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To: Cinemateca Brasileira

fonte: http://www.petitiononline.com/CCB2405/petition.html

São Paulo, 24 de maio de 2010

À Cinemateca Brasileira,

Reconhecemos o enorme esforço e o imenso trabalho que têm sido feitos, ao longo dos anos, para bem equipar a instituição com telecine, auditório, ambiente climatizado para guarda dos filmes, entre outras providencias, assim como a importância da política de aquisição de acervos como da Atlântida ou Jean Manzon que poderiam se perder por falta dos cuidados e guarda adequados.

Contudo, vimos por meio desta, solicitar uma reunião com o Conselho e a Diretoria da Fundação Cinemateca Brasileira no sentido de pedir o encaminhamento de soluções para a melhoria da política de atendimento à pesquisa (e ao público) no acervo desta instituição. Nós cineastas, pesquisadores, produtores, estudantes, cidadãos entendemos que:

• A FCB trabalha com um acervo que é bem público, que é seu dever não só preservar e adquirir novos materiais mas também disponibilizá-los para novas produções e para o público interessado em geral. Sem acesso não existe sentido na preservação pura e simples pois a ressignificação da memória audiovisual através de novas produções, reflexões e olhares se estanca.

• É necessária a criação de uma política de valores e prazos transparentes e publicada no site, nos moldes de outras instituições como o Arquivo Nacional.

• Acreditamos que a política de valores deve ser diferenciada , baseada no tipo de veiculação do projeto final. Desta forma pode-se atender as especificidades das demandas de pesquisa e tornar realmente acessível o acervo da Cinemateca respeitando projetos de orçamento mais baixos, viabilizando a utilização de imagens para historiadores, pesquisadores, estudantes que estejam fazendo teses na área e necessitem de material para seus projetos desde que comprovados por documentação da instituição a que estão ligados.

• É fundamental o acesso a todas as bases de dados disponíveis na Cinemateca para que o pesquisador/produtor/diretor que o queira possa ele mesmo filtrar os termos para a pesquisa de seu projeto.

• Propomos a ampliação da estrutura de atendimento a pesquisa , pois diante do aumento da demanda de documentários no país, se faz necessária a criação de uma política que permita que as pesquisas e os licenciamentos das imagens sejam feitos num prazo de realidade de mercado . Hoje em dia o tempo requerido para visualização do material, por si só , ja inviabiliza os projetos.

• Que seja dado a produção dos filmes e pesquisadores ter a possibilidade de fazer o telecine ou tranfer de VT do material levantado na FCB em outros lugares desde que sejam locais reconhecidamente profissionais; nos moldes do que era feito há alguns anos atrás quando a própria Cinemateca não tinha telecine, seria uma opção para o telecine da CB ocupado com os projetos de grande porte.

• Estudo de uma solução para o problema de acesso ao acervo Tupi , que se trata do único acervo televisivo dos anos 50/60 disponível para pesquisa. Atualmente encontram-se indisponíveis, inclusive, as fitas VHS que eram visionadas para escolha de material.

• Desenvolvimento de uma politica de atendimento aos acervos que recentemente foram adquiridos pela instituição e que estão indisponíveis, enquanto estes não forem totalmente digitalizados e disponibilizados no site da Cinemateca, processo que deverá levar muito tempo ainda.

Cordialmente abaixo assinados,

Sincerely,

The Undersigned


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Um edital sobre Acervos Digitais…

Do Observatório de Editais:

http://www.cultura.gov.br/site/2010/04/12/programa-de-incentivo-a-producao-do-conhecimento-tecnico-e-cientifico-na-area-da-cultura-2010/

12 de abril de 2010
Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnico e Científico na Área da Cultura – 2010
Inscrições até 24 de maio

Este edital tem como objeto selecionar bolsistas para o Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnico e Científico na Área da Cultura da FCRB, cuja finalidade é formar, treinar e capacitar recursos humanos em programas, projetos e atividades de pesquisa, desenvolvimento institucional, tecnológico e de referência em preservação e tratamento técnico de acervos museológico, arquivístico, bibliográfico e arquitetônico da FCRB, assim como nas áreas de pesquisa em história, direito, filologia, estudos ruianos e políticas culturais, de modo a fortalecer o cumprimento da missão institucional da Fundação, que é “promover a preservação e a pesquisa da memória e da produção literária e humanística e congregar iniciativas de reflexão e debate acerca da cultura brasileira, contribuindo para o conhecimento da sua diversidade e para o fortalecimento da cidadania.

