Posts Tagged ‘ sociedade da informação

Os desafios da digitalização

A biblioteca da Universiade de Cornell, tem uma página dedicada aos processos necessários para transformar objetos analógicos, como livros ou filmes, em objetos digitais.  Dentre as várias etapas elencadas, há uma que chama a atenção pela enorme complexidade.

Umas das perguntas que mais ouço quando falo porque escrevo aqui neste blog é: para que serve isso de cultura digital?

Não se pode dizer, a bem da verdade, que tal pergunta não tenha embutida uma oportunidade para que eu fale de todos os itens que coloquei nesse post aqui. A delimitação de algo  denominado Memória Digital, tem que explicar porque é importante que as legislações sobre arquivos, museus, bibliotecas, cinematecas e, bem como acervos de rádio e televisão, nas quais os profissionais de diversas áreas se apegam na hora de dialogar com pessoas de campos diferentes, sejam pensadas como algo convergente, e não como um cerco.

Também seria interessante explicar porque a TV Brasil, a Biblioteca Nacional e o Museu Nacional de Belas Artes, a Rádio Nacional, deveriam sentar-se para conversar sobre as vantagens e desvantagens de se conseguir um local único de arquivamento, a tal pergunta, sobre qual o tamanho do patrimônio brasileiro.

Claro que os “elementos complexos” não acabam ai… Não foi citada a lei de direito autoral, vigente sobre todas as demais no que se refere aos conteúdos…Nem tão pouco foi falado sobre internet, ou o atual debate sobre banda larga.

Pois cabe falar, também, que tais problemas não são específicos do longo caminho de aprendizado pelo qual passam as instituições brasileiras. Talvez, com iniciativas como essa daqui do Fórum de Cultura Digital, o preconceito sobre tecnologia não diminua. Certamente, são iniciativas que procuram com abertura soluções para problemas que, encastelados nas instituições, as fitas de vídeo, os jornais, os mapas, e muitos outros objetos culturais, se pudessem falar, ansiariam verem resolvidos.

Mas, voltando, dentre os problemas que a Universidade Cornell aponta, estão os de ordem técnica, mas também os de ordem institucional…

WHY IS DIGITAL PRESERVATION SO CHALLENGING?

Esse é o título da seção. E estes são os desafios técnicos:

Acondicionamento: boa parte das pessoas, inclusive aquelas que produzem cultura, não saberia dizer a diferença entre acervo, arquivo e depósito. Isto traz conseqüências na hora de se preservar o que se produz.

Armazenamento: deterioração dos suportes, mau uso, mal acondicionamento e obsolescência.

Arquivos em formatos diferentes: Além da obsolescência, a dependência de formatos proprietários prejudica enormemente, sem contudo impedir, uma unificação dos materiais digitais.

Aqui os desafios organizacionais e administrativos:

Falta de comprometimento com a preservação de longo termo.

Este ponto merece destaque. Afora as divergências entre legislações, perspectivas profissionais e, principalmente, graus de compreensão variados, pode-se se dizer que de uma forma ou de outra, por um motivo ou outro, há um consenso sobre o fato de que o Brasil não pode continuar se autodenominar um país “sem memória”…

Ausência de políticas de preservação.

O fato de que há um (ou algum) consenso sobre o que deve ser preservado não impede, por exemplo, de que esforços no sentido de garantir não apenas a preservação do patrimônio, mas também, a inclusão de um número maior de manifestações tanto tradicionais, como aquelas dos povos quilombolas ou indígenas, quanto atuais, quanto a arte eletrônica.

O caminho para uma convergência de conteúdos, precisa passar por estes e muitos outros desafios. As leis, os campos profissionais fechados e a instituições rígidas, são aqueles que, não sabendo lidar com o diferente e novo, se encastelam e silenciam. Estes, já eram,pois, não será este Fórum que os mudará, mas sim o tempo histórico, quem decidirá.

FAPESP tem apoio financeiro para acervos

Mais aqui nesse link

Acervos apoiados 29/10/2009 Agência FAPESP – A FAPESP lançou nesta quarta-feira (28/10) Chamada de Propostas de Apoio à Infraestrutura de Pesquisa de Museus, Centros Depositários de Informações e Documentos e de Coleções Biológicas. As propostas serão selecionadas com base na avaliação de sua relevância para a pesquisa, bem como de sua capacidade de manutenção, ampliação e disponibilização aos pesquisadores dos acervos de que são depositários.

