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Banco de dados, num cinema perto de você.

Geert Lovink, um artista holandês, disse a seguinte frase:

“Nós não assistimos mais filmes ou tv, nós assistimos bancos de dados.”

A frase, presente na publicação  “The Video Vortex Reader”,  foi dirigida ao fenômeno do Youtube, e a discussão sobre a torrente de videoclipes que lá existe. Refletindo bem, as “séries de TV”, os desenhos, os filmes novelas, jornais “analógicos” seguem quase a mesma lógica…Geert diz que, atualmente, não há mais, tanto por parte dos produtores, quanto da audiência, uma compreensão de que o audiovisual serve, também, para pensar. De modo que, não raro, assistimos à uma série muito mais por inércia do que por interesse. Dizemos: “o capitulo de hoje não foi tão interessante”, e voltamos , no dia seguinte, para ver de novo a mesma coisa, com esperanças de que, desta vez, seja melhor…

Existe uma interessantíssima discussão sobre o que se convencionou chamar dedatabase narrative. Sem entrar nas considerações teóricas desse debate que está em curso, cabe dizer que hoje em dia, assim como o “árido” assunto do qual trata esse blog (sim, sem auto complacência) tal questionamento ainda fará “cair a ficha” dos produtores e consumidores de cultura. Profético, mas realista. Não há como ignorar que a quantidade de mídias e seus conteúdos aumentam vertiginosamente. O que hoje vemos como algo positivo, o número de horas das quais dispomos, se tornará em breve, um desafio. Quem nunca se pegou rejeitando, evitando ficar em frente a televisão por não aguentar assistir tanta coisa que não queria ver?

Não há mais uma expectativa por parte de quem assiste filmes atuais, de que haja uma proposta única. Então essa introdução foi para lançar uma outra pergunta: Onde estão nossos bancos de imagens, vídeos e filmes? quais são as narrativas possíveis?

NO Brasil, a quem pertence os bancos de dados audiovisuais públicos? O púbico têm acesso a eles? Estas questões surgiriam aqui, onde mal sabemos o que há nos acervos? Porque não sabemos? Alguém quer saber? Chega de perguntas, alguém deve estar me dizendo…

Essa pergunta, não muito de teórica, diz mais sobre a constatação de que a pujança cultural brasileira, carece de estruturas que permitam que se reconstituam novas memórias. Qual a relação dessas possibilidades com os acervos, memórias, histórias, identidades e culturas digitais?

Quando se discute essas questões, onde estamos, ou melhor, onde estão nossos acervos audiovisuais?  O silêncio permanece.

A memória do futuro

O Fórum da Cultura Digital Brasileira, em sua versão “presencial” ocorreu durante os dias 18 a 21 de novembro. Foi um encontro onde pude ver pessoas com quem nos últimos meses tive apenas “contatos digitais” e que, ao vivo, são infinitamente mais interessantes. Elogios à parte, e fazendo um pausa ( pensei em dar uma de repórter e falar sobre o Fórum, mas mudei de idéia porque, de qualquer forma, houve uma cobertura bem legal do evento) aproveitei para olhar o que se passava naquele espaço onde havia gente de todo canto, mas todos com o mesmo objetivo: discutir e expor idéias e ideais sobre o uso social de tecnologias de comunicação e informação.

Essa pausa no blog teve como motivo principal uma avaliação. Feita a reflexão, é hora de voltar e retomar, direto do passado, ou seja, direto da constatação da situação atual dos acervos, para o futuro: o que fazer com esse patrimônio cultural?

Para quem não foi ao Fórum, para quem foi e não entendeu e, para quem foi, entendeu e gostou, fica aqui este espaço virtual aberto para interferir, perguntar e participar no processo que segue… O encontro acabou, mas o Fórum não.

Aliás, as discussões apenas começaram, já que os textos dos eixos temáticos para discussão, disponibilizados para o público servirão agora de baliza para novas participações. Nunca achei que o tema do eixo de memória fosse um sucesso de IBOPE, mas, pelo que pude constatar das discussões, houve uma percepção sensível do público, confrontado com a pergunta: produzir, distribuir e depois? Ninguém soube responder o que fazer com a produção, que clamavam para ser aumentada e receber linhas de financiamento. A pergunta continua.

De tudo que foi discutido, havia sempre a percepção de que estamos apenas no começo. Tudo muito novo: banda larga, direito autoral, apropriação coletiva de mídias, novos modelos de economia

números de buscas da palavra "digitalização "no Google por ano.

Número de buscas e notícias sobre a palavra “digitalização” no Google a cada ano.


Algo que me chamou a atenção durante o evento, foi o número de pessoas interessadas no assunto digitalização. Afora o tema ser confundido com outro, de igual importância, qual seja, a digitalização como fenômeno, quase todos o discutiram, em maior ou menor grau. O mundo passa por isso, afinal até cinco anos atrás, o digital ainda era futuro. Não apenas a televisão ou o cinema, mas, de fato, os fluxos de informação se “digitalizam”. Quando alguém fala em “online” está falando de algo que corre por servidores, “hubs”,  “switchs” e todos esses equipamentos com “luzinhas” (leds)  que piscam para alegria de muitos. Haja eletricidade.

Daqui para frente, as discussões da plenária sobre Acervo, Memória, História, Identidade e Cultura Digital, ocorrerão com base no que foi discutido no texto de memória digital.

Um milhão de arquivos, XML e a transparência das leis.

GT LexML da Comunidade TI Controle, é um grupo de trabalho que reúne vários órgãos do governo federal é um projeto que tem indexados um milhão de arquivos de toda Legislação brasileira. Reunir para consulta um número como esse de documentos em papel, é simplesmente impossível. Por isso, muitas pessoas, a maioria, também simplesmente também não procura seus direitos, que assim como seus deveres, deveriam estar legalmente garantidos em algum lugar da miríade de textos jurídicos.

O acesso à lei das pessoas com menor poder aquisitivo é algo que, perversamente, afasta a justiça de quem menos tem recursos para buscá-la. No portal de buscas tornou-se possível, por exemplo, saber o que já foi proposto, aprovado, ou arquivado sobre a digitalização no Brasil, nesse link. Buscando essa palavra, ou “entrada” para usar o vocabulário mais técnico, descobri que existiu, 1974, a DIGIBRÁS, que hoje se transformou em outra coisa.

clique para ir ao LexML!

clique para ir ao LexML!

O poder do XML, ou xemelê, que também tem um grupo aqui no Fórum da Cultura Digital Brasileira, está, aos poucos, mostrando que organizar, nem sempre é prender, ser rígido. A estruturação de informações, graças a esse protocolo, presta um serviço enorme e, tomara, sirva de exemplo de como é possível realizar o que disse num post anterior:

“A variedade de ações, objetos, políticas, conteúdos, padrões, acervos, propósitos, públicos, legislações entre muitos outros aspectos que constituem e interligam esse sistema é imensa. Do mesmo tamanho, são as realidades da Comunicação, da Ciência e Tecnologia e da Educação, para ficar na esfera do Governo Federal. Soma-se a essas estruturas, outros elementos, como os econômicos, os jurídicos, e os legislativos. Esse quadro complexo, todo ele, pode ser unificado (e não necessariamente de forma centralizada) pela tecnologia Digital.”

Iniciativas como essa, e outras como a do processo colaborativo de discussão e formulação de um marco civil para a Internet brasileira, também esta uma ação interministerial, penso, mostram que caminho está aberto. Não quer dizer que já chegamos, nem que todos vão, mas sim que vamos adiante.

Os desafios da digitalização

A biblioteca da Universiade de Cornell, tem uma página dedicada aos processos necessários para transformar objetos analógicos, como livros ou filmes, em objetos digitais.  Dentre as várias etapas elencadas, há uma que chama a atenção pela enorme complexidade.

Umas das perguntas que mais ouço quando falo porque escrevo aqui neste blog é: para que serve isso de cultura digital?

Não se pode dizer, a bem da verdade, que tal pergunta não tenha embutida uma oportunidade para que eu fale de todos os itens que coloquei nesse post aqui. A delimitação de algo  denominado Memória Digital, tem que explicar porque é importante que as legislações sobre arquivos, museus, bibliotecas, cinematecas e, bem como acervos de rádio e televisão, nas quais os profissionais de diversas áreas se apegam na hora de dialogar com pessoas de campos diferentes, sejam pensadas como algo convergente, e não como um cerco.

Também seria interessante explicar porque a TV Brasil, a Biblioteca Nacional e o Museu Nacional de Belas Artes, a Rádio Nacional, deveriam sentar-se para conversar sobre as vantagens e desvantagens de se conseguir um local único de arquivamento, a tal pergunta, sobre qual o tamanho do patrimônio brasileiro.

Claro que os “elementos complexos” não acabam ai… Não foi citada a lei de direito autoral, vigente sobre todas as demais no que se refere aos conteúdos…Nem tão pouco foi falado sobre internet, ou o atual debate sobre banda larga.

Pois cabe falar, também, que tais problemas não são específicos do longo caminho de aprendizado pelo qual passam as instituições brasileiras. Talvez, com iniciativas como essa daqui do Fórum de Cultura Digital, o preconceito sobre tecnologia não diminua. Certamente, são iniciativas que procuram com abertura soluções para problemas que, encastelados nas instituições, as fitas de vídeo, os jornais, os mapas, e muitos outros objetos culturais, se pudessem falar, ansiariam verem resolvidos.

Mas, voltando, dentre os problemas que a Universidade Cornell aponta, estão os de ordem técnica, mas também os de ordem institucional…

WHY IS DIGITAL PRESERVATION SO CHALLENGING?

Esse é o título da seção. E estes são os desafios técnicos:

Acondicionamento: boa parte das pessoas, inclusive aquelas que produzem cultura, não saberia dizer a diferença entre acervo, arquivo e depósito. Isto traz conseqüências na hora de se preservar o que se produz.

Armazenamento: deterioração dos suportes, mau uso, mal acondicionamento e obsolescência.

Arquivos em formatos diferentes: Além da obsolescência, a dependência de formatos proprietários prejudica enormemente, sem contudo impedir, uma unificação dos materiais digitais.

Aqui os desafios organizacionais e administrativos:

Falta de comprometimento com a preservação de longo termo.

Este ponto merece destaque. Afora as divergências entre legislações, perspectivas profissionais e, principalmente, graus de compreensão variados, pode-se se dizer que de uma forma ou de outra, por um motivo ou outro, há um consenso sobre o fato de que o Brasil não pode continuar se autodenominar um país “sem memória”…

Ausência de políticas de preservação.

O fato de que há um (ou algum) consenso sobre o que deve ser preservado não impede, por exemplo, de que esforços no sentido de garantir não apenas a preservação do patrimônio, mas também, a inclusão de um número maior de manifestações tanto tradicionais, como aquelas dos povos quilombolas ou indígenas, quanto atuais, quanto a arte eletrônica.

O caminho para uma convergência de conteúdos, precisa passar por estes e muitos outros desafios. As leis, os campos profissionais fechados e a instituições rígidas, são aqueles que, não sabendo lidar com o diferente e novo, se encastelam e silenciam. Estes, já eram,pois, não será este Fórum que os mudará, mas sim o tempo histórico, quem decidirá.

FAPESP tem apoio financeiro para acervos

Mais aqui nesse link

Acervos apoiados 29/10/2009 Agência FAPESP – A FAPESP lançou nesta quarta-feira (28/10) Chamada de Propostas de Apoio à Infraestrutura de Pesquisa de Museus, Centros Depositários de Informações e Documentos e de Coleções Biológicas. As propostas serão selecionadas com base na avaliação de sua relevância para a pesquisa, bem como de sua capacidade de manutenção, ampliação e disponibilização aos pesquisadores dos acervos de que são depositários.

A FAPESP reservou R$ 20 milhões para aplicação no conjunto de projetos a serem selecionados. As solicitações iniciais devem ser encaminhadas até 18 de dezembro de 2009 e o prazo previsto para análise é de aproximadamente 180 dias. O período de vigência do auxílio será de 12 meses.

Serão priorizadas propostas que reflitam concepções inovadoras a respeito das modalidades e meios de armazenamento, organização e disponibilização de acervos – especialmente em se tratando de centros que já tenham se beneficiado de apoio significativo da FAPESP, no âmbito de programas de infraestrutura.

Será considerado elemento valorizador da proposta a existência documentada no centro, a que se vincula a proposta, de disponibilização do material on-line, aumentando a visibilidade nacional e internacional das coleções e acervos existentes no Estado de São Paulo e permitindo um uso mais amplo do acervo e das informações por especialistas do Brasil e do exterior.

Sendo demonstrado o uso do acervo em questão para projetos de pesquisa, será também elemento valorizador da proposta a existência demonstrada de intensa utilização das informações tanto pela sociedade em geral como, em especial, pelos professores de ensino fundamental e médio.

Esta Chamada de Propostas de Apoio à Infraestrutura de Pesquisa comporta três módulos:

1) Apoio à Infraestrutura de Pesquisa de Museus,

2) Apoio à Infraestrutura de Pesquisa de Arquivos e Acervos Documentais;

3) Apoio à Infraestrutura de Pesquisa de Acervos de Coleções Biológicas.

Memória invisivel

Vai acontecer a Conferência Nacional de Comunicação, e os movimentos sociais, os partidos políticos e indivíduos engajados no debate público das comunicações no Brasil estão se mobilizando para fazer valer um direito humano cada vez mais fundamental: a comunicação. Alguns estudos de análise do discurso dizem que  quando não há comunicação, duas coisas ocorrem: ou o ruído,ou o silêncio. Nos preparativos do processo de propostas sobre os assuntos a serem debatidos, fiz uma pesquisa nesta lista dos grupos do Rio de  Janeiro, por três palavras chave: memória, acervo e patrimônio.

Até onde pude conferir, somente a ABCCOM – Associação Brasileira dos Canais Comunitários fez a seguinte proposta:

9) Criação imediata de um acervo único no Ministério da Cultura a partir de inventário, digitalização e disponibilização de produções existentes, com a construção de modelos de grade de rede do campo público de televisão diferenciado do sistema comercial, que sejam flexíveis e que contemplem e valorizem, efetivamente, os conteúdos regionais, tendo o Cinema Brasileiro como parceiro estratégico;

Não acho que seja diferente em outros estados, todavia pode ser. É importante dizer que todo esse esforço sobre a produção, exibição e a distribuição não pode esquecer o armazenamento. Mas esquecem. Ocorre que, a medida que vai avançando a produção digital, um problema concreto de armazenagem, tanto de material “bruto” quanto de conteúdos processados  ( livros, filmes,discos, fotografias…) se acumula de maneira desordenada.

Assim, no movimento de produção, distribuição e exibição, uma etapa posterior, mas não menos importante, é a da constituição de acervos. Tanto melhor se forem acervos públicos. Para isso, são necessárias ações sobre a constituição de  acervos digitais Públicos, desdobramento de um Plano Nacional de Digitalização desses acervos.

A proposta de acervos não se limita a tudo que se pode fazer para a preservação da memória.Uma outra dimensão, tão importante quanto a constituição desses arquivos, é o uso dos que têm acesso podem fazer deles. No Brasil, há muitos casos sensíveis quando se fala de arquivos. Há muitos segredos, muitos esquecimentos e, principalmente, muitos silenciamentos

Há propostas de reação a essa situação de silenciamento. Uma, que me fez lembrar o motivo de porque não há nem muita comunicação nem muita memória no espaço público, foi esse grupo que tem pessoas dos paises aqui do sul, pensando questões desse lado do hemisfério. Fiquei pensando em como seria, se questões semelhantes do contexto brasileiro pudessem ser trabalhadas dessa forma poética.

Indexação automática de conteúdos: até onde?

Grande parte dos produtores culturais dá importância à realização e a exibição. Nos editais de produção, raramente se vê menção sobre aspectos de preservação para fins de acervo. Os filmes realizados com financiamento público têm a obrigação de uma cópia legal na Ancine. Mas esta cópia legal não se extende para outras fontes de financiamento. Embora sejam duas etapas fundamentais que têm sido incrementadas em termos de produção cultural, a realização e exibição (para não mencionar a distribuição)  não garantem a preservação do que foi feito. Acontece que, não é de hoje, que a realidade da documentação é desconhecida. Segundo este artigo aqui, até 1940, grande parte do patrimônio audiovisual se foi. Em compensação, a maior parte do que foi produzido desde então, está em condições não calamitosas, como a primeira parte do material.

Um dos motivos, talvez nem dos maiores, seja o fato de que é muito mais fácil capturar o registro do que descrevê-lo. O que acontece então é que existem milhões de imagens, de textos, musicas, videos, filmes, ou seja, milhões de horas sem descrição. Para isso, já foram tentados vários métodos de descrição automática. O mais recente deles é por meio de uma automação contraste da imagem digital. De maneira bem básica, começa ser possível fazer buscas em áudio, vídeo e texto, sem necessariamente esse material ter sido tratado, em termos humanos de informação.

Estas são imagens que ajudam a pensar a questão:

Inicialmente, as informações eram pensadas em relação aos seus suportes, então, fazia sentido produzir primeiro, e indexar depois…

Com o tempo, ou seja, com a digitalização dos conteúdos, a informação, e sua documentação se alteraram:

Quando temos um acervo de fitas de vídeo, de livros, de moedas, de ossos, de partituras, balas de canhão, potes de barro, quadros, animais empalhados…Enfim tudo que um museu como o Histórico Nacional, ou qualquer museu estadual tem, em maior ou menor grau, como indexar isso?

Como as tecnologias digitais os meios de produção cultural, várias soluções são pensadas em diversos lugares, mas, entretanto, estas não se vêem como tendo relação com outras. Por exemplo, os acervos de instituições como as televisões: públicas e privadas, não se vêem na obrigação de igualar seus bancos de dados com os da biblioteca nacional. A BN, por sua vez, não tem acesso aos bancos de dados dos museus… Assim, não há uma base de dados sobre o que se contém nos computadores desses museus, centros de cultura, institutos, fundações. Novamente, o tamanho do patrimônio brasileiro em terabytes.Todos estes são uns para os outros, e para o público em geral, estanques.

Responsabilidade Social da Ciência da Informação

Começa hoje o X ENANCIB – Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação – Programação.

fonte: JC email

GRUPOS DE TRABALHO

GT 1 – Estudos Históricos e Epistemológicos da Informação Coordenadora: Prof. Dra. Lena Vânia Ribeiro Pinheiro (IBICT)
GT 2 – Organização e Representação do Conhecimento Coordenadora: Profa. Dra. Lídia Alvarenga (UFMG)
GT 3: Mediação, Circulação e Apropriação da Informação Coordenador: Prof. Dr. Edmir Perrotti (USP)
GT 4: Gestão da Informação e do Conhecimento nas Organizações Coordenadora: Prof. Dra. Marta Lígia Pomim Valentim (UNESP)
GT 5: Política e Economia da Informação Coordenadora: Profa. Dra. Sarita Albagli (IBICT)
GT 6: Informação, Educação e Trabalho Coordenadora: Profa. Dra. Helena Maria Tarchi Crivellari (UFMG)
GT 7: Produção e Comunicação da Informação em CT&I Coordenadora: Profa. Dra. Sônia Elisa Caregnato (UFRGS)
GT 8: Informação e Tecnologia Coordenadora: Profa. Dra. Silvana Vidotti (UNESP)
GT 9: Museu, Patrimônio e Informação Coordenadora: Prof. Dra. Diana Farjala Correia Lima (UNIRIO)

A programação está na página do evento.

Thesauros Visuais como interfaces interativas

Estão em curso experiências que visam mudar a forma com enxergamos a informação. Por causa do post que diz sobre o tamanho do patrimônio Digital no Brasil, e quanto seria isso em terabytes, há quem pense que uma das soluções a serem adotadas nesse sentido, é o de visualizar esse patrimônio. Tanto faz visualizar os conteúdos quanto as listas, a necessidade é a mesma.

Até bem pouco tempo, ícones, símbolos, imagens gráficas eram destinadas a orientar nosso sentido, como as placas de trânsito, ou nos edifícios de empresas. Agora o número dessas figuras cresceu e qualquer telefone celular tem ícones e símbolos, e, são eles mesmos um signo tecnológico. A medida que a informação vai aumentando, o tamanho e variedade dos dispositivos digitais para acessá-la, varia. Alguns dias atrás, a RNP fez uma transmissão junto com o FILE, de um filme em 4K. Hoje em dia, é possível ver imagens em 5K

Então, pode ser que um dia, a gente possa se dirigir até um cinema para buscar…informação. Com as possibilidades de tamanho da imagem, e as técnicas de visualização, mais cedo ou mais tarde, haverá uma junção da definição com a precisão… Isto é o que ocorre com um movimento entre arte, tecnologia e ciência que vem sendo chamado de Visualização da Informação. A possibilidade de ver, literalmente, as relações entre os elementos é um dos maiores incentivos para que pesquisas assim sejam feitas.

Abaixo, uma visualização de um banco de dados genéticos. Mas, por esse mesmo princípio, poderíamos falar de imagens, vídeos, textos, sons, mapas, partituras, roteiros, storyboards, esculturas…

O software é livre. Desenvolvido em Processing, uma interface de programação que implementa a versão final numa linguagem mais complexa, o Java.

Esta outra é uma experiência direta em gestão da informação. O Reza Ali, pegou os registros de uso da biblioteca publica de biblioteca pública de Seattle e utilizou os registros de entrada e saída como banco de dados para a experiência de visualizar as relações desses registros. Para os que não estão cientes, a Classificação decimal de Dewey é o instrumento básico pelo qual as informações são classificadas e assim se inserem no padrão mundial de documentação internacional. Uma ótima vantagem dessa classificação foi pensar, em 1786, que uma combinação de números e palavras seria o suficiente para guardar toda informação documentável, isto é, classificável, como possível de sistematização.

A visualização da informação não é nova. Só para registro, os objetos ai em baixo nessa outra imagem tem cerca de 100 mil anos. Foram achados na caverna de Blombos, em Joanesburgo, na África do Sul.  Têm formas geométricas regulares…semelhantes as atuais formas digitais…

Não há separação entre o conhecimento “mais tradicional” e o “mais moderno’. Entender isso ajudaria a não promover o misticismo da tecnologia e a distorção de sentido do uso. Ambos são um contínuo.


Para que serve um Acervo Digital: desdobramentos…

O exemplo dos trabalhos escolares, como elemento cultural a ser levando em conta quando se fala de memória, é propositado.  Poderia ter usado a televisão digital, outro assunto visto como independente de outros como bibliotecas, ou museus… Visa indicar que há uma compreensão dicotômica sobre o que se entende por cultura, e o que se concebe como “outras áreas’. Mas, ainda mais profunda, é a concepção, ou classificação, do que seja documentável. Isto porque para que seja documento, é necessária a formalização científica, institucional.

Assim, os quilombos hoje são vistos, ora como abuso e má fé, ora como uma oportunidade do Brasil se reconhecer como nação digna de respeito cultural e compreensão antropológica. Falta a eles voz( ou comunicação), lhes falta documentos (ou aqueles objetos que são legitimados cientificamente como documentos) Param além da discussão entre formas de cultura, novas e antigas, há o que existe de humano nelas, o que faz ir além da classificação, ou seu movimento criativo.

Um dilema de bases de dados, de classificação de objetos, de adoção de protocolos, e de adequação das agendas institucionais emerge desse cenário. O que é um documento, quem é seu autor, quem pode classificá-lo? São perguntas que, na verdade, derivam de outra, mais fundamental. Qual é o fluxo da produção cultural digital?

Uma coisa é se perguntar sobre quais são os elementos… que têm diferentes interesses. Outra coisa, é se perguntar quais são os caminhos que esses elementos percorrem. Não seus interesses, mas seus caminhos. Se for possível pensar os caminhos tecnológicos comuns pelos quais esses conteúdos trafegam, há uma possibilidade de inserir novos conteúdos, bem como participar do existentes, em termos digitais.

No site do TED, é possível ver o que Tim Berners-Lee, disse sobre esse dados, documentos, e outras coisas. Embora eu ache que essa apresentação tem um pouco de egotrip, o assunto é altamente pertinente. Abaixo, um  trecho do diálogo:

De fato se for responsável. Se você encontrar dados no governo, quase sempre irá achar essas pessoas, elas são tentadas a retê-los. O Hans chama isso de abraço no banco de dados. Você abraça seu banco, você não quer que vá embora até que você faça um belo site para ele. Bem, eu sugiro que ao invés disso, quero dizer, sim, faça um site lindo. Quem sou eu pra dizer para não fazer um belo site? Faça um belo site, mas primeiro nos dê os dados inalterados, nós queremos os dados. Nós queremos os dados inalterados. OK, nós vamos pedir os dados agora. e estou pedindo para vocês praticarem, OK?

Digam “puros”.

Platéia: Puros.

TED: Tim Berners-Lee, sobre a web, os dados e o acesso a ambos.

O tamanho do patrimônio cultural digital brasileiro, em terabytes.

Em quantos terabytes está o atual patrimônio cultural digitalizado no Brasil?  Se fosse possível conectar os bancos de dados das instituições brasileiras do sistema MINC, dos Institutos Culturais, das Universidades, enfim, dos arquivos que contém impressos, discos, filmes, mapas, cartazes, fotografias, vídeos, arquivos de maquetes digitais, de animação, áudios…enfim, uma miríade de de objetos e suportes.

Ao que parece não há um levantamento dessa quantidade. Melhor seria, além disso, o de saber quantos sistemas há no controle desses bancos de dados e seus objetos digitais. Qual a quantidade de arquivos, a qualidade, a nomenclatura…uma interminável cadeia de fatores, de problemas e de soluções.

III Seminário Internacional de Memória e Patrimônio – Pelotas/RS

Entrecortando a discussão sobre o que é um documento na Cultura Digital, mais um exemplo de que estas perguntas estão surgindo em vários lugares, sob várias perspectivas…

Inscrições, programação e outras informações no site: http://simpufpel.wordpress.com/

Programação

Dia 28/10 – Quarta-Feira
14 horas Painéis
18 horas Credenciamentos
19 horas Abertura oficial
19h30min Conferência: Prof. Dr. Pedro Paulo Funari (Unicamp) – Diversidade, Inclusão Social e Políticas Públicas
Dia 29/10 – Quinta-Feira
14 horas Painéis
19 h 30 min. Mesa-redonda:  Políticas públicas de patrimônio na América Latina:

Alicia Martin (UBA – Argentina)

Ana Maria Beltrami (IPHAN)

Lourdes Dominguez (Cuba)

Dia 30/10 – Sexta-Feira
14 horas Mesa-redonda:  “Patrimônio cultural: classificação, registro e salvaguarda”

Flavia Rieth (UFPel)

Mônica Rotman (UBA)

Arturo Toscano (Museo Nacional de Historia Natural y Antropologia – Uruguai)

19h30min Conferência de encerramento: Profª. Drª. Maria Cecília Londres Fonseca – “Questões atuais na preservação do patrimônio cultural”

33 razões por que as bibliotecas e bibliotecários ainda se mantêm extremamente importantes

Uma discussão bem importante, e por vezes, exaltada, no campo de CI. Achei por bem colocar do jeito que ela está no blog ExtraLibris

Muitos acreditam que a era digital irá acabar com as estantes públicas e extinguir permanentemente a era centenária das bibliotecas. A desconcertante proeza e progresso da tecnologia fez até um bibliotecário prever a queda da instituição.

Ele pode estar certo.

Porém, se estiver, então a perda será irreparável. Conforme a relevância das bibliotecas entra em questão, elas encaram uma crise existencial em uma época onde elas talvez sejam mais necessárias. Apesar de sua percebida obsolescência em uma era digital, tanto bibliotecas – quanto bibliotecários – são insubstituíveis por várias razões. 33, de fato.

Eles listam as 33, e depois concluem:

Conclusão

A sociedade não está pronta para abandonar a biblioteca, e provavelmente nunca estará. Bibliotecas podem adaptar-se as mudanças sociais e tecnológicas, mas elas não são substituíveis. Enquanto que as bibliotecas são distintas da internet, os bibliotecários são os melhores profissionais para guiar acadêmicos e cidadãos para um melhor entendimento de como encontrar informação de valor online. Certamente, existe muita informação online. Mas ainda existe muita informação em papel. Ao invés de taxar as bibliotecas como obsoletas, os governos estaduais e federais deveriam aumentar os recursos para garantir melhores funcionários e tecnologias. Ao invés de galopar cegamente através da era digital, guiado apenas pelos interesses corporativos da economia da web, a sociedade deveria adotar uma cultura de guias e sinalizações. Hoje, mais do que nunca, as bibliotecas e os bibliotecários são extremamente importantes para a preservação e melhoria da nossa cultura.

Artigo original: Are Librarians Totally Obsolete?
Disponível em: degreetutor.com

Para que serve um Acervo Digital?

Este post  tem o objetivo de fazer um balanço. Tenho como missão organizar um conjunto qualificado de ações, propostas, e conceitos relativos a Acervo, Memória, História, Identidade e Cultura Digital. Entendo que para isto, são necessários elementos de diversas áreas, perspectivas e percepções diferentes. Por exemplo, um comentário sobre o post, Na cultura digital, quem define o que é um documento? observou o seguinte parágrafo do texto:

“A variedade de ações, objetos, políticas, conteúdos, padrões, acervos, propósitos, públicos, legislações entre muitos outros aspectos que constituem e interligam esse sistema é imensa. Do mesmo tamanho, são as realidades da Comunicação, da Ciência e Tecnologia e da Educação, para ficar na esfera do Governo Federal. Soma-se a essas estruturas, outros elementos, como os econômicos, os jurídicos, e os legislativos. Esse quadro complexo, todo ele, pode ser unificado (e não necessariamente de forma centralizada) pela tecnologia Digital.”

Então o que acontece que esta questão pode ser equacionada em sua dimensão coletiva, ou sua rede, como um acervo. O número de iniciativas que estão me curso, digitalizando conteúdos das mais diversas ordens e materialidades necessita de uma discussão, ou melhor, de um diálogo.

Não há como separar a produção tecnológica de seus interesses políticos. Quando digo políticos não digo partidários, bem claro. Pois bem, acontece que as políticas de tratamento da informação nunca tiveram reconhecida, quanto mais prevista, sua real importância. Dessa maneira, a figura do bibliotecário, era pejorativamente construída como aquele que se incumbia de tratar do depósito, do arquivo, ou do acervo. Estas diferenciações não são apenas de ordem técnica, são, antes de tudo, de ordem política.

A inclusão de objetos que não se enquadram nas definições do que seja documentável. levanta essa hierarquia de modo semelhante ao das questões sobre o conhecimento tradicional. Por exemplo, porque será que as bibliotecas, os museus, as cinematecas não tem indexadas como “ciência” várias manifestações que são,m ao mesmo tempo festas populares, mas têm por motivos de construção do ritual , um expertise tecnológica?

