Entre todos os questionamentos envolvendo a produção artística audiovisual aqui no Brasil – com as novas tecnologias no meio, claro -, fica a dúvida sobre quão incentivado é esse tipo de inovação. Estão começando a surgir, por meio do poder público, políticas que pregam a geração de conhecimento referente ao assunto (como a própria bolsa da Funarte na qual eu fui contemplado) e incentivam a criação de artistas usando as novas tecnologias.
Um exemplo interessante é o LabMIS, do Museu da Imagem e do Som de São Paulo. Nesta semana, fui lá conhecer as instalações e entender melhor o projeto de residências de artistas brasileiros que trabalham com inovações tecnológicas.
O projeto está em sua segunda edição, recebendo os primeiros artistas deste ano para começar a residência e a produção de obras para a exposição, que provavelmente acontecerá em novembro.
Eles ficam durante três meses usando a infraestrutura do museu, além de contar com uma ajuda de custo de R$ 1.500 para alimentação e transporte e mais R$ 3.000 para a compra de equipamentos necessários à obra (que ficarão para o museu depois que a residência acabar).
O interessante é que o edital não seleciona artistas específicos, mas sim projetos. O que muda é que o interesse do museu é justamente na inovação que a obra pode trazer e na produção de conhecimento, e não no currículo de um determinado artista. Isso abre portas para que artistas iniciantes consigam a residência e comecem a montar seu portfólio, além da participação de coletivos.
Outro ganho é que, mesmo sendo financiado pelo governo do estado de São Paulo, o edital é aberto para artistas de outras regiões do país, embora os MIS de diferentes estados não possuam comunicação direta um com o outro (o que é uma perda grande para a produção artística, já que se poderia pensar em diversos projetos de troca entre os museus).
Tudo isso casa com o contexto da II Conferência Nacional de Cultura, que acontecerá na semana que vem (de 11 a 14 de março). O objetivo da conferência é justamente formar políticas públicas relacionadas à cultura com a participação da sociedade civil.
Alguns dias antes, entre 7 e 9 de março, haverá a pré-setorial de Arte Digital, para discutir as propostas e sugestões para as políticas públicas do setor. É estranha a subdivisão de Arte Digital estar separada de Audiovisual, Arte visual, Design, Cultura Popular, Música, entre outras. Mas, de qualquer forma, são pessoas focadas no tema tentando chegar a um consenso para melhorar o setor nos próximos anos.
Vale acompanhar a discussão e tentar se inserir no processo.



