencialidades de aproveitamento das redes de alto desempenho.

Biblioteca como rede social.

Digitando “library as social network” no google achei um arquivo em pdf que menciona tal possibilidade. Trata-se de uma prestação de contas municipal da cidade de Fife, Washington, nos Estados Unidos, em que se cogita pensar a biblioteca como uma rede social.Vale notar que no referido documento, eles checam o que já foi feito, e o que há por fazer.

Tal idéia, exposta aqui no Fórum chama-se Biblioteca 2.0. Depois de procurar por essa entrada, descobri que não basta descrever a atividade. Tem que nomear… Essa discussão ocorre agora, em termos reduzidos, na Wikipédia e outros espaços.  Por que será que isso ocorre a Ciência da Informação e, por outro lado, profissões que também lidam com a informação requerem exclusividade de legitimação profissional? Será que uma “legislação 2.0″ é o Fórum? Ou aqui estão só as propostas e a ação ainda a ser materializada…

Em 2010, vai acontecer a Hypertext 2010, uma conferência que discutirá a própria Web 2.0. O interessante é que cada uma das “faixas de discussão” têm declaradamente autonomia para elaboração de suas atividades. Entretanto, Computação Social, Hipermídia Adaptativa e suas Aplicações e Hipertexto em Educação e Comunicação, temas de cada faixa, têm grande semelhança…

Hypertext 2010 will consist of three autonomous tracks, each with its own program committee and reviewing team.

Track 1 – Social Computing
Chair:  Anabel Quan-Haase, University of Western Ontario

This track invites papers investigating social processes and practices in Hypermedia and Web 2.0 environments. These include tagging, filtering, voting, editing, trusting, and rating. These social processes result in many types of links between texts, users, concepts, pages, etc. We want to better understand the processes and practices themselves as well as the social, political, and semantic networks that result from these processes over time. Topics of interest include, but are not limited to:

  • Social information diffusion
  • Social linking
  • Social and collaborative annotation
  • Social knowledge and information representation
  • Social networking technologies (e.g., Facebook, YouTube and Twitter)
  • Mapping and visualization of social spaces and networks
  • Linking virtual networks and offline networks
  • Time analysis of social, information, and semantic networks
  • Critical mass and incentives of social participation (e.g. games)
  • Automatic and user-based evaluation

Track 2 – Adaptive Hypermedia and Applications
Chair:  Richard Kopak, University of British Columbia

The Adaptive Hypermedia and Applications track invites papers reporting on theoretical, empirical, and methodological studies on adaptive hypermedia, including the application of adaptive hypermedia in varying domains and contexts. The scope of the Adaptive Hypermedia and Applications Track includes all forms of Web and Hypermedia system generated personalization, including user modeling, recommender systems, and e-learning.   Topics may include, but are not limited to:

  • Adaptive presentation of hypermedia content
  • Adaptive navigation (link hiding, dynamic maps)
  • Adaptivity and the semantic Web
  • Algorithms and methods in explicit recommender systems
  • Comparison of effectiveness of implicit and explicit recommender systems
  • User modeling
  • Evaluation and usability of adaptive systems
  • Personalized e-learning
  • Personalized digital libraries

Track 3 – Hypertext in Education and Communication
Co-Chairs: Mark Bernstein, Eastgate Systems, Inc., David Millard, University of Southampton, UK

Hypertext tools are indispensable for e-learning and m-learning, and teaching. Hypertext as a discipline in its own right — including literary fiction, new scholarship and digital media — plays a growing role in education. This track targets hypertext as both a tool and a discipline, as well as focusing on the use of spatial hypertext and Web 2.0 applications such as blogs, wikis and e-portfolios. We hope to highlight our understanding of links as a new component of writing and communication, and to increase our understanding of the ways that they are used in education, research, journalism, and literature. Topics of interest include, but are not limited to:

  • blogs and wikis in teaching and learning
  • collaborative e-learning
  • non-linear writing and interactive fiction
  • communication theory and the web
  • concept maps and knowledge structures
  • digital narratives
  • open educational resources
  • personal learning and research tools
  • hypertext literature and art
  • e-journalism
  • digital aesthetics and cyber culture

Se os itens  de cada “faixa de discussão” estivessem alinhados em três colunas, daria para ver que os primeiros temas de cada eixo tratam de suas especificidades, mas se percebe um diálogo entre os assuntos. Assim, quando um diz sobre difusão social da informação (Computação Social) , o seguinte, discute a adaptação de conteúdos multimídia ( Hipermídia Adaptativa e suas Aplicações) e o resultado disso esta na discussão de blogs e wikis, no grupo de comunicação e educação. Fico pensando se foi o word ou o diálogo quem criou essa simetria…