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  • “The Art of Cybridism” now in English

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    por: Thiago Carrapatoso, em institucional no dia 14/12/2011

    The research “The Art of Cybridism”, sponsored by National Arts Foundation (Funarte), now have a version for English speakers. The goal of the study was to understand part of the art and technology scenario in Brazil, interviewing artists resident in three states of the country: São Paulo, Rio de Janeiro and Minas Gerais.

    At total, 11 artists discussed their production and gave their opinions about the current context Brazil is dealing when discussing new media art.

    The translation of the text version was made by Mike Chatwin.

    This version is the same submitted to Fundação Bienal de São Paulo (wich organizes the Sao Paulo Art Biennial) to be elected as one of the best studies and researches about art and/or art economy in Brazil (what about I talked here, in portuguese).

    To download the file just click here.

    [vimeo 18607389]

  • “A Arte do Cibridismo” agora em inglês

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    por: Thiago Carrapatoso, em institucional no dia 14/12/2011

    Agora, não é somente o público de língua de portuguesa que pode ler um pedaço do cenário da arte e tecnologia no Brasil. A pesquisa “A Arte do Cibridismo” ganha uma versão em língua inglesa, resumida, mas ainda assim explicativa de todo o projeto.

    A tradução ficou por conta de Mike Chatwin.

    O texto entregue para ganhar a versão anglo-saxônica foi a mesma que a Fundação Bienal de São Paulo premiou no ano passado.

    Para acessar o arquivo na íntegra é só fazer o download aqui.

  • “A Arte do Cibridismo” é discutida em eventos sobre cultura digital

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    por: Thiago Carrapatoso, em institucional no dia 14/12/2010

    Eu fui convidado para apresentar os resultados da pesquisa em dois grandes eventos que aconteceram quase que simultaneamente sobre cultura e arte digitais. O primeiro foi o Fórum da Cultura Digital Brasileira, que está na sua segunda edição, e o Festival Internacional de Arte e Mídia (FAM), também organizado pela  segunda vez.

    O Fórum é organizado pelo Ministério da Cultura com produção da Casa da Cultura Digital para discutir as políticas públicas referentes ao setor. Neste ano, a organização decidiu ser um nó de algumas redes atuantes no cenário digital do país, como o MetaReciclagem, Transparência Hacker, entre outros. Foi um grande evento que tomou a Cinemateca Brasileira em São Paulo para fazer um balanço destes oito anos de políticas focadas no digital feitas pelo MinC e discussões sobre quais seriam os próximos passos, como a programação do RedeLabs (a meu ver, a melhor de todo evento).

    Eu fui chamado para contar em pouco mais de 10 minutos sobre a pesquisa, ao lado de Jeroman explicando o laboCA, o Bruno Vianna mostrando seu trabalho do Ressaca.net e o Jaime Custódio exibindo suas geniais projeções do Olhotelafagia.

    Para acompanhar como foi, é só ver aqui (não consegui achar o embed do player).

    Eu participei também do clico de webconferências que o II Festival Internacional de Arte e Mídia (FAM) organizou com pesquisadores do mundo inteiro, como Julius Fujak, da Eslováquia; Nina Tomasi, da Áustria; e Marek Choloniewski, da Cracóvia. É um evento que acontece em Brasília e envolve simpósio, exposição, residências artísticas e oficinas, além das palestras online.

    O Festival já é importante por si só, pois quanto mais eventos que discutam e tragam questionamentos sobre esta vertente artística, melhor! E também é importante ressaltar que é um evento sobre arte e tecnologia bem no centro-oeste brasileiro, e não no famigerado eixo Rio-São Paulo. Sair do eixo do Sudeste e organizar eventos que envolvam a identidade nacional ligada às novas tecnologias é extremamente louvável.

    Eu, infelizmente, principalmente por causa do Fórum da Cultura Digital Brasileira, não conseguir acompanhar de perto a programação do simpósio e do resultado das residências artísticas. Mas dá para ter uma idéia dos assuntos discutidos pelas conferências gravadas e streamadas pela web.