A FAPESP reservou R$ 20 milhões para aplicação no conjunto de projetos a serem selecionados. As solicitações iniciais devem ser encaminhadas até 18 de dezembro de 2009 e o prazo previsto para análise é de aproximadamente 180 dias. O período de vigência do auxílio será de 12 meses.

Serão priorizadas propostas que reflitam concepções inovadoras a respeito das modalidades e meios de armazenamento, organização e disponibilização de acervos – especialmente em se tratando de centros que já tenham se beneficiado de apoio significativo da FAPESP, no âmbito de programas de infraestrutura.

Será considerado elemento valorizador da proposta a existência documentada no centro, a que se vincula a proposta, de disponibilização do material on-line, aumentando a visibilidade nacional e internacional das coleções e acervos existentes no Estado de São Paulo e permitindo um uso mais amplo do acervo e das informações por especialistas do Brasil e do exterior.

Sendo demonstrado o uso do acervo em questão para projetos de pesquisa, será também elemento valorizador da proposta a existência demonstrada de intensa utilização das informações tanto pela sociedade em geral como, em especial, pelos professores de ensino fundamental e médio.

Esta Chamada de Propostas de Apoio à Infraestrutura de Pesquisa comporta três módulos:

1) Apoio à Infraestrutura de Pesquisa de Museus,

2) Apoio à Infraestrutura de Pesquisa de Arquivos e Acervos Documentais;

3) Apoio à Infraestrutura de Pesquisa de Acervos de Coleções Biológicas.

Memória invisivel

Vai acontecer a Conferência Nacional de Comunicação, e os movimentos sociais, os partidos políticos e indivíduos engajados no debate público das comunicações no Brasil estão se mobilizando para fazer valer um direito humano cada vez mais fundamental: a comunicação. Alguns estudos de análise do discurso dizem que  quando não há comunicação, duas coisas ocorrem: ou o ruído,ou o silêncio. Nos preparativos do processo de propostas sobre os assuntos a serem debatidos, fiz uma pesquisa nesta lista dos grupos do Rio de  Janeiro, por três palavras chave: memória, acervo e patrimônio.

Até onde pude conferir, somente a ABCCOM – Associação Brasileira dos Canais Comunitários fez a seguinte proposta:

9) Criação imediata de um acervo único no Ministério da Cultura a partir de inventário, digitalização e disponibilização de produções existentes, com a construção de modelos de grade de rede do campo público de televisão diferenciado do sistema comercial, que sejam flexíveis e que contemplem e valorizem, efetivamente, os conteúdos regionais, tendo o Cinema Brasileiro como parceiro estratégico;

Não acho que seja diferente em outros estados, todavia pode ser. É importante dizer que todo esse esforço sobre a produção, exibição e a distribuição não pode esquecer o armazenamento. Mas esquecem. Ocorre que, a medida que vai avançando a produção digital, um problema concreto de armazenagem, tanto de material “bruto” quanto de conteúdos processados  ( livros, filmes,discos, fotografias…) se acumula de maneira desordenada.

Assim, no movimento de produção, distribuição e exibição, uma etapa posterior, mas não menos importante, é a da constituição de acervos. Tanto melhor se forem acervos públicos. Para isso, são necessárias ações sobre a constituição de  acervos digitais Públicos, desdobramento de um Plano Nacional de Digitalização desses acervos.

A proposta de acervos não se limita a tudo que se pode fazer para a preservação da memória.Uma outra dimensão, tão importante quanto a constituição desses arquivos, é o uso dos que têm acesso podem fazer deles. No Brasil, há muitos casos sensíveis quando se fala de arquivos. Há muitos segredos, muitos esquecimentos e, principalmente, muitos silenciamentos

Há propostas de reação a essa situação de silenciamento. Uma, que me fez lembrar o motivo de porque não há nem muita comunicação nem muita memória no espaço público, foi esse grupo que tem pessoas dos paises aqui do sul, pensando questões desse lado do hemisfério. Fiquei pensando em como seria, se questões semelhantes do contexto brasileiro pudessem ser trabalhadas dessa forma poética.

Por uma delimitação do Eixo de memória Digital

Um dos objetivos deste blog, é apresentar sugestões sobre as discussões do eixo Memória Digital. Ao longo desse processo que vem sendo estabelecido pela coordenação do fórum, foi solicitado aos curadores de cada eixo, que propusessem uma linha de discussão, a delimitação de seus campos.

