Vídeo:

Entrevista:

Thiago: Vou perguntar… Me fala um pouco do seu trabalho. Vou perguntar geralzão, assim, para depois eu ir especificando, conforme a gente for conversando.

Vivian Caccuri: Muitas vezes trabalho com som. Não é só som, mas eu tento criar situações onde a percepção fica em cheque: ou está desafiada por uma relação que você tem que estabelecer com uma outra pessoa, ou com um objeto, ou com uma ação. Um que acho que exemplifica bem é o “Maquiagem Aumentada”, que é um trabalho no qual só eu e a pessoa escutamos um som – a gente está de fone de ouvido – e eu vou maquiando essa pessoa com alguns instrumentos que amplificam o contato com a pele. Eu vou mudando o som que essa superfície da pele passa para a escuta. Eles adquirem uma textura metálica, uma textura arenosa. Eu peguei um elemento que é do mundo do consumo, que é a maquiagem, tanto para criar uma relação de intimidade com essa pessoa – porque quando você maqueia alguém é uma situação íntima; você não é mais uma pessoa estranha -, quanto aumentar essa experiência do toque da pele do rosto através da escuta, que é, normalmente, um toque que não se escuta. Não tem nenhum grande objetivo com isso. É mais criar situações onde tem uma experiência perceptiva diferente, não muito cotidiana. Essa foi uma performance que eu realizei em 2008 e continuo fazendo ela. É um trabalho que está vivo. E já fiz diversas outras coisas, que também trabalhavam com a escuta e com o toque. Uma que está em exposição agora é uma obra de toque. É uma escultura feita de uma espécie de rede de pesca – parecida com essa, mas só que ela é de silicone… esse foi o modelo; ela grande, assim – e você toca essa rede e ela amplifica ela mesma. Ela tem um som próprio, que é tipo um borbulho, dela, por causa dos microfones de contato.

Thiago: Você toca na rede daí ela começa a reproduzir aquele som dela própria? Entendi.

Vivian: Dela própria. Então, é uma outra experiência para entender ações e reações. Esse som é dela mesma, não tem nenhum tratamento. É uma coisa quase analógica. Mas ele pode te remeter a várias coisas: som de água, vento, trovão. Também me interessa quando o som começa a trabalhar com a memória, com a memória de alguns eventos naturais, culturais, históricos. Eu gosto disso, também, de trabalhar nessa camada mais por cima do som. Mais cultural, histórica, não só a matéria sonora, que seria um interesse um pouco mais de algumas partes da música, por exemplo, que é de compor, de fazer o som ter significado ou mais forma no tempo. Não é exatamente isso.

Thiago: A ideia é trabalhar só com os ruídos e com os barulhos. Não é com o significado dos… porque música é isso, não é? Você dá significado a determinadas notas. Você conseguir interpretar aquilo de uma forma…

Vivian: Eu estava lendo até agora. É uma linguagem sem significado. Do Attali, Jacques Attali. É uma linguagem que não está comunicando nada, mas é uma linguagem. Isso é uma questão que é muito discutida, que não é uma coisa que só eu estou discutindo no meu trabalho. Tem outras coisas que eu também estou partindo para a superfície da pele. Por exemplo, as redes também estão gerando outras redes, mas mais para a superfície da pele. Eu tenho outra, que é uma espécie de armadilha de coelho, mas é feita para uma pessoa e ela é confortável, você fica dentro. É uma coisa que eu estou fazendo ainda. O “Dissimulado” foi uma performance em que eu peguei o “Samba do Avião”, do Tom Jobim e cantei dez versos – eu cantava um verso de cada vez -, e invertia. O som saía invertido e eu tentava imitar o canto invertido. Não foi ensaiado. É uma coisa que eu tentava reconhecer na hora. Era um exercício de prestar atenção e tentar simular aquilo, uma espécie de cópia inversa. Cantava invertido e quando achava que estava bom, gravava de novo e reinvertia. Tinham umas perdas do português, que talvez é a matéria mais importante da Bossa Nova. É a respiração, o português, a palavra que não é o tórax, é a voz, é o grão da voz, e o português é grande parte, é uma matéria importante da Bossa Nova.

Thiago: Mas dava para entender, assim, a frase? Como é que ficava?

Vivian: Algumas dava, outras perdia completo. Tem um uso de tecnologia nisso. Mas é uma coisa que estava a serviço de uma outra coisa.