    Veja (ou não) o vídeo com eu falando durante cerca de duas horas sobre os artistas e pesquisadores que entraram na pesquisa.

  • “A Arte do Cibridismo” ganha prêmio da Fundação Bienal de São Paulo

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    por: Thiago Carrapatoso, em institucional no dia 23/11/2010

    A pesquisa “A Arte do Cibridismo” foi contemplada com o “Prêmio Estudos e Pesquisas sobre arte e economia da arte no Brasil” concedido pela Fundação Bienal de São Paulo, em parceria com o Ministério da Cultura.

    A entidade é uma das instituições culturais mais importantes do mundo. Sua relevância e impacto no desenvolvimento das artes plásticas brasileiras são reconhecidos internacionalmente. Ela é responsável por uma das mais prestigiadas exposições de arte contemporânea, a Bienal de São Paulo, que já está em sua 29ª edição.

    Em 2009, a entidade firmou um convênio com o Ministério da Cultura para elaborar e implantar publicações, pesquisas e estudos referentes às artes plásticas e à economia da cultura. O objetivo é qualificar artistas e especialistas por meio de publicações e informações referentes à economia da cultura, criando massa crítica sobre o assunto no mercado de arte brasileiro.

    A pesquisa “A Arte do Cibridismo” foi adaptada para que se enquadrasse aos parâmetros e restrições contempladas no edital. A edição enviada à instituição não contempla as entrevistas na íntegra e possui modificações simples na parte introdutória. O motivo para a restrição foi o limite de páginas que o edital previa, sendo o máximo entre 30 e 50 laudas – para se ter uma ideia, a pesquisa na íntegra, com as entrevistas, possui 377 laudas, considerando que cada lauda tem 1.400 caracteres.

    De qualquer forma, a edição enviada condensa um breve panorama na produção da arte digital realizada em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O juri foi composto por Ana Paula Cavalcanti Simoni, professora do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo; Otávio Leonídio Ribeiro, professor do curso de arquitetura e urbanismo da PUC-RJ; Orlando Maneschy, artista, curador independente e professor do Instituto de Ciências da Arte da Universidade Federal do Pará; e Marcia de Noronha Santos Ferran, integrante da coordenação-geral de Acompanhamento da Política Cultural do Ministério da Cultura. Quem presidiu a comissão foi Flávia Pedalini Abbud, coordenadora do Programa Brasil Arte Contemporânea/Fundação Bienal de São Paulo.

    É interessante ressaltar a presença quase massiva de formados em arquitetura e urbanismo e não em outras áreas específicas das artes. Ter um trabalho de arte digital aprovado por um juri com esta formação é um bom indicador. A Bienal precisa mesmo se renovar e abrir suas portas para as novas vertentes da arte contemporânea. A arte digital precisa estar representada em suas comissões e acervos. Talvez isso seja um prenúncio que a fundação está interessada no tema e olhará com mais cautela as obras eletrônicas.

    Ou talvez não.

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  • A exploração da escuta na arte

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    por: Thiago Carrapatoso, em Entrevistas no dia 10/08/2010

    O som de um pincel passando pela pele. De um lápis percorrendo os contornos dos olhos. Do algodão raspando na porosidade da pele enrrugada pelos anos. Do rímel juntando os cílios para aprofundar um olhar. É o ato de se maquiar casado com a amplitude dos sons dos utensílios raspando a pele.

    Essa performance realizada por Vivian Caccuri mostra quão intímo pode ser o processo de esconder defeitos ou realçar qualidades na pele. Artista e público se isolam em um determinado local, com fones de ouvido, para a seção. O maquiado (público) troca confidências com o maquiador (artista) sobre onde estão os defeitos, ao mesmo que ambos escutam o utensílio passar por sua pele para resolver o problema.