Embora ainda ocorra mais discussões externas ao Blog, espaço aqui disponibilizado por esta iniciativa do MINC e RNP, como meta do cronograma de elaboração das propostas do eixos, são apresentadas abaixo, a linhas centrais de discussão do eixo de memória digital.  Trata-se de uma proposta aberta, que já incorpora o resultado de sugestões e discussões exteriores ao blog, provindas da coleta de informações de setores e atores envolvidos nesse campo.

Como está afirmado na primeira pagina do Fórum:

Um novo jeito de fazer Política Pública

Bem-vindo à rede social da Cultura Digital Brasileira, espaço público e aberto voltado para a formulação e a construção democrática de uma política pública de cultura digital, integrando cidadãos e insituições governamentais, estatais, da sociedade civil e do mercado.

Este espaço (o Fórum, o qual hospeda esse blog) tem como proposta a possibilidade de colocar, propor, criticar e comentar os conteúdos aqui postados. Tais discussões, somadas a outras, servirão de base para elaborar uma proposta de delimitação de ações do que pode ser feito em termos de digitalização do patrimônio cultural brasileiro.
A continuidade, distribuição e preservação do fluxo histórico cultural do Brasil passa pelo acesso de sua população ao seu patrimônio material e imaterial digitalizado.

Entende-se que a compreensão atual desse fluxo, esteja orientada e distribuída por suportes tais como filmes ou livros. No entanto, percebe-se que novos dispositivos multimídia começam a promover, em seus usuários, a necessidade de adaptação desses conteúdos culturais para serem utilizados e distribuídos digitalmente.

Os objetos e ações culturais não digitais, aqueles que não são criados a partir de código de máquina, passam por um processo de duplicação de suas propriedades, que são transportadas para o digital, ou digitalizadas, por meio de processos distintos. Desta forma, a Memória Digital, seja aquela produzida em meios digitais, ou aquela digitalizada, deve possibilitar a comunicação entre distintos suportes, como possibilidades de convergência de seus conteúdos.

1- Escopo

Propõe-se que a memória digital seja pensada não como campo ou conjunto, mas como fluxos, coletivos, processos. Desta forma, busca-se evidenciar que, tanto o passado quanto o presente, bem como o futuro, podem ser combinados física e conceitualmente por meio de artifícios digitais.

1.1 Objetos digitais
1.2 Processo de digitalização
1.3 Divulgação e circulação

2 -Técnicas e Métodos

As técnicas e tecnologias adotadas pelos diferentes suportes, formatos e padrões atuais, devem ser pensados em dois planos: o atual e o escalar.

O primeiro, atual, diz respeito aos procedimentos historicamente adotados pelos diferentes produtores de comunicação e cultura digital. O segundo, escalar, trata da produção digital futura, bem como das digitalizações atuais: os objetos digitalmente criados e os objetos que serão digitalizados.

2.1 Produção e Armazenamento digital atuais

2.1.1. Hardware
2.1.2. Middleware
2.1.3. Software
2.1.4. Padrões e metadados
2.1.5. Legislações
2.1.6. Acervos digitais

2.1.6.1. Multimídia
2.1.6.2. Bases de dados

2.2   Tipos de Digitalização

2.2.1. Arquivos Planos

2.2.1.1. Imagem
2.2.1.2. Texto

2.2.2.  Acervos Audiovisuais

2.2.2.1. Áudio
2.2.2.2. Vídeo
2.2.2.3. Película

2.2.3.  Objetos tridimensionais

2.2.3.1. Modelagem
2.2.3.2. Protótipo

2.3  Constituição escalar de acervos digitais

2.3.1. Convergência

2.3.1.1. Padrões de produção digital
2.3.1.2. Padrões de digitalização
2.3.1.3. Interoperabilidade de protocolos
2.3.1.4. Padrões de metadados
2.3.1.5. Agregamento colaborativo
2.3.1.6. Direito autoral
2.3.1.7. Acesso e distribuição

2.3.2. Interfaces

2.3.2.1. Acessibilidade
2.3.2.2. Visualização
2.3.2.3. Sonificação

3. Pesquisa e Desenvolvimento

3.1 Mapeamento dos sistemas de armazenamento e gestão digital

3.2 Identificação e quantificação do patrimônio digitalizado

3.3 Desenvolvimento

3.3.1. Hardware
3.3.2. Middleware
3.3.3. Software

São propostas abertas, mais uma vez, comente, modifique, contribua.