Thiago: E como é que você vê o uso da tecnologia para explorar essas determinadas coisas? Eu até lembro da tua obra no FILE [na verdade, foi no Emoção Art.Ficial 4.0], das carpas que você colocava o iPod. Quando eu cheguei lá, estava quebrado. Não dava para ligar porque estava desligado. Mas eu lembro da obra e é muito engraçado que você vê no FILE, que é, completamente, pensando na interatividade, todas as obras têm um grande foco no interativo. E como é que é… Como você vê essa inserção dessa exploração [da mídia]?

Vivian: É uma coisa que eu estou pesquisando até agora, no mestrado. E o meu histórico no FILE foi importante para entender algumas coisas. Tem duas coisas. Eu acho que a visão mídia-arte é algo que é uma faca de dois gumes. Ela tanto pode classificar coisas que foram feitas anteriormente, pela mídia, quanto ela pode se estabelecer como uma categoria que vai dar alguns princípios para alguém produzir alguma coisa. No entanto, eu acho que esses princípios são todos – dentro do pensamento mídia-arte, dentro do que que se entende como mídia-arte – mídia, entendeu? A mídia é a grande coisa. Não é exatamente arte, é mais um problema da mídia. Até trouxe esse livro, que é uma exposição que teve no MoMa, “Design and the Elastic Mind”, que pegou várias coisas que poderiam ser classificadas… Não só isso, várias, muitas coisas – por exemplo, unha artificial -, mas trabalhos que poderiam estar encaixados dentro de mídia-arte – tem alguns games aqui no começo, por exemplo -, mas dentro do pensamento do design. Então, isso aqui, por exemplo, é uma coisa que poderia ser classificada como…

Thiago: Isso daí é uma mesa?

Vivian: É um pong. Só que dentro dos problemas do design. Você vê que interessante que fica isso. Quando você olha um problema de mídia-arte pelo ponto de vista do design. Porque o design é resolver problemas dentro de restrições. E muitas vezes o que eu vejo dentro de mídia-arte é isso: pessoas que estão resolvendo problemas com materiais que lhes são dados. Nesse sentido é interessante. Mas quando você pensa em arte, em objeto de arte… eu, pelo menos, não sei se a mídia-arte tem alguma coisa a ver com o significado. É mais aplicações de uma mídia, de uma ferramenta. E até é interessante pois eu estava escrevendo sobre Cildo Meireles, que usa sonoridades em vários trabalhos dele. E é um artista brasileiro super importante, contemporâneo. Começou na época da ditadura, todos aqueles conceitualistas da época dele, 60, 70, mas ele fala uma coisa interessante. Ele diz que o significado de um objeto de arte não repousa no suporte dele ou – agora você poderia interpretar também – na mídia dele. Ele é mais o que ele imprime de rastro em um contexto estético, em um contexto cultural, em um contexto histórico. É mais esse resquício. O significado dele está muito atrelado a esse resquício que ele deixa em uma geração. Geração pode ser qualquer coisa… geração de uma cidade, de um campo artístico, etc. Quando você resolve entender as coisas pelo conceito de mídia-arte, é uma coisa que está muito mais atrelada à aplicação dessa mídia do que, enfim, do que arte.

Thiago: É muito mais a exploração daquele meio, do que… Engraçado que a Lucia Santaella fala isso no livro dela, do Culturas e Artes do Pós-Humano, uma coisa assim, enfim… Que ela fala que o papel do artista é justamente conseguir explorar esses determinados meios para depois aquilo ser revertido para a sociedade. Ela fala que isso foi o que aconteceu com o rádio, por exemplo. As pessoas começaram a explorar aquilo, tipo, de que forma você poderia usar, para depois se concluir que o rádio era o melhor meio para mandar notícias e música. Acho que a parte dos artistas foi mais a parte da música, porque notícia era por causa da guerra e tal. E é muito isso. Você vê, também, hoje, o tipo de exploração que é feito na mídia-arte ou artemídia. É isso, não é?

