Vídeo:

Entrevista:

Thiago: Bom, Fred, então, me conta um pouco sobre o seu trabalho. O principal motivo para eu vir falar com você, justamente, é do Gambiologia. Mas me dá um panorama do seu trabalho: o que você faz, aonde está enquadrado e etc.

Fred Paulino: Bom, minha formação é em ciências da computação. E só anos depois que eu tive a sensibilidade de perceber porque é que eu tinha feito computação, apesar de eu sempre ter gostado de arte e tal. Alguns anos depois, eu fui sacar que eu fiz computação exatamente porque é uma área que é um elo entre muitas coisas diferentes. Isso refletiu muito no que eu produzo hoje em dia, no que eu tenho feito nos últimos anos. Meu trabalho é muito baseado em pesquisa de novas linguagens em determinados períodos. Inicialmente eu me interessava muito por vídeo, por internet, então fiz alguns vídeos autorais, webarte e tal. Depois eu comecei a ter uma ligação forte com o universo do grafite. A partir disso, eu comecei a desenvolver um pouco mais de ilustração, de pintar na rua, desenvolver uma linguagem de stencil e tal. Agora, mais recentemente, estou fazendo uma pesquisa de eletrônica e reciclagem de aparelhos, que veio culminar nesse projeto de Gambiologia, que é uma parceria minha com o Lucas Mafra. Meu trabalho é bem pautado sempre por uma pesquisa de linguagens, mesmo, e quase sempre conceitualmente trabalhando um pouco a questão da ironia. Sempre gosto de dialogar com o universo da política também. Por mais que o Gambiologia, por exemplo, não trate exatamente de política, mas ele questiona, de uma certa forma, o uso de aparelhos, excessos do mundo contemporâneo. E nesse sentido ele também acaba trazendo um pouco dessa questão da política, então…

Thiago: Me dá um exemplo, assim…

Fred: É muito mais uma coisa de desenvolver ideias sobre coisas que eu acredito independente da linguagem. E de tempos em tempos realizando pesquisas novas.

Thiago: Me dá um exemplo do questionamento político que, por exemplo, o Gambiologia tem?

Fred: Ah, é que eu acho que são duas coisas. O Gambiologia é um projeto de arte e de design também. Acho até legal separar um pouco. Enquanto arte, eu acho que o mundo hoje em dia tem excesso de uso de tudo, inclusive de aparelhos eletrônicos, principalmente. A gente fica sempre se cobrando de estar sempre atualizado tecnologicamente, de estar gastando dinheiro, de ter computador sempre mais atualizado, de ter sempre o último lançamento e entender das últimas linguagens e… tudo, assim. Fora as coisas que a gente consome no dia-a-dia, né? Que são triviais. E o Gambiologia, a partir do momento que ele reutiliza todas essas coisas para transformar em objetos, ora banais ou ora mais interessantes, ele acaba questionando um pouco esse excesso de coisas que a gente usa e consome. Enquanto o design, eu acho que a gente passou aí, pela década de noventa, por um deslumbramento com a estética limpa, minimalista, toda essa coisa da Apple e tal.

Thiago: Meio infantilizado até, né?

Fred: É! E o Gambiologia vai totalmente contra isso. Ele usa de um excesso estético para questionar os excessos de materiais e, ao mesmo tempo, essa estética clean ir por água abaixo. Porque também acho que a gente é brasileiro, né? A gente não é japonês.

Thiago: É verdade. E fala de onde surgiu o Gambiologia em si, assim? Dentro do seu trabalho, tipo, como é que foi a evolução para você chegar e falar: “Agora eu vou começar a trabalhar com isso”?

Fred: Bom, antes de mais nada, eu não teria uma curiosidade minha dentro desses ciclos que eu comentei com você, de começar a fazer uma pesquisa em eletrônica, que é algo fantástico. Eu sempre gostei de números, fórmulas, e matemática e física, né? Eletrônica é algo muito fascinante, porque você pega fórmulas matemáticas e materializa isso. E ao invés de você errar um cálculo ou você acertar, você queima um circuito, entendeu? É um negócio que é muito fascinante, viciante mesmo. Você pegar uma coisa que até então você só via em uma tela de computador, no papel, e de repente você está materializando isso. E se você acertou uma conta, acendeu uma luz. É muito legal. Eu já tinha esse interesse de começar a estudar um pouco de eletrônica, até para poder entrar também para o universo de sensores. era uma curiosidade que eu tinha de saber um pouco de arduino… Então, a princípio, partiu disso. Coincidentemente, no meu estúdio de design, a gente foi convidado para fazer uma campanha para o festival Arte.Mov, uma campanha de lançamento do festival e o catálogo, sinalização e tal. E, a partir da conversa com esse cliente, a gente chegou em um briefing que era, exatamente, de questionar esse uso da alta tecnologia. Como? Através de periféricos e equipamentos low-tech. Era um pouco a gente usar essa estética da gambiarra na campanha para o festival, exatamente como uma proposta deles de que a alta tecnologia não é necessariamente alta tecnologia. É o jeito que você pensa a sua relação com os eletrônicos, né? A gente começou a buscar referências de coisas da China, de feiras de celulares reutilizados e, sei lá, veículos pouco usuais. Tudo está relacionado, de uma certa forma, com gambiologia e com gambiarra e tecnologia. A gente começou buscar como referência, e para isso eu convidei um artista daqui de Belo Horizonte, que é o Paulo Henrique [Pessoa] “Ganso”, que já é da “velha guarda”, um cara que trabalha com luminária, com eletrônica, e que tem uma pegada muito forte com as coisas do uso de sucata. Ele tem uma oficina fantástica. Convidei-o para desenvolver uma espécie de uma armadura, que um personagem fictício iria usar em umas fotos para essa campanha. Então, a gente construiu um capacete, um relógio, um sapato-fone e tal. Tudo coisas supostamente sem uso, mas que incorporavam essa busca por excessos..