Responsabilidade Social da Ciência da Informação

Começa hoje o X ENANCIB – Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação – Programação.

fonte: JC email

GRUPOS DE TRABALHO

GT 1 – Estudos Históricos e Epistemológicos da Informação Coordenadora: Prof. Dra. Lena Vânia Ribeiro Pinheiro (IBICT)
GT 2 – Organização e Representação do Conhecimento Coordenadora: Profa. Dra. Lídia Alvarenga (UFMG)
GT 3: Mediação, Circulação e Apropriação da Informação Coordenador: Prof. Dr. Edmir Perrotti (USP)
GT 4: Gestão da Informação e do Conhecimento nas Organizações Coordenadora: Prof. Dra. Marta Lígia Pomim Valentim (UNESP)
GT 5: Política e Economia da Informação Coordenadora: Profa. Dra. Sarita Albagli (IBICT)
GT 6: Informação, Educação e Trabalho Coordenadora: Profa. Dra. Helena Maria Tarchi Crivellari (UFMG)
GT 7: Produção e Comunicação da Informação em CT&I Coordenadora: Profa. Dra. Sônia Elisa Caregnato (UFRGS)
GT 8: Informação e Tecnologia Coordenadora: Profa. Dra. Silvana Vidotti (UNESP)
GT 9: Museu, Patrimônio e Informação Coordenadora: Prof. Dra. Diana Farjala Correia Lima (UNIRIO)

A programação está na página do evento.

Para que serve um Acervo Digital: desdobramentos…

O exemplo dos trabalhos escolares, como elemento cultural a ser levando em conta quando se fala de memória, é propositado.  Poderia ter usado a televisão digital, outro assunto visto como independente de outros como bibliotecas, ou museus… Visa indicar que há uma compreensão dicotômica sobre o que se entende por cultura, e o que se concebe como “outras áreas’. Mas, ainda mais profunda, é a concepção, ou classificação, do que seja documentável. Isto porque para que seja documento, é necessária a formalização científica, institucional.

Assim, os quilombos hoje são vistos, ora como abuso e má fé, ora como uma oportunidade do Brasil se reconhecer como nação digna de respeito cultural e compreensão antropológica. Falta a eles voz( ou comunicação), lhes falta documentos (ou aqueles objetos que são legitimados cientificamente como documentos) Param além da discussão entre formas de cultura, novas e antigas, há o que existe de humano nelas, o que faz ir além da classificação, ou seu movimento criativo.

Um dilema de bases de dados, de classificação de objetos, de adoção de protocolos, e de adequação das agendas institucionais emerge desse cenário. O que é um documento, quem é seu autor, quem pode classificá-lo? São perguntas que, na verdade, derivam de outra, mais fundamental. Qual é o fluxo da produção cultural digital?

Uma coisa é se perguntar sobre quais são os elementos… que têm diferentes interesses. Outra coisa, é se perguntar quais são os caminhos que esses elementos percorrem. Não seus interesses, mas seus caminhos. Se for possível pensar os caminhos tecnológicos comuns pelos quais esses conteúdos trafegam, há uma possibilidade de inserir novos conteúdos, bem como participar do existentes, em termos digitais.

No site do TED, é possível ver o que Tim Berners-Lee, disse sobre esse dados, documentos, e outras coisas. Embora eu ache que essa apresentação tem um pouco de egotrip, o assunto é altamente pertinente. Abaixo, um  trecho do diálogo:

De fato se for responsável. Se você encontrar dados no governo, quase sempre irá achar essas pessoas, elas são tentadas a retê-los. O Hans chama isso de abraço no banco de dados. Você abraça seu banco, você não quer que vá embora até que você faça um belo site para ele. Bem, eu sugiro que ao invés disso, quero dizer, sim, faça um site lindo. Quem sou eu pra dizer para não fazer um belo site? Faça um belo site, mas primeiro nos dê os dados inalterados, nós queremos os dados. Nós queremos os dados inalterados. OK, nós vamos pedir os dados agora. e estou pedindo para vocês praticarem, OK?

Digam “puros”.

Platéia: Puros.

TED: Tim Berners-Lee, sobre a web, os dados e o acesso a ambos.

O tamanho do patrimônio cultural digital brasileiro, em terabytes.

