O estudo de novas linguagens e novos usos das mídias já existentes, em alguns casos, subverte os conceitos até então usados para determinar novas abordagens. O cinema, por exemplo, creio que possa ser considerado um novo uso da fotografia, já que trabalha com a mídia, mas dando novas características e significações.

O que as novas tecnologias causam no cinema? Aliás, não é nem a questão das novas tecnologias, mas quais novos significados que se podem trazer a esse meio de massa? A artista e professora da Escola de Comunicação da UFRJ, Katia Maciel, cunhou o termo “transcinema” para conseguir explorar artística e academicamente os desvios na linguagem do cinema propriamente dito.

Na verdade, esse livro tem desde experiências que um artista faz sozinho no computador e depois explora isso também sozinho, como o computador que faz uma projeção pequena em uma galeria e a pessoa interage; até grandes experimentos tecnológicos muito sofisticados, como os do Jeffrey Shaw, por exemplo, que cria uma câmera para fazer uma outra forma de cinema, cria um domo onde você consegue acessar em tempo real aquelas imagens projetadas. O Transcinema é um pouco esse campo onde essas coisas se movimentam.

As instalações de Katia exploram, de uma forma ou de outra, esse novo linguajar. Sua obra “As Ondas”, por exemplo, joga o espectador a experimentar uma nova sensação tanto do mar (que é o que está sendo projetado), quanto da projeção (já que as imagens cobrem o público em quase 180º, de forma a aparentar que ele está dentro da obra).

Embora coloque o espectador no centro da obra, não é projeto interativo. Durante a conversa com Katia, ela citou o artista Jean-Louis Boissier para explicar a restrição causada ao criar um trabalho interativo, o que ele questiona como “imagem-relação”. O artista deve imaginar todos os caminhos possíveis que o espectador navegará para criar a obra, o que restringe qualquer tipo de interação maior entre público e obra.

Katia fez um breve panorama sobre as experimentações no cinema (que, segundo ela, desde a sua origem é um processo de experimentação) e comparou-as às possibilidades da rede. Não há distinção entre a linguagem cinematográfica ou a criada por meio de mecanismos portáteis (como câmeras digitais ou mesmo a invenção do vídeo). E por que haveria?

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