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Ainda sobre o mal do Arquivo….

Publicado no JC e-mail 4183, de 21 de Janeiro de 2011. Sexta-Feira, 21 de janeiro de 2011

O Arquivo (vivo?) da Nação, artigo de José Maria Jardim

“É um retrocesso político, gerencial e científico a transferência do Arquivo Nacional para o Ministério da Justiça. Essa inadequação, vale lembrar, seria a mesma em qualquer outro ministério”

José Maria Jardim é professor da Escola de Arquivologia da Unirio. Artigo enviado pelo autor ao “JC e-mail”:

No Brasil, a idéia de arquivo é associada, com muita frequência, a de arquivo morto. A expressão “virou arquivo” designa as pessoas que, por alguma razão, foram silenciadas por seus assassinos. “Arquivo” e “morte” são termos associados por grande parte da sociedade brasileira, especialmente aquela que mais sofre com a falta de informações relevantes para o exercício dos seus direitos. “Arquivos” têm sido “mortos” sistematicamente ao longo da história do Brasil, especialmente no e pelo Estado brasileiro. O reencontro com a democracia nos anos 1980, trouxe um sopro de vitalidade inédita para nossos arquivos públicos, órgãos tradicionalmente “mortos” na estrutura da nossa administração pública. Afinal, sem arquivos plenos de vitalidade, dinâmicos e facilmente acessíveis pela sociedade, como o Estado pode ser transparente? E sem transparência do Estado, qual democracia almejamos construir e ampliar? Os arquivos públicos são territórios do Estado a serviço da sociedade, da democratização da informação governamental e do exercício do direito do cidadão à informação e à memória. Seu papel como infraestrutura para a transparência da administração pública é imprescindível para que a sociedade controle a atuação do Estado e do governo. Os arquivos públicos não são apenas um depósito de documentos. São instituições com múltiplas facetas: cultural, científica, administrativa, etc. É agência de transparência do Estado e território de construção da memória coletiva e, ao mesmo tempo, infraestrutura para a produção de conhecimento científico. Os arquivos públicos dos governos mais avançados em termos de transparência e interação social são infraestruturas governamentais de informação para o Estado e a sociedade. Trata-se de órgãos supraministeriais com múltiplas funções de apoio à gestão pública e à produção de conhecimento científico e tecnológico. São territórios da memória coletiva, cultura e cidadania. Não por acaso, o primeiro Arquivo Nacional criado foi o da França, em 1790, logo após a Revolução Francesa. A ideia de organização e, sobretudo, de publicidade dos documentos do governo por um tipo de instituição até então inexistente tem suas bases na construção do novo regime. Esse é um marco da história dos arquivos e da Arquivologia. O arquivo público é neste momento instrumento da administração do Estado. Ao longo do século XIX, a formação dos Estados Nacionais traz em seu bojo a construção de identidades nacionais para as quais é imprescindível uma “memória nacional”. Os arquivos públicos passam também à condição de depositários e construtores dessa memória nacional. São, nesse momento, território da História. A criação do Arquivo Público do Império brasileiro estava prevista na Constituição de 1824, mas a fundação só ocorreu em 1838, aliás o mesmo ano de criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Como chama atenção a historiadora Célia Costa, autora da tese de doutorado intitulada “Memória e administração: o Arquivo Público do Império e a consolidação do Estado brasileiro”, o acesso aos documentos no Arquivo Público do Império era garantido estritamente ao governo ou usuários que fossem indicados pelo imperador. Ao contrário dos arquivos nacionais europeus, a historiadora nos lembra que o Arquivo Público do Império caracterizou-se muito mais como espaço do segredo do Estado, perspectiva procedente do período colonial, do que como um órgão envolvido nos processos de construção da história nacional. O nome “Arquivo Nacional” só foi adotado em 1911. Ao longo da República, o Arquivo Nacional, como os demais arquivos públicos do país, sobreviveram na periferia do Estado. Eram voltados quase exclusivamente para a guarda e acesso de documentos considerados, sem parâmetros científicos, como de “valor histórico”, ignorando-se a produção documental que resultava de um Estado com funções cada vez mais amplas. Neste cenário, os documentos eram acumulados ou eliminados – quase sempre sem critérios científicos – nos serviços arquivísticos do Estado. Tal ocorreu – e ainda ocorre em vários setores do Estado brasileiro – em função da inexistência de políticas públicas arquivísticas. A ruptura da visão de arquivo público como apenas um depósito de documentos e a adoção de um novo modelo de gestão envolvendo todo o ciclo documental, desde a produção até a eliminação ou guarda permanente, só ocorrerá, em diversos países, após a década de 50 do século passado. No Brasil, a Lei 8.159 de 8 de janeiro de 1991 garante o marco legal para essa concepção, incluindo também os arquivos estaduais e municipais. Além de suas atribuições em relação aos documentos federais, o Arquivo Nacional deve ainda implementar a política nacional de arquivos, a ser definida pelo Conselho Nacional de Arquivos (Conarq). Esse Conselho, subordinado ao Arquivo Nacional, é o órgão central do Sistema Nacional de Arquivos. O Arquivo Nacional teve grande protagonismo nesse processo, a partir dos anos 80 e 90, influenciando arquivos estaduais e municipais. No entanto, de modo geral, nossos arquivos públicos permanecem periféricos no Estado e pouco visíveis à sociedade. Ainda se caracterizam mais como reserva de opacidade do que de transparência. Não se altera uma cultura de opacidade do Estado em apenas três décadas. A maior parte dos nossos arquivos públicos segue socialmente pouco visível. Na Europa e Estados Unidos, a abertura crescente dos arquivos a um uso social mais amplo ganha terreno após a II Guerra Mundial. Procura-se cada vez mais superar a ideia dos arquivos como espaços acessíveis apenas a eruditos e cientistas. Por outro lado, as crescentes demandas sociais pelo direito à informação colocam os arquivos no epicentro das políticas públicas de transparência. A democratização do acesso aos arquivos tende a ser cada vez maior e diversificada, mesmo nas sociedades cujo regime democrático já se encontra mais consolidado. As demandas sociais pelos arquivos se ampliam e mudam com o uso crescente das tecnologias da informação e comunicação. Novas fronteiras vêm sendo conquistadas pelos arquivos, ampliando-se a sua interatividade com a sociedade mediante programas de difusão via web, incluindo, mais recentemente, o uso cada vez maior das redes sociais. Essa perspectiva tem orientado os caminhos do Arquivo Nacional do Brasil desde a década de 80. Talvez poucas instituições públicas brasileiras tenham passado por um processo de modernização tão intenso e em tão pouco tempo, influenciando ações semelhantes nos planos estadual e municipal. Esse “dever de casa” encontrava limites no fato do Arquivo Nacional ser subordinado, há décadas, ao Ministério da Justiça. Ao ser vinculado à Casa Civil da Presidência da República, em 2000, o Arquivo Nacional adquiriu melhores condições – especialmente políticas e orçamentárias – para avançar num novo modelo de gestão das informações governamentais. Beneficiou-se diretamente desse novo cenário o Conselho Nacional de Arquivos, subordinado ao Arquivo Nacional, responsável pela política nacional de arquivos. Neste sentido, é um retrocesso político, gerencial e científico a transferência do Arquivo Nacional para o Ministério da Justiça. Essa inadequação, vale lembrar, seria a mesma em qualquer outro ministério, dada a abrangência de atuação da instituição em todo Executivo Federal. Esse novo destino institucional provavelmente comprometerá frontalmente a dimensão nacional do Conselho Nacional de Arquivos. Setores diversos da sociedade brasileira, representantes do mundo acadêmico e de associações profissionais, vêm expressando seu descontentamento face a essa decisão. Ainda que fosse mantido na Presidência da República, seriam muitos os desafios a serem enfrentados pelo principal arquivo público do país para atuar plenamente na gestão das informações governamentais e torná-las acessíveis à sociedade brasileira. A política nacional de arquivos ainda está por se definir. O Sistema Nacional de Arquivos não foi operacionalizado. O Arquivo Nacional encontra-se distante do que pode e deve vir a ser, embora tenha acumulado suficiente vitalidade para deixar de ser um “arquivo histórico” do século XIX e projetar-se como um centro de informações governamentais do século XXI. Ao ser excluído da Presidência da República e inserido no Ministério da Justiça, o Arquivo Nacional protagonizará, uma vez mais, o velho e ainda insuperado drama brasileiro de periferização dos arquivos do Estado e sua inevitável invisibilidade social. O Arquivo Nacional provavelmente não morrerá porque, de alguma forma, aprendeu a sobreviver perifericamente ao longo da sua história, mas certamente será um órgão aquém de suas transformações recentes, de suas atribuições legais e da democracia que buscamos.