    Eu vou mudando o som que essa superfície da pele passa para a escuta. Eles adquirem uma textura metálica, uma textura arenosa. Eu peguei um elemento que é do mundo do consumo, que é a maquiagem, tanto para criar uma relação de intimidade com essa pessoa – porque quando você maqueia alguém é uma situação íntima; você não é mais uma pessoa estranha -, quanto aumentar essa experiência do toque da pele do rosto através da escuta, que é, normalmente, um toque que não se escuta. Não tem nenhum grande objetivo com isso. É mais criar situações onde tem uma experiência perceptiva diferente, não muito cotidiana.

    A tecnologia, neste caso, surge como a ativadora desta mudança de percepção. Ela é apenas um meio para se conseguir chegar ao fim determinado pela performance. Em nossa conversa, Vivian ressaltou que suas obras, sem contexto, não podem ser consideradas como arte digital. Para ela, artemídia tem muito mais a ver com a exploração da mídia do que da própria arte – o que não aconteceu em seus trabahos. Claro que, quando colocadas lado a lado com obras realmente digitais, elas fazem sentido por ainda sim envolverem outras mídias.

    Um exemplo bem interessante que Vivian deu foi uma obra de Cildo Meireles em que ele grava um LP (disco de vinil) usando os dois canais de áudio. Em cada um, uma coisa diferente. No primeiro, gravou o discurso de uma tribo indígena sobre o massacre que havia ocorrido em sua aldeia. No outro, captou o depoimento dos brancos, das pessoas envolvidas nos assassinatos. O público, então, podia modificar a importância de cada lado alterando o potenciômetro. Ou seja, enquanto você mexe os canais, o discurso dos índios pode estar na primeira camada, enquanto o dos brancos fica subjulgado a segundo plano. E vice-versa.

    Você vê que esse é o problema da mídia. O potenciômetro que escolhe um canal ali do vinil é uma ferramenta que faz o trabalho acontecer. Mas você vê como a proposta dele tem pertinência com esse… Ele conseguiu visualizar uma situação onde o conteúdo do LP seria completamente aproveitado, e a significação daquilo estaria nesse mix que você faz

    Ela é uma artista que trabalha com a percepção dos sons, da escuta. Não é música, mas a exploração do sentido e ao que isso remete. Vivian avisa que o que mais a interessa é o contexto macro, da memória e da história por trás de determinados sons.

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  • O cinema transviado

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    por: Thiago Carrapatoso, em Entrevistas no dia 08/08/2010

    O estudo de novas linguagens e novos usos das mídias já existentes, em alguns casos, subverte os conceitos até então usados para determinar novas abordagens. O cinema, por exemplo, creio que possa ser considerado um novo uso da fotografia, já que trabalha com a mídia, mas dando novas características e significações.

    O que as novas tecnologias causam no cinema? Aliás, não é nem a questão das novas tecnologias, mas quais novos significados que se podem trazer a esse meio de massa? A artista e professora da Escola de Comunicação da UFRJ, Katia Maciel, cunhou o termo “transcinema” para conseguir explorar artística e academicamente os desvios na linguagem do cinema propriamente dito.

    Na verdade, esse livro tem desde experiências que um artista faz sozinho no computador e depois explora isso também sozinho, como o computador que faz uma projeção pequena em uma galeria e a pessoa interage; até grandes experimentos tecnológicos muito sofisticados, como os do Jeffrey Shaw, por exemplo, que cria uma câmera para fazer uma outra forma de cinema, cria um domo onde você consegue acessar em tempo real aquelas imagens projetadas. O Transcinema é um pouco esse campo onde essas coisas se movimentam.

    As instalações de Katia exploram, de uma forma ou de outra, esse novo linguajar. Sua obra “As Ondas”, por exemplo, joga o espectador a experimentar uma nova sensação tanto do mar (que é o que está sendo projetado), quanto da projeção (já que as imagens cobrem o público em quase 180º, de forma a aparentar que ele está dentro da obra).

