A proliferação de recursos de produção na sociedade fez com que se questionasse o real valor do conhecimento dos considerados amadores. Antes, a especialização era o único caminho para conseguir ser ouvido sobre um determinado tema e ter sua bagagem de estudos reconhecida. Agora, os processos se abriram a todo e qualquer tipo de conteúdo produzido pelos cidadãos. O maior exemplo, é claro!, é a Wikipedia. Mas não só: YouTube e Flickr são outros dois que demonstram a gigantesca quantidade de novos materiais por dia.

Por causa do vídeo abaixo, que questiona a evolução da mídia (ignore, por favor, a parte do futuro, em que aparecem previsões bizarras), coloquei em cheque a principal teoria na qual me baseio para realizar esta pesquisa.

Na página sobre este trabalho, aponto que um conceito usado por Lucia Santaella me norteia para que faça o mapeamento dos artistas audiovisuais contemporâneos.

(…) quando surge um novo meio de produção de linguagem e de comunicação, observa-se uma interessante transição: primeiro o novo meio provoca um impacto sobre as formas e meios mais antigos. Num segundo momento, o meio e as linguagens que podem nascer dentro dele são tomados pelos artistas como objeto de experimentação. Assim aconteceu com o rádio, primeiro meio efetivamente de massa, capaz de atingir remotamente milhões de pessoas a um só tempo. Numa primeira instância, o rádio influenciou o teatro para, depois, ser explorado como fonte autônoma para a criação.” (SANTAELLA, 2003. p. 156)

Se, hoje em dia, já se fala em “prosumer” (produtor + consumidor), por que acreditar que apenas os artistas produzem/pesquisam a inovação? Como enquadrar, nos tempos atuais, uma pessoa como artista? O que o diferencia dos outros produtores?

Cai-se, então, na mesma questão levantada há velhos anos sobre o que é a arte. Claro que, no fim, se levantam diferentes respostas para este questionamento. Mas o que eu levanto aqui, e procuro achar um conceito para orientar a pesquisa, é o papel mesmo do artista neste processo de inovação.

Antigamente, foram eles que mostraram à sociedade o que se poderia fazer com as mídia. Hoje, será que não cabe pensar o contrário, sendo a sociedade – ou pessoas comuns – os grandes inovadores para os artistas?

Como classificar os vídeos colaborativos de MadV? Até o processo de colaboração não pode ser definido como inovador? E, para se ter uma ideia, o trabalho, por meio da ajuda de pessoas que gostaram do vídeo, foi traduzido sem a interferência do próprio MadV (eu reluto em chamá-lo de autor, uma vez que ele só foi responsável pelo chamamento e compilação).

Quem é o artista hoje em dia?

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