Vivian: Mas ainda assim é uma visão – essa que você está me apontando – é uma visão atrelada à questão da inovação, etc. E eu, pelo menos nas artes plásticas, nas visuais, eu não acho que existe um compromisso tão grande com a inovação técnica. A evolução das mídias, da técnica, da tecnologia, não é uma coisa que está concomitante com o desenvolvimento artístico. O Nicolas Bourriaud mesmo, na estética relacional, fala sobre o que são desenvolvimentos diferentes e por isso mesmo ele rejeita aquela visão de que “o artista tem que usar as ferramentas da sua própria época”. Isso poderia, na opinião dele, ter sido verdade alguns séculos atrás, mas hoje em dia não é uma coisa que é obrigatória. A arte já se estabeleceu como uma coisa independente de um desenvolvimento industrial, de um desenvolvimento técnico da civilização. É uma coisa que já tem seus próprios parâmetros. Acho que são coisas que estão em paralelo, se encontram, claro. Mas acho que nenhuma coisa tem que estar a serviço da outra, pelo menos para você entender aquilo como objeto de arte. Você pode, sim, claro, olhar isso de outra forma. Mas com a questão de linguagem artística, acho que isso não é necessário.

Thiago: Vou fazer até uma pergunta que eu acho que, também, não vai ter muita resposta. Mas é bom fazer porque… Como você vê esse tipo de exploração que você faz, que é de som – não de música, de som. Quando você sabe que aquilo pode ser considerado como uma linguagem artística e quando não? Quando é exploração apenas pela exploração e acabou, do que falar “nossa, isso aqui eu posso explorar muito mais”, pensando linguagem, dando um significado para aquilo?

Vivian: Acho que é aquilo que eu te falei. Tem coisas, por exemplo, a história de sound art, de arte sonora. Uma coisa que eu estou criticando na minha dissertação de mestrado é que quem entende arte sonora – ou sound art – como uma coisa total, legítima… tudo o que está fora da sonoridade, do som da galeria, não tem lugar dentro dessa visão. Pouco importa se você está juntando, fazendo uma justaposição da galera dos branquinhos em um baile funk dos Estados Unidos nos anos 70 – como fez uma artista que levou uma galerinha branca para dançar soul durante os anos 70 em um baile negro. Isso é uma coisa que não poderia ser, não estaria dentro dessa categoria. E é, sim, um problema de escuta. É um problema de som. É um problema do desenvolvimento da música negra nos Estados Unidos, em como isso se imprime no comportamento da parcela que não é negra. Tem coisas que são extra-som, mas que tem uma ligação. Tem, às vezes, até um destino ou uma fonte no som, que são muito caros à arte e não exatamente ao problema sonoro, só. Eu não sei, também. O que me interessa no som é o som como uma demarcação de território. Som como relação com as pessoas, com relação com a sua cultura, com… Eu trabalho nesse plano. Não exatamente no como fazer um som, como ganhar esse som. Acho que aí seria, sim, uma coisa que é mais técnica. Acho que isso faz parte, você pegar suas ferramentas e ficar explorando, mas isso é a fase mais inicial e primitiva do trabalho. Porque talvez uma exploração assim, mais técnica, meio descompromissada com a técnica, às vezes te abre possibilidades, sempre, para trabalhar com uma proposta disso, e não isso puro. Acho que essa fase é necessária, mas, pelo menos, os trabalhos que até agora apareceram na trajetória, não são o final. Eles são o começo de uma outra coisa. Por exemplo, o da maquiagem. A maquiagem foi um acidente. Mas um acidente que eu consegui tirar com o microfone, a coisa da pele. Eu tinha pensado nisso quando eu estava maquiando a minha avó. Eu vi minha avó cheia de… linda, mas, sabe?, rugas, aquela pele de gente mais velha. Isso é interessante.

Thiago: A porosidade do som?

Vivian: Você junta uma coisa com a outra e, enfim, essa produção do artista também tem que estar em um contexto. Ela não pode simplesmente estar dada, em uma área, simplesmente “vou fazer isso por fazer”. A primeira vez que eu fiz, como um teste dessa performance, foi algo que não estava bem encaixada. E eu achei que perde muito assim. A mídia tecnológica tem que estar dentro de uma proposta para ela realmente criar relações entre as pessoas.

Thiago: Mas a experiência que você fez em que você acha que perdeu muito foi… qual tipo… foi de contexto? Ou de…

Vivian: É, estava fora de contexto. E foi uma coisa que… eu não estava usando fone de ouvido e não era só eu e a pessoa, por uma necessidade do evento.

Thiago: Estava aberto para todo mundo?

Vivian: Era aberto para todo mundo. E também era meu primeiro contato com a obra – eu gosto de realizá-las antes. Tem coisas que você só descobre fazendo. E aí foi importantíssimo para eu entender esse tipo de coisa. Isso já faz tempo. Foi um aprendizado de que existe um contexto. Tem que ser pensado, sempre.