    Embora coloque o espectador no centro da obra, não é projeto interativo. Durante a conversa com Katia, ela citou o artista Jean-Louis Boissier para explicar a restrição causada ao criar um trabalho interativo, o que ele questiona como “imagem-relação”. O artista deve imaginar todos os caminhos possíveis que o espectador navegará para criar a obra, o que restringe qualquer tipo de interação maior entre público e obra.

    Katia fez um breve panorama sobre as experimentações no cinema (que, segundo ela, desde a sua origem é um processo de experimentação) e comparou-as às possibilidades da rede. Não há distinção entre a linguagem cinematográfica ou a criada por meio de mecanismos portáteis (como câmeras digitais ou mesmo a invenção do vídeo). E por que haveria?

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  • A preservação de vasos falantes em museus

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    por: Thiago Carrapatoso, em Entrevistas no dia 06/08/2010

    Existe um limiar entre o que deve ser estruturado com sentido lógico e o que deve ser um mundo lúdico em algumas obras de arte. Há as obras políticas, militantes, e há aquelas em que a beleza ou a imaginação puxam o espectador para uma outra vivência.

    As obras de Mariana Manhães trabalham com o lúdico e usam as tecnologias (hardware mesmo) para “corporificar” as experiências em vídeo. Os trabalhos da artista são construídos a partir de objetos do cotidiano (como bules e açucareiros), um baita trabalho de edição (ela me mostrou a timeline em um editor de vídeo e, meu, são milhares de recortes de uma mesma imagem para compor um gesto de um objeto) e liberdade à imaginação para fazer os sons – ou vozes.

    Os trabalhos não nasceram para ser interativos. Por mais que eles se movimentem e pareçam chamar o público para participar, como diz a própria autora, eles são autistas.

    Eu vejo um objeto desses, eu imagino… é como se a máquina fosse um vocabulário possível para ele, sabe? É meio abstrato o que eu vou falar, mas é como se a língua deles, a linguagem deles, acontecesse através desse organismo que se move por causa deles. E eles interagem só entre si. Isso também é uma coisa importante. Tem gente que acha que o meu trabalho é interativo. Ele não é interativo em uma maneira objetiva. É claro, ele interage porque o público, de uma certa forma, se insere naquela situação na qual tem coisas ali que estão conversando. Ele não entende muito bem o que está acontecendo, mas sabe que tem alguma coisa, alguma comunicação que ele não entende de primeira, mas tem algo acontecendo ali. Ele se insere no trabalho, mas ele não é um trabalho interativo, em que a pessoa faz um movimento… não tem sensor de movimento. É, os trabalhos são autistas, eles só conversam entre eles.

    Mariana ainda tem cuidado de criar manuais de preservação para as suas obras. E é algo que todos os artistas, principalmente os que mexem com tecnologia, poderiam ter. A preocupação de Mariana não é apenas para que a obra esteja em funcionamento quando exposta em uma galeria ou adquirida por um colecionador. Ela está pensando no futuro, quando possivelmente algumas peças usadas em seus trabalhos não possam mais ser substituídas.

    E isso é um ponto também importante para os museus que começam a se interessar por esta vertente artística. As obras não devem ser apenas expostas, como se fosse somente problema do artista se elas parassem de funcionar. Elas devem ter manutenção constante. É uma lástima ir a uma exposição como o FILE e ver que, depois de dois dias, diversas obras não funcionam mais. Apenas por não haver a preocupação por mantê-las.

    Se para a pintura, escultura e arquitetura existem centros apenas focados para isso, por que não começar a pensar um para a arte e eletrônica?

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  • Morte ao artista romântico

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    por: Thiago Carrapatoso, em Entrevistas no dia 05/08/2010

    A rede trouxe possibilidades à sociedade que ainda não conseguimos mapear por completo. Identificamos uma e outra alteração, mas o impacto da internet e da web em diferentes vertentes da sociedade só será possível no futuro. A coletividade, por exemplo, até influenciou na morte da ideia romântica sobre o que é o artista.

    A crítica genética estuda, desde a década de 1960, as influências que atingiram um artista para gerar determinada obra. É como se fosse o prenúncio da morte da “musa inspiradora”, da entidade divina que encarna na carne mortal do artista. Quer-se descobrir de onde surgiu determinada ideia e o que gerou.