Em quantos terabytes está o atual patrimônio cultural digitalizado no Brasil?  Se fosse possível conectar os bancos de dados das instituições brasileiras do sistema MINC, dos Institutos Culturais, das Universidades, enfim, dos arquivos que contém impressos, discos, filmes, mapas, cartazes, fotografias, vídeos, arquivos de maquetes digitais, de animação, áudios…enfim, uma miríade de de objetos e suportes.

Ao que parece não há um levantamento dessa quantidade. Melhor seria, além disso, o de saber quantos sistemas há no controle desses bancos de dados e seus objetos digitais. Qual a quantidade de arquivos, a qualidade, a nomenclatura…uma interminável cadeia de fatores, de problemas e de soluções.

III Seminário Internacional de Memória e Patrimônio – Pelotas/RS

Entrecortando a discussão sobre o que é um documento na Cultura Digital, mais um exemplo de que estas perguntas estão surgindo em vários lugares, sob várias perspectivas…

Inscrições, programação e outras informações no site: http://simpufpel.wordpress.com/

Programação

Dia 28/10 – Quarta-Feira
14 horas Painéis
18 horas Credenciamentos
19 horas Abertura oficial
19h30min Conferência: Prof. Dr. Pedro Paulo Funari (Unicamp) – Diversidade, Inclusão Social e Políticas Públicas
Dia 29/10 – Quinta-Feira
14 horas Painéis
19 h 30 min. Mesa-redonda:  Políticas públicas de patrimônio na América Latina:

Alicia Martin (UBA – Argentina)

Ana Maria Beltrami (IPHAN)

Lourdes Dominguez (Cuba)

Dia 30/10 – Sexta-Feira
14 horas Mesa-redonda:  “Patrimônio cultural: classificação, registro e salvaguarda”

Flavia Rieth (UFPel)

Mônica Rotman (UBA)

Arturo Toscano (Museo Nacional de Historia Natural y Antropologia – Uruguai)

19h30min Conferência de encerramento: Profª. Drª. Maria Cecília Londres Fonseca – “Questões atuais na preservação do patrimônio cultural”

33 razões por que as bibliotecas e bibliotecários ainda se mantêm extremamente importantes

Uma discussão bem importante, e por vezes, exaltada, no campo de CI. Achei por bem colocar do jeito que ela está no blog ExtraLibris

Muitos acreditam que a era digital irá acabar com as estantes públicas e extinguir permanentemente a era centenária das bibliotecas. A desconcertante proeza e progresso da tecnologia fez até um bibliotecário prever a queda da instituição.

Ele pode estar certo.

Porém, se estiver, então a perda será irreparável. Conforme a relevância das bibliotecas entra em questão, elas encaram uma crise existencial em uma época onde elas talvez sejam mais necessárias. Apesar de sua percebida obsolescência em uma era digital, tanto bibliotecas – quanto bibliotecários – são insubstituíveis por várias razões. 33, de fato.

Eles listam as 33, e depois concluem:

Conclusão

A sociedade não está pronta para abandonar a biblioteca, e provavelmente nunca estará. Bibliotecas podem adaptar-se as mudanças sociais e tecnológicas, mas elas não são substituíveis. Enquanto que as bibliotecas são distintas da internet, os bibliotecários são os melhores profissionais para guiar acadêmicos e cidadãos para um melhor entendimento de como encontrar informação de valor online. Certamente, existe muita informação online. Mas ainda existe muita informação em papel. Ao invés de taxar as bibliotecas como obsoletas, os governos estaduais e federais deveriam aumentar os recursos para garantir melhores funcionários e tecnologias. Ao invés de galopar cegamente através da era digital, guiado apenas pelos interesses corporativos da economia da web, a sociedade deveria adotar uma cultura de guias e sinalizações. Hoje, mais do que nunca, as bibliotecas e os bibliotecários são extremamente importantes para a preservação e melhoria da nossa cultura.

Artigo original: Are Librarians Totally Obsolete?
Disponível em: degreetutor.com

Para que serve um Acervo Digital?

Este post  tem o objetivo de fazer um balanço. Tenho como missão organizar um conjunto qualificado de ações, propostas, e conceitos relativos a Acervo, Memória, História, Identidade e Cultura Digital. Entendo que para isto, são necessários elementos de diversas áreas, perspectivas e percepções diferentes. Por exemplo, um comentário sobre o post, Na cultura digital, quem define o que é um documento? observou o seguinte parágrafo do texto:

“A variedade de ações, objetos, políticas, conteúdos, padrões, acervos, propósitos, públicos, legislações entre muitos outros aspectos que constituem e interligam esse sistema é imensa. Do mesmo tamanho, são as realidades da Comunicação, da Ciência e Tecnologia e da Educação, para ficar na esfera do Governo Federal. Soma-se a essas estruturas, outros elementos, como os econômicos, os jurídicos, e os legislativos. Esse quadro complexo, todo ele, pode ser unificado (e não necessariamente de forma centralizada) pela tecnologia Digital.”