Edital

* Publicado por Geisa – Observatório dos Editais
* Categoria(s): INSCRIÇÕES ABERTAS, Inscrições Abertas
* Tags: Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnic

Informação, formação e transformação.

primeiro para onde?

Primeiro para onde?

Pode ser exagero, mas parece que o futuro já se tornou uma palavra gasta. A cada dia, nuvens de sentidos, valores, saberes e práticas tomam existência no que conhecemos por ” sociedade da informação”. Esta palavra, que designa o grupo, o coletivo, nunca esteve tão conturbada, posta em questão. Por exemplo, é comum falar de algo “para pobres”, dizendo-se o “aspecto social” do que se fala. Assim, uma instituição que “pensa no social”, pensa, no senso comum, e antes de tudo, nos que não são abastados. Para estes, dá-se o nome de “a sociedade”, que tem mais ou menos o valor que o termo democracia, tinha para os gregos: direito aos que têm direito, e poder.

Com os acervos públicos, com os constituídos com dinheiro público, e aos privados, coloca-se uma pergunta que não pode ser ignorada. De quem são, de fato, as informações ali contidas? Mas para além dessa pergunta, cabe outra ainda mais importante. Ainda que se soubesse que, no fundo, nenhuma informação, peça de arte ou qualquer outro objeto nestes acervos foram feitos para não serem usados. Todos, sem exceção, são fruto do que se convencionou chamar de culturas “material” e “imaterial”. Ao longo de muitos anos, foram acumulando como memória de usos, crenças, gostos, enfim, a história dos grupos que os produziram.O acervos são vistos, ou melhor, e para ser mais crítico e correto, mal vistos, como algo do passado. Seu valor começa a ser, senão, reconhecido, ao menos discutido. Antes tarde, cerca de quinhentos anos, do que nunca, pois, quando essa “ficha cair” para a “sociedade”, já não será uma moeda de troca, mas sim um piano de cauda…

O termo memória do futuro, já foi usado muito antes do uso que fazemos da palavra hoje em dia. A noção de que se pode guardar algo para ser recuperado no futuro, perpassa desde a  percepção de dias, com a utilização das “caixas de tempo” ou os calendários, até a própria informação em si: a escrita, os gráficos…

memoriadofuturo

Nossa formação histórica tem sido a do silêncio, do opaco, do esquecimento. Melhor assim, uns dizem, com medo de que um novo Haiti por aqui se instaure, como já cantaram alguns.

A transformação disso, desse cenário onde a preocupação com o futuro convive com o silenciamento do passado, deve mudar. São muitos os caminhos, muitos os problemas e várias as soluções. Talvez, este seja uma dificuldade em si: uma pletora de soluções… Uma quantidade tão grande de sendas que não há como não se perder. Os fatores políticos, já que os econômicos ao menos por enquanto estão levemente equilibrados, são os mais determinantes. Com isso, trata-se de uma questão de gestão das informações, de constituição de acervos, mas, nesse contexto confuso e veloz, de saber de quais acervos se fala. É muito difícil dizer que há um consenso, quanto mais acordo, sobre o que é um documento, o que deve constituir um acervo, isto é o que se entende por memória, e certamente,  quem deve ter acesso a o que. São muitos os vetores nesta discussão. Vamos por partes. A primeira, já postada aqui, elencou uma série de temas sensíveis. Ficaram outros, certamente tão importantes, como a acessibilidade, ou os novos modelos de negócios sobre os conteúdos digitais.

