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O paradoxo da tecnologia e a digitalização da cultura

Saiu a composição das mesas do encontro de museus e a web 2010. O mais frequentado ( digamos, mainstream ) encontro de museus e tecnologia. O que significa que em breve, os participantes internacionais terão novidades para os visitantes dos museus de seus países…

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Dentre os assuntos, mesas e oficinas que serão realizadas, há uma que fala dos usos das tecnologias de multi-toque, ou multitouch, que possibilitam a interação diretamente com a imagem, som e texto: um paradoxo, já que os conteúdos digitais tem como característica intrínseca a intangibilidade. Não posso literalmente pegar a letra desse texto e mudar os caracteres com a mão. Não podia. A importância dessas tecnologias estarem em grandes vitrines é a de que torna-se rápida sua adoção, seja isso positivo ou não…

Agora, com as possibilidades de mapeamento espacial sobre os conteúdos e seu ambiente, abriu-se a possibilidade de alterar, segundo uma modelagem das mesmas leis da física, tanto o conteúdo quanto o ambiente digital, de forma análoga ao correspondente material, a popular interatividade, só que sem mouses ou teclados, diretamente no conteúdo digital.

Não há mudança tecnológica neutra. Ocorrem sempre por interesses sociais, coletivos, mas localizados, e bem menos como consequência de adequação das necessidades mais amplas. De modo que um pequeno grupo, ou uma grande empresa, podem, por interesse, desenvolver tecnologias que dêem conta de necessidades especificas, com consequência para parcelas mais amplas.

Não é muito difícil imaginar um uso semelhante para equipamentos como o capacete de sensoriamento cerebral que, da mesma forma que os dispositivos multitouch, já são encontrados comercialmente.

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Para estas tecnologias e para outras que virão, os usos são impensados. Se as discussões atuais sobre banda larga ocorrem com vistas ao tráfego de voz, texto e imagem, em breve, discutirão tráfegos de outra ordem: sensores cerebrais. Está em curso uma adaptação dos objetos para que estes entrem em convergência com os conteúdos digitais. O que se chama hoje de realidade aumentada. Essas transformações terão impacto na cultura, na educação, no trabalho, e embora não estejam longe, parecem de um tempo que não chegará tão cedo. Esse é o descompasso entre a tecnologia e seu uso, entre o instrumento e a aplicação…

Quando em 1995 se falava em multimídia, ou multimeios, não se poderia ter uma noção do que isso significa daqui há dez anos. Ou se tinha uma dimensão imaterial, pura descritiva de possibilidades digitais, ou se concebia uma tecnologia imersiva, como a realidade virtual. O ritmo com que tais descrições caíram no desuso, ou em termos de memória, no esquecimento, mostra o que se entende hoje por multifunção, palavra também cada vez mais subentendida em qualquer dispositivo eletrônico.

Esses usos não podem ser nem pensados nem executados, sem a discussão de como, e para quem se destinam. Os direitos autorais, os financiamentos, são assuntos políticos e vê-los como algo distante, apenas impede que se depare, o quanto antes, com a responsabilidade de democratização dessas tecnologias. Com o paradoxo de ter que incorporar objetos que estão numa dimensão digital, virtual, tanto a produção da cultura, quanto sua compreensão, passam a compor um campo de cultura digital, ou a digitalização da cultura, que longe de ser científico ou mágico, político ou conceitual, é histórico, resultado dos usos que damos as tecnologias que dispomos.

#culturadigital.br:digitalização de acervos\acesso\domínio público

Quando o documento base de discussão do eixo de memória digital foi entregue no evento do Fórum da Cultura Digital Brasileira, em novembro, um dos itens, o Plano Nacional de Digitalização de Acervos foi, de longe, o ponto mais discutido. Um plano nacional é algo complexo que abrange várias etapas, assuntos, tem vários constituintes. Assim, o processo de conscientização, tanto da população, quanto dos representantes políticos sobre o que significa constituir, promover e conservar acervos públicos, também tem que ser feito por etapas.

A produção das culturas brasileiras é resultado de práticas de expressão individual e coletiva, materiais e imateriais, diversas e exuberantes. Há muitas variedades de identidades neste país e todas elas têm, em maior ou menor grau, produções culturais que as representam. Ocorre porém, que esta produção não permanece no tempo, a maior parte dela, se dissolve nas mudanças do dia à dia. Sem permanência, tais produções acontecem apenas como memória coletiva: existem para um grupo, e somente enquanto aquele grupo existir. O que acontece depois?