O paradoxo da tecnologia e a digitalização da cultura

Saiu a composição das mesas do encontro de museus e a web 2010. O mais frequentado ( digamos, mainstream ) encontro de museus e tecnologia. O que significa que em breve, os participantes internacionais terão novidades para os visitantes dos museus de seus países…

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Dentre os assuntos, mesas e oficinas que serão realizadas, há uma que fala dos usos das tecnologias de multi-toque, ou multitouch, que possibilitam a interação diretamente com a imagem, som e texto: um paradoxo, já que os conteúdos digitais tem como característica intrínseca a intangibilidade. Não posso literalmente pegar a letra desse texto e mudar os caracteres com a mão. Não podia. A importância dessas tecnologias estarem em grandes vitrines é a de que torna-se rápida sua adoção, seja isso positivo ou não…

Agora, com as possibilidades de mapeamento espacial sobre os conteúdos e seu ambiente, abriu-se a possibilidade de alterar, segundo uma modelagem das mesmas leis da física, tanto o conteúdo quanto o ambiente digital, de forma análoga ao correspondente material, a popular interatividade, só que sem mouses ou teclados, diretamente no conteúdo digital.

Não há mudança tecnológica neutra. Ocorrem sempre por interesses sociais, coletivos, mas localizados, e bem menos como consequência de adequação das necessidades mais amplas. De modo que um pequeno grupo, ou uma grande empresa, podem, por interesse, desenvolver tecnologias que dêem conta de necessidades especificas, com consequência para parcelas mais amplas.

Não é muito difícil imaginar um uso semelhante para equipamentos como o capacete de sensoriamento cerebral que, da mesma forma que os dispositivos multitouch, já são encontrados comercialmente.

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Para estas tecnologias e para outras que virão, os usos são impensados. Se as discussões atuais sobre banda larga ocorrem com vistas ao tráfego de voz, texto e imagem, em breve, discutirão tráfegos de outra ordem: sensores cerebrais. Está em curso uma adaptação dos objetos para que estes entrem em convergência com os conteúdos digitais. O que se chama hoje de realidade aumentada. Essas transformações terão impacto na cultura, na educação, no trabalho, e embora não estejam longe, parecem de um tempo que não chegará tão cedo. Esse é o descompasso entre a tecnologia e seu uso, entre o instrumento e a aplicação…

Quando em 1995 se falava em multimídia, ou multimeios, não se poderia ter uma noção do que isso significa daqui há dez anos. Ou se tinha uma dimensão imaterial, pura descritiva de possibilidades digitais, ou se concebia uma tecnologia imersiva, como a realidade virtual. O ritmo com que tais descrições caíram no desuso, ou em termos de memória, no esquecimento, mostra o que se entende hoje por multifunção, palavra também cada vez mais subentendida em qualquer dispositivo eletrônico.

Esses usos não podem ser nem pensados nem executados, sem a discussão de como, e para quem se destinam. Os direitos autorais, os financiamentos, são assuntos políticos e vê-los como algo distante, apenas impede que se depare, o quanto antes, com a responsabilidade de democratização dessas tecnologias. Com o paradoxo de ter que incorporar objetos que estão numa dimensão digital, virtual, tanto a produção da cultura, quanto sua compreensão, passam a compor um campo de cultura digital, ou a digitalização da cultura, que longe de ser científico ou mágico, político ou conceitual, é histórico, resultado dos usos que damos as tecnologias que dispomos.

#culturadigital.br:digitalização de acervos\acesso\domínio público

Quando o documento base de discussão do eixo de memória digital foi entregue no evento do Fórum da Cultura Digital Brasileira, em novembro, um dos itens, o Plano Nacional de Digitalização de Acervos foi, de longe, o ponto mais discutido. Um plano nacional é algo complexo que abrange várias etapas, assuntos, tem vários constituintes. Assim, o processo de conscientização, tanto da população, quanto dos representantes políticos sobre o que significa constituir, promover e conservar acervos públicos, também tem que ser feito por etapas.

A produção das culturas brasileiras é resultado de práticas de expressão individual e coletiva, materiais e imateriais, diversas e exuberantes. Há muitas variedades de identidades neste país e todas elas têm, em maior ou menor grau, produções culturais que as representam. Ocorre porém, que esta produção não permanece no tempo, a maior parte dela, se dissolve nas mudanças do dia à dia. Sem permanência, tais produções acontecem apenas como memória coletiva: existem para um grupo, e somente enquanto aquele grupo existir. O que acontece depois?

Entra ai uma política da memória que determina, por diversos meios legais e morais, o que deve ou não ser lembrado, tomado como identidade e memória. Em outras palavras, permanece a memória daquilo que é considerado oficial.  A opressão do silêncio, do calar a voz, do apagar ou distorcer a imagem, todas estas situações estão nos acervos, nos arquivos, ou fora deles.

Há uma crença de que o passado, aquilo que já aconteceu, não volta, e por isso, pensar no futuro, no que está por vir é mais importante. De fato, não só não conhecemos todo o passado, algo impossível, como também não temos conhecimento do que existe hoje, atualmente. Nossa compreensão histórica tem limitações de tempo e de espaço. Pois isso é, ao mesmo tempo, uma vantagem e uma dificuldade. Tanto o passado quanto o futuro são trabalho do presente, estão por (re) fazer.

A medida que as demandas por mais comunicação, melhor informação e mais democracia avançam, partes da população, os incluídos digitais, começam a alterar o perfil do que seja ativismo, ou o antigo civismo, começa a ser consultada em questões que antes ficavam restritas aos representantes do povo , os partidos políticos e poucos participantes de entidades políticas, como sindicatos, centros estudantis ou grupos diversos.

Outro dia, recebi uma mensagem aqui no Fórum, de alguém que perguntava sobre as relações, e naturalmente as implicações para o cenário descrito acima, entre a digitalização de acervos, o acesso livre e o domínio público. Umas das prioridades que se delineia no horizonte, sem dúvida é a de constituir espaços virtuais onde os cidadãos possam ter acesso livre às informações culturais que já estão disponíveis, nas diversas instituições  brasileiras. Já existe muita coisa, mas não é nem a metade do que existe. E o que existe?

Dentre as ações previstas para esse ano, conforme anunciado no evento do Fórum em novembro, haverá um  Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais. Assunto complexo, como à esta altura já se pressupõe…

A noção de que os governos devem disponibilizar Repositórios Institucionais Públicos ainda é nova, e nem os próprios cidadãos têm muita noção do que deveriam ser tais repositórios. De início, há discussões sobre sua natureza (única, ou espelhada, por questões de segurança) , sua gestão (seria um condomínio, haveria outros modelos?) e seu acesso( público, livre, quais seriam as condições para que conteúdos fossem agregados?) e muitas, mas muitas outras discussões. No entanto, o ritmo que tais discussões têm não é nem o necessário, nem o desejável. A miríade de elementos que estão envolvidos numa ação conjunta para se pensar essa questão só será percebida nos detalhes mias sensíveis( quem tem a posse, o uso e o acesso dos conteúdos) no momento que esta questão se tornar mais pública. Por tal adjetivo, se entende que deve haver uma discussão de um processo que está em curso, mas que por diversos motivos, fica a reboque de outras, tais como as relativas ao direito autoral, a regulamentação da internet e o próprio acesso, em termos de infra-estrutura, aos acervos.

O percurso que tais discussões tomará, ainda está em discussão, tendo em vista essa rede de interdependência de assuntos. Enquanto isso, o tempo passa.

A Carta de Ouro Preto 2009 da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA)

da fonte: http://abpablog.wordpress.com/

Os integrantes da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA) e os participantes do 4º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros, reunidos na 4ª Mostra de Cinema de Ouro Preto – CINEOP, reafirmam este evento como fórum de discussão e encaminhamento de reflexões e ações para a preservação do patrimônio audiovisual brasileiro.

Considerando:

  • a urgência do reconhecimento da relevância desse Patrimônio Cultural pelos poderes públicos, pela sociedade, inclusive pelos profissionais das atividades cinematográficas e audiovisuais;
  • a constatação do risco iminente de desaparecimento desse Patrimônio Cultural, que representa igualmente um ativo econômico e se encontra em condições desiguais de preservação nas diferentes unidades da Federação;
  • a insuficiência de uma política pública específica e sistemática que contemple o campo da preservação audiovisual no Brasil;
  • que a ABPA foi designada pelas organizações, instituições, entidades e profissionais presentes, ligados ao campo da preservação, como entidade representativa e interlocutora junto aos demais segmentos da área audiovisual, à sociedade civil e ao poder público.

Afirmam que:

  • diante da carência de recursos financeiros e humanos, e de mecanismos específicos destinados ao campo da preservação, questionam a manutenção da disparidade existente e propõem uma distribuição equânime dos recursos públicos para o setor audiovisual; e
  • destacam que existem necessidades específicas do campo da preservação audiovisual que devem ser consideradas na reformulação da Lei Rouanet, em curso, e de outros textos legais que tem por objeto o audiovisual e as políticas de Cultura.

Solicitam:

  • a participação da ABPA nas instâncias de decisões governamentais referentes ao setor audiovisual; e
  • como forma de contribuição direta, assento para ABPA junto ao Conselho Consultivo da Secretaria do Audiovisual – SAv-MinC, e em outros fóruns similares, estaduais e municipais.

A partir do quadro acima exposto, vimos, da mesma forma, nos manifestar a favor do reconhecimento da importância da Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre, e do Centro de Referência Audiovisual (CRAv), em Belo Horizonte, e apoiar publicamente os pleitos dessas instituições.

  • Cinemateca Capitólio - solicitar aos órgãos federais, estaduais e municipais, agilidade no processo de conclusão da obra civil da Cinemateca Capitólio, e sua implantação, como forma de garantir a memória audiovisual gaúcha.
  • CRAv – recomendar a continuidade das ações desenvolvidas pelo CRAv na consolidação de seu projeto institucional e recomposição de seu quadro de funcionários, gravemente afetado pela demissão dos especialistas, em janeiro de 2009.

Ressaltamos que estas iniciativas se incluem em um conjunto maior de ações de fundamental importância para a execução de uma política nacional de preservação do Patrimônio audiovisual brasileiro.

Ouro Preto, 22 de junho de 2009.

Reuniões do CONARQ…

Durante essas duas Reuniões, foram apresentados e aprovados pelo Plenário do CONARQ, a versão final do texto referente aos Metadados – Parte II do Modelo de Requisitos para Sistemas Informatizados de Gestão Arquivística de Documentos – e-ARQ Brasil, a versão final das Recomendações para digitalização de documentos arquivísticos permanentes,  o parecer da Comissão Técnica de Avaliação, reconhecendo o acervo de Abdias Nascimento, como de interesse público e social, a minuta de resolução reformulando a Resolução nº 26, que estabelece diretrizes básicas de gestão documental a serem adotadas nos arquivos do Poder Judiciário.

Houve ainda, a avaliação da Proposta de criação de uma Câmara sobre Documentos Audiovisuais, Iconográficos e Sonoros, a apresentação de proposta de reformulação da Resolução do CONARQ nº 6, de 15 de maio de 1997, sobre a terceirização de serviços arquivísticos públicos, que resultou na criação de uma comissão especial com a finalidade de aprofundar os estudos sobre a matéria e de um grupo de trabalho para reformular a referida resolução

e finalmente, a confraternização em comemoração ao 15º aniversário de instalação do CONARQ.

fonte:http://www.conarq.arquivonacional.gov.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm

RES: RES: RES: arquivos audiovisuais

Nossa cultura brasileira, como qualquer outra, não é feita só de rosas. Há espinhos, e muitos. Porém nessa metáfora de jardim, há que se enxergar que existem muitas variedades. O assunto desse post é a transparência. Não aquela demagógica, que diz ser uma coisa e mostra outra. Já trabalhei, ou melhor, ocupei um desses famigerados “cargos públicos”, quando trabalhei na Empresa Municipal de Multimeios da Prefeitura do Rio de Janeiro.

Embora haja muitas críticas fundamentadas sobre os servidores , lá, aprendi que, assim como em qualquer outro lugar, o serviço público tem, sim,  o “lixo” e o “luxo”, convivendo com gente que me ensinou muito, mas muito mesmo. Enfim, essa introdução pessoal serve aqui como testemunho para corroborar uma constatação (minha) de que  a consulta que fiz anteontem ao CONARQ, Conselho Nacional de Arquivos foi positiva.

Eu poderia fazer uma crítica não-construtiva, e perguntar porque somente em 2010, será possível obter parâmetros sobre as especificações técnicas a respeito de acervos audiovisuais. Poderia, também, me perguntar sobre o silêncio (sempre ele…) de pessoas que poderiam ter respondido a tal pergunta antes. Este não é meu objetivo, e fazer esta pergunta sem ter as informações necessárias é algo inconsequente… Trata-se de um assunto complexo e, ao invés de reclamar sobre a proposição dessas especificações, penso que o melhor e mais positivo é torcer para que elas acabem ( ou minorem ) com um dos maiores problemas que atrapalham os esforços de digitalização de acervos. Para se ter um exemplo ( entre outros)concreto, a duplicação de acervos é decorrência dessa ausência. Isto, espero será tratado com padrões técnicos, que propiciaram a pletora de padrões e formatos hoje existentes… Neste momento em que se dá a formulação de um marco civil para a Internet brasileira., é importante reconhecer que instituições como CONARQ, trabalham no sentido de que tenhamos guias de procedimentos que beneficiam a sociedade como um todo.

Assim, obtive a permissão para reproduzir abaixo as comunicações sobre a consulta que fiz a respeito das especificações técnicas sobre acervos  audiovisuais:

De: Rogério Santana Lourenço
Enviado: quarta-feira, 25 de novembro de 2009 11:55
Para: Conarq
Assunto: arquivos audiovisuais

Gostaria de saber quais são as especificações técnicas do CONARQ sobre arquivos  audiovisuais. Tendo em vista que grande parte do patrimônio brasileiro está contida nesses suportes( cinema, vídeo, e agora, os arquivos digitais) quais são as recomendações dessa instituição sobre os mesmos? Grato, aguardo vossa resposta.

Rogério Lourenço

Prezado Rogério,

Para responder adequadamente a sua consulta, peço a fineza de informar em que instituição exerce suas funções, qual o cargo que ocupa e telefone para contato.

Atenciosamente,
Luis Carlos / CONARQ
Presidência da República – Casa Civil
Arquivo Nacional – Conselho Nacional de Arquivos – CONARQ
Praça da República, 173 – Centro.
20211-350 Rio de Janeiro, RJ – Brasil
Tel: (55-21) 2179-1271 / 1293
Fax: (55-21) 2179-1293
E-mail: conarq@arquivonacional.gov.br<mailto:conarq@arquivonacional.gov.br>
Sítio web:
www.conarq.arquivonacional.gov.br<http://www.conarq.arquivonacional.gov.br/>

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De: Rogério Santana Lourenço
Enviado: quarta-feira, 25 de novembro de 2009 12:12
Para: Conarq
Assunto: Re: RES: arquivos audiovisuais

Não sou pertencente a nenhuma instituição. Pergunto como cidadão brasileiro. Caso seja possível que eu obtenha tal resposta agradeço. Caso contrário, gostaria de saber o que me impede de recebê-la.

Grato.
Rogério Lourenço.

you wrote: Conarq
Senhor Rogério,

Em resposta a sua solicitação, referente especificações técnicas sobre arquivos audiovisuais e digitais, temos a informar que o Conselho Nacional de Arquivos -CONARQ disponibiliza em seu site http://www.conarq.arquivonacional.gov.br, um guia geral denominado Recomendações para a produção e o armazenamento de documentos de arquivo. O objetivo deste documento é fornecer subsídios técnicos e requisitos para a preservação de acervos  documentais (documentos textuais, cinematográficos, sonoros, cartográficos, iconográficos e micrográficos) a partir de sua produção, indicando os procedimentos mais adequados para o armazenamento e a preservação de documentos.

É importante ressaltar que a preservação de documentos de arquivo, em qualquer suporte, depende dos procedimentos adotados em sua produção, tramitação, acondicionamento e armazenamento físico.

Ainda, no que tange aos acervos audiovisuais como as películas cinematográficas, o CONARQ está propondo a criação de uma câmara setorial sobre documentos audiovisuais, que será objeto de discussão em sua próxima 56ª Reunião Plenária do CONARQ, a realizar-se em 16 de dezembro próximo.

Quanto aos documentos digitais o CONARQ também disponibiliza em seu site os seguintes dispositivos:

• Resolução Nº 24, de 3 de Agosto De 2006 que estabelece diretrizes para a transferência e recolhimento de documentos arquivísticos digitais para instituições arquivísticas públicas.

• Resolução Nº. 25, de 27 de Abril De 2007 que dispõe sobre a adoção do Modelo de Requisitos para Sistemas Informatizados de Gestão Arquivística de Documentos – e-ARQ Brasil pelos órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional de Arquivos – SINAR.

O Modelo de Requisitos para Sistemas Informatizados de Gestão Arquivística de Documentos - e-ARQ Brasil estabelece requisitos mínimos para um Sistema Informatizado de Gestão Arquivística de Documentos – SIGAD, independente da plataforma tecnológica em que for desenvolvido e/ou implantado. É uma especificação de requisitos que estabelece um conjunto de condições a serem cumpridas pela organização produtora / recebedora de documentos, pelo sistema de gestão arquivística e pelos próprios documentos a fim de garantir a sua confiabilidade e autenticidade, assim como seu acesso.

O objeto do e-ARQ Brasil é o documento arquivístico já nascido digital. O e-ARQ Brasil não trata de procedimentos técnicos de conversão de um documento em qualquer suporte ou formato para o formato digital, por meio de dispositivo apropriado, como o escâner – processo de digitalização.

Em relação ao processo de digitalização, o CONARQ também discutirá em sua próxima 56ª Reunião Plenária do CONARQ, a aprovação final de um documento sobre a adoção de padrões de digitalização de documentos planos, tais como documentos fotográficos, impressos e manuscritos com qualidade arquivística. Esta proposta se aprovada será consubstanciada em uma Resolução do CONARQ.

E, por último, à título de sugestão, indicamos o site da Cinemateca Brasileira, instituição de referência na área: http://www.cinemateca.com.br e o site do Projeto Conservação Preventiva em Bibliotecas e Arquivos – CPBA – http://143.106.151.46/cpba que disponibiliza uma seleção de 52 títulos sobre a conservação preventiva de livros e documentos, de filmes, fotografias e meios magnéticos. Estes textos tratam do planejamento e do gerenciamento de programas institucionais, do controle das
condições
ambientais, da prevenção contra riscos e do salvamento de coleções, em situações de emergência, da armazenagem, conservação e reformatação, envolvendo os recursos da reprodução eletrônica, da microfilmagem e da digitalização. Todos os textos à disposição para download. Abaixo seguem listas dos cadernos que tratam do tema de seu interesse:

• Cadernos sobre Fotografias e Filmes

39- Preservação de fotografias: métodos básicos de salvaguardar suas coleções – Peter Mustardo e Nora Kennedy

40- Guia do Image Permanence Institute (IPI) para armazenamento de filmes de acetato - James M. Reilly

41- Indicações para o cuidado e a identificação da base de filmes fotográficos – Monique C. Fischer e Andrew Robb

• Cadernos sobre Registros Sonoros e Fitas Magnéticas

42- Armazenamento e manuseio de fitas magnéticas – um guia para bibliotecas e arquivos – John W.C. Van Bogart

43- Guarda e manuseio de materiais de registro sonoro – Gilles St. Laurent

• Cadernos sobre Reformatação

44- O básico sobre o processo de digitalizar imagens – ed. Sherelyn Ogden

45- Microfilme de preservação: plataforma para sistemas digitais de acesso – Lee C. Jones

46 – O processo decisório em presevação e fotocopiagem para arquivamento – Gay Walker

47- Controle de qualidade em cópias eletrostáticas para arquivamento – Norvel M.M. Jones

48- Microfilmagem de preservação: um guia para bibliotecários e arquivistas – ed. Lisa Fox

49- Do microfilme à imagem digital – Donald J. Waters

50- Uma abordagem de sistemas híbridos para a preservação de materiais impressos – Don Willis

51- Requisitos de resolução digital para textos: métodos para o estabelecimento de critérios de qualidade de imagem – Anne R. Kenney e Stephen Chapman

52- Preservação no Universo Digital – Paul Conway

53- Manual do RLG para microfilmagem de arquivos – Nancy E.Elkington

Atenciosamente,
Domícia Gomes Borges
Coordenação de Apoio ao CONARQ

Presidência da República – Casa Civil
Arquivo Nacional – Conselho Nacional de Arquivos – CONARQ
Praça da República, 173 – Centro.
20211-350 Rio de Janeiro, RJ – Brasil
Tel: (55-21) 2179-1271 / 1293
Fax: (55-21) 2179-1293
E-mail: conarq@arquivonacional.gov.br
Sítio web: www.conarq.arquivonacional.gov.br

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De: Rogério Santana Lourenço
Enviado: quinta-feira, 26 de novembro de 2009 15:53
Para: Conarq
Assunto: Re: RES: RES: arquivos audiovisuais

Prezada Domícia Gomes e demais membros do COANRQ,

Grato pela resposta e consideração para com minha pergunta. Como cidadão, e como participante das discussões do Fórum da Cultura Digital Brasileira, tenho a dizer que a postura de abertura e transparência do CONARQ, só engrandece as avaliações positivas dos esforços que nós, brasileiros, realizamos para nos tornarmos mais organizados e eficazes no uso, preservação e difusão de informações, sejam quais forem seus suportes.