Como há todo um ano, e muita coisa pela frente, seria bom, desde já começar a pensar numa prioridade, mesmo sabendo que há uma infinidade de caminhos. Estes, só podem ser percorridos como vias abertas, públicas, as “infovias da cultura”, como andam dizendo por ai.

Memória, Identidade e Arquivo: a política do vazio visual.

Em geral, quando se pensa na história da ciência e tecnologia, o máximo recuo temporal que se faz, é ir até a Grécia, ou, para aqueles sem sentimentos negativos para com outros povos não ocidentais, ao Egito, Oriente Médio e alguns países da Ásia, como Índia e China.

A idéia para o primeiro post do ano, era colocar a figura de um calendário do “controverso” povo Dogon, no Mali. Com isso, pretendia falar sobre os conhecimentos científicos a sua relação com as tradições… o registro destas culturas, sua relação com o conhecimento humano. Mas ai, ao procurar, algo que me parecia evidente, se mostrou invisível. Uma busca sobre calendários relacionados ás culturas africanas, em geral, se mostrou pouco relevante, quase nula.  Parece algo irônico que a negação desse fato: o de que viemos desse continente, passe também pela negação não apenas do fenótipo africano, misto de reações diversas. Passa também pela negligência de querer saber, ou mesmo esconder, calar, omitir…

Calendários registram, ou guardam,  cada um ao seu modo, o tempo. Essa prática produz esse “objeto cultural” valioso, que é medido, vendido, gasto, retirado, acrescido, sempre de acordo com uma intenção. No caso da memória digital, que se condensa como valor cultural  tanto no passado, presente e futuro, a possibilidade de ligação desses momentos só ocorre com o arquivo. Neste dispositivo, podemos ter o que foi produzido ontem, hoje e guardar o que será produzido, além de recuperar, em tempos futuros, o que se tem guardado.

Por fim, achei não um calendário, mas a Real Sociedade  Britânica, que conduziu uma palestra do professor Thebe Medupede, um astrônomo da África do Sul, intitulada “Cosmic Africa”. Da mesma forma que manifesto aqui meu incômodo, o professor, munido de seus registros e dados, produziu um documentário com o mesmo nome. Já para os Aimarás (limítrofes entre Peru, Bolívia, Argentina e Chile) etnia a qual pertence o presidente Evo Morales, o tempo é medido de forma inversa a nossa. Assim, o que está à frente é o passado, o qual se pode ver, ao passo que, o futuro, é aquilo que está nas “costas” e não pode ser visto.

O arquivo, o registro, a informação nunca é neutra, como discursos sobre algo, são sempre construções humanas e como tais, determinadas por suas potencialidades e fraquezas. O mais incômodo disso tudo é a posição de muitos profissionais de arquivo que vêem como irrelevantes, todas aquelas culturas que não possuem registros escritos para se constituírem em povos com historia. O filósofo alemão Hegel, escreveu em seu livro “Filosofia da História” que os africanos não tinham história, eram pré-históricos e portanto, pertenciam à infância da humanidade. Há, para ser justo, opiniões (posteriores á sua morte) que contestam, sem mostrar textualmente os argumentos.   Tudo muito triste e silenciado, mais uma vez.

Muitos profissionais da ciência da Informação, da Ciência da Computação, da História, e campos afins, não só acreditam nas palavras de Hegel, como também se esmeram para fazê-las verdade, afinal, são eles quem definem o que é documento, tecnologia, e civilização.

 Civilizações africanas antes da colonização européia

Civilizações africanas antes da colonização européia (cilque na imagem para uma resolução maior)

Quando se pensa, por exemplo, que o Império de Gana, entre muitos,  teve milhões de pessoas, antes que os europeus fossem para lá escravizar e matar, e que por isso teriam necessariamente que conhecer os corpos celestes para com isso praticar uma agricultura baseada em períodos temporais, fica-se com a questão porque isso é silenciado, quando se fala em ciência e tecnologia.