Thiago: …esse conceito, né? Que vocês estão trabalhando na…

Fred: Exatamente. E nesse convite que eu fiz para o Ganso, ele me apresentou o Lucas Mafra, que é um cara que já trabalhava com ele e é tipo um entusiasta de eletrônica desde criança e tem formação em design de produto. Essa parceria de nós três acabou virando uma amizade e uma afinidade de interesses e cada um completando o que o outro não tinha. E acabou fortalecendo, principalmente eu e o Lucas, hoje em dia, nessa ideia da gambiologia.

Thiago: E qual foi a primeira obra, assim, de gambiologia? Porque vocês falaram agora… você acabou de falar de gambiarra, né? Que é muito mais com eletrônica em si, assim, tipo, conseguir produzir tanto o capacete, quanto os utensílios do carinha lá para o… usando materiais reciclados, de reuso, né? E quando a tecnologia envolveu, tipo, na raiz, assim, quando entrou o “logia” na gambiarra, entendeu?

Fred: Não, acho que desde o início…

Thiago: Quando ficou mais…

Fred: Desde o início, quando a gente fez esse trabalho que a gente batizou de armadura gambiológica, já tinha uma incorporação de tecnologia, porque o capacete era cheio de LEDs, tinha circuito de áudio. Na verdade, nesse caso é bem uma tecnologia de low-tech, de eletrônica básica mesmo: circuitinho de áudio, que liga LED e tal. Mas, por exemplo, o sapato-fone tinha um radinho AM transformado, que foi adaptado. O capacete tinha esse negócio da iluminação. A mochila continha uma série de coisas de luz e movimento e tal. Desde o princípio o “logia” já estava incorporado. Depois a gente veio fazer coisas um pouco mais sofisticadas, do tipo uma tagtool

Thiago: Uma o quê? Uma o quê? Desculpa…

Fred: Uma tagtool.

Thiago: Tagtool?

Fred: Tagtool é uma mesa de desenho, que foi feito por um pessoal na Áustria, que a gente pegou. Eles têm um projeto de “Do It Yourself” na internet. Pegamos o projeto deles e transformamos. Deu, tipo, uma evoluída no projeto original. É uma mesa de projeção de desenho que é feita com arduino, e que acabou ficando bem legal. Depois, a gente teve a oportunidade de expor no festival lá no Japão esse trabalho. Então, assim, já é uma tecnologia mais avançada, mas sempre dentro dessa estética que a gente está pouco a pouco construindo.

Thiago: Entendi. Você falou que vocês pegaram uma mesa que já foi criada, tipo, que já existia, e remoldaram, fizeram uma outra coisa baseada… o que vocês fizeram?

Fred: Não, na verdade a gente fez uma alteração no código. É, você vai ter que ver para entender. Mas é uma mesa de desenho, e você controla nos botões, por exemplo, a largura do traço, a cor…

Thiago: …tudo?

Fred: … a transparência e tal. O que a gente fez foi incorporar uma… a gente transformou ela em uma mesa de LED RGB, que até então não tinha projeto e fizemos uma programação como que a própria mesa ficasse da cor, iluminada da cor do traço que a pessoa está…

Thiago: Entendi…

Fred: … está desenhando naquele momento.

Thiago: É, tipo, como se fosse aquelas TVs que pegam a cor do que está acontecendo e projeta a luz, não é?

Fred: Tipo, tipo. Só que isso tudo feito na raça, né? No erro e acerto e tal. E foi legal porque a partir de agora a gente já teve retorno de que muita gente usa o nosso código como código original. Ao invés de baixar o código lá dos austríacos, eles baixam o nosso.

Thiago: Ah… genial, genial! E tudo o que vocês fazem está… então, por exemplo, esse código, para os caras pegarem, está liberado em Creative Commons? Como é que está liberado isso daí? Está em domínio público?

Fred: É, um domínio público aberto. Para falar a verdade, nem me preocupo… ainda… download… não tenho muito…

Thiago: Por que você não se preocupa? Eu acho que isso é um foco que eu… Aliás, você é o primeiro cara para quem eu estou perguntando isso, porque você é o primeiro a ter falado que, meu: “ah, a gente fez o código lá e deixou”. Por quê?

