Posts Tagged ‘ Conteúdo

Um edital sobre Acervos Digitais…

Do Observatório de Editais:

http://www.cultura.gov.br/site/2010/04/12/programa-de-incentivo-a-producao-do-conhecimento-tecnico-e-cientifico-na-area-da-cultura-2010/

12 de abril de 2010
Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnico e Científico na Área da Cultura – 2010
Inscrições até 24 de maio

Este edital tem como objeto selecionar bolsistas para o Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnico e Científico na Área da Cultura da FCRB, cuja finalidade é formar, treinar e capacitar recursos humanos em programas, projetos e atividades de pesquisa, desenvolvimento institucional, tecnológico e de referência em preservação e tratamento técnico de acervos museológico, arquivístico, bibliográfico e arquitetônico da FCRB, assim como nas áreas de pesquisa em história, direito, filologia, estudos ruianos e políticas culturais, de modo a fortalecer o cumprimento da missão institucional da Fundação, que é “promover a preservação e a pesquisa da memória e da produção literária e humanística e congregar iniciativas de reflexão e debate acerca da cultura brasileira, contribuindo para o conhecimento da sua diversidade e para o fortalecimento da cidadania.

Edital

* Publicado por Geisa – Observatório dos Editais
* Categoria(s): INSCRIÇÕES ABERTAS, Inscrições Abertas
* Tags: Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnic

A importância da Memória para a Cultura.

Em geral, quando se discute o que significa cultura, a palavra tradição sempre aparece. Cultura, que pode ter também o significado de cultivar, culto, e demais extensões, dessa maneira quer dizer aquilo que se mantém, que se perpetua, se preserva. O limite entre o que se apaga e o que se recorda, se registra, é tênue, é principalmente, o limite do interesse…

altura da coluna indica buscas no inicio do terceiro mês de 2010.

altura da última coluna indica buscas no inicio do terceiro mês de 2010.

Assim, mais do que o passado, a tradição é usada como uma regra para o presente: ” faremos assim porque nossos ancestrais fizeram, ou faziam …” então mesmo o futuro, ou aquilo se é decidido que será preservado, está baseado na tradição. Isto vale tanto para a educação ou costumes, quanto para as leis. Assim, por exemplo, financiamentos públicos têm, também, uma tradição de destinação das verbas, baseadas em estimativas passadas.  Ocorre que o passado, ao contrário do que se pensa, é móvel, dinâmico. Já fomos, brasileiros de muitas maneiras, de muitos lugares e hoje, sem dúvida, estamos em transição.

Quando se discute banda larga, concessão dos meios de comunicação, direito autoral, padrões de tecnologia audiovisual, de leitores de livros eletrônicos, de sistemas operacionais, discute-se junto, sempre, a cultura. Assim, é possível ler sobre o Brasil, não raro, sendo apontado como um país progressista, em termos da elaboração de propostas para questões como os direitos autorais, quebra de patentes medicamentos, ou mesmo participação nas discussões sobre o clima. Claro que o Brasil tem idéias e participações que precisam melhorar, mas sem empenho, participação, cobrança e boa vontade, não há muito a ser feito.  Afora isso, o processo da participação social tem demonstrado avanços na visão que o pais tem de sí e dos demais países. Para o lado bom, e o nem tanto, estamos aprendendo nossas possibilidades no mundo.

Junto a esse movimento de fazer um presente mais participativo, aberto, vêm também a necessidade de preservação do que se constrói coletivamente. Para quem procura pela história dos movimentos sociais no brasil, há poucas fontes que reúnam de forma sistemática as ações realizadas por esses coletivos. Não se trata apenas de falta de imagens, mas sim de cervos, de conjuntos sistemáticos de objetos culturalmente valorizados.

A mesma situação existe para os milhares de shows musicais, trabalhos escolares, o pesquisas acadêmicas, grupos de estudo, de atividades esportivas, de associações culturais, enfim, a sociedade civil organizada. Num período de tanta agitação como hoje, isso pode parecer nagativismo, mas a cultura que atualmente se produz não tem garantia de existir amanhã. Com o conteúdo digital, isso se acentua, em muito.

O programa “Pontos de Cultura” é uma iniciativa governamental iniciada em 2003. Visa democratizar de forma livre e qualificada, o acesso à informação da população brasileira. Como um programa governamental, é composto por verbas que são destinadas a sua realização. Tais recursos, uma vez bem gastos, retornarão aos contribuintes na forma de atividades relacionadas à produção cultura, busca pela cidadania e humanização do ambiente. Ocorre que, sem equívoco, menos de dez por cento de todos os pontos de cultura, o processo mais dinâmico em termos sociais no momento, têm um acervo audiovisual adequado. A indexação dos conteúdos, reduz esse número…O fato é que tal programa, replicado em países como, Inglaterra, Itália, Áustria, Argentina, Uruguai ou Paraguai, não pode ter o mesmo destino que tantos outros, governamentais ou não.