Os conhecimentos culturais dos povos não ocidentais, não raro, são objeto de desprezo. Arquivos são construções culturais, políticas. Contém aquilo que as sociedades querem preservar, esconder, ou negar.  A queima dos arquivos da escravidão ( os registros de entrada nos portos e as compras nefastas)  brasileira são um exemplo. Por sorte( ou azar de muitos arquivistas) não foram todos destruídos. Há partes na Holanda, Portugal e Noruega ( sim, os noruegueses, hoje tão civilizados, escravizaram bastante…) que mais cedo ou mais tarde, serão parte da memória do futuro. Os arquivos do período da ditadura, outro de grandeza imensa.

Conforme se sabe, o Brasil foi um dos últimos países a abolir a escravidão no mundo. Esse dado macabro de nossa história ainda ecoa quando se pensa no que se tem dessa época como memória. O futuro, sem uma visão honesta do passado, se torna repetição da mentira. Temos a chance nesse século XXI de avançar, mas isso só irá ocorrer quando o silêncio, sobre esses e outros assuntos, como a terra e os latifúndios, forem tomados como palavras livres, abertas, públicas.

O patrimônio cultural dos bancos de dados.

Não há obra de arte, livro ou filme, que não possam serem incluídos numa coleção. Listar as coisas. A construção de um banco de dados, tem como primeiro passo, uma lista, ou coluna, de elementos. Depois, são adicionadas outras, que dirão as qualidades, atributos, estados e características do que se lista. Por exemplo, uma lista de livros sobre Análise do Discurso, teria que conter, além da primeira coluna, com digamos, o título, outras como autores, ano, e assim por diante. De início, percebe-se que a seleção do que vem depois do nome, não só é arbitrária, como também, digamos, discutível.

O ato de nomear e guardar, a prática da documentação, daqui para frente, neste contexto de uma cultura digital, não pode mais ser visto como algo para especialistas. Eles próprios, ao iniciarem esse movimento, anos atrás, pela compreensão social das informações, tratam de reconhecer que profissões que lidam com a informação, isto é, lidam com a produção cultural, são hoje em dia possíveis a parcelas cada vez maiores da população. A medida que vão sendo gerados mais e mais conteúdos digitais, maior o acesso e maior o acervo desses conteúdos.

Muitos desses acervos, para a memória do futuro, serão decisivos, embora ainda não sejam compreendidos como tal, Serão os bancos compostos por dados. Números, nomes, cores, meta tags.  Sua importância política é, desde já inestimável, visto que ao sistematizar dados sobre por exemplo, as concessões de comunicação social no Brasil, obtém-se um conjunto que permite que a população tome decisões embasadas no acúmulo de suas escolhas passadas.

Diferentes dos bancos de dados utilizados para coleções de objetos, uma coleção como o número de filmes vistos nos últimos vinte anos, vem se tornando tão importante quanto saber quais e onde estão os filmes produzidos nesse mesmo período.

Hoje, os cidadãos estadunidenses podem ter acesso à todas as agências governamentais, por ordem de decreto presidencial, em páginas na internet. Toda agência deve ter um website que contenha a sequência www.nome.gov/data. Isto é, um endereço padronizado de localização. Há também, oito princípios para que estes dados sejam plenamente acessíveis:

Os itens são propostos pelo projeto Open Government Data Principles. Toda informação governamental pública será considerada aberta se estiver nas seguintes condições:

1. Completa
Todos os dados devem ser disponibilizados de forma integral. A informação não está sujeita a restrições de privacidade, segurança ou limitações outras.
2. Primaria
Informações coletadas na fonte. Com o grau mias alto de granularidade, sem estar em formas agregadas ou modificadas.
3. Recente
A informação pública deve ser disponibilizada o mais rápido o possível para preservar seu valor de uso.
4. Acessível
A informação pública deve estar disponível para o maior número de pessoas e usos possíveis.
5. Processável por máquinas
A informação pública deve estar razoalvelmente estruturada para permitir a leitura por máquina.
6. Não-discriminatória
A informação pública deve ser acessível para qualquer pessoa, sem necessidade de registro prévio.
7. Não-proprietária
A informação pública é disponível num formato não controlado de forma proprietária.
8. Licença livre
A informação pública não deve estar submetida a qualquer direito autoral, copyright, patente, marca registrada ou secreta. Privacidade e restrições de segurnça em termos razoáveis serão permitidas.