Como já foi notado nesse blog, há esforços esparsos sobre essa questão. Contudo, há também outras esferas sociais, que nã as acadêmicas, que também estão se defrontando com essa realidade. As escolas públicas , por exemplo. Objetos como os “trabalhos escolares” precisam e estão sendo revistos. Isso implica que não apenas “redações” estão sendo feitas. Hoje em dia, há uma gama de projetos que apóiam a produção de conteúdo temático, a partir de suportes como o vídeo, a animação, a fotografia, e mesmo outras formas como a dança e o teatro. Como chamar estas produções culturais de trabalhos escolares?

Não raro, estes trabalhos, como o videogame feito por alunos da rede municipal do Rio de janeiro têm esse fim aqui que reproduzo dos comentários do próprio inventor do jogo:

Leia os comentários:

Júlio  (julio-hellsing@hotmail.com):
Apenas para corrigir meu e-mail (postando o novo) Voltamos a produção de alguns jogos, adicionem no msn para mais detalhes, o meu e-mail continua sendo o de baixo, apenas o msn mudou! Obrigado
22 de junho de 2009 – 19:49
Júlio  (scar0000@gmail.com):nenhum comentário? Bom estou aqui deixando meu e-mail para dúvidas e contatos: scar0000@gmail.com (msn tbm)

Como dá para notar. O “trabalho escolar” tinha, claramente outras expectativas. Daria para dizer isso das monografias, das dissertações, das teses…Dizer que não se trata de produção cultural, que não há aplicação de tecnologia, e que esta não pode ser potencializada, se inserida  no corpo bibliográfico dos campos tecnológicos, não é uma posição conseqüente. Isso só ocorre quando alguém estuda essa produção. O nome que vai ser dado a ela, científica, cultural, pedagógica artística, é portanto político. E já que esse termo tem o sentido de participação, de comprometimento com ações públicas, como não reconhecer essa produção nestes seus vários sentidos?

Os desafios de se pensar o que seja um Acervo Digital são dessa ordem. São complexos, em rede, e com ruído nos seus canais. Adiante. Os trabalhos escolares, as peças de arte digital, as peças de cultura tradicional, os objetos que não estão nas categorias de classificação, e portanto não são incorporadas aos acervos, estão crescendo, esse entorno de informal, ou de informação não sistematizada, precisa ser pensado como parte de uma memória cultural, pública. Os meios de expressão e a expressão desse meios são dinâmicos.

As sociedades e a busca da informação crítica.

Society of the Query conference

Cartaz da Conferência Society of the Query

Muito legal o tema da conferência (dica do efeefe, aqui do Fórum) que vai ocorrer dias 13 e 14 de novembro, em Amsterdam, Holanda. O encontro coloca uma questão muito pertinente, por sinal,  a esse Fórum de Cultura Digital.  Procurar, buscar apenas, ou questionar?  Em termos de fontes confiáveis, essa é uma questão política e tecnológica, o que, em termos antropológicos, é a mesma coisa.

O encontro tem a proposta de discutir os seguintes assuntos:

  • Como a idéia de “máquinas inteligentes” influencia campos do saber que têm a “organização do conhecimento” como área?
  • Como os aspectos jurídicos, legais, estão dispostos nessas configurações tecnológicas?
  • O que fazer com a ubiquidade do Google? Estaria esta empresa afetando os modos como o conhecimento se distribui, bem como as práticas culturais?
  • Há um papel hegemônico na atuação dessas empresas? Não apenas o Google, mas o Bing ( Yahoo/ Microsoft) e outras? Estariam elas alterando os fluxos culturais, como no caso dos saberes tradicionais que não estão na internet? Como seria uma regulação desse fluxo?
  • Levando em conta os avanços trabalhos com arte e design da informação, como obter interfaces mias sofisticadas, mais centradas na usabilidade? Como melhorar as formas de apresentar os resultados?
  • Quais são as alternativas existentes, em software, em redes e, para o usuário, que desafiam os atuais paradigmas ( ou paradogmas, heheh) existentes…

Os temas da Conferência

  • Sociedades de busca
  • Direitos Civis Digitais e Estudo Crítico da Mídia.
  • Buscas Alternativas
  • A “Googlelização” de tudo
  • Arte e Máquinas

Mais na página do evento com outras informações.

O legal disso tudo, é que há uma variedade de sites que se dedicam a discutir isso de vários pontos de vista: de negócios, de publicidade, de Cência da Informação…sinal de que a web é pervasiva. Aqui, por exemplo, uma lista bem legal dos “sites de busca” que já existiram (existe uma lista em português, mas não tão atualizada).

Novamente, o assunto meta tags, em evidência. Indexação e informação. E e ai, na cultura Digital quem diz o que é um documento?