Thiago: Mas o que você achou? O que você acha que foi perdido ali? Porque você falou de uma relação de intimidade quando se está maquiando alguém. Você coloca o fone ainda. Eu fico imaginando quando você fez aberto para o público inteiro. O que foi…?

Vivian: As pessoas esperam um espetáculo. Como é som, o som já pede algo musical. Já pede… Mas quando está só você e a pessoa, é interessante. Tem coisas ali no meio que não são só o som. Você está conversando com ela. Você está, tipo, “você quer isso?”, sabe? Vão aparecendo uns papos no meio. Isso é parte do trabalho, não é só “a coisinha”. É o que vai aparecendo a partir dali.

Thiago: É da interação…

Vivian: É da interação. A pessoa vai acessando uns lados, das lembranças, que é interessante para o trabalho.

Thiago: E você grava esse tipo de depoimento?

Vivian: Não.

Thiago: Por quê?

Vivian: Porque eu acho que isso intimida a experiência. Isso já estabelece que aquilo vai ser documentado, então a pessoa já cria um outro tipo de postura. O que me interessa é que tenha liberdade total. E já é meio estranho, você ser maquiado e…

Thiago: E ainda ficar escutando sons…

Vivian: É uma coisa que é estranha. Quanto mais relaxada for a coisa e natural, melhor o trabalho.

Thiago: E você tem visto, também, outros artistas aqui no Rio de Janeiro, ou no Brasil mesmo, explorando esse tipo de trabalho? De escuta mesmo, não de música, mas de escuta.

Vivian: O próprio Cildo Meireles é uma pessoa que fez isso já com muita consistência. Ele fez um LP que é muito interessante. É engraçado que é o problema da mídia, sim. Ele fez um LP sobre o massacre de uma tribo indígena. Ele pegou o discurso dos indígenas contando esse episódio e o discurso dos brancos, das pessoas que estavam envolvidas no massacre, contando também. Juntou esse som, mas só que cada um em um canal. Então, quando você está ouvindo o LP, você pode mixar esses discursos. Você pode determinar aquilo que fica por cima e aquilo que fica subalterno ali, entendeu? Você vê que esse é o problema da mídia. O potenciômetro que escolhe um canal ali do vinil é uma ferramenta que faz o trabalho acontecer. Mas você vê como a proposta dele tem pertinência com esse… Ele conseguiu visualizar uma situação onde o conteúdo do LP seria completamente aproveitado, e a significação daquilo estaria nesse mix que você faz. Enfim, é uma pessoa. Tem o Chelpa Ferro, que é um grupo já estabelecido também e faz sempre a coisa com os processos de matéria e som, esculturas e… enfim, é um trabalho muito interessante. E eles sempre colocaram, por exemplo, músicos para tocar junto com essas instalações. São instalações muito sintéticas e que conseguem criar uma autorreferencialidade na produção do som. O feedback que eles usaram – em duas obras, pelo menos, das que eu vi – que é interessante. É uma caixa de som oca, vazia, com um microfone e um amplificador. Então, cria um feedback quando você está perto. Conforme você anda ali, em volta, ele vai aumentando e diminuindo esse feedback. Enfim, é só um exemplo de várias coisas que eles fazem. E eles são muito sérios.

Thiago: Você acha que, esse tipo de trabalho, eu poderia falar que é arte digital?

Vivian: Não.

Thiago: Por quê?

Vivian: Porque, primeiro, não tem nada digital, mas completamente analógico. E é um problema da… eu vejo esse trabalho como um problema da escultura.

Thiago: E o teu? O teu também não?

Vivian: Olha, aí é um pouco delicado. Por exemplo, o “Canções Submersas” [], foi exposto no Itaú Cultural, no Emoção Art.Ficial – é ao mesmo tempo. É um contexto onde tinha arte digital. Ali, por ele estar ali dentro daquele contexto, as pessoas podem entender aquilo como uso de mídia. Mas se ele sai daquele contexto e vai, por exemplo, para uma galeria de arte, aí já vira um outro trabalho. Na verdade, o que eu queria com aquele trabalho das carpas era criar um ambiente onde tudo o que estava sendo escutado ali, de música, na rua, poderia encontrar um caos. Você poderia tanto entrar em contato com o que outras pessoas estão ouvindo, porque é uma coisa, também, de novo, de intimidade, já que você não sabe o que a pessoa está ouvindo dentro daquele headphone. Essa experiência é sempre muito controlada. A pessoa está sempre ali, meio controlando o que ela está ouvindo. Ali, ela perde o controle, porque quem está controlando essa… são os peixes. É uma coisa do acaso. Eu gosto da coisa do acaso, é a coisa que muita gente já explorou, o Fluxus, o John Cage. Eu acho que isso ainda, de certa forma, pode ser pertinente hoje. Quando você está, por exemplo, nesse caldo, que é a metrópole. O acaso, às vezes, pode ser um substrato de coisas acontecendo, que você não está percebendo. Também depende do contexto. Tem muitos artistas que ficam entrando em um campo e no outro. A própria arte sonora tem gente que é da música que vai para lá. O contexto também diz muito. Onde esse trabalho está sendo exposto também contribui para esse tipo de trabalho adquirir uma característica mais da mídia ou, enfim, da arte.