Entra ai uma política da memória que determina, por diversos meios legais e morais, o que deve ou não ser lembrado, tomado como identidade e memória. Em outras palavras, permanece a memória daquilo que é considerado oficial.  A opressão do silêncio, do calar a voz, do apagar ou distorcer a imagem, todas estas situações estão nos acervos, nos arquivos, ou fora deles.

Há uma crença de que o passado, aquilo que já aconteceu, não volta, e por isso, pensar no futuro, no que está por vir é mais importante. De fato, não só não conhecemos todo o passado, algo impossível, como também não temos conhecimento do que existe hoje, atualmente. Nossa compreensão histórica tem limitações de tempo e de espaço. Pois isso é, ao mesmo tempo, uma vantagem e uma dificuldade. Tanto o passado quanto o futuro são trabalho do presente, estão por (re) fazer.

A medida que as demandas por mais comunicação, melhor informação e mais democracia avançam, partes da população, os incluídos digitais, começam a alterar o perfil do que seja ativismo, ou o antigo civismo, começa a ser consultada em questões que antes ficavam restritas aos representantes do povo , os partidos políticos e poucos participantes de entidades políticas, como sindicatos, centros estudantis ou grupos diversos.

Outro dia, recebi uma mensagem aqui no Fórum, de alguém que perguntava sobre as relações, e naturalmente as implicações para o cenário descrito acima, entre a digitalização de acervos, o acesso livre e o domínio público. Umas das prioridades que se delineia no horizonte, sem dúvida é a de constituir espaços virtuais onde os cidadãos possam ter acesso livre às informações culturais que já estão disponíveis, nas diversas instituições  brasileiras. Já existe muita coisa, mas não é nem a metade do que existe. E o que existe?

Dentre as ações previstas para esse ano, conforme anunciado no evento do Fórum em novembro, haverá um  Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais. Assunto complexo, como à esta altura já se pressupõe…

A noção de que os governos devem disponibilizar Repositórios Institucionais Públicos ainda é nova, e nem os próprios cidadãos têm muita noção do que deveriam ser tais repositórios. De início, há discussões sobre sua natureza (única, ou espelhada, por questões de segurança) , sua gestão (seria um condomínio, haveria outros modelos?) e seu acesso( público, livre, quais seriam as condições para que conteúdos fossem agregados?) e muitas, mas muitas outras discussões. No entanto, o ritmo que tais discussões têm não é nem o necessário, nem o desejável. A miríade de elementos que estão envolvidos numa ação conjunta para se pensar essa questão só será percebida nos detalhes mias sensíveis( quem tem a posse, o uso e o acesso dos conteúdos) no momento que esta questão se tornar mais pública. Por tal adjetivo, se entende que deve haver uma discussão de um processo que está em curso, mas que por diversos motivos, fica a reboque de outras, tais como as relativas ao direito autoral, a regulamentação da internet e o próprio acesso, em termos de infra-estrutura, aos acervos.

O percurso que tais discussões tomará, ainda está em discussão, tendo em vista essa rede de interdependência de assuntos. Enquanto isso, o tempo passa.

Memória invisivel

Vai acontecer a Conferência Nacional de Comunicação, e os movimentos sociais, os partidos políticos e indivíduos engajados no debate público das comunicações no Brasil estão se mobilizando para fazer valer um direito humano cada vez mais fundamental: a comunicação. Alguns estudos de análise do discurso dizem que  quando não há comunicação, duas coisas ocorrem: ou o ruído,ou o silêncio. Nos preparativos do processo de propostas sobre os assuntos a serem debatidos, fiz uma pesquisa nesta lista dos grupos do Rio de  Janeiro, por três palavras chave: memória, acervo e patrimônio.

Até onde pude conferir, somente a ABCCOM – Associação Brasileira dos Canais Comunitários fez a seguinte proposta:

9) Criação imediata de um acervo único no Ministério da Cultura a partir de inventário, digitalização e disponibilização de produções existentes, com a construção de modelos de grade de rede do campo público de televisão diferenciado do sistema comercial, que sejam flexíveis e que contemplem e valorizem, efetivamente, os conteúdos regionais, tendo o Cinema Brasileiro como parceiro estratégico;

Não acho que seja diferente em outros estados, todavia pode ser. É importante dizer que todo esse esforço sobre a produção, exibição e a distribuição não pode esquecer o armazenamento. Mas esquecem. Ocorre que, a medida que vai avançando a produção digital, um problema concreto de armazenagem, tanto de material “bruto” quanto de conteúdos processados  ( livros, filmes,discos, fotografias…) se acumula de maneira desordenada.

Assim, no movimento de produção, distribuição e exibição, uma etapa posterior, mas não menos importante, é a da constituição de acervos. Tanto melhor se forem acervos públicos. Para isso, são necessárias ações sobre a constituição de  acervos digitais Públicos, desdobramento de um Plano Nacional de Digitalização desses acervos.

A proposta de acervos não se limita a tudo que se pode fazer para a preservação da memória.Uma outra dimensão, tão importante quanto a constituição desses arquivos, é o uso dos que têm acesso podem fazer deles. No Brasil, há muitos casos sensíveis quando se fala de arquivos. Há muitos segredos, muitos esquecimentos e, principalmente, muitos silenciamentos

Há propostas de reação a essa situação de silenciamento. Uma, que me fez lembrar o motivo de porque não há nem muita comunicação nem muita memória no espaço público, foi esse grupo que tem pessoas dos paises aqui do sul, pensando questões desse lado do hemisfério. Fiquei pensando em como seria, se questões semelhantes do contexto brasileiro pudessem ser trabalhadas dessa forma poética.

2º Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas Comunitárias

22/10/2009

De 12/11/2009 a 14/11/2009

Faltam 21 dias para o início do evento. Duração: 3 dias

Agência FAPESP – O 2º Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias e o 2º Fórum Prazeres da Leitura serão realizados de 12 a 14 de novembro de 2009, em São Paulo.

Entre as temáticas dos eventos estão “Políticas públicas de incentivo a leitura e bibliotecas”, “Desenvolvimento de seviços inovadores em bibliotecas públicas e comunitárias” e “Perfil das lideranças na gestão de bibliotecas e espaços de leitura”.

A mesa-redonda “Acessibilidade em bibliotecas” terá a participação de Maria Tereza Egler Mantoan, professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, Linamara Rizzo Battistella, secretária dos Direitos das Pessoas com Deficiência do Estado de São Paulo, e de Guilherme Lira, da Acessibilidade Brasil.

“Programas de incentivo à leitura nas bibliotecas de Medelín”, com Yicel Nayrobis Giraldo Giraldo, da Escola Interamericana de Biblioteconomia, na Colômbia, “Sistema de Bibliotecas Públicas de Milão”, com Aldo Pirola, diretor do Sistema de Bibliotecas Públicas de Milão, na Itália, e “Mediação cultural das bibliotecas frente ao perfil dos novos leitores”, com Lucia Santaella, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, são algumas das palestras programadas.

Os eventos ocorrerão no Teatro da Universidade Católica (Tuca), na rua Monte Alegre 1024, Perdizes.

Mais informações: www.acquaviva.com.br/sisconev e bibviva2009@acquaviva.com.br.

fonte: Agência Fapesp

III Seminário Internacional de Memória e Patrimônio – Pelotas/RS

Entrecortando a discussão sobre o que é um documento na Cultura Digital, mais um exemplo de que estas perguntas estão surgindo em vários lugares, sob várias perspectivas…

Inscrições, programação e outras informações no site: http://simpufpel.wordpress.com/

Programação

Dia 28/10 – Quarta-Feira
14 horas Painéis
18 horas Credenciamentos
19 horas Abertura oficial
19h30min Conferência: Prof. Dr. Pedro Paulo Funari (Unicamp) – Diversidade, Inclusão Social e Políticas Públicas
Dia 29/10 – Quinta-Feira
14 horas Painéis
19 h 30 min. Mesa-redonda:  Políticas públicas de patrimônio na América Latina:

Alicia Martin (UBA – Argentina)

Ana Maria Beltrami (IPHAN)

Lourdes Dominguez (Cuba)

Dia 30/10 – Sexta-Feira
14 horas Mesa-redonda:  “Patrimônio cultural: classificação, registro e salvaguarda”

Flavia Rieth (UFPel)

Mônica Rotman (UBA)

Arturo Toscano (Museo Nacional de Historia Natural y Antropologia – Uruguai)

19h30min Conferência de encerramento: Profª. Drª. Maria Cecília Londres Fonseca – “Questões atuais na preservação do patrimônio cultural”

Seminário Nacional do CMU discute memória e patrimônio na Unicamp

escrito por Amarildo Carnicel

[13/10/2009] Patrimônio cultural e memória enquanto bens de natureza material e imaterial compõem o pano de fundo do VI Seminário Nacional do Centro de Memória-Unicamp “Memória e Patrimônio” que será aberto nesta quarta-feira (14), às 9 horas, no Auditório do Instituto de Artes (IA) da Universidade. Com a participação de pesquisadores de diversas instituições de ensino e pesquisa do país, o evento terá como conferencista o professor emérito da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da USP, Ulpiano Bezerra de Meneses, um dos mais renomados pesquisadores brasileiros na área da história e da memória, que abordará o tema “Natureza, ambiguidade e dilemas do valor cultural”. A programação com mesas redondas, grupos de trabalho, apresentação de pôsteres e feira de livros prossegue nos dias 15 e 16, no IA e em mais três institutos e faculdades da Unicamp.

O evento será aberto com a participação da coordenadora da Cocen, professora Ítala M. Loffredo D‘Ottaviano e do diretor do CMU e coordenador geral do seminário, professor José Roberto Zan. A conferência de abertura será realizada às 9h30, no mesmo local. Além do professor Ulpiano Bezerra de Meneses, a mesa contará com a participação do debatedor Antonio Augusto Arantes (IFCH-Unicamp). No dia 15, às 9h30, no Auditório do IA será realizada a mesa redonda “Patrimônio Imaterial: Memória e Identidade” com a participação dos professores Samuel Araújo (UFRJ), Ricardo Lima (Centro Nacional do Folclore Popular-RJ), Edson Silva de Farias (UnB), Carlos Sandroni (UFPE) e da debatedora professora Olga Rodrigues de Moraes von Simson (FE/CMU-Unicamp). No dia 16, às 9h30, no Auditório do IA, será realizada a mesa redonda “Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural no Brasil”. Participam dessa discussão os professores Ana Lúcia Duarte Lanna (IEB-USP), Paulo César Garcez Marins (Museu Paulista-USP) Silvana Rubino (IFCH-Unicamp) e a debatedora profa. Cristina Meneguello (IFCH-Unicamp).

Os Grupos de Trabalho (GTs) serão realizados nos dias 14, 15 e 16, sempre das 14 horas às 18 horas em salas do Instituto de Artes, Instituto de Economia, Instituto de Estudos da Linguagem e Faculdade de Educação. Cerca de 150 trabalhos serão apresentados nos seguintes GTs: “Patrimônio Industrial e Identidade Urbana”, “Memória e Educação Patrimonial”, “Memória, Patrimônio e Diversidade Cultural”, “Memória, Imagens e Mídias”, “Tradição, Memória e Mercado Cultural”, “Processos de Patrimônio e Políticas Públicas” e “Patrimônio e Cidade”.

No dia 15, às 18 horas, no Instituto de Estudos da Linguagem, está programada a visita à Exposição de Pôsteres. Durante o evento, também no IEL, será realizada uma feira com cerca de 130 títulos de livros e revistas produzidos pela Área de Publicações do CMU. Os interessados poderão adquirir livros com 50% de desconto e revistas acadêmicas a partir de R$ 1,00.

Programação dos Grupos de Trabalho

1. Patrimônio Industrial e Identidade Urbana
Coordenação: Cristina Meneguello (IFCH-UNICAMP)

2. Memória e Educação Patrimonial
Coordenação: Olga R. de Moraes von Simson (FE-CMU-UNICAMP)

3. Memória, Patrimônio e Diversidade Cultural
Coordenação: Maria Elena Bernardes (CMU-UNICAMP) e Maria Carolina Bovério Galzerani (FE-UNICAMP)

4. Memória, Imagens e Mídias
Coordenação: Fernando de Tacca (IA-UNICAMP) e Amarildo Carnicel (CMU-UNICAMP)

5. Memória, Patrimônio e Indústria Cultural
Coordenação: Rita Morelli (IFCH-UNICAMP)

6. Tradição, Memória e Mercado Cultural
Coordenação: Cássia Navas (IA-UNICAMP)

7. Processos de Patrimonialização e Políticas Públicas
Coordenação: Marco do Valle (IA-UNICAMP) e Haroldo Gallo (IA-UNICAMP)

8. Patrimônio e Cidade
Coordenação: Marcos Tognon (IFCH-UNICAMP)

Mais informações sobre o seminário, como a programação geral dos GTs, podem ser obtidas pelo site www.cmu.unicamp.br/viseminario.