Há uma crescente demanda por laboratórios que produzam conhecimento e criem público para questionar a arte digital. O Ministério da Cultura, por exemplo, pesquisa aqui no Brasil e no exterior experiências que envolvam laboratórios focados em cultura de rede. Pode ser tanto para incluir as comunidades do entorno, quanto voltadas à produção mesmo de produtos digitais.

O Marginalia Lab nasceu para ser um desses centros, que incentivam a produção digital e facilitam a troca entre artistas de diferentes países. O Cicero Silva, pesquisador e professor, já tinha me contado sobre a importância destes centros para a revitalização de regiões até então carentes. Para ele, a cultura aparece como um elo entre os que querem melhorar a área e as comunidades existentes. A arte digital, principalmente, tem um papel interessante já que não é uma única vertente artística, mas a união de diversas.

A conversa com Pedro Veneroso, então, integrante do Marginalia, foi mais por este sentido, para entender a produção do grupo e como seriam estruturados projetos futuros. De acordo com ele, haverá um chamamento para residentes e colaboradores em um novo espaço que será aberto em Belo Horizonte, MG. A ideia é que eles se juntem para produzirem conteúdo artístico digital durante o tempo da residência.

O modelo para a residência é inspirado no que acontece no MediaLab de Prado, na Espanha. Veneroso, quando conversamos, estava prestes a embarcar para o país para o encontro LabtoLab, um evento que reúne cinco laboratórios europeus para trocar experiências. Aparentemente, no segundo semestre chegarão os residentes e cerca de 30 colaboradores para conviver durante um período na capital mineira apenas produzindo conteúdo digital.

O interessante é que tudo isso está relacionado com as demandas que surgiram no Fórum Brasileiro de Cultura Digital, assunto que tomou grande parte da entrevista com Cicero. O espaço da Funarte, por exemplo, pode ser um dos grandes geradores de experimentação tecnológica em um país que carece de estímulos culturais. A pesquisa realizada pelo MinC também vai de encontro a isso. E, para grande surpresa, nenhum dos dois – Funarte e pesquisa do MinC – está relacionado com instituições acadêmicas, algo corriqueiro na realidade brasileira. Há um passo para que a inovação não fique focada apenas no interesse da academia, mas no da sociedade em geral.

Vale acompanhar!

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