Então o que acontece que esta questão pode ser equacionada em sua dimensão coletiva, ou sua rede, como um acervo. O número de iniciativas que estão me curso, digitalizando conteúdos das mais diversas ordens e materialidades necessita de uma discussão, ou melhor, de um diálogo.

Não há como separar a produção tecnológica de seus interesses políticos. Quando digo políticos não digo partidários, bem claro. Pois bem, acontece que as políticas de tratamento da informação nunca tiveram reconhecida, quanto mais prevista, sua real importância. Dessa maneira, a figura do bibliotecário, era pejorativamente construída como aquele que se incumbia de tratar do depósito, do arquivo, ou do acervo. Estas diferenciações não são apenas de ordem técnica, são, antes de tudo, de ordem política.

A inclusão de objetos que não se enquadram nas definições do que seja documentável. levanta essa hierarquia de modo semelhante ao das questões sobre o conhecimento tradicional. Por exemplo, porque será que as bibliotecas, os museus, as cinematecas não tem indexadas como “ciência” várias manifestações que são,m ao mesmo tempo festas populares, mas têm por motivos de construção do ritual , um expertise tecnológica?

Como já foi notado nesse blog, há esforços esparsos sobre essa questão. Contudo, há também outras esferas sociais, que nã as acadêmicas, que também estão se defrontando com essa realidade. As escolas públicas , por exemplo. Objetos como os “trabalhos escolares” precisam e estão sendo revistos. Isso implica que não apenas “redações” estão sendo feitas. Hoje em dia, há uma gama de projetos que apóiam a produção de conteúdo temático, a partir de suportes como o vídeo, a animação, a fotografia, e mesmo outras formas como a dança e o teatro. Como chamar estas produções culturais de trabalhos escolares?

Não raro, estes trabalhos, como o videogame feito por alunos da rede municipal do Rio de janeiro têm esse fim aqui que reproduzo dos comentários do próprio inventor do jogo:

Leia os comentários:

Júlio  (julio-hellsing@hotmail.com):
Apenas para corrigir meu e-mail (postando o novo) Voltamos a produção de alguns jogos, adicionem no msn para mais detalhes, o meu e-mail continua sendo o de baixo, apenas o msn mudou! Obrigado
22 de junho de 2009 – 19:49
Júlio  (scar0000@gmail.com):nenhum comentário? Bom estou aqui deixando meu e-mail para dúvidas e contatos: scar0000@gmail.com (msn tbm)

Como dá para notar. O “trabalho escolar” tinha, claramente outras expectativas. Daria para dizer isso das monografias, das dissertações, das teses…Dizer que não se trata de produção cultural, que não há aplicação de tecnologia, e que esta não pode ser potencializada, se inserida  no corpo bibliográfico dos campos tecnológicos, não é uma posição conseqüente. Isso só ocorre quando alguém estuda essa produção. O nome que vai ser dado a ela, científica, cultural, pedagógica artística, é portanto político. E já que esse termo tem o sentido de participação, de comprometimento com ações públicas, como não reconhecer essa produção nestes seus vários sentidos?

Os desafios de se pensar o que seja um Acervo Digital são dessa ordem. São complexos, em rede, e com ruído nos seus canais. Adiante. Os trabalhos escolares, as peças de arte digital, as peças de cultura tradicional, os objetos que não estão nas categorias de classificação, e portanto não são incorporadas aos acervos, estão crescendo, esse entorno de informal, ou de informação não sistematizada, precisa ser pensado como parte de uma memória cultural, pública. Os meios de expressão e a expressão desse meios são dinâmicos.

A visualização da informação e os portugueses.

Não é de hoje que me pergunto, mas é algo curioso alguns dos nomes mais destacados mundialmente nos campos de Visualização da Informação, como o Manuel Lima e Business Intelligence, com a Daniela Barbosa, serem portugueses. Tudo bem, há uma brasileira, a Fernada Viegas, do Many Eyes, mas, com esse sobrenome, a distância não é assim tão grande.