As ações que estão em curso hoje não podem ser tomadas como perenes. São fruto de pessoas que as realizam, mas isto deve, de forma coletiva, ser preservado. Para isso, cabe recursos do governo e sociedade civil mobilizada, no sentido de garantir tal preservação. Se a Conferência Nacional de Comunicação, CONFECOM, não discutiu de forma necessária a questão dos acervos e digitalização, a CONFECULT, ou Conferência Nacional de Cultura, não poderia ser da a esse descuido. Para além da definição  errônea e dicotômica entre “graus” de cultura, existe a dignidade do que se considera expressão do espírito humano: sua engenhosidade e infinidade.

Fight for your pattern

Fight for your pattern, ou,  literalmente:”lute por seu padrão”, foi a frase dita por amigo, em alusão ao filme “faça a coisa certa” do Spike Lee , cuja trilha sonora, feita pelo Public Enemy diz: “fight for your right“. O “right” substituído, ai no caso do meu amigo, é o direito de escolher, nesse mundo de informação, o padrão de que mais lhe convém: o de vestimenta, de leitura, de diversão , de trabalho…isto é, sua identidade.

De um certo ponto de vista, qualquer luta implica em anulação, vencimento daquilo contra o qual se combate…para isso é preciso agressão….Disse a ele então, que o Mestre Pastinha tem uma frase interessante que contrasta com esta visão de mundo historicamente formada. Ele dizia:”você não faz com raiva, o que eu faço brincando”. Hoje em dia, como muitas coisas são rápidas e rasas, efêmeras, as pessoas esquecem que a duração desse tempo, assim como sua memória, são partes de uma categoria bem maior que presente ou passado: a história.  Assim, nem tudo na vida dura apenas seis meses, nem tudo tem um refil… e o caso é que, em termos culturais, quando se fala de identidade, os estereótipos são um problema. Estéreo, em grego, quer dizer “sólido”, ou seja, estereotipar é solidificar a identidade de algo, de alguém, ignorando o fluxo temporal contínuo da história humana.

No caso dos personagens do filme de Spike Lee, junto com a notável “solidez” do som, as identidades ali também aparecem estereotipadas, pois o diretor queria enfocar que a informação, os produtos “culturais” de um “grupo”, podem ser tanto fonte de libertação quanto de opressão. Podemos ser prisioneiros de nossas próprias identidades, se não aceitamos as dos outros como válidas também.

No início dos anos noventa, os “buscadores”de páginas web, todos eles, tinham um link dizendo, “insira aqui seu resultado”, ou coisa semelhante. Agora, que o futuro já chegou e temos que reinventá-lo para seguir em frente, a situação da produção de informações se multiplica para muitos caminhos divergentes. Os resultados passaram a ser relevantes pelo número de buscas, ou padrões de recorrência, para tornarem algo legitimado, ou identificá-lo como tal.

Como sinais da convergência dos meios, tanto as grandes empresas de busca, quantos as pequenas, nos laboratórios das universidades estão desenvolvendo mecanismos de busca “preditiva”, ou antecipatória. Isto ocorre porque tanto no caso de bilhões de buscas diárias, ou de vocabulários controlados, há a emergência de padrões. O que significa que, se tudo der certo, haverá uma dependência maior desses mecanismos, além de uma redução na capacidade de busca autônoma, ou pensamento analítico. Não basta ter tecnologia de excelência, tem que haver excelência no pensamento que busca. E isso, só se consegue sendo crítico: comparando, avaliando e decidindo, em termos sempre provisórios, o que se compreende por “resultado”. Um acervo valioso só vira informação útil quando responde á pergunta certa.

O filme de Spike Lee, “Faça a coisa certa”, conta a história de como o contato entre as culturas que formam o povo estadunidense, ou qualquer povo, pode atrapalhar, ou a ser uma solução de existência, de acordo com os modelos de organização. De nada adianta a ciência ter já demonstrado cabalmente que o que se concebe como “ocidente”, e mesmo “Europa” “África”ou “Ásia”, nada mais são do que um somatório de histórias, descrições de lugares e tempos distantes. Vá até um cantão isolado na Suiça perguntar o que o habitante de lá acha da União Européia. Em seguida, pergunte a um membro de uma localidade no Congo, onde não há cidades, por exemplo, o que ele pensa da colonização européia e as respostas serão parecidas: sabemo o que é, mas estas “entidades” não nos afetaram irremediavelmente, como aconteceu em outros lugares dentro desses países.

Os padrões de vida, os hábitos tantos os impostos quanto os adquiridos voluntariamente, como a leitura, por exemplo, são técnicas humanas de existência. Comumente chamadas de cultura, esses padrões já foram descritos como “Comunidades Imaginárias”, “Estados”, “Civilizações”, “Sociedades”, “Mercados”…enfim, construções  de sistemas de informação distribuídos coletivamente. Modelos de organização da informação baseados em necessidades específicas no tempo-espaço humanos, deram origem à diversas estruturas, processos e, por final, desigualdades, erros, elementos desestruturantes que tais sistemas apresentam historicamente.

