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	<title>Acervo Digital &#187; sociedade da informação</title>
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		<title>Ainda sobre o mal do Arquivo&#8230;.</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Jan 2011 03:22:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogerio Santana Lourenço</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Publicado no JC e-mail 4183, de 21 de Janeiro de 2011.   	 Sexta-Feira, 21 de janeiro de 2011</p>
<p>O Arquivo (vivo?) da Nação, artigo de José Maria Jardim</p>
<p>&#8220;É um retrocesso político, gerencial e científico a transferência do Arquivo Nacional para o Ministério da Justiça. Essa inadequação, vale lembrar, seria a mesma em qualquer outro ministério&#8221;</p>
<p>José Maria Jardim é professor da Escola de Arquivologia da Unirio. Artigo enviado pelo autor ao &#8220;JC e-mail&#8221;:</p>
<p>No Brasil, a idéia de arquivo é associada, com muita frequência, a de arquivo morto. A expressão &#8220;virou arquivo&#8221; designa as pessoas que, por alguma razão, foram silenciadas por seus assassinos. &#8220;Arquivo&#8221; e &#8220;morte&#8221; são termos associados por grande parte da sociedade brasileira, especialmente aquela que mais sofre com a falta de informações relevantes para o exercício dos seus direitos. &#8220;Arquivos&#8221; têm sido &#8220;mortos&#8221; sistematicamente ao longo da história do Brasil, especialmente no e pelo Estado brasileiro.     O reencontro com a democracia nos anos 1980, trouxe um sopro de vitalidade inédita para nossos arquivos públicos, órgãos tradicionalmente &#8220;mortos&#8221; na estrutura da nossa administração pública.  Afinal, sem arquivos plenos de vitalidade, dinâmicos e facilmente acessíveis pela sociedade, como o Estado pode ser transparente? E sem transparência do Estado, qual democracia almejamos construir e ampliar?     Os arquivos públicos são territórios do Estado a serviço da sociedade, da democratização da informação governamental e do exercício do direito do cidadão à informação e à memória. Seu papel como infraestrutura para a transparência da administração pública é imprescindível para que a sociedade controle a atuação do Estado e do governo.     Os arquivos públicos não são apenas um depósito de documentos. São instituições com múltiplas facetas: cultural, científica, administrativa, etc. É agência de transparência do Estado e território de construção da memória coletiva e, ao mesmo tempo, infraestrutura para a produção de conhecimento científico.     Os arquivos públicos dos governos mais avançados em termos de transparência e interação social são infraestruturas governamentais de informação para o Estado e a sociedade. Trata-se de órgãos supraministeriais com múltiplas funções de apoio à gestão pública e à produção de conhecimento científico e tecnológico. São territórios da memória coletiva, cultura e cidadania.     Não por acaso, o primeiro Arquivo Nacional criado foi o da França, em 1790, logo após a Revolução Francesa. A ideia de organização e, sobretudo, de publicidade dos documentos do governo por um tipo de instituição até então inexistente tem suas bases na construção do novo regime. Esse é um marco da história dos arquivos e da Arquivologia. O arquivo público é neste momento instrumento da administração do Estado.     Ao longo do século XIX, a formação dos Estados Nacionais traz em seu bojo a construção de identidades nacionais para as quais é imprescindível uma &#8220;memória nacional&#8221;. Os arquivos públicos passam também à condição de depositários e construtores dessa memória nacional.  São, nesse momento, território da História.     A criação do Arquivo Público do Império brasileiro estava prevista na Constituição de 1824, mas a fundação só ocorreu em 1838, aliás o mesmo ano de criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB).     Como chama atenção a historiadora Célia Costa, autora da tese de doutorado intitulada &#8220;Memória e administração: o Arquivo Público do Império e a consolidação do Estado brasileiro&#8221;, o acesso aos documentos no Arquivo Público do Império era garantido estritamente ao governo ou usuários que fossem indicados pelo imperador.     Ao contrário dos arquivos nacionais europeus, a historiadora nos lembra que o Arquivo Público do Império caracterizou-se muito mais como espaço do segredo do Estado, perspectiva procedente do período colonial, do que como um órgão envolvido nos processos de construção da história nacional.     O nome &#8220;Arquivo Nacional&#8221; só foi adotado em 1911. Ao longo da República, o Arquivo Nacional, como os demais arquivos públicos do país, sobreviveram na periferia do Estado. Eram voltados quase exclusivamente para a guarda e acesso de documentos considerados, sem parâmetros científicos, como de &#8220;valor histórico&#8221;, ignorando-se a produção documental que resultava de um Estado com funções cada vez mais amplas.      Neste cenário, os documentos eram acumulados ou eliminados &#8211; quase sempre sem critérios científicos &#8211; nos serviços arquivísticos do Estado. Tal ocorreu &#8211; e ainda ocorre em vários setores do Estado brasileiro &#8211; em função da inexistência de políticas públicas arquivísticas.     A ruptura da visão de arquivo público como apenas um depósito de documentos e a adoção de um novo modelo de gestão envolvendo todo o ciclo documental, desde a produção até a eliminação ou guarda permanente, só ocorrerá, em diversos países, após a década de 50 do século passado.     No Brasil, a Lei 8.159 de 8 de janeiro de 1991 garante o marco legal para essa concepção, incluindo também os arquivos estaduais e municipais. Além de suas atribuições em relação aos documentos federais, o Arquivo Nacional deve ainda implementar a política nacional de arquivos, a ser definida pelo Conselho Nacional de Arquivos (Conarq). Esse Conselho, subordinado ao Arquivo Nacional, é o órgão central do Sistema Nacional de Arquivos.     O Arquivo Nacional teve grande protagonismo nesse processo, a partir dos anos 80 e 90, influenciando arquivos estaduais e municipais.  No entanto, de modo geral, nossos arquivos públicos permanecem periféricos no Estado e pouco visíveis à sociedade. Ainda se caracterizam mais como reserva de opacidade do que de transparência.     Não se altera uma cultura de opacidade do Estado em apenas três décadas. A maior parte dos nossos arquivos públicos segue socialmente pouco visível. Na Europa e Estados Unidos, a abertura crescente dos arquivos a um uso social mais amplo ganha terreno após a II Guerra Mundial.     Procura-se cada vez mais superar a ideia dos arquivos como espaços acessíveis apenas a eruditos e cientistas. Por outro lado, as crescentes demandas sociais pelo direito à informação colocam os arquivos no epicentro das políticas públicas de transparência. A democratização do acesso aos arquivos tende a ser cada vez maior e diversificada, mesmo nas sociedades cujo regime democrático já se encontra mais consolidado.     As demandas sociais pelos arquivos se ampliam e mudam com o uso crescente das tecnologias da informação e comunicação. Novas fronteiras vêm sendo conquistadas pelos arquivos, ampliando-se a sua interatividade com a sociedade mediante programas de difusão via web, incluindo, mais recentemente, o uso cada vez maior das redes sociais.     Essa perspectiva tem orientado os caminhos do Arquivo Nacional do Brasil desde a década de 80. Talvez poucas instituições públicas brasileiras tenham passado por um processo de modernização tão intenso e em tão pouco tempo, influenciando ações semelhantes nos planos estadual e municipal.      Esse &#8220;dever de casa&#8221; encontrava limites no fato do Arquivo Nacional ser subordinado, há décadas, ao Ministério da Justiça.  Ao ser vinculado à Casa Civil da Presidência da República, em 2000, o Arquivo Nacional adquiriu melhores condições &#8211; especialmente políticas e orçamentárias &#8211; para avançar num novo modelo de gestão das informações governamentais. Beneficiou-se diretamente desse novo cenário o Conselho Nacional de Arquivos, subordinado ao Arquivo Nacional, responsável pela política nacional de arquivos.     Neste sentido, é um retrocesso político, gerencial e científico a transferência do Arquivo Nacional para o Ministério da Justiça. Essa inadequação, vale lembrar, seria a mesma em qualquer outro ministério, dada a abrangência de atuação da instituição em todo Executivo Federal.     Esse novo destino institucional provavelmente comprometerá frontalmente a dimensão nacional do Conselho Nacional de Arquivos.  Setores diversos da sociedade brasileira, representantes do mundo acadêmico e de associações profissionais, vêm expressando seu descontentamento face a essa decisão.      Ainda que fosse mantido na Presidência da República, seriam muitos os desafios a serem enfrentados pelo principal arquivo público do país para atuar plenamente na gestão das informações governamentais e torná-las acessíveis à sociedade brasileira. A política nacional de arquivos ainda está por se definir. O Sistema Nacional de Arquivos não foi operacionalizado.  O Arquivo Nacional encontra-se distante do que pode e deve vir a ser, embora tenha acumulado suficiente vitalidade para deixar de ser um &#8220;arquivo histórico&#8221; do século XIX e projetar-se como um centro de informações governamentais do século XXI.     Ao ser excluído da Presidência da República e inserido no Ministério da Justiça, o Arquivo Nacional protagonizará, uma vez mais, o velho e ainda insuperado drama brasileiro de periferização dos arquivos do Estado e sua inevitável invisibilidade social. O Arquivo Nacional provavelmente não morrerá porque, de alguma forma, aprendeu a sobreviver perifericamente ao longo da sua história, mas certamente será um órgão aquém de suas transformações recentes, de suas atribuições legais e da democracia que buscamos.</p>
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		<title>As Instituições e a definição do campo de Acervos Digitais Públicos</title>
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		<pubDate>Thu, 06 May 2010 02:38:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogerio Santana Lourenço</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma das palestras do Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais , de fato, a de encerramento, talvez tenha passado desapercebida da maioria de participantes. Durante três dias, foi possível ver, ouvir e discutir as apresentações que compuseram a programação do evento. Como palavra final que foi, a apresentação do CONARQ, deu o sinal [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das palestras do<a href="http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais/"> Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais</a> , de fato, a de encerramento, talvez tenha passado desapercebida da maioria de participantes. Durante três dias, foi possível ver, ouvir e discutir as apresentações que compuseram a <a href="http://culturadigital.br/simposioacervosdigitais/programacao/">programação </a>do evento. Como palavra final que foi, a apresentação do CONARQ, deu o sinal que este <a href="http://culturadigital.br/groups">Fórum</a> refletiu, discutiu  e propôs ao longo de sua existência: as bases de um tão esperado Plano Nacional de Digitalização de Acervos.</p>
<p>Este blog, a blogosfera aqui no cd.br, e na rede em geral, têm em comum, o reconhecimento que o país precisa de um padrão de acervos digitais. Sejam eles públicos ou privados, individuais ou coletivos, a necessidade de definir uma padronização base, ocorre em todos esses  níveis de organização. Desde a concepção até a disponibilização, um diálogo entre todos os elementos dessa cadeia é fundamental.</p>
<p>A discussão não pode ser apenas vertical, indo do acesso ao acervo. Pode ser também horizontal, isto é, possibilitar que os acervos e usuários troquem entre si.Os metadados, e a recuperação desses conteúdos podem ser intercambiáveis, algo mais ousado e ao mesmo tempo equilibrado, em todos os  níveis.</p>
<p>Por cima dessas possibilidades, a troca entre acervos permite que a educação, a cultura e a ciência, ultrapassem essa divisão do passado que dificilmente será a do futuro. Não há motivo para que alunos de escolas não possam receber, ao procurarem algo, o maior número de informações coerentes sobre o que pesquisam. A tecnologia pode expandir e dar os filtros para selecionar.</p>
<p>Essa mesma preocupação ocorre em muitos níveis, lugares, porções dessa dinâmica cultural. Assim, há projetos mundiais de integração de acervos, latino-americanos, nacionais e locais da mesma natureza.</p>
<p>Esse dispositivo, a tecnologia, não difere os níveis e lugares, podendo, assim, estar em todos ao mesmo tempo. O digital tem essa recursividade. Essa possibilidade, não excludente, matricial, e principalmente caótica, traz possibilidades impensadas. Mas para tanto, é preciso que sua estrutura seja forte não como instituição, mas como sentido. O que dá relevância às instituições é a sua representatividade.</p>
<p>O macro e o micro são semelhantes. Em ambos há hierarquias, em ambos há anarquias, a maioria de ambos é de autarquias&#8230; E mais que haver contradição, há uma dinâmica, tal que de tanto serem espontâneos, os grupos humanos acabam por ritualizar o que fazem, criando assim sua tradição. As instituições, publicas e privadas, por suas vez, são movidas por pessoas que quase sempre de forma heterodoxa e discreta, fazem funcionar na medida do possível, um maquinário precário.</p>
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		<title>Um edital sobre Acervos Digitais&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Apr 2010 18:26:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogerio Santana Lourenço</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Do Observatório de Editais: http://www.cultura.gov.br/site/2010/04/12/programa-de-incentivo-a-producao-do-conhecimento-tecnico-e-cientifico-na-area-da-cultura-2010/ 12 de abril de 2010 Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnico e Científico na Área da Cultura &#8211; 2010 Inscrições até 24 de maio Este edital tem como objeto selecionar bolsistas para o Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnico e Científico na Área da Cultura da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Do Observatório de Editais:</p>
<p><a href="http://www.cultura.gov.br/site/2010/04/12/programa-de-incentivo-a-producao-do-conhecimento-tecnico-e-cientifico-na-area-da-cultura-2010/">http://www.cultura.gov.br/site/2010/04/12/programa-de-incentivo-a-producao-do-conhecimento-tecnico-e-cientifico-na-area-da-cultura-2010/<br />
</a></p>
<p>12 de abril de 2010<br />
Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnico e Científico na Área da Cultura &#8211; 2010<br />
<span style="color: #ff0000">I<strong>nscrições até 24 de maio</strong></span></p>
<p>Este edital tem como objeto selecionar bolsistas para o Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnico e Científico na Área da Cultura da FCRB, cuja finalidade é formar, treinar e capacitar recursos humanos em programas, projetos e atividades de pesquisa, desenvolvimento institucional, tecnológico e de referência em preservação e tratamento técnico de acervos museológico, arquivístico, bibliográfico e arquitetônico da FCRB, assim como nas áreas de pesquisa em história, direito, filologia, estudos ruianos e políticas culturais, de modo a fortalecer o cumprimento da missão institucional da Fundação, que é “promover a preservação e a pesquisa da memória e da produção literária e humanística e congregar iniciativas de reflexão e debate acerca da cultura brasileira, contribuindo para o conhecimento da sua diversidade e para o fortalecimento da cidadania.</p>
<p>Edital</p>
<p>* Publicado por Geisa &#8211; Observatório dos Editais<br />
* Categoria(s): INSCRIÇÕES ABERTAS, Inscrições Abertas<br />
* Tags: Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnic</p>
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		<title>A importância da Memória para a Cultura.</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Mar 2010 00:19:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogerio Santana Lourenço</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em geral, quando se discute o que significa cultura, a palavra tradição sempre aparece. Cultura, que pode ter também o significado de cultivar, culto, e demais extensões, dessa maneira quer dizer aquilo que se mantém, que se perpetua, se preserva. O limite entre o que se apaga e o que se recorda, se registra, é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em geral, quando se discute o que significa cultura, a palavra tradição sempre aparece. Cultura, que pode ter também o significado de cultivar, culto, e demais extensões, dessa maneira quer dizer aquilo que se mantém, que se perpetua, se preserva. O limite entre o que se apaga e o que se recorda, se registra, é tênue, é principalmente, o limite do interesse&#8230;</p>
<div id="attachment_967" class="wp-caption alignnone" style="width: 512px"><img class="size-full wp-image-967 " src="http://culturadigital.br/acervodigital/files/2010/03/brazilgoogletimeline.png" alt="altura da coluna indica buscas no inicio do terceiro mês de 2010." width="502" height="171" /><p class="wp-caption-text">altura da última coluna indica buscas no inicio do terceiro mês de 2010.</p></div>
<p>Assim, mais do que o passado, a tradição é usada como uma regra para o presente: &#8221; faremos assim porque nossos ancestrais fizeram, ou faziam &#8230;&#8221; então mesmo o futuro, ou aquilo se é decidido que será preservado, está baseado na tradição. Isto vale tanto para a educação ou costumes, quanto para as leis. Assim, por exemplo, financiamentos públicos têm, também, uma <a href="http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Institucional/Sala_de_Imprensa/Noticias/2009/Cultura/20090921_acervos.html">tradição de destinação das verbas</a>, baseadas em estimativas passadas.  Ocorre que o passado, ao contrário do que se pensa, é móvel, dinâmico. Já fomos, brasileiros de muitas maneiras, de muitos lugares e hoje, sem dúvida, estamos em transição.</p>
<p>Quando se discute banda larga, concessão dos meios de comunicação, direito autoral, padrões de tecnologia audiovisual, de leitores de livros eletrônicos, de sistemas operacionais, discute-se junto, sempre, a cultura. Assim, é possível ler sobre o Brasil, não raro, sendo apontado como um país progressista, em termos da elaboração de propostas para questões como os direitos autorais, quebra de patentes medicamentos, ou mesmo participação nas discussões sobre o clima. Claro que o Brasil tem idéias e participações que precisam melhorar, mas sem empenho, participação, cobrança e boa vontade, não há muito a ser feito.  Afora isso, o processo da participação social tem demonstrado avanços na visão que o pais tem de sí e dos demais países. Para o <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/03/090327_presseconomist_ba.shtml">lado bom</a>, e o <a href="http://haiti.org.br/tag/brasil/">nem tanto</a>, estamos aprendendo nossas <a href="http://www.nytimes.com/2009/11/23/world/americas/23brazil.html">possibilidades no mundo</a>.</p>
<p>Junto a esse movimento de fazer um presente mais participativo, aberto, vêm também a necessidade de preservação do que se constrói coletivamente. Para quem procura pela <a href="http://images.google.com.br/images?um=1&amp;hl=en&amp;safe=off&amp;client=firefox-a&amp;rls=org.mozilla%3Aen-US%3Aofficial&amp;gbv=2&amp;tbs=isch%3A1&amp;sa=1&amp;q=%22hist%C3%B3ria+dos+movimentos+sociais+no+brasil%22&amp;btnG=Search&amp;aq=f&amp;oq=&amp;start=0">história dos movimentos sociais no brasil</a>, há poucas fontes que reúnam de forma sistemática as ações realizadas por esses coletivos. Não se trata apenas de falta de imagens, mas sim de cervos, de conjuntos sistemáticos de objetos culturalmente valorizados.</p>
<p>A mesma situação existe para os milhares de shows musicais, trabalhos escolares, o pesquisas acadêmicas, grupos de estudo, de atividades esportivas, de associações culturais, enfim, a sociedade civil organizada. Num período de tanta agitação como hoje, isso pode parecer nagativismo, mas a cultura que atualmente se produz não tem garantia de existir amanhã. Com o conteúdo digital, isso se acentua, em muito.</p>
<p>O programa &#8220;Pontos de Cultura&#8221; é uma iniciativa governamental iniciada em 2003. Visa democratizar de forma<a href="http://mapasdarede.ipso.org.br/mapa/"> livre e qualificada</a>, o acesso à informação da população brasileira. Como um programa governamental, é composto por verbas que são destinadas a sua realização. Tais recursos, uma vez bem gastos, retornarão aos contribuintes na forma de atividades relacionadas à produção cultura, busca pela cidadania e humanização do ambiente. Ocorre que, sem equívoco, menos de dez por cento de todos os pontos de cultura, o processo mais dinâmico em termos sociais no momento, têm um acervo audiovisual adequado. A indexação dos conteúdos, reduz esse número&#8230;O fato é que tal programa, replicado em países como<strong>, </strong>Inglaterra, Itália, Áustria, Argentina, Uruguai ou Paraguai, não pode ter o mesmo destino que tantos outros, governamentais ou não.</p>
<p>As ações que estão em curso hoje não podem ser tomadas como perenes. São fruto de pessoas que as realizam, mas isto deve, de forma coletiva, ser preservado. Para isso, cabe recursos do governo e sociedade civil mobilizada, no sentido de garantir tal preservação. Se a Conferência Nacional de Comunicação, <a href="www.confecom.com.br/">CONFECOM</a>, não discutiu de forma necessária a questão dos acervos e digitalização, a <a href="http://culturadigital.br/groups/ii-conferencia-nacional-de-cultura">CONFECULT</a>, ou Conferência Nacional de Cultura, não poderia ser da a esse descuido. Para além da definição  errônea e dicotômica entre &#8220;graus&#8221; de cultura, existe a dignidade do que se considera expressão do espírito humano: sua engenhosidade e infinidade.</p>
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		<title>O paradoxo da tecnologia e a digitalização da cultura</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 02:14:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogerio Santana Lourenço</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Saiu a composição das mesas do encontro de museus e a web 2010. O mais frequentado ( digamos, mainstream ) encontro de museus e tecnologia. O que significa que em breve, os participantes internacionais terão novidades para os visitantes dos museus de seus países&#8230; Dentre os assuntos, mesas e oficinas que serão realizadas, há uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 20mm } 		P { margin-bottom: 2.12mm } --></p>
<p style="margin-bottom: 0mm">Saiu a composição das mesas do  encontro de <a href="http://www.archimuse.com/mw2010/">museus e a web 2010</a>. O mais frequentado ( digamos, mainstream ) encontro de museus e tecnologia. O que significa que em breve, os participantes internacionais terão novidades para os visitantes dos museus de seus países&#8230;</p>
<p style="margin-bottom: 0mm"><img class="alignnone size-full wp-image-952" src="http://culturadigital.br/acervodigital/files/2010/03/header-wide.gif" alt="header-wide" width="441" height="179" /></p>
<p style="margin-bottom: 0mm">Dentre os <a href="http://www.archimuse.com/mw2010/sessions/index.html">assuntos</a>, mesas e <a href="http://www.archimuse.com/mw2010/workshops/index.html">oficinas </a>que serão realizadas, <a href="http://www.archimuse.com/mw2010/abstracts/prg_335002167.html">há uma</a> que fala dos usos das<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Multi-toque"> tecnologias de multi-toque</a>, ou multitouch, que possibilitam a interação <a href="http://culturadigital.br/acervodigital/2009/11/30/paredes-interativas-wiimote-e-software-livre/">diretamente com a imagem</a>, som e texto: um paradoxo, já que os conteúdos digitais tem como característica intrínseca a intangibilidade. Não posso literalmente pegar a letra desse texto e mudar os caracteres com a mão. Não podia. A importância dessas tecnologias estarem em grandes vitrines é a de que torna-se rápida sua adoção, seja isso positivo ou não&#8230;</p>
<p style="margin-bottom: 0mm">Agora,  com as possibilidades de mapeamento espacial sobre os conteúdos e seu ambiente, abriu-se a possibilidade de alterar, segundo uma modelagem das mesmas leis da física, tanto o conteúdo quanto o ambiente digital, de forma análoga ao correspondente material, a popular interatividade, só que sem <em>mouses</em> ou teclados, diretamente no conteúdo digital.</p>
<p style="margin-bottom: 0mm">Não há <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/tecnologia,brasil-apela-contra-adocao-de-padrao-da-microsoft,181307,0.htm">mudança tecnológica neutra</a>. Ocorrem sempre por interesses sociais, coletivos, mas localizados, e bem menos como consequência de adequação das necessidades mais amplas. De modo que um pequeno grupo, ou uma grande empresa, podem, por interesse, desenvolver tecnologias que dêem conta de necessidades especificas, com consequência para parcelas mais amplas.</p>
<p style="margin-bottom: 0mm">Não é muito difícil imaginar um uso semelhante para equipamentos como o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=gRuIQGW0E-o">capacete de sensoriamento cerebral</a> que, da mesma forma que os dispositivos multitouch, já são encontrados comercialmente.</p>
<p style="margin-bottom: 0mm"><img class="alignnone size-full wp-image-954" src="http://culturadigital.br/acervodigital/files/2010/03/headset_man.png" alt="headset_man" width="476" height="156" /></p>
<p style="margin-bottom: 0mm">Para estas tecnologias e para outras que virão, os usos são impensados. Se as discussões atuais sobre banda larga ocorrem com vistas ao tráfego de voz, texto e imagem, em breve, discutirão tráfegos de outra ordem: sensores cerebrais. Está em curso uma adaptação dos objetos  para que estes entrem em convergência com os conteúdos digitais. O que se chama hoje de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Realidade_aumentada">realidade aumentada</a>. Essas transformações terão impacto na cultura, na educação, no trabalho, e embora não estejam longe, parecem de um tempo que não chegará tão cedo. Esse é o descompasso entre a tecnologia e seu uso, entre o instrumento e a aplicação&#8230;</p>
<p style="margin-bottom: 0mm">Quando em 1995 se falava em multimídia, ou <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Multimeios">multimeios</a>, não se poderia ter uma noção do que isso significa <a href="http://www.youtube.com/watch?v=uiHfQd4opKM">daqui há dez anos</a>. Ou se tinha uma dimensão imaterial, pura descritiva de possibilidades digitais, ou se concebia uma tecnologia imersiva, como a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Realidade_virtual">realidade virtual</a>. O ritmo com que tais descrições caíram no desuso, ou em termos de memória, no esquecimento, mostra o que se entende hoje por multifunção, palavra também cada vez mais subentendida em qualquer dispositivo eletrônico.</p>
<p style="margin-bottom: 0mm">Esses usos não podem ser nem pensados nem executados, sem a discussão de como, e para quem se destinam. Os direitos autorais, os financiamentos, são assuntos políticos e vê-los como algo distante, apenas impede que se depare, o quanto antes, com a responsabilidade de democratização dessas tecnologias. Com o paradoxo de ter que incorporar objetos que estão numa dimensão digital, virtual, tanto a produção da cultura, quanto sua compreensão, passam a compor um campo de cultura digital, ou a digitalização da cultura, que longe de ser científico ou mágico, político ou conceitual, é histórico, resultado dos usos que damos as tecnologias que dispomos.</p>
<p style="margin-bottom: 0mm">
<p style="margin-bottom: 0mm">
<p style="margin-bottom: 0mm">
]]></content:encoded>
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		<title>2010: uma agenda da memória do futuro.</title>
		<link>http://culturadigital.br/acervodigital/2010/02/03/2010-uma-agenda-da-memoria-do-futuro/</link>
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		<pubDate>Wed, 03 Feb 2010 22:19:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogerio Santana Lourenço</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O ano de 2010, ainda não começou, em termos culturais, é claro.  No entanto, outros aspectos: o profissional, o acadêmico e o político, estão em curso. De modo que, dado o calendário (sim, sempre os calendários) , o horizonte deste blog tem por paisagem os itens abaixo relacionados: Digitalização Acervos Particulares Acervos públicos:constituição, preservação e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O ano de 2010, ainda não começou, em termos culturais, é claro.  No entanto, outros aspectos: o profissional, o acadêmico e o político, estão em curso. De modo que, dado o calendário (sim, sempre os <a href="http://culturadigital.br/acervodigital/2010/01/12/memoria-identidade-e-arquivo-a-politica-do-vazio-visual/">calendários</a>) , o horizonte deste blog tem por paisagem os itens abaixo relacionados:</p>
<ol>
<li>Digitalização</li>
<li>Acervos Particulares</li>
<li>Acervos públicos:constituição, preservação e divulgação</li>
<li>Regulamentação de Documentação não-escrita</li>
<li>Regulamentação dos acervos audiovisuais</li>
<li>Padrões livres de arquivos digitais</li>
<li>Dados governamentais Públicos e Livres</li>
<li>Repositórios públicos, abertos e livres</li>
<li>Interfaces visuais</li>
<li>Conteúdo colaborativo</li>
<li>Direitos Autorais</li>
<li>Indexação</li>
</ol>
<p>Seira muita utopia que esses doze itens fossem resolvidos, ao final dos doze meses&#8230; O número aqui é mais fruto de coincidência do que adequação. Por coincidência entende-se o fato de que, ao elencar os temas acima, isto não os faz mais ou menos prioritários frente a mobilização das instituições, sociedade civil e governo. O tempo dirá no final do ano, o que será discutido neste, ou no próximo, o que foi abordado nesse, e o que vem se protelando desde o ano passado. As tendências mundiais sobre estes assuntos, são <a href="http://culturadigital.br/blog/2010/01/25/o-manifesto-pelo-dominio-publico/">promissoras</a>, em sua maioria. Ocorre porém, que a realidade brasileira tem suas <a href="http://culturadigital.br/groups/ii-conferencia-nacional-de-cultura">peculiaridades</a>&#8230;Como são extensos, interligados e por si complexos, os temas serão abordados em posts daqui para frente, uma coisa de cada vez.</p>
<p>Na verdade,esses doze pontos são vinte e quatro, quarenta e oito&#8230;ou tantos quantos forem os assuntos que surgirem aqui, ou no <a href="http://culturadigital.br/groups/curador-de-memoria-digital">grupo de Memória Digital</a>, por sugestão, durante o ano.</p>
<p>De início, cabe dizer que os assuntos não estão em qualquer ordem, melhor assim, pois trata-se de uma previsão, e acertar a ordem de prioridade, além de agenda, já extrapola em muito a mágica aqui em curso neste Fórum da Cultura Digital Brasileira.</p>
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		<title>Fight for your pattern</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 15:48:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogerio Santana Lourenço</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fight for your pattern, ou,  literalmente:&#8221;lute por seu padrão&#8221;, foi a frase dita por amigo, em alusão ao filme &#8220;faça a coisa certa&#8221; do Spike Lee , cuja trilha sonora, feita pelo Public Enemy diz: &#8220;fight for your right&#8220;. O &#8220;right&#8221; substituído, ai no caso do meu amigo, é o direito de escolher, nesse mundo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Fight for your pattern</em>, ou,  literalmente:&#8221;lute por seu padrão&#8221;, foi a frase dita por amigo, em alusão ao filme &#8220;faça a coisa certa&#8221; do Spike Lee , cuja trilha sonora, feita pelo <em>Public Enemy </em>diz: &#8220;<em>fight for your right</em>&#8220;. O &#8220;<em>right</em>&#8221; substituído, ai no caso do meu amigo, é o direito de escolher, nesse mundo de informação, o padrão de que mais lhe convém: o de vestimenta, de leitura, de diversão , de trabalho&#8230;isto é, sua identidade.</p>
<p>De um certo ponto de vista, qualquer luta implica em anulação, vencimento daquilo contra o qual se combate&#8230;para isso é preciso agressão&#8230;.Disse a ele então, que o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mestre_Pastinha">Mestre Pastinha</a> tem uma frase interessante que contrasta com esta visão de mundo historicamente formada. Ele dizia:&#8221;você não faz com raiva, o que eu faço brincando&#8221;. Hoje em dia, como muitas coisas são <a href="http://twitter.com/#search?q=%23nowplaying">rápidas </a>e rasas, efêmeras, as pessoas esquecem que a duração desse tempo, assim como sua memória, são partes de uma categoria bem maior que presente ou passado: a história.  Assim, nem tudo na vida dura apenas seis meses, nem tudo tem um refil&#8230; e o caso é que, em termos culturais, quando se fala de identidade, os estereótipos são um problema. Estéreo, em grego, quer dizer &#8220;sólido&#8221;, ou seja, estereotipar é solidificar a identidade de algo, de alguém, ignorando o fluxo temporal contínuo da história humana.</p>
<p>No caso dos personagens do filme de Spike Lee, junto com a notável &#8220;solidez&#8221; do som, as identidades ali também aparecem estereotipadas, pois o diretor queria enfocar que a informação, os produtos &#8220;culturais&#8221; de um &#8220;grupo&#8221;, podem ser tanto fonte de libertação quanto de opressão. Podemos ser prisioneiros de nossas próprias identidades, se não aceitamos as dos outros como válidas também.</p>
<p>No início dos anos noventa, os &#8220;buscadores&#8221;de páginas web, todos eles, tinham um link dizendo, &#8220;insira aqui seu resultado&#8221;, ou coisa semelhante. Agora, que o futuro já chegou e temos que reinventá-lo para seguir em frente, a situação da produção de informações se multiplica para muitos caminhos divergentes. Os resultados passaram a ser relevantes pelo número de buscas, ou padrões de recorrência, para tornarem algo legitimado, ou identificá-lo como tal.</p>
<p>Como sinais da convergência dos meios, tanto as grandes empresas de busca, quantos as pequenas, nos laboratórios das universidades estão <a href="http://www.wired.com/magazine/2009/10/ff_demandmedia/all/1">desenvolvendo mecanismos de busca </a>&#8220;preditiva&#8221;, ou antecipatória. Isto ocorre porque tanto no caso de bilhões de buscas diárias, ou de vocabulários controlados, há a emergência de padrões. O que significa que, se tudo der certo, haverá uma dependência maior desses mecanismos, além de uma redução na capacidade de busca autônoma, ou pensamento analítico. Não basta ter tecnologia de excelência, tem que haver excelência no pensamento que busca. E isso, só se consegue sendo crítico: comparando, avaliando e decidindo, em termos sempre provisórios, o que se compreende por &#8220;resultado&#8221;. Um acervo valioso só vira informação útil quando responde á pergunta certa.</p>
<p>O filme de Spike Lee, &#8220;Faça a coisa certa&#8221;, conta a história de como o contato entre as culturas que formam o povo estadunidense, ou qualquer povo, pode atrapalhar, ou a ser uma solução de existência, de acordo com os modelos de organização. De nada adianta a ciência ter já demonstrado cabalmente que o que se concebe como &#8220;ocidente&#8221;, e mesmo &#8220;Europa&#8221; &#8220;África&#8221;ou &#8220;Ásia&#8221;, nada mais são do que um somatório de histórias, descrições de lugares e tempos distantes. Vá até um cantão isolado na Suiça perguntar o que o habitante de lá acha da União Européia. Em seguida, pergunte a um membro de uma localidade no Congo, onde não há cidades, por exemplo, o que ele pensa da colonização européia e as respostas serão parecidas: sabemo o que é, mas estas &#8220;entidades&#8221; não nos afetaram irremediavelmente, como aconteceu em outros lugares dentro desses países.</p>
<p>Os padrões de vida, os hábitos tantos os impostos quanto os adquiridos voluntariamente, como a leitura, por exemplo, são técnicas humanas de existência. Comumente chamadas de cultura, esses padrões já foram descritos como &#8220;Comunidades Imaginárias&#8221;, &#8220;Estados&#8221;, &#8220;Civilizações&#8221;, &#8220;Sociedades&#8221;, &#8220;Mercados&#8221;&#8230;enfim, construções  de sistemas de informação distribuídos coletivamente. Modelos de organização da informação baseados em necessidades específicas no tempo-espaço humanos, deram origem à diversas estruturas, processos e, por final, desigualdades, erros, elementos desestruturantes que tais sistemas apresentam historicamente.</p>
<p>A complexidade das informações, ou a intensificação dos registros materiais (os documentos) dos conhecimentos sociais, tem sempre como consequência, os interesses de regular a criação, distribuição e preservação desses conhecimentos, permitindo ou não que estes formem padrões: de hábito, de moral, de estética..de identidade. Se por um lado, a produção da informação é algo político, por outro, a política tem em si um componente informativo, o de contar com  a possibilidade de definir o que seja informação, conhecimento ou valor. Dessa forma, o Fórum da Cultura Digital, teve em 2009, consultas públicas para que se definisse um padrão de condutas socialmente aceitável na internet, essa sociedade global sem território nacional.</p>
<p>A discussão está postada, mas não desenvolvida.</p>
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		<item>
		<title>A Carta de Ouro Preto 2009 da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA)</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jan 2010 15:23:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogerio Santana Lourenço</dc:creator>
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		<description><![CDATA[da fonte: http://abpablog.wordpress.com/ Os integrantes da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA) e os participantes do 4º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros, reunidos na 4ª Mostra de Cinema de Ouro Preto – CINEOP, reafirmam este evento como fórum de discussão e encaminhamento de reflexões e ações para a preservação do patrimônio audiovisual [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<div>
<p>da fonte: <a href="http://abpablog.wordpress.com/">http://abpablog.wordpress.com/</a></p>
<p>Os integrantes da <strong>Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA)</strong> e os participantes do 4º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros, reunidos na 4ª Mostra de Cinema de Ouro Preto – CINEOP, reafirmam este evento como fórum de discussão e encaminhamento de reflexões e ações para a preservação do patrimônio audiovisual brasileiro.</p>
<p>Considerando:</p>
<ul>
<li>a urgência do reconhecimento da relevância desse Patrimônio Cultural pelos poderes públicos, pela sociedade, inclusive pelos profissionais das atividades cinematográficas e audiovisuais;</li>
<li>a constatação do risco iminente de desaparecimento desse Patrimônio Cultural, que representa igualmente um ativo econômico e se encontra em condições desiguais de preservação nas diferentes unidades da Federação;</li>
<li> a insuficiência de uma política pública específica e sistemática que contemple o campo da preservação audiovisual no Brasil;</li>
<li>que a ABPA foi designada pelas organizações, instituições, entidades e profissionais presentes, ligados ao campo da preservação, como entidade representativa e interlocutora junto aos demais segmentos da área audiovisual, à sociedade civil e ao poder público.</li>
</ul>
<p>Afirmam que:</p>
<ul>
<li> diante da carência de recursos financeiros e humanos, e de mecanismos específicos destinados ao campo da preservação, questionam a manutenção da disparidade existente e propõem uma distribuição equânime dos recursos públicos para o setor audiovisual; e</li>
<li>destacam que existem necessidades específicas do campo da preservação audiovisual que devem ser consideradas na reformulação da Lei Rouanet, em curso, e de outros textos legais que tem por objeto o audiovisual e as políticas de Cultura.</li>
</ul>
<p>Solicitam:</p>
<ul>
<li> a participação da ABPA nas instâncias de decisões governamentais referentes ao setor audiovisual; e</li>
<li>como forma de contribuição direta, assento para ABPA junto ao Conselho Consultivo da Secretaria do Audiovisual – SAv-MinC, e em outros fóruns similares, estaduais e municipais.</li>
</ul>
<p>A partir do quadro acima exposto, vimos, da mesma forma, nos manifestar a favor do reconhecimento da importância da <strong>Cinemateca Capitólio</strong>, em Porto Alegre, e do <strong>Centro de Referência Audiovisual (CRAv)</strong>, em Belo Horizonte, e apoiar publicamente os pleitos dessas instituições.</p>
<ul>
<li> <strong>Cinemateca Capitólio</strong> <strong>- s</strong>olicitar aos órgãos federais, estaduais e municipais, agilidade no processo de conclusão da obra civil da <strong>Cinemateca Capitólio</strong>, e sua implantação, como forma de garantir a memória audiovisual gaúcha.</li>
<li> <strong>CRAv</strong> – recomendar a continuidade das ações desenvolvidas pelo CRAv na consolidação de seu projeto institucional e recomposição de seu quadro de funcionários, gravemente afetado pela demissão dos especialistas, em janeiro de 2009.</li>
</ul>
<p>Ressaltamos que estas iniciativas se incluem em um conjunto maior de ações de fundamental importância para a execução de uma política nacional de preservação do Patrimônio audiovisual brasileiro.</p>
<p style="text-align: right">Ouro Preto, 22 de junho de 2009.</p>
</div>
</div>
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		</item>
		<item>
		<title>Reuniões do CONARQ&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jan 2010 15:14:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogerio Santana Lourenço</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquivos públicos]]></category>
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		<description><![CDATA[Durante essas duas Reuniões, foram apresentados e aprovados pelo Plenário do CONARQ, a versão final do texto referente aos Metadados &#8211; Parte II do Modelo de Requisitos para Sistemas Informatizados de Gestão Arquivística de Documentos &#8211; e-ARQ Brasil, a versão final das Recomendações para digitalização de documentos arquivísticos permanentes,  o parecer da Comissão Técnica de Avaliação, reconhecendo o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Durante essas duas Reuniões, foram apresentados e aprovados pelo Plenário do CONARQ, a versão final do texto referente aos Metadados &#8211; Parte II do Modelo de Requisitos para Sistemas Informatizados de Gestão Arquivística de Documentos &#8211; e-ARQ Brasil, a versão final das Recomendações para digitalização de documentos arquivísticos permanentes,  o parecer da Comissão Técnica de Avaliação, reconhecendo o acervo de Abdias Nascimento, como de interesse público e social, a minuta de resolução reformulando a Resolução nº 26, que estabelece diretrizes básicas de gestão documental a serem adotadas nos arquivos do Poder Judiciário.</p>
<h2><span style="color: #ff0000">Houve ainda, a avaliação da Proposta de criação de uma Câmara sobre Documentos Audiovisuais, Iconográficos e Sonoros, a apresentação de proposta de reformulação da Resolução do CONARQ nº 6, de 15 de maio de 1997, sobre a terceirização de serviços arquivísticos públicos, que resultou na criação de uma comissão especial com a finalidade de aprofundar os estudos sobre a matéria e de um grupo de trabalho para reformular a referida resolução</span></h2>
<p>e finalmente, a confraternização em comemoração ao 15º aniversário de instalação do CONARQ.</p>
<p>fonte:<a href="http://www.conarq.arquivonacional.gov.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm">http://www.conarq.arquivonacional.gov.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm</a></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A informação hodierna</title>
		<link>http://culturadigital.br/acervodigital/2009/12/22/a-informacao-hodierna/</link>
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		<pubDate>Tue, 22 Dec 2009 03:20:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogerio Santana Lourenço</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conhecimento livre]]></category>
		<category><![CDATA[Divagações]]></category>
		<category><![CDATA[arquivos digitais]]></category>
		<category><![CDATA[experimental]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade da informação]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Quase todas as pessoas que tiveram que pesquisar algo com o google, usam o mesmo mecanismo de busca de novo. Usa-se e repete-se o uso, criando o hábito. O problema com esse modelo de informação capitalizada, mensurável (o maior número de resultados), é que se cria uma sociedade acostumada a usar, mas não produzir; tornando aceitável e normal que a informação que ela usa seja produzida( por jornalistas, por exemplo), ao invés de se trabalhar produtivamente a própria informação. Este hábito, longe de ser um defeito, é uma condição de um modelo de vida, mais especificamente da vida urbana e atual&#8230;que &#8220;precisa&#8221; ser alimentada de informações constantes&#8230;</p>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://www.flickr.com/photos/densitydesign/3975416561/sizes/l/"><img class="  " src="http://farm3.static.flickr.com/2589/3975416561_ba69ddcae9.jpg" alt="" width="500" height="174" /></a><p class="wp-caption-text">Visão futurista do Institute for the Future (iftf.org) DensityDesign e publicada na Wired Itália</p></div>
<p>A maneira como percebemos o que é ciência, educação, arte, política, identidade, classe, gênero e, mesmo a vida, <a href="http://www.densitydesign.org/2009/10/02/we-will-be-here-map-of-the-future/">está mudando</a>.  As máquinas cada vez mais orgânicas e os organismos cada vez mais sintéticos não nos deixam ver que esta fusão está em curso. Somos, humanos, o critério de equilíbrio, e talvez tenha sido esse um problema. Faltou definir, não no discurso, mas na prática, o que é humano&#8230;</p>
<p>Desde que o <a href="http://www.google.com/search?q=F%C3%B3rum+da+Cultura+Digital+Brasileira">Fórum da Cultura Digital Brasileira</a> realizou seu primeiro <a href="http://culturadigital.br/seminariointernacional/">seminário</a>, são muitos os caminhos a serem percorridos. Estão em gestão <a href="http://culturadigital.br/escolalivre/">ações </a>( e reações) <a href="http://culturadigital.br/seminariointernacional/">diversas</a>. Esse clima de &#8220;férias&#8221;serve portanto, para uma espécie de balanço. E o resultado, parcial desse balaço, foi o de que está em curso a tal mudança que foi dita acima, a dos parâmetros e valores. Mais do que isso, há, nas pessoas que a constatam, duas reações: ou convergem para a mudança, mesmo sem a certeza de onde vão, ou divergem, e se tornam críticos de coisas que não entendem, mas que também não querem mudar.</p>
<p>Assim, a situação atual da informação é esta: de avalanche. Não se pode mais dizer que a produção de conhecimento está nas mãos dos <a href="http://www.google.com/search?hl=en&amp;client=firefox-a&amp;rls=org.mozilla%3Aen-US%3Aofficial&amp;hs=64a&amp;q=blog++censura&amp;aq=f&amp;aql=&amp;aqi=&amp;oq=">grandes grupos empresariais</a>, como era nas décadas de 70, 80. Hoje, a partir da internet, aumentam as <a href="http://wordpress.com/">possibilidades </a>de produção independente, mas também as <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/geral,marco-regulatorio-da-internet-recebeu-822-sugestoes,484458,0.htm">responsabilidades</a>, sobre esta produção.</p>
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