Archive for the ‘Mentalidade’ Category

Blogs são para pessoal de mídia, propaganda e marketing

quinta-feira, abril 8th, 2010

Não sei se posso afirmar isso com exclusiva certeza mas acho que essa moda só pegou nesse grupo de trabalho que citei no título.

Falo isso pois, como desenvolvedor de sistemas, não consegui enxergar que os processos de desenvolvimento pudessem adotar essas ferramentas. Mas vão as sugestões:

- Blogs para área de desenvolvimento: pode ser por equipe ou por indivíduo podendo postar os desafios que atuou.

- Twiter: é fácil para informar em que pé está alguma tarefa que precise que a equipe acompanhe.

- Facebook: É tão útil como a ferramenta de procura de funcionários implantada em um RH da empresa.

- Wiki: Este, quando bem elaborado, pode contribuir muito para o desenvolvimento dos projetos.

Enfim, existem muitos recursos que podem ser aproveitados. Mas eu entendo que as pessoas não utilizam a internet a não ser pra bater papo, entretenimento, grupos sociais virtuais.

Por outra via as empresas gastam muito mal (tudo, toda sinergia de um projeto, não só $$$) reinventando a roda desses tipos de software na empresa (o que eles chamam de customização).

Os hábitos de estudos ainda são para poucos, por exemplo. Acho que as pessoas não saíram da zona de conforto e não exploram adequadamente ainda esses recursos.

A questão da modernidade

quinta-feira, novembro 19th, 2009

A questão da modernidade passa por uma análise de conflito de gerações. Para exemplificar o que quero dizer vou relatar um fato como exemplo.

Estava assistindo uma sessão plenária da câmara de vereadores de São Paulo sobre a questão da poluição. Algumas pessoas que defendem naturalmente a tecnologia dos motores a combustão à gasolina põem em cheque algumas questões referentes à combustão do etanol. Para alinhar meu assunto exemplifico com a questão da maneira como é tratado o bagaço da cana que é queimado. Diz-se que essa atitude é poluente o que inviabiliza o comércio e exploração do etanol inclusive ao mercado externo, conforme foi mencionado.

O que se percebe é que a turma fóssil está numa posição confortável tipo: pra quê utilizar etanol se tem as mesmas características do fóssil? O Ministro do 1/2 ambiente mencionou que há sequestro de carbono no plantio da cana, matriz do etanol, o que favorece já em primeira instância o uso do etanol.

Ora, na exploração do combustível fóssil há também impacto e não é ignorado. No entanto porquê não é recusado o seu comércio?

Questões Econômicas aparecem para iluminar uma parte das questões: a tecnologia fóssil está disseminada há mais de um século, tem vários mercados dependentes portanto tem peso em opinião. Eu questiono: o que faz esse ‘peso’? Parece que não mas é simples: quando foi descoberto, vislumbrou-se a grande lucratividade, não havia poluição como agora, não existiam eco-questões, ou seja, o panorama era outro, o cenário era outro. Mas uma particularidade é mais marcante nesse cenário: o fóssil aparecia sem substituir algo como o etanol e outras tecnologias emergentes estão aparecendo.

Acontece que existe uma lógica que o homem descobriu que é a da vacina: usa-se o veneno para curar. E, ao longo do tempo, foi o que o fóssil fez, permitindo que aparecesse algo que fosse melhor que ele e o pudesse substituir.

Isso também é semelhante ao respeito aos cabelos brancos dos nossos antecessores pois não sabemos o quanto eles suportaram e enfrentaram na vida para chegar naquele estado. Essa situação de ‘não sei da onde veio mas é respeitável’ é que dá o ar, a aparência de que pode ser o juiz da própria morte. Lembrando que juiz ninguém critica. O juiz, no tema, é o pessoal fóssil, julgando a própria morte.

Onde isso nos leva na questão da modernidade em termos digitais para o Brasil? Justamente na questão da mentalidade. Eu conheço certos filósofos que têm verdadeiro horror da palavra ‘inteligência artificial’, como se os filmes de ficção científica tornar-se-iam realidade de um segundo para outro. Já digo que tenho verdadeiro ‘horror’ dessas pessoas pois são, antes de mais nada, embuídas de pré-conceitos que, como filósofos/cientistas/pensadores deveriam se comportar de uma maneira mais curiosa e investigativa do conhecimento do que propriamente crianças assustadas.

Essa situação ilustra meu receio quanto a questão da modernidade: quem pode dizer de fato que é prejudicial ficar no computador 8 horas por dia (trabalhando) sendo que, antigamente, nem terapias laborais haviam sido inventadas para os processos de escritório?

Quando critica-se que utilizamos demais o computador e esfriamos nossos relacionamentos por conta de um email ou orkut, não levam em conta que, realmente, multiplica-se esses relacionamentos e em uma escala inimaginável: geométrica. Levam em conta justamente uma situação do passado que praticamente já não se faz mais presente. Ora, há muito que já ligamos atendendo um ‘pelo menos, dá uma ligada pra avisar que chegou’. Isso seria impossível antes de Morse, Gran Bell etc. Conclue-se que os tempos são outros. Porquê então vamos pensar a cultura digital com olhos do passado?