O Manuel Lima, é um designer que criou um website simples e arrebatador, o visual complexity, o qual evangelizo sempre que posso. É um apanhado (708 exemplos e aumentando…) da visualização de dados nas mais diversas áreas. Vale ver, se você ainda não conhece.

No caso das estratégias de design da informação propriamente ditas, um nome é o de Daniela Barbosa.  Os especialistas a citam como um nome chave na questão dos protocolos abertos, da portabilidade e do acesso por meios de dados estruturados, utilizados na indústria. É curioso notar que não são os únicos. Como esse post não é sobre os portugueses, mas sim sobre alguns de seus cidadãos (e concidadãos históricos) o importante é notar que nem tudo que há hoje em tecnologia de ponta, é anglo saxão, ou seja, vem dos Estados Unidos.

Parece curioso por que, como sabemos, os portugueses têm uma história de tecnologia da informação antiga, desde os tempos horrendos do mercantilismo escravista, ou das “navegações” para usar um termo mais suave. Tristezas culturais à parte, é notável que essa herança e talento sejam utilizados hoje em dia para puxar os limites do conhecimento tecnológico da informação. Por exemplo, o site da IBM “many eyes, é uma forma inovadora, de disponibilizar informações dos mais diversos lugares, numa forma compartilhada, ou rede social, para ser atual. De fato, o  site agora tem uma versão  “wiki”.

Como foi postado anteriormente, houve em setembro, um congresso sobre o que pode ser classificado como antropologia da informação que discutiu questões importantíssimas relativas à Acervo, Memória, História, Identidade e Cultura Digital. Não é, nem de longe, o caso de pressupor algo “no sangue” como a brasileira Fernanda Viegas demonstra, já que não é “100% portuguesa”, mas sim, o ambiente cultural, que pode ter levado os portugueses a terem um destaque nessa área.

O uso da informação é algo político, a tecnologia nunca é isenta. Mas estes podem ser usados, como ferramentas, para muitos objetivos. Atualmente, os portugueses vêm dando um contribuição de acesso à informação que merece nota  e respeito.

As sociedades e a busca da informação crítica.

Society of the Query conference

Cartaz da Conferência Society of the Query

Muito legal o tema da conferência (dica do efeefe, aqui do Fórum) que vai ocorrer dias 13 e 14 de novembro, em Amsterdam, Holanda. O encontro coloca uma questão muito pertinente, por sinal,  a esse Fórum de Cultura Digital.  Procurar, buscar apenas, ou questionar?  Em termos de fontes confiáveis, essa é uma questão política e tecnológica, o que, em termos antropológicos, é a mesma coisa.

O encontro tem a proposta de discutir os seguintes assuntos:

  • Como a idéia de “máquinas inteligentes” influencia campos do saber que têm a “organização do conhecimento” como área?
  • Como os aspectos jurídicos, legais, estão dispostos nessas configurações tecnológicas?
  • O que fazer com a ubiquidade do Google? Estaria esta empresa afetando os modos como o conhecimento se distribui, bem como as práticas culturais?
  • Há um papel hegemônico na atuação dessas empresas? Não apenas o Google, mas o Bing ( Yahoo/ Microsoft) e outras? Estariam elas alterando os fluxos culturais, como no caso dos saberes tradicionais que não estão na internet? Como seria uma regulação desse fluxo?
  • Levando em conta os avanços trabalhos com arte e design da informação, como obter interfaces mias sofisticadas, mais centradas na usabilidade? Como melhorar as formas de apresentar os resultados?
  • Quais são as alternativas existentes, em software, em redes e, para o usuário, que desafiam os atuais paradigmas ( ou paradogmas, heheh) existentes…

Os temas da Conferência

  • Sociedades de busca
  • Direitos Civis Digitais e Estudo Crítico da Mídia.
  • Buscas Alternativas
  • A “Googlelização” de tudo
  • Arte e Máquinas

Mais na página do evento com outras informações.

O legal disso tudo, é que há uma variedade de sites que se dedicam a discutir isso de vários pontos de vista: de negócios, de publicidade, de Cência da Informação…sinal de que a web é pervasiva. Aqui, por exemplo, uma lista bem legal dos “sites de busca” que já existiram (existe uma lista em português, mas não tão atualizada).

Novamente, o assunto meta tags, em evidência. Indexação e informação. E e ai, na cultura Digital quem diz o que é um documento?