Tenho a dizer que, na condição de curador de um dos eixos de discussão (Memória Digital) do evento realizado na Cinemateca Brasileira, entre os dias 18 e 21 de novembro, que reuniu desde pesquisadores informais, como eu, até o Ministro da Cultura do Brasil, que tal procedimento confirma que os desafios são muitos, mas, muitas, também, são as pessoas envolvidas em resolvê-los da melhor forma possível.

Peço a permissão para publicar no espaço do Fórum da Cultural Digital Brasileira (http://culturadigital.br), essa comunicação eletrônica (ipsis litteris) como forma de ampliar e divulgar a maneira como o CONARQ conduz seu papel de òrgão que tem por finalidade:

“definir a política nacional de arquivos públicos e privados, como órgão central de um Sistema Nacional de Arquivos, bem como exercer orientação normativa visando à gestão documental e à proteção especial aos documentos de arquivo.”

Sem mais, agradeço e desejo boas e produtivas discussões sobre os esforços que estão em curso para regulamentação de arquivos audiovisuais.

Atenciosamente,
Rogério Santana Lourenço.

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Subject: RES: RES: RES: arquivos audiovisuais
From: “Conarq” <conarq@arquivonacional.gov.br>
Date: Fri, November 27, 2009 10:40
To: Rogério Santana Lourenço

Prezado Rogério,

Não há problema algum em publicar a resposta completa, prestada pelo CONARQ,  à sua dúvida no Fórum da Cultura Digital Brasileira.
Estamos à disposição para quaisquer outros esclarecimentos necessários.

Atenciosamente,

Luis Carlos / CONARQ

Presidência da República – Casa Civil
Arquivo Nacional – Conselho Nacional de Arquivos – CONARQ
Praça da República, 173 – Centro.
20211-350 Rio de Janeiro, RJ – Brasil
Tel: (55-21) 2179-1271 / 1293
Fax: (55-21) 2179-1293
E-mail: conarq@arquivonacional.gov.br
Sítio web: www.conarq.arquivonacional.gov.br

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O caminho é longo, a pernas, curtas.
A vontade, grande.
Adiante.

Um milhão de arquivos, XML e a transparência das leis.

GT LexML da Comunidade TI Controle, é um grupo de trabalho que reúne vários órgãos do governo federal é um projeto que tem indexados um milhão de arquivos de toda Legislação brasileira. Reunir para consulta um número como esse de documentos em papel, é simplesmente impossível. Por isso, muitas pessoas, a maioria, também simplesmente também não procura seus direitos, que assim como seus deveres, deveriam estar legalmente garantidos em algum lugar da miríade de textos jurídicos.

O acesso à lei das pessoas com menor poder aquisitivo é algo que, perversamente, afasta a justiça de quem menos tem recursos para buscá-la. No portal de buscas tornou-se possível, por exemplo, saber o que já foi proposto, aprovado, ou arquivado sobre a digitalização no Brasil, nesse link. Buscando essa palavra, ou “entrada” para usar o vocabulário mais técnico, descobri que existiu, 1974, a DIGIBRÁS, que hoje se transformou em outra coisa.

clique para ir ao LexML!

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O poder do XML, ou xemelê, que também tem um grupo aqui no Fórum da Cultura Digital Brasileira, está, aos poucos, mostrando que organizar, nem sempre é prender, ser rígido. A estruturação de informações, graças a esse protocolo, presta um serviço enorme e, tomara, sirva de exemplo de como é possível realizar o que disse num post anterior:

“A variedade de ações, objetos, políticas, conteúdos, padrões, acervos, propósitos, públicos, legislações entre muitos outros aspectos que constituem e interligam esse sistema é imensa. Do mesmo tamanho, são as realidades da Comunicação, da Ciência e Tecnologia e da Educação, para ficar na esfera do Governo Federal. Soma-se a essas estruturas, outros elementos, como os econômicos, os jurídicos, e os legislativos. Esse quadro complexo, todo ele, pode ser unificado (e não necessariamente de forma centralizada) pela tecnologia Digital.”

Iniciativas como essa, e outras como a do processo colaborativo de discussão e formulação de um marco civil para a Internet brasileira, também esta uma ação interministerial, penso, mostram que caminho está aberto. Não quer dizer que já chegamos, nem que todos vão, mas sim que vamos adiante.

Os desafios da digitalização

A biblioteca da Universiade de Cornell, tem uma página dedicada aos processos necessários para transformar objetos analógicos, como livros ou filmes, em objetos digitais.  Dentre as várias etapas elencadas, há uma que chama a atenção pela enorme complexidade.

Umas das perguntas que mais ouço quando falo porque escrevo aqui neste blog é: para que serve isso de cultura digital?

Não se pode dizer, a bem da verdade, que tal pergunta não tenha embutida uma oportunidade para que eu fale de todos os itens que coloquei nesse post aqui. A delimitação de algo  denominado Memória Digital, tem que explicar porque é importante que as legislações sobre arquivos, museus, bibliotecas, cinematecas e, bem como acervos de rádio e televisão, nas quais os profissionais de diversas áreas se apegam na hora de dialogar com pessoas de campos diferentes, sejam pensadas como algo convergente, e não como um cerco.

Também seria interessante explicar porque a TV Brasil, a Biblioteca Nacional e o Museu Nacional de Belas Artes, a Rádio Nacional, deveriam sentar-se para conversar sobre as vantagens e desvantagens de se conseguir um local único de arquivamento, a tal pergunta, sobre qual o tamanho do patrimônio brasileiro.

Claro que os “elementos complexos” não acabam ai… Não foi citada a lei de direito autoral, vigente sobre todas as demais no que se refere aos conteúdos…Nem tão pouco foi falado sobre internet, ou o atual debate sobre banda larga.

Pois cabe falar, também, que tais problemas não são específicos do longo caminho de aprendizado pelo qual passam as instituições brasileiras. Talvez, com iniciativas como essa daqui do Fórum de Cultura Digital, o preconceito sobre tecnologia não diminua. Certamente, são iniciativas que procuram com abertura soluções para problemas que, encastelados nas instituições, as fitas de vídeo, os jornais, os mapas, e muitos outros objetos culturais, se pudessem falar, ansiariam verem resolvidos.

Mas, voltando, dentre os problemas que a Universidade Cornell aponta, estão os de ordem técnica, mas também os de ordem institucional…

WHY IS DIGITAL PRESERVATION SO CHALLENGING?