A complexidade das informações, ou a intensificação dos registros materiais (os documentos) dos conhecimentos sociais, tem sempre como consequência, os interesses de regular a criação, distribuição e preservação desses conhecimentos, permitindo ou não que estes formem padrões: de hábito, de moral, de estética..de identidade. Se por um lado, a produção da informação é algo político, por outro, a política tem em si um componente informativo, o de contar com  a possibilidade de definir o que seja informação, conhecimento ou valor. Dessa forma, o Fórum da Cultura Digital, teve em 2009, consultas públicas para que se definisse um padrão de condutas socialmente aceitável na internet, essa sociedade global sem território nacional.

A discussão está postada, mas não desenvolvida.

Um milhão de arquivos, XML e a transparência das leis.

GT LexML da Comunidade TI Controle, é um grupo de trabalho que reúne vários órgãos do governo federal é um projeto que tem indexados um milhão de arquivos de toda Legislação brasileira. Reunir para consulta um número como esse de documentos em papel, é simplesmente impossível. Por isso, muitas pessoas, a maioria, também simplesmente também não procura seus direitos, que assim como seus deveres, deveriam estar legalmente garantidos em algum lugar da miríade de textos jurídicos.

O acesso à lei das pessoas com menor poder aquisitivo é algo que, perversamente, afasta a justiça de quem menos tem recursos para buscá-la. No portal de buscas tornou-se possível, por exemplo, saber o que já foi proposto, aprovado, ou arquivado sobre a digitalização no Brasil, nesse link. Buscando essa palavra, ou “entrada” para usar o vocabulário mais técnico, descobri que existiu, 1974, a DIGIBRÁS, que hoje se transformou em outra coisa.

clique para ir ao LexML!

clique para ir ao LexML!

O poder do XML, ou xemelê, que também tem um grupo aqui no Fórum da Cultura Digital Brasileira, está, aos poucos, mostrando que organizar, nem sempre é prender, ser rígido. A estruturação de informações, graças a esse protocolo, presta um serviço enorme e, tomara, sirva de exemplo de como é possível realizar o que disse num post anterior:

“A variedade de ações, objetos, políticas, conteúdos, padrões, acervos, propósitos, públicos, legislações entre muitos outros aspectos que constituem e interligam esse sistema é imensa. Do mesmo tamanho, são as realidades da Comunicação, da Ciência e Tecnologia e da Educação, para ficar na esfera do Governo Federal. Soma-se a essas estruturas, outros elementos, como os econômicos, os jurídicos, e os legislativos. Esse quadro complexo, todo ele, pode ser unificado (e não necessariamente de forma centralizada) pela tecnologia Digital.”

Iniciativas como essa, e outras como a do processo colaborativo de discussão e formulação de um marco civil para a Internet brasileira, também esta uma ação interministerial, penso, mostram que caminho está aberto. Não quer dizer que já chegamos, nem que todos vão, mas sim que vamos adiante.

FAPESP tem apoio financeiro para acervos

Mais aqui nesse link

Acervos apoiados 29/10/2009 Agência FAPESP – A FAPESP lançou nesta quarta-feira (28/10) Chamada de Propostas de Apoio à Infraestrutura de Pesquisa de Museus, Centros Depositários de Informações e Documentos e de Coleções Biológicas. As propostas serão selecionadas com base na avaliação de sua relevância para a pesquisa, bem como de sua capacidade de manutenção, ampliação e disponibilização aos pesquisadores dos acervos de que são depositários.

A FAPESP reservou R$ 20 milhões para aplicação no conjunto de projetos a serem selecionados. As solicitações iniciais devem ser encaminhadas até 18 de dezembro de 2009 e o prazo previsto para análise é de aproximadamente 180 dias. O período de vigência do auxílio será de 12 meses.

Serão priorizadas propostas que reflitam concepções inovadoras a respeito das modalidades e meios de armazenamento, organização e disponibilização de acervos – especialmente em se tratando de centros que já tenham se beneficiado de apoio significativo da FAPESP, no âmbito de programas de infraestrutura.

Será considerado elemento valorizador da proposta a existência documentada no centro, a que se vincula a proposta, de disponibilização do material on-line, aumentando a visibilidade nacional e internacional das coleções e acervos existentes no Estado de São Paulo e permitindo um uso mais amplo do acervo e das informações por especialistas do Brasil e do exterior.

Sendo demonstrado o uso do acervo em questão para projetos de pesquisa, será também elemento valorizador da proposta a existência demonstrada de intensa utilização das informações tanto pela sociedade em geral como, em especial, pelos professores de ensino fundamental e médio.

Esta Chamada de Propostas de Apoio à Infraestrutura de Pesquisa comporta três módulos:

1) Apoio à Infraestrutura de Pesquisa de Museus,

2) Apoio à Infraestrutura de Pesquisa de Arquivos e Acervos Documentais;

3) Apoio à Infraestrutura de Pesquisa de Acervos de Coleções Biológicas.

Responsabilidade Social da Ciência da Informação

Começa hoje o X ENANCIB – Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação – Programação.

fonte: JC email

GRUPOS DE TRABALHO

GT 1 – Estudos Históricos e Epistemológicos da Informação Coordenadora: Prof. Dra. Lena Vânia Ribeiro Pinheiro (IBICT)
GT 2 – Organização e Representação do Conhecimento Coordenadora: Profa. Dra. Lídia Alvarenga (UFMG)
GT 3: Mediação, Circulação e Apropriação da Informação Coordenador: Prof. Dr. Edmir Perrotti (USP)
GT 4: Gestão da Informação e do Conhecimento nas Organizações Coordenadora: Prof. Dra. Marta Lígia Pomim Valentim (UNESP)
GT 5: Política e Economia da Informação Coordenadora: Profa. Dra. Sarita Albagli (IBICT)
GT 6: Informação, Educação e Trabalho Coordenadora: Profa. Dra. Helena Maria Tarchi Crivellari (UFMG)
GT 7: Produção e Comunicação da Informação em CT&I Coordenadora: Profa. Dra. Sônia Elisa Caregnato (UFRGS)
GT 8: Informação e Tecnologia Coordenadora: Profa. Dra. Silvana Vidotti (UNESP)
GT 9: Museu, Patrimônio e Informação Coordenadora: Prof. Dra. Diana Farjala Correia Lima (UNIRIO)

A programação está na página do evento.

III Seminário Internacional de Memória e Patrimônio – Pelotas/RS

Entrecortando a discussão sobre o que é um documento na Cultura Digital, mais um exemplo de que estas perguntas estão surgindo em vários lugares, sob várias perspectivas…

Inscrições, programação e outras informações no site: http://simpufpel.wordpress.com/

Programação

Dia 28/10 – Quarta-Feira
14 horas Painéis
18 horas Credenciamentos
19 horas Abertura oficial
19h30min Conferência: Prof. Dr. Pedro Paulo Funari (Unicamp) – Diversidade, Inclusão Social e Políticas Públicas
Dia 29/10 – Quinta-Feira
14 horas Painéis
19 h 30 min. Mesa-redonda:  Políticas públicas de patrimônio na América Latina:

Alicia Martin (UBA – Argentina)

Ana Maria Beltrami (IPHAN)

Lourdes Dominguez (Cuba)

Dia 30/10 – Sexta-Feira
14 horas Mesa-redonda:  “Patrimônio cultural: classificação, registro e salvaguarda”

Flavia Rieth (UFPel)

Mônica Rotman (UBA)

Arturo Toscano (Museo Nacional de Historia Natural y Antropologia – Uruguai)

19h30min Conferência de encerramento: Profª. Drª. Maria Cecília Londres Fonseca – “Questões atuais na preservação do patrimônio cultural”

Para que serve um Acervo Digital?

Este post  tem o objetivo de fazer um balanço. Tenho como missão organizar um conjunto qualificado de ações, propostas, e conceitos relativos a Acervo, Memória, História, Identidade e Cultura Digital. Entendo que para isto, são necessários elementos de diversas áreas, perspectivas e percepções diferentes. Por exemplo, um comentário sobre o post, Na cultura digital, quem define o que é um documento? observou o seguinte parágrafo do texto:

“A variedade de ações, objetos, políticas, conteúdos, padrões, acervos, propósitos, públicos, legislações entre muitos outros aspectos que constituem e interligam esse sistema é imensa. Do mesmo tamanho, são as realidades da Comunicação, da Ciência e Tecnologia e da Educação, para ficar na esfera do Governo Federal. Soma-se a essas estruturas, outros elementos, como os econômicos, os jurídicos, e os legislativos. Esse quadro complexo, todo ele, pode ser unificado (e não necessariamente de forma centralizada) pela tecnologia Digital.”

Então o que acontece que esta questão pode ser equacionada em sua dimensão coletiva, ou sua rede, como um acervo. O número de iniciativas que estão me curso, digitalizando conteúdos das mais diversas ordens e materialidades necessita de uma discussão, ou melhor, de um diálogo.

Não há como separar a produção tecnológica de seus interesses políticos. Quando digo políticos não digo partidários, bem claro. Pois bem, acontece que as políticas de tratamento da informação nunca tiveram reconhecida, quanto mais prevista, sua real importância. Dessa maneira, a figura do bibliotecário, era pejorativamente construída como aquele que se incumbia de tratar do depósito, do arquivo, ou do acervo. Estas diferenciações não são apenas de ordem técnica, são, antes de tudo, de ordem política.

A inclusão de objetos que não se enquadram nas definições do que seja documentável. levanta essa hierarquia de modo semelhante ao das questões sobre o conhecimento tradicional. Por exemplo, porque será que as bibliotecas, os museus, as cinematecas não tem indexadas como “ciência” várias manifestações que são,m ao mesmo tempo festas populares, mas têm por motivos de construção do ritual , um expertise tecnológica?

Como já foi notado nesse blog, há esforços esparsos sobre essa questão. Contudo, há também outras esferas sociais, que nã as acadêmicas, que também estão se defrontando com essa realidade. As escolas públicas , por exemplo. Objetos como os “trabalhos escolares” precisam e estão sendo revistos. Isso implica que não apenas “redações” estão sendo feitas. Hoje em dia, há uma gama de projetos que apóiam a produção de conteúdo temático, a partir de suportes como o vídeo, a animação, a fotografia, e mesmo outras formas como a dança e o teatro. Como chamar estas produções culturais de trabalhos escolares?

Não raro, estes trabalhos, como o videogame feito por alunos da rede municipal do Rio de janeiro têm esse fim aqui que reproduzo dos comentários do próprio inventor do jogo:

Leia os comentários:

Júlio  (julio-hellsing@hotmail.com):
Apenas para corrigir meu e-mail (postando o novo) Voltamos a produção de alguns jogos, adicionem no msn para mais detalhes, o meu e-mail continua sendo o de baixo, apenas o msn mudou! Obrigado
22 de junho de 2009 – 19:49
Júlio  (scar0000@gmail.com):nenhum comentário? Bom estou aqui deixando meu e-mail para dúvidas e contatos: scar0000@gmail.com (msn tbm)

Como dá para notar. O “trabalho escolar” tinha, claramente outras expectativas. Daria para dizer isso das monografias, das dissertações, das teses…Dizer que não se trata de produção cultural, que não há aplicação de tecnologia, e que esta não pode ser potencializada, se inserida  no corpo bibliográfico dos campos tecnológicos, não é uma posição conseqüente. Isso só ocorre quando alguém estuda essa produção. O nome que vai ser dado a ela, científica, cultural, pedagógica artística, é portanto político. E já que esse termo tem o sentido de participação, de comprometimento com ações públicas, como não reconhecer essa produção nestes seus vários sentidos?

Os desafios de se pensar o que seja um Acervo Digital são dessa ordem. São complexos, em rede, e com ruído nos seus canais. Adiante. Os trabalhos escolares, as peças de arte digital, as peças de cultura tradicional, os objetos que não estão nas categorias de classificação, e portanto não são incorporadas aos acervos, estão crescendo, esse entorno de informal, ou de informação não sistematizada, precisa ser pensado como parte de uma memória cultural, pública. Os meios de expressão e a expressão desse meios são dinâmicos.

Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação

As publicações do IBCT e um apanhado atual dos que os cientistas da informação vêm discutindo…
EDITORIAL
Joana Coeli Ribeiro Garcia e Maria das Graças Targino
I PARTE
ANCIB: MOMENTO DE RESGATE
Olhar sobre os 20 anos da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação (ANCIB)/ An overview of the past twenty years of the Brazilian Scentific Society for Information Science (ANCIB)
Aldo de Albuquerque Barreto
30 anos da Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba/ Thirty years of the Post graduation in Information Science of the Federal University of Paraíba (UFPB)
Terezinha Elisabeth da Silva
II PARTE
ANCIB: MOMENTO DOS GRUPOS DE TRABALHO
Grupo de Trabalho 1 – Estudos Históricos e Epistemológicos da Informação
Grupos de pesquisa em Ciência da Informação no Brasil/ The groups of research in Brazil: the Information Science
Marlene de Oliveira

Grupo de Trabalho 2 – Organização e Representação do Conhecimento
Tendências da pesquisa em organização do conhecimento/ Trends of research in knowledge organization
Hagar Espanha Gomes

Grupo de Trabalho 3 – Mediação, Circulação e Uso da Informação
Mediação da informação e múltiplas linguagens/ Information mediation and multiple languages
Oswaldo Francisco de Almeida Júnior
Grupo de Trabalho 4 – Gestão da Informação e do Conhecimento nas Organizações
A informação nossa de cada dia na decisão organizacional/ Every day information in organizational decision
Nádina Aparecida Moreno
Grupo de Trabalho 5 – Política e Economia da Informação
A reinvenção contemporânea da informação: entre o material e o imaterial/ The contemporary reinvention of information: between materiality and immateriality
Maria Nélida González de Gómez
Grupo de Trabalho 6 – Informação, Educação e Trabalho
Reflexões sobre o Grupo de Trabalho (GT-6) do Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ENANCIB) – Informação, Educação e Trabalho: um olhar a partir da sociologia da profissões e da sociologia do trabalho/ Reflections on a study group: a perspective based on the sociology of professions and the sociology of work
Helena Maria Tarchi Crivellari e Miriam Vieira da Cunha
Grupo de Trabalho 7 – Produção e Comunicação da Informação em CT&I
Bibliometria, cientometria, infometria: conceitos e aplicações/ Bibliometrics, scientometrics, informetrics: concepts and applications
Raimundo Nonato Macedo dos Santos e Nair Yumiko Kobashi

Grupo de Trabalho 8 – Informação e Tecnologia
Uma arquitetura genérica para sistemas de biblioteca digital como pretexto para criação de uma agenda de pesquisa/ A generic architecture for digital library systems as a pretext for creating a research agenda
Luís Fernando Sayão
O acesso aos textos está aqui. . O link foi achado nesse blog aqui.

Quem produz, preserva, distribui e acessa a Memória Digital?

A universalização do acesso a uma “memória Digital da Cultura Brasileira” é algo que não será feito de um dia para o outro. Quando se pensa em bibliotecas com esse perfil, o de reunir na forma de objetos digitais, a memória de uma Nação, os exemplos são a Biblioteca do Congresso, o Instituto Nacional do Audiovisual, ou mesmo, em termos audiovisuais, o Internet Archive, ou a BBC.  À excessão do Internet Archive, já concebido para este ambiente digital, todas as demais instituições têm acervos tanto digitais quanto analógicos.

Aqui no Brasil, há a instituição responsável pela guarda legal de cada publicação, a Biblioteca Nacional. Nem toda publicação impressa tem uma contrapartida digital.  As obras audiovisuaisrealizadas com financiamento público, da mesma forma, têm obrigação de depósito legal de cópia na Ancine .

Há uma defasagem entre a produção e a conservação dos bens culturais. Mas não somente estes, os trabalhos científicos, por exemplo, nem sempre são realizados apenas em artigos, e em número cada vez maior, incorporam elementos ditos “culturais” , como vídeos, canções, objetos artesanais.

Pensando nessa diversidade, há iniciativas, como a do Conselho Internacional de Museus que se preocupa com a “logística da informação museológica” através de medidas como um modelo de referência conceitual (CRM) que tem como proposta garantir que haja trocas de informações sobre diferentes bens culturais, ao memso tempo que se preserve as especificidades locais de cada cultura.

Para que isso ocorra, também é preciso que haja uma concordância satisfatória com os demais padrões, além dos bibliográficos, dos técnicos, dos científicos…e , de novo, a importância dos metadados.

Mas, como já foi visto no post anterior, há uma imensa quantidade de assuntos a serem organizados. Uma ou duas áreas não são suficientes. Há aspectos de toda ordem e consequências para diversas áreas e seus grupos sociais.

Quem são, quais são e onde estão, as pessoas que, cada uma em sua área, produzem, preservam e têm acesso aos bens culturais?

É toda uma cadeia de produção, documentação e distribuição que se engloba nessa pergunta. Implica, também, em condições de garantir a produção de bens culturais, os quais, quando financiados pelo poder público, por exemplo, se inserem no escopo da produção de uma memória pública digital.

Da mesma forma multifocada, tal escopo abrange os trabalhos científicos, os documentos públicos entre outros, como de origem não autoral, bem como as produções audiovisuais governamentais e de canais públicos, universitários e comunitários. Tal lista se expande, ainda, com as concessões de canal digital ainda não em operação, mas já definidas como pertencentes a setores que contemplam a escassez de acesso a produção de bens culturais audiovisuais de forma mais ampla e democrática.

VII Seminário de Pesquisa em Ciência da Informação

Geração e compartilhamento de saberes: um sobrevôo antropológico

Rio de Janeiro, outubro – novembro de 2009

07 de outubro

Biodiversidade e diversidade cultural: modelo epistemológico ou epidemiológico?

Abertura

Celia Ribeiro Zaher
Coordenadora PPGCI – IBICT/ UFRJ

Palestrante:
Florent Kohler, Universidade de Tours

Expositor:
Luiz Carlos Borges, MAST

Debatedora:
Maria Cecília de Magalhães Mollica, UFRJ

Coordenadora de Mesa:
Liz-Rejane Issberner, IBICT

21 de outubro

Desenvolvimento sustentável e capital social: Abordagem antropológica do caso de Ouro Preto d´Oeste: circulação dos saberes, circulação dos significados

Palestrante:
Florent Kohler, Universidade de Tours

Expositor:
Philippe Lenà, Institut de Recherche pour le Développement-IRD

Debatedora:
Liz-Rejane Issberner,IBICT

Coordenadora de Mesa:
Sarita Albagli, IBICT

04 de novembro

Parentesco, localidade e memória: transmissão dos saberes territoriais

Palestrante:
Florent Kohler, Universidade de Tours

Expositor:
Roberto Araújo de Oliveira Santos Júnior, Museu Paraense Emilio GoeldiINPE

Debatedora:
Regina Maria Marteleto, FIOCRUZ

Coordenadora de Mesa:
Maria Lúcia Maciel, UFRJ

11 de novembro

Políticas públicas ante o empowerment das populações tradicionais.
A democracia participativa num contexto de globalização: novos modelos e novas representações.

Palestrante:
Florent Kohler, Universidade de Tours

Expositor:
Giuseppe Cocco, UFRJ

Debatedor:
Marcel Bursztyn, UnB

Coordenador de Mesa:
Clóvis Ricardo Montenegro de Lima, IBICT

Professor Convidado: Florent Kohler
PhD em Antropologia

Professor titular da Univerrsidade de Tours – Universidade Francois Rabelais,FR, tendo como domínio de atuação a Antropologia da Natureza..