Fred: Não, eu, assim, sei lá… não, primeiro porque eu acho que é uma questão de ser sensato. Praticamente tudo o que a gente faz é baixar da internet. Não compro CD mais, não compro software, e se você começa a não disponibilizar as suas coisas também… Lógico que vai ter um filtro, tem coisas que são muito…. também não acho que você tem que disponibilizar tudo, mas essas coisas, a gente… é um trabalho que a gente pegou já de uma fonte, transformou o que não era da gente…

Thiago: Que não era de vocês, né?

Fred: … então, a gente não poderia barrar esse processo aqui, agora. Espero que alguém pegue o nosso código e faça uma outra coisa com ele e vá replicando mesmo. Agora, sobre essa coisa de licença, é mais por desinteresse, preguiça mesmo. Porque acaba que o Creative Commons é um tipo de regulamentação que é muito legal, que é muito condizente com o que a gente acredita, com o que eu estou falando aqui. Mas ela tem um certo tipo de burocratização do processo que…

Thiago: Como toda licença, né?

Fred: Como toda licença. Então, é mais por uma..

Thiago: … preguiça.

Fred: … uma preguiça mesmo. A gente tem coisa demais para se preocupar aqui. Já tem muita pesquisa.

Thiago: É, mas tem! Ficar se preocupando com isso, também, tipo, é bobagem.

Fred: Mas talvez vai ter um dia em que eu vou… Agora, estou desenvolvendo um aplicativo para iPhone para fazer grafite digital. Talvez eu terei que colocar o código aberto e regulamentar.

Thiago: De alguma forma.

Fred: … em algum tipo de licença desse. Não sei, né? Mas, dependendo do momento, assim…

Thiago: Aliás, seria legal, né? Inclusive de… é difícil achar aplicativo de iPhone, por exemplo, liberado em… sem ser em copyright total, sabe… sem ser…

Fred: Até porque é iPhone, né?

Thiago: E você tem falado muito do arduino. Por que arduino? Por que não outro tipo de… não de hardware, mas, tipo, de… tem até conceito, né? Porque arduino não fica só na parte do hardware… por quê?

Fred: Ah, mas o arduino é mais porque é simples mesmo. Você consegue fazer programação em uma linguagem mais fácil do que os outros microcontroladores. Geralmente você tem que fazer programação em C, né? Que é uma linguagem mais cabeluda. Arduino mais por uma questão de simplicidade mesmo. Por ser o que está sendo usado. Até para compatibilizar com outros projetos, dialogar com outras obras, né? Então, é mais porque é o que está mais na mão.

Thiago: Entendi…

Fred: … e que tem um simplificação. O que a gente está tentando fazer agora é para circuito simples não precisar do arduino. A gente usar só o cérebro do arduino, que é o microcontrolador, que chama atmega. A gente programa através do arduino o microcontrolador e depois tira – até por uma questão de economia. Aí tira, e você faz um outro circuito que é bem mais simples que o arduino, e põe para funcionar de forma independente…

Thiago: Entendi.

Fred: … e aí você reutiliza os seus arduinos também, que são coisas que nos próximos projetos a gente já está…

Thiago: Ah, legal.

Fred: … pensando. Porque também o arduino é, sei lá, US$ 50, US$ 70. Cada vez que você for fazer uma luminária, ter um investimento de R$ 150, sendo que você poderia ter um investimento de R$ 15? Então…

Thiago: É verdade. Custo muito mais baixo, né? E você falou também que… a sua produção é em ciclos, né? Acho que toda produção, inclusive de qualquer um, é baseada nisso. Mas me fala, então, sobre os outros, as outras vertentes. Você falou que teve uma época em que você produziu vídeo autoral, daí teve outra que você ficou mais focado em design, tipo, forte, assim… me fala um pouco do resto.

Fred: Eu vou falar um pouco de tudo. Uma coisa que me vem na cabeça, que eu acho legal de falar, é que todos esses ciclos sempre têm uma preocupação de ligar a questão da tecnologia – que é o meu berço – com algo analógico, artesanal. Os próprios vídeos sempre envolviam algum tipo de processo manual ou de realização tátil. Então, tem alguma coisa de ilustração, que eu sempre gostei de trabalhar e de estudar. Nesse início, que a gente tinha o Estúdio Mosquito, eu tinha um trabalho de vídeo autoral, de vídeo-arte e pequenos vídeos experimentais. Realizei algumas webartes a convite de um espaço daqui de Belo Horizonte e na minha pós-graduação também fiz dois trabalhos de webarte. Depois, fiquei bem focado nessa coisa de grafite, das artes gráficas e comecei a fazer uma pesquisa sobre stencil. E a fazer bastante. Eu sempre gostei de transformar os stencils, que são peças grandes para serem colocadas na rua, em pequenos cartões, que são as peças de adesivos ou cards mesmo, que eu distribuo manualmente para amigos ou mando pelo correio para outros artistas. Acabou sendo meio uma forma também de uma networking analógica, em que eu distribuo e, de repente, eu vou na casa de uma pessoa que eu nem conheço e vejo uma coisa minha lá porque alguém passou.

Eu adquiri esse hábito também de criar, de fazer adesivos, de fazer pequenas reproduções desses trabalhos em stencil e grafite para distribuir pessoalmente, “em mãos”. E é bem legal porque muitos desses cartões foram impressos gratuitamente junto com trabalhos comerciais que eu faço para clientes. Se eu estava fazendo um trabalho para um cliente – uma peça gráfica, por exemplo, um folder – e sempre que sobrava um cantinho no formato da gráfica, eu ia e colocava uma coisa que era uma mensagem totalmente pessoal. E grande parte das vezes ironizando o próprio universo da comunicação, da publicidade e do design. Colocava aquilo no canto e acabava virando estabelecendo um diálogo com esse trabalho comercial. E fora a economia que gerava para mim. Eu passei um bom tempo concentrado nessa coisa do stencil. Depois eu fiz uma viagem para Nova Iorque, fiquei lá uns meses e conheci o pessoal do Graffiti Research Lab, que inventou aquele laser, o L.A.S.E.R. Tag, que é aquele grafite com uma caneta laser…

Thiago: Ah, eu sei.

Fred: … e acabei criando amizade com eles e me convidaram para fazer um núcleo do grafite do Graffiti Research Lab no Brasil. Eu fiquei também um bom tempo usando essa afinidade que eu já tinha com trabalhos na rua, dessa vez incorporando elementos tecnológicos. Abri esse núcleo do Grafitti Research Lab no Brasil e começamos a desenvolver uma série de coisas: um projeto em parceria com eles; viajei para fazer exposição coletiva do Graffiti Research Lab, com essas várias células que eles têm em outros países; no desenvolvimento desse aplicativo para iPhone, que tem a ver com essa história de grafite digital também.

Thiago: Tá. Então, ainda está esse…

Fred: Ainda está. Na verdade, esse Graffiti Research Lab Brasil é um projeto meio irmão do Gambiologia, porque eles se alimentam. A gente usa algumas coisas que foram criadas pelo pessoal de fora e incorpora a estética gambiológica nessas produções, e vice-versa. E o Gambiologia também. A partir do momento que trabalha questões de iluminação, de eletrônica também, é possível de agregar outros elementos para a história do grafite digital.

Thiago: Entendi.

Fred: E aí o Gambiologia veio também, mais ou menos, nessa mesma onda. Já estava fazendo esse trabalho com eles e com essa afinidade eletrônica – e a oportunidade do Arte.Mov – e agora estamos bem focados na Gambiologia. Tem dado um retorno bem legal. A gente está fazendo uma série de workshops. Acho que a gambiologia agrega um certo tipo de sentimento de incômodo que está circulando não só no Brasil, mas em todo o lugar. Disso, de excesso mesmo, de tudo, de equipamento demais e jogando muito plástico fora e você não sabe o que você faz com seus computadores velhos. Eu nunca gostei de jogar as coisas fora mesmo, agora pelo menos eu tenho…

Thiago: … como dar vazão, né?

Fred: É.

Thiago: É verdade. Você falou que estava… a agência Mosquito foi você quem criou?

Fred: É. O Mosquito era…

Thiago: Porque, meu, logo no começo da pesquisa eu tinha visto o Mosquito até. Eu tinha visto a agência, falei: “Nossa! Quero conversar com alguém de lá”. Só que no meio dos meus fichamentos…. me perdi. Não sabia que você fazia parte ainda.

Fred: É, começou como um projeto de um fanzine pelo Leandro HBL, na PUC, com alguns amigos. Na PUC aqui de Belo Horizonte, que era coisa de universidade. Eles faziam uns cartazes e, posteriormente, depois que o Leandro se formou, começou a atender clientes dentro da carreira de designer e chamou algumas pessoas para trabalhar com ele, que eram o Alexandre Telles, eu e o Conrado Almada. O Conrado trouxe a pesquisa de vídeo; eu trouxe a questão do webdesign, que o Leandro não trabalhava; e o Alexandre mais ligado à parte corporativa. O Mosquito acabou, depois desse primeiro estágio de fanzine, virando uma empresa que fazia coisas experimentais, autorais dentro de vídeo, parte eletrônica e também atendia clientes comercialmente. E a gente ficou cinco anos nós quatro como sócios, até que o Leandro e o Conrado viajaram para a Itália para trabalhar na FABRICA, e eu e o Alexandre abrimos um outro estúdio, que é o estúdio Osso e também durou até o ano passado, mais seis anos. E aí sim só atendendo clientes. Até que ano passado eu decidi trabalhar independente para poder priorizar um pouco mais os meus projetos de arte.

Thiago: E durante a época que vocês estavam no Mosquito, quais trabalhos autorais, assim.. qual que era o foco? Porque eu tinha visto que vocês tinham muito trabalho, tipo, de audiovisual mesmo…

Fred: É , o principal era…

Thiago: … e coisa simples também, né?

Fred: … eram os vídeos. Fez muito vídeo experimental, muito videoclip e sempre também fazendo um pouco dessa filosofia de faça você mesmo, com custo mínimo. Quase sempre valorizando processos manuais de produção…

Thiago: Como que é, assim? Me dá um exemplo, assim, tipo de…

Fred: É, stop motion com papeizinhos recortados. É imprimir os frames desse vídeo que você está gravando, enfileira-los, imprimir na impressora a jato de tinta, recortar, scannear tudo de novo e transformar em vídeo. É esse tipo de coisa. Mas eu, como te disse, estava mais focado na parte de web e de design gráfico. E com vídeo dialogando de uma forma ou outra…

Thiago: Entendi.

Fred: … mas quem eram os diretores mesmo de vídeo eram o Leandro e o Conrado.

Thiago: Entendi, Entendi. E pegando como base tudo isso que você está falando, inclusive do Mosquito, falando de gambiologia, falando de tudo o que está acontecendo, me fala um pouco sobre o que você acha que está rolando aqui em BH em termos de arte e tecnologia. Tipo, o que você consegue ver e identificar, pelos contatos que você tem, pelas pessoas com quem você trabalhou, enfim?

Fred: Belo Horizonte sempre teve uma relevância para o cenário de arte eletrônica até nacional, partindo muito do audiovisual, né? Principalmente de meados da década de 1980 para a de 1990, com o trabalho dos vídeoartistas, Eder Santos; agora o Cao [Guimarães], que acabou adquirindo status um pouco depois, mas bem dentro dessa história da vídeoarte mesmo e, a partir disso, vídeo-instalações. Vamos dizer que a peça fundamental da arte eletrônica aqui em Minas parte principalmente do vídeo. Não é um universo que me interessa muito hoje em dia, mas eu consigo ver a importância desses artistas para o que está acontecendo hoje, na medida em que está tendo um surgimento de muitos espaços. Existe uma inquietude não só de artistas querendo produzir, como de espaços institucionais querendo receber projetos, e até abertura de novos. Mas eu acho que, hoje em dia, o pessoal com que eu convivo, com que eu dialogo, no que se refere à arte e tecnologia, eu acho que tem um pouco essa sensação que a gambiologia incorpora de tentar fazer as coisas diferentes, não necessariamente usando os suportes mais caros…

Thiago: … mais bem falados, mais conhecidos e tal?

Fred: … mais bem falados e não sei o quê. De buscar formas alternativas de produzir as mesmas coisas que são feitas em geral em outros lugares. Acho que o trabalho do Fernando Rabelo tem até a ver com isso. O pessoal do Marginalia também. O.. tem o artista que chama Ilan Gamal, que também trabalha com essa questão de pequenos… periféricos ele… produtinhos eletrônicos…

Thiago: Qual que é o nome dele?

Fred: Ilan Gamal.

Thiago: Ilan Gamal?

Fred: É. Que tem um trabalho que chama Gambiônicos, que também tem a ver. Mas tem muita gente ainda nessa onda, nessa coisa de instalação. Roberto Bellini é um artista foda da nossa geração que trabalha com vídeo, vídeo-instalação e é ilustrador também. Eu acho que, talvez, o principal é uma inquietude de buscar formas alternativas, que eu acho que sempre teve, na verdade. Tem algo de repensar também o trabalho… não repensar, mas não fazer da mesma forma que esse pessoal da década de noventa fez. Eu acho que a videoarte, as vídeo-instalações naquele modelo ali tiveram um papel fundamental para a formação de quem está produzindo hoje, mas não é mais o que as pessoas estão interessadas.

Thiago: E o que você vê? Você falou muito, tipo, de pensar novos meios de conseguir fazer as mesmas coisas, por exemplo, que são feitas em outros locais, aqui do Brasil, inclusive. É. Qual a diferença que você vê na produção de BH para a produção nacional? Daí, aí eu já pergunto: o que você vê como produção nacional e o que você vê que é o diferencial da produção de BH, entendeu?

Fred: Não, eu acho que, na verdade, isso que eu estou falando de produzir de forma alternativa sempre esteve em Belo Horizonte e isso acaba criativamente fortalecendo muito, até esses exemplos que eu estou te dando da década de 1980, da década de 1990. Belo Horizonte não é um lugar que circula tanta grana quanto em São Paulo, principalmente. As pessoas querem fazer videoclipes, instalações, gambiologias, mas a partir do momento em que você não tem tanta grana, não se pode trabalhar com a mesa de vídeo mais cara do mercado ou o projetor mais potente. Claro que isso também é relativo, né? A gente tem projetos que você pode pegar o melhor, mas acho que acabou criando uma cultura mesmo de realizar as coisas de uma forma alternativa, muito peculiar. Em alguns momentos acho que, por exemplo, produções de artistas de São Paulo são muito ligadas a modelos de arte que a gente vê em outros países. Uma espécie de reprodução do que já é feito, muito ligada a software, aquela coisa que gira em torno de uma busca pela tecnologia. É por si só, sabe? Sem ser uma coisa que toca mesmo no sangue.

Thiago: Entendi.

Fred: E eu não sei. Talvez eu não enxergue muita diferença no que o pessoal faz em Minas de algo mais humano, mais da raiz, de baixo para cima. Mas não é uma coisa de Minas. Por exemplo, o pessoal de Recife: o [Ricardo] Brazileiro, o Jarbas Jácome… Também é um pessoal que trabalha de formas alternativas. O Panetone, do Rio Grande do Sul, que é um cara que de circuit bending muito bom. A partir do momento em que você não está no centro, em que você está na “periferia”, entre aspas, você começa a desenvolver a partir das suas convicções e do que você tem de acesso ali naquele momento. Então eu acho que esse movimento de despolarização é generalizado no mundo. O Brasil, hoje em dia, tem uma relevância mundial porque ele, em determinado momento, estava fora do centro das decisões. E você replicando isso para dentro do território nacional, talvez Minas, Rio Grande do Sul, Bahia e Recife, estejam adquirindo relevância, exatamente, porque essa lógica da descentralização é inevitável hoje em dia. A gente tem muita gente da nossa geração que se forma e vai direto para São Paulo, para o Rio [de Janeiro] para trabalhar. Eu acho que vai chegar o dia em que o pessoal de São Paulo – já está acontecendo – e do Rio vai começar a vir para Minas ou para Salvador.

Thiago: Nossa, eu não tenho dúvida, mesmo. Eu não tenho dúvida, principalmente na potencialidade que está surgindo aqui, né? Das iniciativas que estão vindo para cá.

Fred: É. Mas, assim, em termos de produção, não sei… É difícil falar, porque eu estou aqui a trinta e tantos anos. É difícil você analisar estando dentro da coisa, né?

Thiago: É. Não, porque o que eu acho engraçado, que é algo que você falou da relevância, inclusive do Brasil nesse meio de arte e tecnologia, é justamente o Brasil ter ganhado essa relevância fazendo coisas de ponta, né? Tipo, fazendo coisas com qualidade absurda, só que na gambiarra. Não é pegando o melhor software, o melhor “tudo”, para conseguir fazer. E eu acho que esse é um grande diferencial em relação à produção mundial de arte e tecnologia daqui do Brasil. Eu, entrevistando o Cicero Silva, que era o coordenador do eixo de Arte Digital do Fórum Brasileiro de Cultura Digital, me deu uma frase interessante que eu sempre uso nas entrevistas. Estou questionando os próprios artistas sobre isso. Ele fala que a produção brasileira é pouca, mas é de qualidade comparável ao que é produzido em Nova Iorque, por exemplo. Daí você fala: “É”? Ou é só uma cópia do que é feito lá fora?

Fred: Eu não acho que é uma cópia, não. A gente tem uma história muito forte, muito antiga também para…

Thiago: … para ser só uma replicação…

Fred: E aí da mesma forma que eu falo que Minas não tem tanta grana quanto São Paulo para fazer as coisas, o Brasil não tem tanta grana quanto os americanos. De uma forma ou de outra, a gente também está sendo alternativo, buscando coisas do nosso jeito.

Thiago: E se tivesse, por exemplo, investimento público mais forte em arte digital? Pegando especificamente arte digital. Mas, pensando na cultura em geral, você acha que conseguiria ampliar muito mais o escopo e a produção seria tão boa quanto é? Porque daí você fez assim..

Fred: Então, eu acho que não…

Thiago: Porque tudo o que a gente conseguiu foi por meio de gambiarra, entendeu?

Fred: Eu acho que não, porque talvez possa ser até romantismo meu, mas eu acho que tem um limiar entre a falta de recursos, recursos suficientes e excesso de recursos. E a própria linguagem artística dialoga com isso. A ausência de recursos criativamente é boa. A partir do momento que tem muito dinheiro, começa a gerar um deslumbramento e todo mundo vai querer fazer, ter um arduino em casa. Tudo bem, é legal, não estou falando que esse é um problema. Começa a ser gerado um tipo de produção que justifica-se por ela mesma, com um fim nela mesma, simplesmente porque tem recurso. Sofrimento é bom para a arte.

Thiago: É.

Fred: Se todo mundo estivesse feliz não ia sair, não ia ter poeta, não ia… Eu acho que tem um degrau. Aqui em Belo Horizonte mesmo no último ano, nos últimos dois anos, começou a ter muito edital, muita oportunidade de recurso para trabalhos de talvez de vídeo, por exemplo, de audiovisual. E é notório que a qualidade começa a cair um pouco, mas é claro que isso também vai gerando novos artistas. Pessoas que hoje em dia fazem um trabalho que eu não considero, que eu não gosto, não considero bom, a partir do momento que elas estão produzindo e fazendo coisas, daqui há um tempo vão virar grandes artistas. Mas eu acho que a arte dialoga com a carência de uma certa forma. Criativamente ela…

Thiago: Nesse caso, né?

Fred: … transforma isso em produção, eu acho.

Thiago: É. Muita tecnologia, muita coisa acontecendo e você não sabe nem o que fazer com aquilo. O começo da minha pesquisa era justamente trabalhar com celular e câmera digital. E trabalhar com o conceito de ubiquidade da tecnologia, de cibridismo também – que a Giselle [Beiguelman] deu uma reformulada para se enquadrar com as coisas daqui, que acontecem por aqui. O que você acha que, por exemplo, o celular ou a câmera digital, enfim, mecanismos de produção audiovisual ou de produção que você pode trabalhar com meios artísticos se você quiser, qual o impacto deles na produção artística? Você acha que interfere? Você acha que isso modificou alguma coisa? Ainda, pegando você, que está em BH a tanto tempo e pegando o histórico da cidade em audiovisual, você vê alguma diferença? Você acha que celular e câmera digital impactaram na produção artística?

Fred: Muito pouco, muito pouco.

Thiago: É o que eu imaginei.

Fred: Eu acho que impacta pois as pessoas passam a ter interesse pela questão da imagem em si. Pensando socialmente, eu acho que isso algo vai gerar. Claro que também porque a gente já vive em uma cultura de imagem. Não do seu celular, mas de andar e ver publicidade por todo o lado. As pessoas tem tido o olhar mais treinado para lidar com as imagens como um todo.

Thiago: Um letramento mais audiovisual, assim?

Fred: É. A partir do momento que o cara tem uma câmera no bolso universaliza e cai em toda essa lógica que é óbvia. Mas para efeito de produção artística eu não acho que é tanta assim. Eu acho que influencia assim como, sei lá, o arduino, ou..

Thiago: … ou como quando surgiu o mini DV, enfim…

Fred: … ou novas linguagens de programação. É, ou vídeos de alta definição, não sei. E eu te confesso: pode até ser uma questão pessoal, mas eu prefiro assistir vídeo arte bem feita, um bom filme que seja feito em HD, do que um vídeo de três minutos feito em um celular. Até porque, na maioria das vezes, as pessoas que vão fazer um vídeo e que vão querer chamar de obra com celular, elas, na verdade, poderiam fazer com uma super câmera. E aí você vai assistir um negócio desse tamanho, sendo que você podia assistir isso em um cinema?

Thiago: Não necessariamente, por causa daquele formato, mas…

Fred: Mas eu não sei se é uma questão pessoal. Eu acho que é algo que talvez essa coisa do celular, principalmente, enriquece o ambiente artístico e traz uma pesquisa que é nova. A questão da mobilidade e dos dispositivos de localização tem uma relevância. Para isso tem o trabalho do Cicero, por exemplo. Aí sim eu vejo uma – vamos dizer – incorporação de um elemento novo nessa história toda. Trabalhos que dialogam com o ambiente das mídias móveis enquanto mobilidade, não enquanto audiovisual, aí sim eu acho que tem uma… Tem um pessoal fazendo algo muito, muito massa. O grupo Blast Theory, os ingleses. Grande parte do pessoal está convidado para esse festival Arte.Mov. Eles pegam esses dispositivos que andam no nosso bolo, que a gente carrega, e realizam pesquisa artística nova com isso. Mas enquanto audiovisual em si, foto e vídeo, eu acho que agrega muito pouco. Acho que é mais uma questão de entretenimento mesmo. Mais tirar a foto do seu gato do que, sei lá, gerar obras interessantes.

Thiago: Entendi. É, mas por exemplo, essas ferramentas (tipo GPS) e a ubiquidade (de você carregar um GPS e todo mundo saber aonde você está e você saber onde se está), para conseguir se localizar ficou muito mais fácil.

Fred: É, eu acho que é legal porque estabelece um… Também não é totalmente novo, mas a arte começa a incorporar conceitos da questão da vigilância – que não são de hoje também. Mas universaliza um pouco esse questionamento. A partir do momento em que você tem uma visão crítica sobre o seu GPS, que você tem no bolso, e você quer transformar isso em uma obra, em algo criativo, aí sim eu acho que é um universo grande, que inclusive está no início e que ainda vai dar muito pano para manga.

Thiago: E não só de vigilância, né? De privacidade também porque esse negócio de todo mundo saber onde você está a todo o momento, né?

Fred: É. Mas eu acho que isso também é uma coisa que está começando. Eu, particularmente, não tenho grande interesse em trabalhar com isso. O Gambiologia, por exemplo, é muito mais desconstruir uma lógica funcional desse tipo de coisa. A gente faz uma luminária que veio do seu celular e que deixou de ser seu celular. Não queremos usar isso como celular mais. Queremos que simplesmente acenda uma luz e vire uma lanterna, mais nada. Pelo menos eu tenho mais interesse em meio desconstruir exatamente a funcionalidade dessas coisas.

Thiago: … e de resignificar, né?

Fred: De resignificar e para questionar mesmo. Para que a gente precisa andar tanto com câmera, com telefone, quanto com internet, GPS? Não, a gente precisa de uma luminária aqui para eu ler minha revista, sabe?

Thiago: É verdade.

Fred: Eu me interesso mais por essa desconstrução e essa desfuncionalização do que por pesquisa, pesquisa, pesquisa, e tecnologia e tal.

Thiago: E qual é a obra que você acha mais relevante para representar o Gambiologia? Tem algo que você fala: “puta, isso daqui eu consigo falar que é ‘o’ negócio gambiológico”? Porque, meu, o que você me mostrou…

Fred: Eu acho que esse mais perto aqui…

Thiago: Porque o que você me mostrou era muito mais lanterna, resignificação do…

Fred: Esse daqui é um instrumento também de… é um circuito que você baixa da internet o manual de instrução. Chama-se Atari Punk Console

Thiago: E o que é?

Fred: Ele é um gerador de circuito feito com um oscilador. Um gerador de ruídos, que é uma coisa que todo mundo faz aí, mundo afora, mas que a gente… Não acho que é o mais relevante, mas…

Thiago: Mas é um grande exemplo.

Fred: Qualquer um é.

[Ruídos]

Thiago: Mas todos esses sons são controláveis?

Fred: São controláveis.

Thiago: Isso daí parece mais um…

Fred: Mas é legal porque incorpora algumas coisas que… A gente pegou um projeto que é mundialmente conhecido e pôs dentro de uma lata de goiabada, né?

Thiago: Não tem coisa mais mineira, né?

Fred: Acho que está na lógica. E tem aqui adesivação das coisas que a gente sempre gosta de usar, né? Tem um cuidado aqui com a parte interna do circuito, de…

Thiago: E qual é o que você falou que é mundialmente conhecido? É esse código….

Fred: É esse Atari Punk Console. Ele é um projeto clássico de eletrônico.

Thiago: Ah, é?

Fred: A gente tem muita preocupação de desenvolver uma estética que seja essencialmente brasileira, transformando todas essas coisas que podem já existir ou não. Com o passar do tempo mesmo que a gente foi vendo as peças, os resultados das oficinas. A gente começou realmente a identificar uma estética comum, que estamos trabalhando.

Thiago: Entendi.

Fred: Mas talvez o mais representativo é o capacete, que foi o primeiro que a gente…

Thiago: Do Gambiarra lá, né?

Fred: É. Que o capacete está nesse catálogo aqui, ó.

Thiago: Puta, é muito louco. Esse som aí parece muito, não sei se você conheceu o… na verdade, o Cicero trouxe aqui para o Brasil, na semana retrasada, acho que faz nem um mês, um grupo que faz discotecagem só com oito bits, com som em oito bits.

Fred: Não, não.

Thiago: Porque fica mais ou menos assim, sabe? Uma coisa meio Atari…

Fred: Meio joystick, né?

Thiago: É. É muito doido.

Fred: Olha aqui, essas daqui são as peças, as primeiras que a gente fez. E esse capacete aí acabou sendo meio…

Thiago: Representativo do que é, né?

Fred: É.

Thiago: E tem projeto, assim, para o que… o que serão as próximas coisas a se fazer, pegando essa parte de gambiologia? Assim, tipo, tem…

Fred: Tem. A gente está começando a construir um triciclo, que a gente vai batizar de Gambiociclo provavelmente. Porque o triciclo também é uma coisa que já foi feita. É um veículo que lá fora chama de mobile broadcast units, que é um veículo de pequeno porte que incorpora equipamentos para fazer projeção e performance na rua.

Thiago: Nossa.

Fred: A gente vai construir um triciclo dentro da estética gambiológica toda adaptada a partir de um triciclo de carga antigo, que provavelmente compraremos lá no Rio de Janeiro, e construiremos esse veículo para fazer intervenções na rua. É um diálogo com o Graffiti Research Lab Brasil, né? Esse triciclo tem um projetor, um laptop, um gerador de energia, pickup de DJ, auto-falante…

Thiago: Porra…

Fred: .. e câmera. E para fazer lasertag tem uns três ou quatro diferentes equipamentos de projeção.

Thiago: Dentro do triciclo?

Fred: Não, que a gente fez da gambiologia.

Thiago: Ah, entendi.

Fred: … a gente fez uns três ou quatro já. A mesa de ilustração. Tem um que é um grafite capturado com uma lanterna, tem o lasertag, tem esse que eu estou desenvolvendo para o iPhone, teatro de sombra, vou colocar um DJ e tal. Esse é um projeto maior que a gente deve fazer agora, no segundo semestre, que vai culminar em uma exposição em novembro, que vai ser batizada de “Os Gambiólogos”.

Thiago: Que é?

Fred: Que aí são trabalhos nossos com convidados do Brasil e do exterior.

Thiago: Já sabe quem serão essas pessoas do exterior e do Brasil?

Fred: Não. A gente sabe quem são de BH, mas melhor anunciar na hora certa.

Thiago: É. Faz bem. E já tem local de onde será essa exposição?

Fred: Não. Será em Belo Horizonte com a possibilidade de no primeiro semestre do ano que vem ter uma itinerância. Mas o espaço em si a gente ainda está conversando. Porque ela vai acontecer junto com outra exposição, que se chama Interactivos [projeto que eu conversei bastante com o Pedro Veneroso, do Marginalia Lab], que é um projeto espanhol, se eu não me engano, que vai ser feito pela primeira vez no Brasil. Vamos dividir o espaço e, provavelmente, ambas serão feitas com o programa do Arte.Mov. É uma decisão que é meio em conjunto.

Thiago: Entendi.

Fred: … com esse pessoal, e que a gente está conversando. Não sei ainda onde vai ser. Mas vai ser!

Thiago: Vai ser! Genial!

—————–

Com a ajuda de Ligia Souza Aranha na transcrição. Ela transcrevendo, eu editando.