Esse é o título da seção. E estes são os desafios técnicos:

Acondicionamento: boa parte das pessoas, inclusive aquelas que produzem cultura, não saberia dizer a diferença entre acervo, arquivo e depósito. Isto traz conseqüências na hora de se preservar o que se produz.

Armazenamento: deterioração dos suportes, mau uso, mal acondicionamento e obsolescência.

Arquivos em formatos diferentes: Além da obsolescência, a dependência de formatos proprietários prejudica enormemente, sem contudo impedir, uma unificação dos materiais digitais.

Aqui os desafios organizacionais e administrativos:

Falta de comprometimento com a preservação de longo termo.

Este ponto merece destaque. Afora as divergências entre legislações, perspectivas profissionais e, principalmente, graus de compreensão variados, pode-se se dizer que de uma forma ou de outra, por um motivo ou outro, há um consenso sobre o fato de que o Brasil não pode continuar se autodenominar um país “sem memória”…

Ausência de políticas de preservação.

O fato de que há um (ou algum) consenso sobre o que deve ser preservado não impede, por exemplo, de que esforços no sentido de garantir não apenas a preservação do patrimônio, mas também, a inclusão de um número maior de manifestações tanto tradicionais, como aquelas dos povos quilombolas ou indígenas, quanto atuais, quanto a arte eletrônica.

O caminho para uma convergência de conteúdos, precisa passar por estes e muitos outros desafios. As leis, os campos profissionais fechados e a instituições rígidas, são aqueles que, não sabendo lidar com o diferente e novo, se encastelam e silenciam. Estes, já eram,pois, não será este Fórum que os mudará, mas sim o tempo histórico, quem decidirá.

33 razões por que as bibliotecas e bibliotecários ainda se mantêm extremamente importantes

Uma discussão bem importante, e por vezes, exaltada, no campo de CI. Achei por bem colocar do jeito que ela está no blog ExtraLibris

Muitos acreditam que a era digital irá acabar com as estantes públicas e extinguir permanentemente a era centenária das bibliotecas. A desconcertante proeza e progresso da tecnologia fez até um bibliotecário prever a queda da instituição.

Ele pode estar certo.

Porém, se estiver, então a perda será irreparável. Conforme a relevância das bibliotecas entra em questão, elas encaram uma crise existencial em uma época onde elas talvez sejam mais necessárias. Apesar de sua percebida obsolescência em uma era digital, tanto bibliotecas – quanto bibliotecários – são insubstituíveis por várias razões. 33, de fato.

Eles listam as 33, e depois concluem:

Conclusão

A sociedade não está pronta para abandonar a biblioteca, e provavelmente nunca estará. Bibliotecas podem adaptar-se as mudanças sociais e tecnológicas, mas elas não são substituíveis. Enquanto que as bibliotecas são distintas da internet, os bibliotecários são os melhores profissionais para guiar acadêmicos e cidadãos para um melhor entendimento de como encontrar informação de valor online. Certamente, existe muita informação online. Mas ainda existe muita informação em papel. Ao invés de taxar as bibliotecas como obsoletas, os governos estaduais e federais deveriam aumentar os recursos para garantir melhores funcionários e tecnologias. Ao invés de galopar cegamente através da era digital, guiado apenas pelos interesses corporativos da economia da web, a sociedade deveria adotar uma cultura de guias e sinalizações. Hoje, mais do que nunca, as bibliotecas e os bibliotecários são extremamente importantes para a preservação e melhoria da nossa cultura.

Artigo original: Are Librarians Totally Obsolete?
Disponível em: degreetutor.com

Para que serve um Acervo Digital?

Este post  tem o objetivo de fazer um balanço. Tenho como missão organizar um conjunto qualificado de ações, propostas, e conceitos relativos a Acervo, Memória, História, Identidade e Cultura Digital. Entendo que para isto, são necessários elementos de diversas áreas, perspectivas e percepções diferentes. Por exemplo, um comentário sobre o post, Na cultura digital, quem define o que é um documento? observou o seguinte parágrafo do texto:

“A variedade de ações, objetos, políticas, conteúdos, padrões, acervos, propósitos, públicos, legislações entre muitos outros aspectos que constituem e interligam esse sistema é imensa. Do mesmo tamanho, são as realidades da Comunicação, da Ciência e Tecnologia e da Educação, para ficar na esfera do Governo Federal. Soma-se a essas estruturas, outros elementos, como os econômicos, os jurídicos, e os legislativos. Esse quadro complexo, todo ele, pode ser unificado (e não necessariamente de forma centralizada) pela tecnologia Digital.”

Então o que acontece que esta questão pode ser equacionada em sua dimensão coletiva, ou sua rede, como um acervo. O número de iniciativas que estão me curso, digitalizando conteúdos das mais diversas ordens e materialidades necessita de uma discussão, ou melhor, de um diálogo.

Não há como separar a produção tecnológica de seus interesses políticos. Quando digo políticos não digo partidários, bem claro. Pois bem, acontece que as políticas de tratamento da informação nunca tiveram reconhecida, quanto mais prevista, sua real importância. Dessa maneira, a figura do bibliotecário, era pejorativamente construída como aquele que se incumbia de tratar do depósito, do arquivo, ou do acervo. Estas diferenciações não são apenas de ordem técnica, são, antes de tudo, de ordem política.

A inclusão de objetos que não se enquadram nas definições do que seja documentável. levanta essa hierarquia de modo semelhante ao das questões sobre o conhecimento tradicional. Por exemplo, porque será que as bibliotecas, os museus, as cinematecas não tem indexadas como “ciência” várias manifestações que são,m ao mesmo tempo festas populares, mas têm por motivos de construção do ritual , um expertise tecnológica?

Como já foi notado nesse blog, há esforços esparsos sobre essa questão. Contudo, há também outras esferas sociais, que nã as acadêmicas, que também estão se defrontando com essa realidade. As escolas públicas , por exemplo. Objetos como os “trabalhos escolares” precisam e estão sendo revistos. Isso implica que não apenas “redações” estão sendo feitas. Hoje em dia, há uma gama de projetos que apóiam a produção de conteúdo temático, a partir de suportes como o vídeo, a animação, a fotografia, e mesmo outras formas como a dança e o teatro. Como chamar estas produções culturais de trabalhos escolares?

Não raro, estes trabalhos, como o videogame feito por alunos da rede municipal do Rio de janeiro têm esse fim aqui que reproduzo dos comentários do próprio inventor do jogo:

Leia os comentários:

Júlio  (julio-hellsing@hotmail.com):
Apenas para corrigir meu e-mail (postando o novo) Voltamos a produção de alguns jogos, adicionem no msn para mais detalhes, o meu e-mail continua sendo o de baixo, apenas o msn mudou! Obrigado
22 de junho de 2009 – 19:49
Júlio  (scar0000@gmail.com):nenhum comentário? Bom estou aqui deixando meu e-mail para dúvidas e contatos: scar0000@gmail.com (msn tbm)

Como dá para notar. O “trabalho escolar” tinha, claramente outras expectativas. Daria para dizer isso das monografias, das dissertações, das teses…Dizer que não se trata de produção cultural, que não há aplicação de tecnologia, e que esta não pode ser potencializada, se inserida  no corpo bibliográfico dos campos tecnológicos, não é uma posição conseqüente. Isso só ocorre quando alguém estuda essa produção. O nome que vai ser dado a ela, científica, cultural, pedagógica artística, é portanto político. E já que esse termo tem o sentido de participação, de comprometimento com ações públicas, como não reconhecer essa produção nestes seus vários sentidos?

Os desafios de se pensar o que seja um Acervo Digital são dessa ordem. São complexos, em rede, e com ruído nos seus canais. Adiante. Os trabalhos escolares, as peças de arte digital, as peças de cultura tradicional, os objetos que não estão nas categorias de classificação, e portanto não são incorporadas aos acervos, estão crescendo, esse entorno de informal, ou de informação não sistematizada, precisa ser pensado como parte de uma memória cultural, pública. Os meios de expressão e a expressão desse meios são dinâmicos.

Impressão em 3D, Esculturas Digitais e sensores de movimento, para Museus de Arte.

Hoje em dia uma técnica que parece ficção científica, a impressão em 3D, começa a fazer sentido quando se fala de objetos de patrimônio. Quais são as possibilidades de reprodução e exibição de peças digitais, virtuais ou materiais para acervos? Vários exemplares de livros, esculturas, peças de diversos materiais… Com isso se pode, por exemplo, assistir presencialmente uma exposição, de quadros ou esculturas, por exemplo, que não estão necessariamente naquele local. Pode-se replicar tais obras por diversos motivos como, para fins de aprendizado, ou arte, por exemplo.

O acervos em vinil, que contém a captura dos programas de rádio, e agora estão a espera de serem transportados para outras mídias, com seus possíveis vários suportes, como os discos, certamente seriam bons concorrentes. Qualquer possibilidade de transmissão cultural tem como vantagem e responsabilidade, a discussão social de seus propósitos, o uso das tecnologias.

Como estas obras são objetos digitais, podem ser pensados usos que levem em conta a alta capacidade de rede que estará disponível. Resta pensar este e outros assuntos de forma a posicionar e consolidar as potencialidades de aproveitamento das redes de alto desempenho.

Quem produz, preserva, distribui e acessa a Memória Digital?

A universalização do acesso a uma “memória Digital da Cultura Brasileira” é algo que não será feito de um dia para o outro. Quando se pensa em bibliotecas com esse perfil, o de reunir na forma de objetos digitais, a memória de uma Nação, os exemplos são a Biblioteca do Congresso, o Instituto Nacional do Audiovisual, ou mesmo, em termos audiovisuais, o Internet Archive, ou a BBC.  À excessão do Internet Archive, já concebido para este ambiente digital, todas as demais instituições têm acervos tanto digitais quanto analógicos.

Aqui no Brasil, há a instituição responsável pela guarda legal de cada publicação, a Biblioteca Nacional. Nem toda publicação impressa tem uma contrapartida digital.  As obras audiovisuaisrealizadas com financiamento público, da mesma forma, têm obrigação de depósito legal de cópia na Ancine .

Há uma defasagem entre a produção e a conservação dos bens culturais. Mas não somente estes, os trabalhos científicos, por exemplo, nem sempre são realizados apenas em artigos, e em número cada vez maior, incorporam elementos ditos “culturais” , como vídeos, canções, objetos artesanais.

Pensando nessa diversidade, há iniciativas, como a do Conselho Internacional de Museus que se preocupa com a “logística da informação museológica” através de medidas como um modelo de referência conceitual (CRM) que tem como proposta garantir que haja trocas de informações sobre diferentes bens culturais, ao memso tempo que se preserve as especificidades locais de cada cultura.

Para que isso ocorra, também é preciso que haja uma concordância satisfatória com os demais padrões, além dos bibliográficos, dos técnicos, dos científicos…e , de novo, a importância dos metadados.

Mas, como já foi visto no post anterior, há uma imensa quantidade de assuntos a serem organizados. Uma ou duas áreas não são suficientes. Há aspectos de toda ordem e consequências para diversas áreas e seus grupos sociais.

Quem são, quais são e onde estão, as pessoas que, cada uma em sua área, produzem, preservam e têm acesso aos bens culturais?

É toda uma cadeia de produção, documentação e distribuição que se engloba nessa pergunta. Implica, também, em condições de garantir a produção de bens culturais, os quais, quando financiados pelo poder público, por exemplo, se inserem no escopo da produção de uma memória pública digital.

Da mesma forma multifocada, tal escopo abrange os trabalhos científicos, os documentos públicos entre outros, como de origem não autoral, bem como as produções audiovisuais governamentais e de canais públicos, universitários e comunitários. Tal lista se expande, ainda, com as concessões de canal digital ainda não em operação, mas já definidas como pertencentes a setores que contemplam a escassez de acesso a produção de bens culturais audiovisuais de forma mais ampla e democrática.

Padrões: de tecnologia, de cultura, de informação…

O eixo Memória Digital tem como objetivo realizar um apanhando qualificado das atividades e idéias sobre a produção digital, ou digitalizada, da memória documental brasileira. Por motivos metodológicos e históricos, uma proposta de delimitação do campo do eixo de memória digital, ampliará, para além da Ciência da Informação, os conceitos de memória e documento. Num post anterior, foi feita a pergunta: Na Cultura Digital, quem define o que é documento?. Nesse mesmo post, fica também a consideração de que não se trata de prescindir do campo científico que tem a atribuição formal de sistematização do conhecimento…O dilema, colocado na pergunta, diz exatamente o contrário.

A tradição histórica, e por extensão os estudos em Ciência da Informação, reconhecem as sociedades em dois tipos básicos: os povos com e sem escrita. Contudo, tal divisão não resiste á uma análise visual mais detalhada, da paisagem humana socialmente construída. O uso de sinais, símbolos e signos constitui desde tempos imemoriais, objetos de sentido, ou artefatos culturais, tais como uma escultura, um livro, ou linhas de código que ”compõe” um software.Os sistemas de escrita são geralmente obtidos por meio de formas gráficas, as letras. Contudo, há evidências de que outras formas de “memória externa simbólica” existiram previamente aos alfabetos.

Essas considerações são necessárias para delimitar, num contexto de digitalização dos artefatos culturais, o que são documento, memória, informação, ou seja, conceitos gerados e utilizados de uma perspectiva cultural determinada. Por mais universalizante que se proponha, a Ciência da Informação tem seus limites.

O sistema MINC é composto pelas seguintes instituições:

* IPHAN

* Funarte

* CTAV (Centro Técnico Audiovisual)

* Fundação Biblioteca Nacional

* Ancine

* Fundação Cultural Palmares

* Cinemateca Brasileira

* Fundação Casa de Rui Barbosa

* IBRAM

A variedade de ações, objetos, políticas, conteúdos, padrões, acervos, propósitos, públicos, legislações entre muitos outros aspectos que constituem e interligam esse sistema é imensa. Do mesmo tamanho, são as realidades da Comunicação, da Ciência e Tecnologia e da Educação, para ficar na esfera do Governo Federal. Soma-se a essas estruturas, outros elementos, como os econômicos, os jurídicos, e os legislativos. Esse quadro complexo, todo ele, pode ser unificado (e não necessariamente de forma centralizada) pela tecnologia Digital.

A unificação dos padrões de metadados, em constante aperfeiçoamento, têm como desafio se ajustar às realidades dos países que adotam tais normas e, ao mesmo tempo, permitir que outras bibliotecas no mundo possam ter acesso aos dados sistematizados numa dada realidade. Os protocolos de tecnologias, garantem que as máquinas que interpretarão os metadados, disponibilizem de forma compreensível, a informação buscada na rede e interligada pelos padrões e protocolos.

A realidade brasileira, tem a peculiaridade de congregar em sua história, povos tanto de tradição oral (povos indígenas e africanos) quanto de tradição escrita (os portugueses, alguns africanos, árabes, japoneses, e demais europeus) que são o patrimônio nacional promovido, e preservado pela estrutura governamental em conjunto com a sociedade.

O documento do Plano Nacional de Cultura, propõe (pág.44) como política pública:

Ampliar o uso dos meios digitais de expressão e acesso à cultura e ao conhecimento
“…Uma política de digitalização de acervos e indispensável para permitir uma circulação inédita de registros de nossa memória cultural, pictória, gráfica e textual.”

Os atores e instrumentos históricos e políticos que compõe essa memória estão, hoje em dia, inseridos num contexto digital. Como pensar, diante dessas realidades diferentes de produção de sentidos, logo, de memórias, propostas amplas, não excludentes de Acervos Digitais no Brasil?

Libros y bibliotecas digitales: ¿monopolio virtual?

O website Democracy Now é uma prova de que nem todos os estadunidenses se adequam aos estereótipos…

Por Amy Goodman

Publicado el 30 de Septiembre de 2009

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Se está desatando una batalla acerca del futuro de los libros en la era digital y la función que cumplirán las bibliotecas. Un caso que se encuentra en este momento ante un tribunal federal de Estados Unidos, según se ha indicado, podría otorgar prácticamente el monopolio del conocimiento humano registrado al gigante de los buscadores de Internet Google. El complejo caso concitó la oposición de cientos de personas y grupos de todo el planeta.

Google anunció en 2004 su plan de digitalizar millones de libros y ponerlos disponibles en Internet. Los libros que son de dominio público estarían disponibles en forma gratuita. Los libros más nuevos, publicados desde 1923 hasta la fecha, que aún tienen derecho de autor, también estarían en Internet, pero solamente estarían disponibles en lo que Google denominó “fragmentos”. El Gremio de Escritores y la Asociación de Editores Estadounidenses presentaron una demanda argumentando violaciones a los derechos de autor. En octubre de 2008, ambas organizaciones y Google anunciaron un acuerdo denominado “Acuerdo sobre Libros de Google” (GBS, por sus siglas en inglés). En virtud del acuerdo, Google pagaría 125 millones de dólares y crearía el Registro de Derechos de Libros, una nueva organización que le daría fondos provenientes del acuerdo y de las ganancias de ventas futuras de los libros a quienes poseen los derechos de autor. Google estaría facultado no solo a exhibir obras, sino también a convertirse en una enorme librería on-line de venta de libros electrónicos.

El acuerdo le da a Google en forma automática el permiso de escanear, exhibir y vender libros que aún tienen derecho de autor pero que se considera que “están agotados” y para los que el titular de los derechos de autor no puede ser hallado fácilmente. Estos libros son denominados “libros huérfanos”. La condición de “obras huérfanas” ha sido objeto de mucho debate, y hasta incluso se propuso establecer una legislación para poner a las obras huérfanas a disponibilidad del público.

El Acuerdo sobre Libros GBS le da a Google, y solamente a Google, el derecho legal de digitalizar y vender estos libros.
La profesora de Derecho de la Universidad UC Berkeley, Pamela Samuelson escribió recientemente: “De ser aprobado, el acuerdo “Google Búsqueda de Libros” será el emprendimiento más importante de la industria del libro de la era moderna…[y] transformará el futuro de la industria del libro y del acceso público al patrimonio cultural de la humanidad encarnado en los libros”.

Brewster Kahle es co-fundador del Archivo de Internet, una biblioteca digital que aspira a brindar “acceso universal al conocimiento humano”. La biblioteca contiene 150.000 millones de páginas web, 200.000 películas, 400.000 grabaciones de audio y más de 1,6 millones de textos. Kahle se opone al Acuerdo sobre Libros de Google. Google escanea grandes cantidades de libros que son propiedad de las bibliotecas y le devuelve a cada biblioteca versiones digitales de sus libros solamente disponibles en un número limitado de terminales de computadoras, que proporciona el propio Google.

Le pregunté a Khale cómo ve el futuro de las bibliotecas y respondió: “Las bibliotecas como un lugar físico al cual acudir, creo que continuarán existiendo. Pero si continúa esta tendencia, si permitimos que Google tenga un monopolio, entonces las bibliotecas como depósitos de libros, lugares que compran libros, que son dueños de libros, guardianes de los libros, dejarán de existir. Mirando hacia adelante, las bibliotecas quizá terminen siendo simplemente suscriptoras de las bases de datos de unas pocas empresas que tienen el monopolio de los libros”. La versión de biblioteca digital que Kahle está construyendo de manera colaborativa junto con otras personas es abierta y compartible, y no tiene ningún tipo de restricciones, a diferencia de lo que sucede con el acuerdo de Google. Kahle es cofundador de Open Book Alliance, la coalición que presentó una demanda contra el Acuerdo sobre Libros de Google, comparando a este acuerdo con los esquemas de fijación de precios del petróleo establecidos por los magnates de la industria del ferrocarril y la Standard Oil de John Rockefeller en la década de 1870.

Luego de que el Juez Denny Chin, quien preside el caso, lanzó la convocatoria para la presentación de comentarios públicos, comenzaron a llegar manifestaciones de oposición desde todas partes del mundo, de fuentes que van desde los gobiernos de Francia y Alemania hasta un sinnúmero de editores, autores y artistas como el cantante folk Arlo Guthrie y la autora Julia Wright, hija de Richard Wright, quien escribió los clásicos “Chico Negro” e “Hijo Nativo”. Marybeth Peters, directora de la Oficina de Derechos de Autor de Estados Unidos, denominó al Acuerdo propuesto por Google “una forma de evadir el proceso legislativo y las prerrogativas”. El Juez Chin propuso la realización de una “audiencia imparcial” el 7 de octubre para decidir sobre el Acuerdo sobre Libros de Google.

El 18 de septiembre, el Departamento de Justicia de Estados Unidos presentó un escrito de oposición. Dice en una parte: “la amplitud del Acuerdo Propuesto – especialmente los futuros arreglos comerciales que pretende crear – plantea preocupaciones jurídicas considerables….La posibilidad de disponer a nivel mundial de los derechos de millones de libros con derecho de autor es un tipo de cambio de política que debería implementarse mediante legislación, no mediante un acuerdo judicial privado”. El Juez Chin anunció un aplazamiento de la audiencia. Open Book Alliance, junto con otros grupos, aplaudió el aplazamiento y está solicitando un proceso abierto y transparente para lidiar con el futuro de la digitalización de los libros y el problema de los libros huérfanos de forma tal de que se beneficie al interés público.

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Denis Moynihan colaboró en la producción periodística de esta columna.

© 2009 Amy Goodman

Audiência pública para debater digitalização da rádio no Brasil

Publicado em: 30/09/2009 16:13
Senado aprova audiência pública para debater digitalização da rádio no Brasil Redação Portal IMPRENSA

Nesta quarta-feira (30), o Senado aprovou um requerimento do senador Roberto Cavalcanti (PRB-PB) que propôs uma audiência pública para debater o modelo de digitalização de rádio no Brasil.

Segundo a Agência Senado, o assunto será discutido pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) do Senado.

Deverão ser convidados para a reunião o ministro das Comunicações, Hélio Costa; o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Ronaldo Sardenberg; e o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Pimentel Slavieiro.