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Comunicação: nem máquina nem teoria.

A historia de Belerofonte conta que uma vez, este guerreiro mítico, orgulhoso por seus atos, tentou ir até o Monte Olimpo, a moradia dos deuses gregos, e por isso, foi penalizado com a perda de seu cavalo alado, Pégasus. Diferente de Ícaro, que por seu engenho, tentou realizar algo semelhante indo em direção ao sol, Belerofonte foi movido pela vaidade…

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Esse vídeo ai em cima, que cita outro mito grego, o de Prometeu, é sobre um cenário futurista da sociedade da informação, feito em 2007…quando foi publicado, foi um dos hits no Youtube. Com as estórias desses mitos, consegue-se entender, em termos culturais, um pouco, as decisões que as indústrias e governos adotam, em sua maioria, sobre informação. Tais mitos estão na base da cultura atual que produz essas empresas e governos descontentes com a mudança. Hoje  em dia, embora uma a uma das previsões desse vídeo estejam se confirmando (é um vídeo sobre a memória do futuro…) não há, pelo menos por partes do governo, da grande imprensa, das editoras, gravadoras, produtoras, galerias, companhias, acervos públicos e particulares, uma manifestação (declarada) de convergência, no que se refere ao acesso à produção cultural por parte dos cidadãos.

Esse mito sobre o guerreiro que matou a Quimera, monstro que tinha corpo de leão e duas cabeças: uma de dragão, a outra de cabra, serve para exemplificar um paradoxo que as tecnologias atuais, estas que exaurem os recursos naturais por um lado, e proporcionam coisas como computadores e suas memórias sintéticas que, agora, como os neurônios, interligam partes crescentes da humanidade num pensamento e sentimento complexos. Assim como mula-sem-cabeça, a Quimera respirava fogo…

Assim, as vezes, em direção ao futuro (para o alto e avante), esquece-se que o sol não está tão longe quanto parece. As asas da tecnologia são de cera. Por tecnologia, entende-se todo saber sobre a técnica, seja ela qual for. Desta maneira, concentrados no dia -a dia, os profissionais de diferentes áreas, com suas asas de cera, seus instrumentos, voam cada vez mais alto. Seja por força da lei, ou pela força da técnica, o poder de impulso os faz criarem a ilusão de que não há necessidade de diálogo. E assim o sol continua quente e, naturalmente, mais alto que todos.

Mas, onde entra a parte de acervo, indexação, memória nisso tudo? Simples, Os gregos, seus mitos e origens, não surgiram do nada. Há uma história pregressa, não contatada, talvez pelo brilho dos feitos atuais, que terá que ser feita. O que se entende por máquina, magia, teoria e saber, tem muitas versões. Uma delas, que me fez escrever esse post, Metadesign, é um artigo de um biólogo chileno.

Meio hermético esse post, de propósito. Não, não há idiosincrasias ou codificações aqui, apenas a constatação de que neste Fórum da Cultura Digital Brasileira, os atuais 157 grupos, produziram conversas, textos, imagens, sons opiniões mas realmente, sinto falta de outra coisa: diálogo. Dialogar com os pares, como se tem feito no século passado, ainda é uma prática do presente, e, rumo ao sol…com vistas à construção do futuro. A sociedade já está representada, nas suas comunidades de interesses, aqui neste Fórum, falta agora, se olhar e comunicar.

 
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