Coordenação
Celia Ribeiro Zaher, IBICT
Liz-Rejane Issberner, IBICT

Relatoria:
Doutorandos do PPGCI. Convênio IBICT/UFRJ

Horário: 09hs às 12hs

Local: Rua Dr. Xavier Sigaud, 150, Auditório 6º andar

Urca – Rio de Janeiro – RJ – Brasil

Informações: veralucia@ibict.br

Padrões: de tecnologia, de cultura, de informação…

O eixo Memória Digital tem como objetivo realizar um apanhando qualificado das atividades e idéias sobre a produção digital, ou digitalizada, da memória documental brasileira. Por motivos metodológicos e históricos, uma proposta de delimitação do campo do eixo de memória digital, ampliará, para além da Ciência da Informação, os conceitos de memória e documento. Num post anterior, foi feita a pergunta: Na Cultura Digital, quem define o que é documento?. Nesse mesmo post, fica também a consideração de que não se trata de prescindir do campo científico que tem a atribuição formal de sistematização do conhecimento…O dilema, colocado na pergunta, diz exatamente o contrário.

A tradição histórica, e por extensão os estudos em Ciência da Informação, reconhecem as sociedades em dois tipos básicos: os povos com e sem escrita. Contudo, tal divisão não resiste á uma análise visual mais detalhada, da paisagem humana socialmente construída. O uso de sinais, símbolos e signos constitui desde tempos imemoriais, objetos de sentido, ou artefatos culturais, tais como uma escultura, um livro, ou linhas de código que ”compõe” um software.Os sistemas de escrita são geralmente obtidos por meio de formas gráficas, as letras. Contudo, há evidências de que outras formas de “memória externa simbólica” existiram previamente aos alfabetos.

Essas considerações são necessárias para delimitar, num contexto de digitalização dos artefatos culturais, o que são documento, memória, informação, ou seja, conceitos gerados e utilizados de uma perspectiva cultural determinada. Por mais universalizante que se proponha, a Ciência da Informação tem seus limites.

O sistema MINC é composto pelas seguintes instituições:

* IPHAN

* Funarte

* CTAV (Centro Técnico Audiovisual)

* Fundação Biblioteca Nacional

* Ancine

* Fundação Cultural Palmares

* Cinemateca Brasileira

* Fundação Casa de Rui Barbosa

* IBRAM

A variedade de ações, objetos, políticas, conteúdos, padrões, acervos, propósitos, públicos, legislações entre muitos outros aspectos que constituem e interligam esse sistema é imensa. Do mesmo tamanho, são as realidades da Comunicação, da Ciência e Tecnologia e da Educação, para ficar na esfera do Governo Federal. Soma-se a essas estruturas, outros elementos, como os econômicos, os jurídicos, e os legislativos. Esse quadro complexo, todo ele, pode ser unificado (e não necessariamente de forma centralizada) pela tecnologia Digital.

A unificação dos padrões de metadados, em constante aperfeiçoamento, têm como desafio se ajustar às realidades dos países que adotam tais normas e, ao mesmo tempo, permitir que outras bibliotecas no mundo possam ter acesso aos dados sistematizados numa dada realidade. Os protocolos de tecnologias, garantem que as máquinas que interpretarão os metadados, disponibilizem de forma compreensível, a informação buscada na rede e interligada pelos padrões e protocolos.

A realidade brasileira, tem a peculiaridade de congregar em sua história, povos tanto de tradição oral (povos indígenas e africanos) quanto de tradição escrita (os portugueses, alguns africanos, árabes, japoneses, e demais europeus) que são o patrimônio nacional promovido, e preservado pela estrutura governamental em conjunto com a sociedade.

O documento do Plano Nacional de Cultura, propõe (pág.44) como política pública:

Ampliar o uso dos meios digitais de expressão e acesso à cultura e ao conhecimento
“…Uma política de digitalização de acervos e indispensável para permitir uma circulação inédita de registros de nossa memória cultural, pictória, gráfica e textual.”

Os atores e instrumentos históricos e políticos que compõe essa memória estão, hoje em dia, inseridos num contexto digital. Como pensar, diante dessas realidades diferentes de produção de sentidos, logo, de memórias, propostas amplas, não excludentes de Acervos Digitais no Brasil?

Uma experiência em digitalização de acervos, vinda da Europa.

Aqui estão os vídeos do Seminário “A Experiência da Comunidade Européia na construção do portal Europeana” ocorrido em 8 de setembro de 2009 na sede do Comitê Gestor da Internet no Brasil

O workshop contou com a presença do Diretor Técnico da Europeana, Bram van der Werf, que apresentou, de forma técnica, o portal que disponibiliza acervos de bibliotecas, museus e arquivos dos países da região européia, mostrando a arquitetura da solução, padrões e softwares utilizados.

Este evento foi destinado a profissionais da área de Ciência da Informação e Tecnologia da Informação com projetos de disponibilização de acervos digitais.

Apresentações (em formato PDF)

Português, com tradução simultânea

Inglês, sem tradução

Na Cultura Digital, quem define o que é documento?