Eu não vou mais às bibliotecas. Não vou mais a pé. Não abro mais livros. Não passo mais horas pegando 17 livros para pesquisar algo para algum trabalho escolar ou que possa melhorar algo tecnicamente. Esse processo todo, ir a pé, pegar os livros, sentar na cadeira da biblioteca, passar aluguns minutos ou horas vasculhando os livros (muitos velhos e com ácaros), não achar tudo por que a biblioteca é sempre incompleta (não tem monografias recém publicadas de outros países, por exemplo), levantar, ir até ao balcão, pedir emprestado 1/2 dúzia de livros, levar pra casa para pesquisar, ler, servir de peso pra papéis, esquecer sobre a mesa e entregar semana que vem novamente para a biblioteca e dar tchau para a atendente.

Faço tudo isso com boas horas de internet, sem os ácaros, sem o tchau pra atendente, sem o incômodo de ter esquecido algum livro e ficar privado de alugar outro, com acesso a coisas quase impossíveis de se ter em mãos quando à 20 anos atrás só se ouvia falar da boca de quem foi nos museus e bibliotecas estrangeiras; é agora a hora do paperless, sendo que as ferramentas de acesso digital incorporam todas essas atividades, desde a pesquisa até o agrupamento da informação e a montagem de um tema. Multiplicam-se todas as possibilidades. Os momentos são outros, precinde-se de outra mentalidade. A preocupação do pesquisador não é mais se tem ou não naquele livro. Não se usa mais horas do mês para deslocamento do local de pesquisa para a biblioteca. A mente está agora ocupando-se de todas as possibilidades criadas. Não se pensava no tempo gasto. Não se pensa no benefício da economia do tempo. E aparece a crítica dizendo que usa-se x horas no computador. Ora, esse exemplo da biblioteca é replicado para várias coisas, até cantar um karaoquê no seu computador com a turma ou sozinho.

O que proponho? Na realidade é a visão nova da nossa realidade. A assunção da efetividade daquilo que foi criado: novas possibilidades. Criamos novas situações. Quando vejo um notebook lembro que minha falecida mãe, à 22 anos atrás, não tinha como deduzir que isso existiria. Cumpre questionar: quem nem sabe o que é pode legislar sobre o assunto? Pode dar o parecer? Ou terá a posição semelhante do filósofos que citei em relação à Inteligência Artificial?

É esse o cuidado que temos que ter em relação à internet. Eu faço pagamentos de banco por ela. Logo, quem acha bom pegar filas no banco não deve gostar disso. Essa é uma inferência inválida. Seria algo como deixar de pegar um ônibus pois está acostumado a ir a pé ainda que leve 3 horas pra chegar lá e de ônibus apenas 45 minutos. Chega a ser um contra senso. ‘Ah, tenho medo, tantos hackers’. A televisão faz parecer que o crime aconteceu dentro da tua casa e está proliferado. Quando se fala um hacker invadiu um banco x e teve acesso a dez mil contas não leva em conta o universo do acesso. Ás vezes a pessoa toma-se como vítima e, quando dá por si, verifica que nem tem conta naquele banco!

Em face disso, existem acarentos (cheios de ácaros) nichos de mercado que merecem se adaptar, sair do lugar comum pois a realidade é outra. Temos que rever a questão da cópia ilegal. Temos que rever a questão dos direitos autorais da música. Isso por que, seguindo a mesma linha de raciocínio, é que nesse caso a legislação era específica em relação a livros e músicas dentro da mídia em questão. Acho um retrocesso na frança bloquearem o acesso de quem fizer download ilegal. Esse panorama não deve ser tratado com a mentalidade velha. Muitos músicos tem público cativo na internet e faturam alto. Souberam aproveitar das oportunidades. É uma nova realidade que traz, naturalmente, conflitos. Mas estes são decorrentes da inércia mental do homem pré-moderno.

Um conhecido e prestigiado jornal (que também reverencio) está com uma publicidade interessante: qual é o valor do conhecimento. Ora, pra mim, um jornal vale o que vale, seu preço de capa. Eu entrei em contato com o jornal e disse que quero somente a versão digital pelo preço da assinatura do impresso. Ele negou! Pasmem, o preço seria mais lucrativo pra ele mas ele não devende a venda casada. Olha só o absurdo da mentalidade. Agora vai tentando precificar o ‘à mais’ que é o custo digital sem levar em conta a nova mentalidade. Citei esse exemplo pois foi cabal e acho um verdadeiro absurdo. A realidade é outra, gente, é moderna!

Ora, o mercado está mudando, as relações de consumo também. As crianças dão aula de quantas teclas devem ser tecladas para se acessar uma função embutida no nosso próprio computador. Será que temos o direito de dizer, impor a camisa de força em seus comportamentos sendo que nós é quem ofertamos isso e isso é modernidade? Será que estamos com olhos velhos para coisas novas?