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Para que serve um Acervo Digital: desdobramentos…

O exemplo dos trabalhos escolares, como elemento cultural a ser levando em conta quando se fala de memória, é propositado.  Poderia ter usado a televisão digital, outro assunto visto como independente de outros como bibliotecas, ou museus… Visa indicar que há uma compreensão dicotômica sobre o que se entende por cultura, e o que se concebe como “outras áreas’. Mas, ainda mais profunda, é a concepção, ou classificação, do que seja documentável. Isto porque para que seja documento, é necessária a formalização científica, institucional.

Assim, os quilombos hoje são vistos, ora como abuso e má fé, ora como uma oportunidade do Brasil se reconhecer como nação digna de respeito cultural e compreensão antropológica. Falta a eles voz( ou comunicação), lhes falta documentos (ou aqueles objetos que são legitimados cientificamente como documentos) Param além da discussão entre formas de cultura, novas e antigas, há o que existe de humano nelas, o que faz ir além da classificação, ou seu movimento criativo.

Um dilema de bases de dados, de classificação de objetos, de adoção de protocolos, e de adequação das agendas institucionais emerge desse cenário. O que é um documento, quem é seu autor, quem pode classificá-lo? São perguntas que, na verdade, derivam de outra, mais fundamental. Qual é o fluxo da produção cultural digital?

Uma coisa é se perguntar sobre quais são os elementos… que têm diferentes interesses. Outra coisa, é se perguntar quais são os caminhos que esses elementos percorrem. Não seus interesses, mas seus caminhos. Se for possível pensar os caminhos tecnológicos comuns pelos quais esses conteúdos trafegam, há uma possibilidade de inserir novos conteúdos, bem como participar do existentes, em termos digitais.

No site do TED, é possível ver o que Tim Berners-Lee, disse sobre esse dados, documentos, e outras coisas. Embora eu ache que essa apresentação tem um pouco de egotrip, o assunto é altamente pertinente. Abaixo, um  trecho do diálogo:

De fato se for responsável. Se você encontrar dados no governo, quase sempre irá achar essas pessoas, elas são tentadas a retê-los. O Hans chama isso de abraço no banco de dados. Você abraça seu banco, você não quer que vá embora até que você faça um belo site para ele. Bem, eu sugiro que ao invés disso, quero dizer, sim, faça um site lindo. Quem sou eu pra dizer para não fazer um belo site? Faça um belo site, mas primeiro nos dê os dados inalterados, nós queremos os dados. Nós queremos os dados inalterados. OK, nós vamos pedir os dados agora. e estou pedindo para vocês praticarem, OK?

Digam “puros”.

Platéia: Puros.

TED: Tim Berners-Lee, sobre a web, os dados e o acesso a ambos.

III Seminário Internacional de Memória e Patrimônio – Pelotas/RS

Entrecortando a discussão sobre o que é um documento na Cultura Digital, mais um exemplo de que estas perguntas estão surgindo em vários lugares, sob várias perspectivas…

Inscrições, programação e outras informações no site: http://simpufpel.wordpress.com/

Programação

Dia 28/10 – Quarta-Feira
14 horas Painéis
18 horas Credenciamentos
19 horas Abertura oficial
19h30min Conferência: Prof. Dr. Pedro Paulo Funari (Unicamp) – Diversidade, Inclusão Social e Políticas Públicas
Dia 29/10 – Quinta-Feira
14 horas Painéis
19 h 30 min. Mesa-redonda:  Políticas públicas de patrimônio na América Latina:

Alicia Martin (UBA – Argentina)

Ana Maria Beltrami (IPHAN)

Lourdes Dominguez (Cuba)

Dia 30/10 – Sexta-Feira
14 horas Mesa-redonda:  “Patrimônio cultural: classificação, registro e salvaguarda”

Flavia Rieth (UFPel)

Mônica Rotman (UBA)

Arturo Toscano (Museo Nacional de Historia Natural y Antropologia – Uruguai)

19h30min Conferência de encerramento: Profª. Drª. Maria Cecília Londres Fonseca – “Questões atuais na preservação do patrimônio cultural”

Para que serve um Acervo Digital?

Este post  tem o objetivo de fazer um balanço. Tenho como missão organizar um conjunto qualificado de ações, propostas, e conceitos relativos a Acervo, Memória, História, Identidade e Cultura Digital. Entendo que para isto, são necessários elementos de diversas áreas, perspectivas e percepções diferentes. Por exemplo, um comentário sobre o post, Na cultura digital, quem define o que é um documento? observou o seguinte parágrafo do texto:

“A variedade de ações, objetos, políticas, conteúdos, padrões, acervos, propósitos, públicos, legislações entre muitos outros aspectos que constituem e interligam esse sistema é imensa. Do mesmo tamanho, são as realidades da Comunicação, da Ciência e Tecnologia e da Educação, para ficar na esfera do Governo Federal. Soma-se a essas estruturas, outros elementos, como os econômicos, os jurídicos, e os legislativos. Esse quadro complexo, todo ele, pode ser unificado (e não necessariamente de forma centralizada) pela tecnologia Digital.”

Então o que acontece que esta questão pode ser equacionada em sua dimensão coletiva, ou sua rede, como um acervo. O número de iniciativas que estão me curso, digitalizando conteúdos das mais diversas ordens e materialidades necessita de uma discussão, ou melhor, de um diálogo.

Não há como separar a produção tecnológica de seus interesses políticos. Quando digo políticos não digo partidários, bem claro. Pois bem, acontece que as políticas de tratamento da informação nunca tiveram reconhecida, quanto mais prevista, sua real importância. Dessa maneira, a figura do bibliotecário, era pejorativamente construída como aquele que se incumbia de tratar do depósito, do arquivo, ou do acervo. Estas diferenciações não são apenas de ordem técnica, são, antes de tudo, de ordem política.

A inclusão de objetos que não se enquadram nas definições do que seja documentável. levanta essa hierarquia de modo semelhante ao das questões sobre o conhecimento tradicional. Por exemplo, porque será que as bibliotecas, os museus, as cinematecas não tem indexadas como “ciência” várias manifestações que são,m ao mesmo tempo festas populares, mas têm por motivos de construção do ritual , um expertise tecnológica?

Como já foi notado nesse blog, há esforços esparsos sobre essa questão. Contudo, há também outras esferas sociais, que nã as acadêmicas, que também estão se defrontando com essa realidade. As escolas públicas , por exemplo. Objetos como os “trabalhos escolares” precisam e estão sendo revistos. Isso implica que não apenas “redações” estão sendo feitas. Hoje em dia, há uma gama de projetos que apóiam a produção de conteúdo temático, a partir de suportes como o vídeo, a animação, a fotografia, e mesmo outras formas como a dança e o teatro. Como chamar estas produções culturais de trabalhos escolares?

Não raro, estes trabalhos, como o videogame feito por alunos da rede municipal do Rio de janeiro têm esse fim aqui que reproduzo dos comentários do próprio inventor do jogo:

Leia os comentários:

Júlio  (julio-hellsing@hotmail.com):
Apenas para corrigir meu e-mail (postando o novo) Voltamos a produção de alguns jogos, adicionem no msn para mais detalhes, o meu e-mail continua sendo o de baixo, apenas o msn mudou! Obrigado
22 de junho de 2009 – 19:49
Júlio  (scar0000@gmail.com):nenhum comentário? Bom estou aqui deixando meu e-mail para dúvidas e contatos: scar0000@gmail.com (msn tbm)

Como dá para notar. O “trabalho escolar” tinha, claramente outras expectativas. Daria para dizer isso das monografias, das dissertações, das teses…Dizer que não se trata de produção cultural, que não há aplicação de tecnologia, e que esta não pode ser potencializada, se inserida  no corpo bibliográfico dos campos tecnológicos, não é uma posição conseqüente. Isso só ocorre quando alguém estuda essa produção. O nome que vai ser dado a ela, científica, cultural, pedagógica artística, é portanto político. E já que esse termo tem o sentido de participação, de comprometimento com ações públicas, como não reconhecer essa produção nestes seus vários sentidos?

Os desafios de se pensar o que seja um Acervo Digital são dessa ordem. São complexos, em rede, e com ruído nos seus canais. Adiante. Os trabalhos escolares, as peças de arte digital, as peças de cultura tradicional, os objetos que não estão nas categorias de classificação, e portanto não são incorporadas aos acervos, estão crescendo, esse entorno de informal, ou de informação não sistematizada, precisa ser pensado como parte de uma memória cultural, pública. Os meios de expressão e a expressão desse meios são dinâmicos.

Seminário Nacional do CMU discute memória e patrimônio na Unicamp

escrito por Amarildo Carnicel

[13/10/2009] Patrimônio cultural e memória enquanto bens de natureza material e imaterial compõem o pano de fundo do VI Seminário Nacional do Centro de Memória-Unicamp “Memória e Patrimônio” que será aberto nesta quarta-feira (14), às 9 horas, no Auditório do Instituto de Artes (IA) da Universidade. Com a participação de pesquisadores de diversas instituições de ensino e pesquisa do país, o evento terá como conferencista o professor emérito da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da USP, Ulpiano Bezerra de Meneses, um dos mais renomados pesquisadores brasileiros na área da história e da memória, que abordará o tema “Natureza, ambiguidade e dilemas do valor cultural”. A programação com mesas redondas, grupos de trabalho, apresentação de pôsteres e feira de livros prossegue nos dias 15 e 16, no IA e em mais três institutos e faculdades da Unicamp.

O evento será aberto com a participação da coordenadora da Cocen, professora Ítala M. Loffredo D‘Ottaviano e do diretor do CMU e coordenador geral do seminário, professor José Roberto Zan. A conferência de abertura será realizada às 9h30, no mesmo local. Além do professor Ulpiano Bezerra de Meneses, a mesa contará com a participação do debatedor Antonio Augusto Arantes (IFCH-Unicamp). No dia 15, às 9h30, no Auditório do IA será realizada a mesa redonda “Patrimônio Imaterial: Memória e Identidade” com a participação dos professores Samuel Araújo (UFRJ), Ricardo Lima (Centro Nacional do Folclore Popular-RJ), Edson Silva de Farias (UnB), Carlos Sandroni (UFPE) e da debatedora professora Olga Rodrigues de Moraes von Simson (FE/CMU-Unicamp). No dia 16, às 9h30, no Auditório do IA, será realizada a mesa redonda “Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural no Brasil”. Participam dessa discussão os professores Ana Lúcia Duarte Lanna (IEB-USP), Paulo César Garcez Marins (Museu Paulista-USP) Silvana Rubino (IFCH-Unicamp) e a debatedora profa. Cristina Meneguello (IFCH-Unicamp).

Os Grupos de Trabalho (GTs) serão realizados nos dias 14, 15 e 16, sempre das 14 horas às 18 horas em salas do Instituto de Artes, Instituto de Economia, Instituto de Estudos da Linguagem e Faculdade de Educação. Cerca de 150 trabalhos serão apresentados nos seguintes GTs: “Patrimônio Industrial e Identidade Urbana”, “Memória e Educação Patrimonial”, “Memória, Patrimônio e Diversidade Cultural”, “Memória, Imagens e Mídias”, “Tradição, Memória e Mercado Cultural”, “Processos de Patrimônio e Políticas Públicas” e “Patrimônio e Cidade”.

No dia 15, às 18 horas, no Instituto de Estudos da Linguagem, está programada a visita à Exposição de Pôsteres. Durante o evento, também no IEL, será realizada uma feira com cerca de 130 títulos de livros e revistas produzidos pela Área de Publicações do CMU. Os interessados poderão adquirir livros com 50% de desconto e revistas acadêmicas a partir de R$ 1,00.

Programação dos Grupos de Trabalho

1. Patrimônio Industrial e Identidade Urbana
Coordenação: Cristina Meneguello (IFCH-UNICAMP)

2. Memória e Educação Patrimonial
Coordenação: Olga R. de Moraes von Simson (FE-CMU-UNICAMP)

3. Memória, Patrimônio e Diversidade Cultural
Coordenação: Maria Elena Bernardes (CMU-UNICAMP) e Maria Carolina Bovério Galzerani (FE-UNICAMP)

4. Memória, Imagens e Mídias
Coordenação: Fernando de Tacca (IA-UNICAMP) e Amarildo Carnicel (CMU-UNICAMP)

5. Memória, Patrimônio e Indústria Cultural
Coordenação: Rita Morelli (IFCH-UNICAMP)

6. Tradição, Memória e Mercado Cultural
Coordenação: Cássia Navas (IA-UNICAMP)

7. Processos de Patrimonialização e Políticas Públicas
Coordenação: Marco do Valle (IA-UNICAMP) e Haroldo Gallo (IA-UNICAMP)

8. Patrimônio e Cidade
Coordenação: Marcos Tognon (IFCH-UNICAMP)

Mais informações sobre o seminário, como a programação geral dos GTs, podem ser obtidas pelo site www.cmu.unicamp.br/viseminario.