    O artista Fernando Velázquez acredita que a colaboração e a rede trouxeram também o fim desta ideia romântica. A possibilidade de se criar em conjunto, não mais isolado, faz com que caia por água abaixo os conceitos antigos sobre inspiração. Além disso, as ferramentas de rede trouxeram novos mecanismos para se compor uma obra de arte. Velázquez usa, por exemplo, Google Maps e Google Earth como meio para demonstrar sua Descontínua Paisagem.

    Eu acho que hoje nos é impossível, pela facilidade que esses mecanismos nos impõem, de certa forma, perceber que até bem pouco tempo atrás era impossível você ter as plantas desse aeroporto por diversas questões, inclusive por sigilo. Então, a gente tem acesso a esse material que é uma coisa inédita. Apesar de que é banal o modo de como a gente acessa, como uma coisa muito corriqueira. Acho que todo mundo, olhando o Google Maps, deve ter passado por algumas cidades… “mas que forma bonita!”. Mesmo quando viaja de avião, você olha de cima. E esse é um pensamento que permeia muitos de nós. E em algum tempo quadrou, e eu consegui fechar essa ideia desse trabalho tentando… O elo que eu achei para construir essas pinturas era muito simples também, se traduzir um pedaço da cidade, daquela forma que já é bonita desde o espaço – que também tem seu atrativo porque se foi planificado ou não por um arquiteto, foi um apropriação das pessoas, se aquela forma foi emergente, foi auto-generativa, em uma questão social, de vida real.

    A nossa conversa, que aconteceu no The Hub São Paulo, abordou também os incentivos necessários para incrementar a produção artística digital brasileira. Velázquez acredita que devam ser feitas novas formas de estímulo cultural para estimular a inovação e a experimentação.

    No ano passado, quando na oportunidade do fórum que o [Instituto] Sergio Motta organizou, veio o diretor do Ars Electronica, e ele deu uma palestra que eu fiquei muito impressionado. Eu achei que ia ter muita cerimônia, ou que ia ser uma coisa… Ele foi muito lúdico no que ele mostrou, sabe? Muito lúdico. Uma abordagem da questão sem maior problema. Eu acho que às vezes a gente também fica um pouco, nós ficamos… Eu acho que existe uma preocupação muito forte, às vezes, com um conceito que quadre com a tecnologia. E eles lá, pelo menos nessa palestra, me permitiu – ou eu percebi -, se permitem uma questão lúdica, já mais de experimentar com aquilo. É uma crítica, mas desde a experimentação. Não é uma crítica que talvez nós tenhamos, de um contexto que talvez possa ser mais social, mais político ou mais… Quando me referi, no começo da resposta, à ideia de contexto, acho que é um pouco isso. Isso é uma coisa que eu tenho percebido entre a nossa diferença e a deles. Você vê que, por exemplo, dificilmente aqui, nos nossos países, você cria uma tecnologia, um processo. Isso vem de outros centros. Agora rapidamente está lá, se apropria e se instala uma base. Mas eu acho que isso se deve também a uma visão pública e de fomento.

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  • A lógica da gambiarra

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    por: Thiago Carrapatoso, em Entrevistas no dia 03/08/2010

    A estética gambiológica já foi discutida na entrevista que fiz com Fernando Rabelo. Para ele, o objetivo de se abrir os fios, cabos, circuitos e o que mais fizesse parte do hardware para o público é aproximá-lo da tecnologia bruta. O trabalho de Fred Paulino, porém, mostra um outro viés desta construção.

    A trajetória de Paulino envolve não só a tecnologia, mas um trabalho de intervenção nas ruas de Belo Horizonte. Ele, assim como o famoso inglês Banksy, trabalha com stencils para promover algum tipo de conscientização ou questionamento político. E foi por causa dessa mistura entre intervenção e tecnologia que ele trouxe para o Brasil o Graffiti Research Lab.

    Nas obras de Paulino, percebe-se uma preocupação com a estética da gambiarra diferente da de Rabelo, por exemplo. Mesmo os primeiros trabalhos, como a armadura gambiológica, vê-se uma estética muito mais trabalhada do que simplesmente cabos e fios ou partes de hardware. Há a preocupação de se colar adesivos e encaixar tudo em uma caixa de goiabada, por exemplo.

    Eu acho que o mundo hoje em dia tem excesso de uso de tudo, inclusive de aparelhos eletrônicos, principalmente. A gente fica sempre se cobrando de estar sempre atualizado tecnologicamente, de estar gastando dinheiro, de ter computador sempre mais atualizado, de ter sempre o último lançamento e entender das últimas linguagens e… tudo, assim. Fora as coisas que a gente consome no dia-a-dia, né? Que são triviais. E o Gambiologia, a partir do momento que ele reutiliza todas essas coisas para transformar em objetos, ora banais ou ora mais interessantes, ele acaba questionando um pouco esse excesso de coisas que a gente usa e consome.

    Durante nossa conversa, Paulino ainda fez um panorama sobre a produção artística digital mineira e brasileira. O artista apontou um movimento de descentralização das obras artísticas que me lembrou bastante o Circuito Fora do Eixo. Para ele, em breve, veremos um movimento de migração muito forte. Mas ao contrário. Em vez de os mineiros largarem seus pães-de-queijo e encararem o concreto cinza da metrópole, os poluídos paulistanos procurarão empregos em terras onde Guimarães Rosa decretou suas veredas.

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  • Laboratórios para a arte digital

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    por: Thiago Carrapatoso, em Entrevistas no dia 29/07/2010

    Há uma crescente demanda por laboratórios que produzam conhecimento e criem público para questionar a arte digital. O Ministério da Cultura, por exemplo, pesquisa aqui no Brasil e no exterior experiências que envolvam laboratórios focados em cultura de rede. Pode ser tanto para incluir as comunidades do entorno, quanto voltadas à produção mesmo de produtos digitais.

    O Marginalia Lab nasceu para ser um desses centros, que incentivam a produção digital e facilitam a troca entre artistas de diferentes países. O Cicero Silva, pesquisador e professor, já tinha me contado sobre a importância destes centros para a revitalização de regiões até então carentes. Para ele, a cultura aparece como um elo entre os que querem melhorar a área e as comunidades existentes. A arte digital, principalmente, tem um papel interessante já que não é uma única vertente artística, mas a união de diversas.

    A conversa com Pedro Veneroso, então, integrante do Marginalia, foi mais por este sentido, para entender a produção do grupo e como seriam estruturados projetos futuros. De acordo com ele, haverá um chamamento para residentes e colaboradores em um novo espaço que será aberto em Belo Horizonte, MG. A ideia é que eles se juntem para produzirem conteúdo artístico digital durante o tempo da residência.

    O modelo para a residência é inspirado no que acontece no MediaLab de Prado, na Espanha. Veneroso, quando conversamos, estava prestes a embarcar para o país para o encontro LabtoLab, um evento que reúne cinco laboratórios europeus para trocar experiências. Aparentemente, no segundo semestre chegarão os residentes e cerca de 30 colaboradores para conviver durante um período na capital mineira apenas produzindo conteúdo digital.

    O interessante é que tudo isso está relacionado com as demandas que surgiram no Fórum Brasileiro de Cultura Digital, assunto que tomou grande parte da entrevista com Cicero. O espaço da Funarte, por exemplo, pode ser um dos grandes geradores de experimentação tecnológica em um país que carece de estímulos culturais. A pesquisa realizada pelo MinC também vai de encontro a isso. E, para grande surpresa, nenhum dos dois – Funarte e pesquisa do MinC – está relacionado com instituições acadêmicas, algo corriqueiro na realidade brasileira. Há um passo para que a inovação não fique focada apenas no interesse da academia, mas no da sociedade em geral.

    Vale acompanhar!

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