Aqui no Brasil estamos indo na mesma direção, por caminhos diferentes.  O fato de que há iniciativas como a do LexML, ou  do Transparência Hack Day, mostram que a sociedade está amadurecendo suas formas de participação.  Assim, isto poderia ocorrer com todos os demais bens culturais públicos produzidos. Da mesma forma, outros tipos de informação estatística têm chamado a atenção pelo seu cada vez mais evidente valor. Pense nos números dos orçamentos dos ministérios, tribunais, câmaras e assembléias de todo o Brasil, neste período de vinte anos.

O valor dos dados tem garantido a prospecção de fatos históricos, como num mergulho aos arquivos sobre diversos assuntos: reforma agrária, direitos humanos, política partidária, movimentos sociais, educação, saúde…afora os arquivos mais óbvios culturalmente: os acervos das companhias de cimena, das rádios, televisões, bibliotecas particulares…

A identidade é uma prática.

Uma digressão, para dizer que a importância dos acervos públicos, qualificados por informações sobre a história desses povos é fundamental.

Olhe para você, no espelho. O que você vê, é resultado de um encontro do passado. Não seu com o espelho, mas de seus pais, os doadores genéticos, sociais e emocionais do que se amálgama na forma que você tem.  Isso, em termos antropológicos, é conhecido como etnia. O conjunto de traços físicos e sociais, que fazem com que cada povo tenha diferentes formas de viver o ambiente que habita.

Em termos culturais, ou seja, no sentido que é dado a essas práticas e crenças, existe uma palavra que define a etnia, de maneira a indicar um pertencimento ao grupo: a identidade. O  ethnos, palavra grega para povo, o pertencimento cultural, muda de acordo com a prática. Assim, uma coisa é dizer que uma pessoas tem essa, ou aquela identidade. Outra, é a própria pessoa dizer qual é sua identidade. Há ainda, uma outra possibilidade, que é a de simplesmente viver, sem nunca questionar o que é identidade…

Das três, a autonomia, (o dar nome a sí mesmo)  é a que permite a libertação, por um lado, e a construção, por outro, de um grupo cultural. Desnecessário dizer que isso gera memória. Mais importante lembrar que essa memória não é a biológica, é a histórica, feita na política cultural que a sociedade elege para preservar e estimular produtivamente.

O valor que se dá ao pertencimento a um grupo específico, é a base psicológica que justifica o que as pessoas (a sociedade) fazem para serem parte desse grupo. Por exemplo no Brasil, não há muito estímulo para fazer parte de grupos de matemática ou física, pessoas que tenham uma ancestralidade não-européia. Por outro lado, pessoas com ascendência européia, são desencorajadas a tomarem contato com aspectos como inteligência corporal, espiritualidade não-antropomórfica  (preconceituosamente subjulgada, ou indexada como “animismo”) porque se consideram, ou valoram como exógenas á sua “real” cultura.

Assim, lugares como museus, bibliotecas, centros culturais, teatros, cinemas, casas de espetáculos musicais, clubes, associações, escolas…e outros espaços sem uma denominação específica, são centros de produção cultural. Nestes, acontecem práticas que têm por objetivo, apreender um determinado conhecimento. Dá-se a esses processos, ou práticas, o nome de aquisição da informação. Aprendizagem, fruição cultural, e trabalho, ainda que vistos com distantes em suas perspectivas, em termos culturais, são faces desses processos de produção de uma visão de mundo.

A distância que separa essas denominações, é artificial, pois que toda atividade, toda prática, carrega uma técnica e, esta, tem sempre um ponto de vista. Entender isso ajuda a desmistificar coisas como tecnologia, e mais ainda, elementos culturais como a etnia. Assim, um pescador que tenha que sair somente num determinado dia, mas antes, ao entrar no barco tenha que cantar uma determinada canção e, quando chegar o peixe, agradecer com uma dança apropriada, não necessariamente é um artista.

Conceitos como informação, sentido, política, tecnologia, governo, separados pelas palavras, nesta cultura digital, como ocorre também nas culturas ancestrais, não podem mais ser pensados como independentes, desligados. Lamentavelmente, os resquícios dos séculos de escravidão, ódio e desigualdade, deixaram marcas psíquicas e físicas em muitas culturas, para não dizer em todas.

FAPESP tem apoio financeiro para acervos

Mais aqui nesse link

Acervos apoiados 29/10/2009 Agência FAPESP – A FAPESP lançou nesta quarta-feira (28/10) Chamada de Propostas de Apoio à Infraestrutura de Pesquisa de Museus, Centros Depositários de Informações e Documentos e de Coleções Biológicas. As propostas serão selecionadas com base na avaliação de sua relevância para a pesquisa, bem como de sua capacidade de manutenção, ampliação e disponibilização aos pesquisadores dos acervos de que são depositários.

A FAPESP reservou R$ 20 milhões para aplicação no conjunto de projetos a serem selecionados. As solicitações iniciais devem ser encaminhadas até 18 de dezembro de 2009 e o prazo previsto para análise é de aproximadamente 180 dias. O período de vigência do auxílio será de 12 meses.

Serão priorizadas propostas que reflitam concepções inovadoras a respeito das modalidades e meios de armazenamento, organização e disponibilização de acervos – especialmente em se tratando de centros que já tenham se beneficiado de apoio significativo da FAPESP, no âmbito de programas de infraestrutura.

Será considerado elemento valorizador da proposta a existência documentada no centro, a que se vincula a proposta, de disponibilização do material on-line, aumentando a visibilidade nacional e internacional das coleções e acervos existentes no Estado de São Paulo e permitindo um uso mais amplo do acervo e das informações por especialistas do Brasil e do exterior.

Sendo demonstrado o uso do acervo em questão para projetos de pesquisa, será também elemento valorizador da proposta a existência demonstrada de intensa utilização das informações tanto pela sociedade em geral como, em especial, pelos professores de ensino fundamental e médio.

Esta Chamada de Propostas de Apoio à Infraestrutura de Pesquisa comporta três módulos:

1) Apoio à Infraestrutura de Pesquisa de Museus,

2) Apoio à Infraestrutura de Pesquisa de Arquivos e Acervos Documentais;

3) Apoio à Infraestrutura de Pesquisa de Acervos de Coleções Biológicas.

Memória invisivel

Vai acontecer a Conferência Nacional de Comunicação, e os movimentos sociais, os partidos políticos e indivíduos engajados no debate público das comunicações no Brasil estão se mobilizando para fazer valer um direito humano cada vez mais fundamental: a comunicação. Alguns estudos de análise do discurso dizem que  quando não há comunicação, duas coisas ocorrem: ou o ruído,ou o silêncio. Nos preparativos do processo de propostas sobre os assuntos a serem debatidos, fiz uma pesquisa nesta lista dos grupos do Rio de  Janeiro, por três palavras chave: memória, acervo e patrimônio.

Até onde pude conferir, somente a ABCCOM – Associação Brasileira dos Canais Comunitários fez a seguinte proposta:

9) Criação imediata de um acervo único no Ministério da Cultura a partir de inventário, digitalização e disponibilização de produções existentes, com a construção de modelos de grade de rede do campo público de televisão diferenciado do sistema comercial, que sejam flexíveis e que contemplem e valorizem, efetivamente, os conteúdos regionais, tendo o Cinema Brasileiro como parceiro estratégico;

Não acho que seja diferente em outros estados, todavia pode ser. É importante dizer que todo esse esforço sobre a produção, exibição e a distribuição não pode esquecer o armazenamento. Mas esquecem. Ocorre que, a medida que vai avançando a produção digital, um problema concreto de armazenagem, tanto de material “bruto” quanto de conteúdos processados  ( livros, filmes,discos, fotografias…) se acumula de maneira desordenada.

Assim, no movimento de produção, distribuição e exibição, uma etapa posterior, mas não menos importante, é a da constituição de acervos. Tanto melhor se forem acervos públicos. Para isso, são necessárias ações sobre a constituição de  acervos digitais Públicos, desdobramento de um Plano Nacional de Digitalização desses acervos.

A proposta de acervos não se limita a tudo que se pode fazer para a preservação da memória.Uma outra dimensão, tão importante quanto a constituição desses arquivos, é o uso dos que têm acesso podem fazer deles. No Brasil, há muitos casos sensíveis quando se fala de arquivos. Há muitos segredos, muitos esquecimentos e, principalmente, muitos silenciamentos

Há propostas de reação a essa situação de silenciamento. Uma, que me fez lembrar o motivo de porque não há nem muita comunicação nem muita memória no espaço público, foi esse grupo que tem pessoas dos paises aqui do sul, pensando questões desse lado do hemisfério. Fiquei pensando em como seria, se questões semelhantes do contexto brasileiro pudessem ser trabalhadas dessa forma poética.

A visualização da informação e os portugueses.

Não é de hoje que me pergunto, mas é algo curioso alguns dos nomes mais destacados mundialmente nos campos de Visualização da Informação, como o Manuel Lima e Business Intelligence, com a Daniela Barbosa, serem portugueses. Tudo bem, há uma brasileira, a Fernada Viegas, do Many Eyes, mas, com esse sobrenome, a distância não é assim tão grande.

O Manuel Lima, é um designer que criou um website simples e arrebatador, o visual complexity, o qual evangelizo sempre que posso. É um apanhado (708 exemplos e aumentando…) da visualização de dados nas mais diversas áreas. Vale ver, se você ainda não conhece.

No caso das estratégias de design da informação propriamente ditas, um nome é o de Daniela Barbosa.  Os especialistas a citam como um nome chave na questão dos protocolos abertos, da portabilidade e do acesso por meios de dados estruturados, utilizados na indústria. É curioso notar que não são os únicos. Como esse post não é sobre os portugueses, mas sim sobre alguns de seus cidadãos (e concidadãos históricos) o importante é notar que nem tudo que há hoje em tecnologia de ponta, é anglo saxão, ou seja, vem dos Estados Unidos.

Parece curioso por que, como sabemos, os portugueses têm uma história de tecnologia da informação antiga, desde os tempos horrendos do mercantilismo escravista, ou das “navegações” para usar um termo mais suave. Tristezas culturais à parte, é notável que essa herança e talento sejam utilizados hoje em dia para puxar os limites do conhecimento tecnológico da informação. Por exemplo, o site da IBM “many eyes, é uma forma inovadora, de disponibilizar informações dos mais diversos lugares, numa forma compartilhada, ou rede social, para ser atual. De fato, o  site agora tem uma versão  “wiki”.

Como foi postado anteriormente, houve em setembro, um congresso sobre o que pode ser classificado como antropologia da informação que discutiu questões importantíssimas relativas à Acervo, Memória, História, Identidade e Cultura Digital. Não é, nem de longe, o caso de pressupor algo “no sangue” como a brasileira Fernanda Viegas demonstra, já que não é “100% portuguesa”, mas sim, o ambiente cultural, que pode ter levado os portugueses a terem um destaque nessa área.

O uso da informação é algo político, a tecnologia nunca é isenta. Mas estes podem ser usados, como ferramentas, para muitos objetivos. Atualmente, os portugueses vêm dando um contribuição de acesso à informação que merece nota  e respeito.