Thiago: Eu sempre pergunto porque sempre tem um problema de definição entre o que é arte digital, arte eletrônica, arte e tecnologia, cyberarte, enfim. Daí eu pergunto… então tá, seu trabalho se enquadra com o quê? Você fala que é o quê? Você é uma artista digital? Você é uma artista contemporânea? Você fala que é uma artista da música? O que você fala?

Vivian: Eu sou artista plástica.

Thiago: Você é artista plástica que trabalha com som, com escuta, não é?

Vivian: Com escuta. Também, primeiro, que foi onde eu comecei tudo. Depois, eu desde pequena soube o que eu queria fazer. Sempre fiz coisas, desenhei, ficava propondo coisas, criando. Quando era criança, com a minha irmã, a gente tinha uma filmadora. Ficava fazendo coisas com a filmadora. Enfim, é algo que eu acho que a criatividade está dentro de artes plásticas. Mesmo para mim é uma coisa que está descompromissada com essas agendas da mídia, da emulação. Para mim, acho que é algo que tem mais a ver com o que eu estou fazendo. É o que me dá mais liberdade, então, é onde eu quero ficar. Onde você pode usar o que você quiser e não só… enfim…

Thiago: Mas como foi essa inserção da tecnologia no meio do seu trabalho? Porque você acabou de falar que ficava brincando com câmera de vídeo, ficava desenhando, tal. Fez Artes Plásticas, que é um lugar em que não tem muito contato, geralmente, não é? – não sei como foi a sua experiência, mas geralmente na universidade não se tem muito contato com tecnologia…

Vivian: Agora acho que está mudando, tem um pouco mais. Mas eu peguei, eu acho, a última época onde ainda isso não era muito…

Thiago: … muito corriqueiro, não é? Como é que foi a inserção… Você acabou de me contar que sabe programar quando necessário. Você programa determinados efeitos que você procura. Como é que surgiu? De onde você conseguiu?

Vivian: Foi engraçado. A primeira vez que eu ouvi falar, eu tinha chegado dentro da universidade querendo fazer escultura… fazer instalação e esculturas. Já tinha coisas que eu estava fazendo. Eu entrei muito nova. Hoje em dia, eu teria esperado um pouco, porque não é simples. Artes. Não é simples. Mas quando eu cheguei lá, eu entrei em contato com uma professora muito interessante, a Kátia Bastos, que falava sobre percepção. Foi a primeira aula que teve um impacto estético, com um conteúdo… sabe?, quando o conteúdo teórico… Antes a minha ligação com arte era a da criação. A parte teórica veio na faculdade, veio depois. Mas foi a primeira vez que eu vi ela falando sobre percepção e vi que aquelas coisas faziam sentido. Ela falou, começou a mostrar experiências – eu não lembro exatamente quais, acho que era Pipilotti Rist – e começou a falar dessas contribuições entre artistas e químicos. E eu falei “nossa, que interessante”, e comecei a querer explorar essa coisa, mas sem saber, assim. Não era uma coisa que tinha gente fazendo. Não tinha muita gente fazendo na minha faculdade. Tinha um professor que tinha um coletivo de arte e ciência. Mas, para mim, era interessante para criar essas portas abertas para outros campos, que não eram só um problema formal da arte. Foi uma época na qual eu li de tudo, li de tudo. Desde coisas de metodologia, coisas assim. Foi importante para abrir um escopo, mas, claro, é óbvio que isso vai influenciar no seu trabalho. Você vai ficar na dúvida. Você tem dezessete anos e está na dúvida. Aí comecei a fazer as coisas. E teve uma hora que começou a tomar forma. