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Um exemplo de “documentação escolar”.

O trabalho de faculdade de Tomas Nilsson, é um exemplo de como um incontável número de trabalhos “escolares” são criados, nem sempre guardados e, pior, não compartilhados.  O de Tomas, conta a história de chapeuzinho vermelho. A frase mais que gasta sobre nossa época e o ” acúmulo de conhecimento” não seria possível, se dependermos dos conhecimentos contidos nos trabalhos escolares. Está claro que há, sim uma enorme preservação da documentação escolar: trabalhos são premiados, o youtube tem aproximadamente 4510 vídeos descritos com esses termos, mas isso não é nem de longe o possível. O Brasil está inserido na comunidade científica, onde os trabalhos “escolares” mais complexos, como monografias, dissertações e teses, são, em sua maioria, documentados, preservados e indexados em base de dados.

O paradoxo da tecnologia e a digitalização da cultura

Saiu a composição das mesas do encontro de museus e a web 2010. O mais frequentado ( digamos, mainstream ) encontro de museus e tecnologia. O que significa que em breve, os participantes internacionais terão novidades para os visitantes dos museus de seus países…

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Dentre os assuntos, mesas e oficinas que serão realizadas, há uma que fala dos usos das tecnologias de multi-toque, ou multitouch, que possibilitam a interação diretamente com a imagem, som e texto: um paradoxo, já que os conteúdos digitais tem como característica intrínseca a intangibilidade. Não posso literalmente pegar a letra desse texto e mudar os caracteres com a mão. Não podia. A importância dessas tecnologias estarem em grandes vitrines é a de que torna-se rápida sua adoção, seja isso positivo ou não…

Agora, com as possibilidades de mapeamento espacial sobre os conteúdos e seu ambiente, abriu-se a possibilidade de alterar, segundo uma modelagem das mesmas leis da física, tanto o conteúdo quanto o ambiente digital, de forma análoga ao correspondente material, a popular interatividade, só que sem mouses ou teclados, diretamente no conteúdo digital.

Não há mudança tecnológica neutra. Ocorrem sempre por interesses sociais, coletivos, mas localizados, e bem menos como consequência de adequação das necessidades mais amplas. De modo que um pequeno grupo, ou uma grande empresa, podem, por interesse, desenvolver tecnologias que dêem conta de necessidades especificas, com consequência para parcelas mais amplas.

Não é muito difícil imaginar um uso semelhante para equipamentos como o capacete de sensoriamento cerebral que, da mesma forma que os dispositivos multitouch, já são encontrados comercialmente.

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Para estas tecnologias e para outras que virão, os usos são impensados. Se as discussões atuais sobre banda larga ocorrem com vistas ao tráfego de voz, texto e imagem, em breve, discutirão tráfegos de outra ordem: sensores cerebrais. Está em curso uma adaptação dos objetos para que estes entrem em convergência com os conteúdos digitais. O que se chama hoje de realidade aumentada. Essas transformações terão impacto na cultura, na educação, no trabalho, e embora não estejam longe, parecem de um tempo que não chegará tão cedo. Esse é o descompasso entre a tecnologia e seu uso, entre o instrumento e a aplicação…

Quando em 1995 se falava em multimídia, ou multimeios, não se poderia ter uma noção do que isso significa daqui há dez anos. Ou se tinha uma dimensão imaterial, pura descritiva de possibilidades digitais, ou se concebia uma tecnologia imersiva, como a realidade virtual. O ritmo com que tais descrições caíram no desuso, ou em termos de memória, no esquecimento, mostra o que se entende hoje por multifunção, palavra também cada vez mais subentendida em qualquer dispositivo eletrônico.

Esses usos não podem ser nem pensados nem executados, sem a discussão de como, e para quem se destinam. Os direitos autorais, os financiamentos, são assuntos políticos e vê-los como algo distante, apenas impede que se depare, o quanto antes, com a responsabilidade de democratização dessas tecnologias. Com o paradoxo de ter que incorporar objetos que estão numa dimensão digital, virtual, tanto a produção da cultura, quanto sua compreensão, passam a compor um campo de cultura digital, ou a digitalização da cultura, que longe de ser científico ou mágico, político ou conceitual, é histórico, resultado dos usos que damos as tecnologias que dispomos.

Para que serve um Acervo Digital: desdobramentos…

O exemplo dos trabalhos escolares, como elemento cultural a ser levando em conta quando se fala de memória, é propositado.  Poderia ter usado a televisão digital, outro assunto visto como independente de outros como bibliotecas, ou museus… Visa indicar que há uma compreensão dicotômica sobre o que se entende por cultura, e o que se concebe como “outras áreas’. Mas, ainda mais profunda, é a concepção, ou classificação, do que seja documentável. Isto porque para que seja documento, é necessária a formalização científica, institucional.

Assim, os quilombos hoje são vistos, ora como abuso e má fé, ora como uma oportunidade do Brasil se reconhecer como nação digna de respeito cultural e compreensão antropológica. Falta a eles voz( ou comunicação), lhes falta documentos (ou aqueles objetos que são legitimados cientificamente como documentos) Param além da discussão entre formas de cultura, novas e antigas, há o que existe de humano nelas, o que faz ir além da classificação, ou seu movimento criativo.

Um dilema de bases de dados, de classificação de objetos, de adoção de protocolos, e de adequação das agendas institucionais emerge desse cenário. O que é um documento, quem é seu autor, quem pode classificá-lo? São perguntas que, na verdade, derivam de outra, mais fundamental. Qual é o fluxo da produção cultural digital?

Uma coisa é se perguntar sobre quais são os elementos… que têm diferentes interesses. Outra coisa, é se perguntar quais são os caminhos que esses elementos percorrem. Não seus interesses, mas seus caminhos. Se for possível pensar os caminhos tecnológicos comuns pelos quais esses conteúdos trafegam, há uma possibilidade de inserir novos conteúdos, bem como participar do existentes, em termos digitais.

No site do TED, é possível ver o que Tim Berners-Lee, disse sobre esse dados, documentos, e outras coisas. Embora eu ache que essa apresentação tem um pouco de egotrip, o assunto é altamente pertinente. Abaixo, um  trecho do diálogo:

De fato se for responsável. Se você encontrar dados no governo, quase sempre irá achar essas pessoas, elas são tentadas a retê-los. O Hans chama isso de abraço no banco de dados. Você abraça seu banco, você não quer que vá embora até que você faça um belo site para ele. Bem, eu sugiro que ao invés disso, quero dizer, sim, faça um site lindo. Quem sou eu pra dizer para não fazer um belo site? Faça um belo site, mas primeiro nos dê os dados inalterados, nós queremos os dados. Nós queremos os dados inalterados. OK, nós vamos pedir os dados agora. e estou pedindo para vocês praticarem, OK?

Digam “puros”.

Platéia: Puros.

TED: Tim Berners-Lee, sobre a web, os dados e o acesso a ambos.

Impressão em 3D, Esculturas Digitais e sensores de movimento, para Museus de Arte.

Hoje em dia uma técnica que parece ficção científica, a impressão em 3D, começa a fazer sentido quando se fala de objetos de patrimônio. Quais são as possibilidades de reprodução e exibição de peças digitais, virtuais ou materiais para acervos? Vários exemplares de livros, esculturas, peças de diversos materiais… Com isso se pode, por exemplo, assistir presencialmente uma exposição, de quadros ou esculturas, por exemplo, que não estão necessariamente naquele local. Pode-se replicar tais obras por diversos motivos como, para fins de aprendizado, ou arte, por exemplo.

O acervos em vinil, que contém a captura dos programas de rádio, e agora estão a espera de serem transportados para outras mídias, com seus possíveis vários suportes, como os discos, certamente seriam bons concorrentes. Qualquer possibilidade de transmissão cultural tem como vantagem e responsabilidade, a discussão social de seus propósitos, o uso das tecnologias.

Como estas obras são objetos digitais, podem ser pensados usos que levem em conta a alta capacidade de rede que estará disponível. Resta pensar este e outros assuntos de forma a posicionar e consolidar as potencialidades de aproveitamento das redes de alto desempenho.