Uma das questões mais candentes atualmente no campo da Ciência da Informação é a do que se entende por documento. Longe de ser algo teórico e conceitual, está em jogo a memória dos valores, conhecimentos e objetos (artefatos) socialmente valorizados…Em prol dos objetivos de uma política pública de universalização do acesso à cultura e ao conhecimento no meio digital; torna-se necessário também ampliar os conceitos do que seja documentável e do que se entende por memória.

As políticas de memória, aquelas que definem linhas de atuação para a preservação do Patrimônio Nacional, são geralmente voltadas para duas áreas distintas: de um lado o acervo da cultura imaterial, sob responsabilidade do IPHAN, que a define como:

“as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas – junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados – que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural.”

Por outro lado, existem os acervos bibliográficos e documentais “propriamente ditos”, os quais tratam dos documentos que são considerados como pertinentes à categoria de patrimônio documental e, portanto, material. Ambos os lados se complementam, de modo que, em última instância, o patrimônio  imaterial, ao ser registrado, se torna documento e passa a ser classificado como patrimônio material… na forma de livros, discos, partituras, mapas e outros suportes físicos.

Neste Fórum de Cultura Digital, há uma confluência de memórias, as do passado e também as do futuro. Memórias do Futuro, são aquelas que temos que assegurar que existam para as gerações que precisarão ter o conhecimento de onde vêm. É a memória que ainda não foi realizada.

Para que essa memória seja democrática, aberta às considerações culturais, é preciso definir, também de forma aberta e democrática, os produtores de sentido que não se encaixam nestas duas abordagens tradicionais.  O campo da Ciência da Informação precisa mudar. Esta mudança não é apenas técnica, ou teórica. É uma mudança política, ou como diria Bourdieu, de campus,  de habitus

A Política Nacional de Arquivos Públicos e Privados, define que todo arquivo no Brasil deve estar em consonância com a Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991. Além disso,  já existem diretrizes específicas para os documentos digitais, presentes no documento e-ARQ Brasil, que dispõe sobre o tratamento documental nas tecnologias digitais.

O ponto interessante é que o próprio CONARQ prevê essa possibilidade:

O e-ARQ Brasil em seu item n° 3 (LIMITES DA ESPECIFICAÇÃO) dispõe


Esse documento, ainda que discorra sobre vários aspectos da gestão arquivística de documentos, deixa a critério de cada organização ou grupo de organização a decisão de

como adotar o e-ARQ Brasil, se de forma modular ou completa. Por último, cabe ressaltar que o presente documento foi elaborado para profissionais das áreas de administração, de arquivo e de tecnologia da informação, requerendo a interação entre esses profissionais para que a implementação seja bem sucedida.

Logo se abre uma discussão: o que é um arquivo, em termos digitais? Os materiais utilizados a partir do uso não técnico, aquele fora do cuidado dos profissionais de Ciência da Informação, mas que também não se encaixam na categoria de “Patrimônio Imaterial” onde ficam? Os trabalhos escolares, agora em sua versão atual, traduzidos em vídeos, blogues…uma miríade de formatos…para onde vão?

Os projetos que utilizam material de acervos públicos, e que posteriormente são transformados em produtos vendáveis, deveriam manter uma versão desse material utilizado disponível? Ou deveriam pagar para ter acesso a ele? Questões de economia digital, memória digital, comunicação digital e, porque não infra-estrutura digitalizada e de digitalização…

Torna-se necessária uma reflexão sobre a natureza dos suportes, a concepção do que seja documento, e de quem seja a responsabilidade de gestão desse patrimônio. O que dizer de uma biblioteca ou acervo que incorpore informações de seus usuários, agregando dados externos aqueles sistematizados pelos especialistas da informação?  Hoje em dia, com protocolos, como o XML, ou no nosso Xemelê, é possível equacionar estes dois lados: o da informação “oficial” e o da informação ” informal” ou informação na dinâmica de uso dos usuários, como um comentário num blog ou o próprio Fórum.

Ao longo dessa semana, o Acervo Digital irá colocar questões mais autorais de cunho participativo e portanto, político no melhor sentido da proposta dessa ferramenta digital. Espero que você, que lê esse post, ajude na discussão de pensar propostas de políticas públicas que levem com conta as especificidades colocadas acima, e outras, tal como se propõe o Fórum de Cultura Digital.

Biblioteca de bolso

Texto do Le Monde Diplomatic com uma questão: Acervo portátil? Como ultrapassar o formato restritivo dos suportes dos acervos (mídias físicas) com uma distribuição adequada a outros meios  e suportes, como por exemplo, os ubíquos telefones…

Uma prévia da questão:

“Em tempos de Google, os livros eletrônicos se somam ao processo de digitalização de “todos os saberes da
humanidade”. Acervos inteiros de bibliotecas já podem ser lidos pelo computador, em detrimento das versões
impressas, que permanecem um bastião da resistência ao imediatismo do fluxo incessante de informações”
POR CÉDRIC BIAGINI E GUILLAUME CARNINO*

leia aqui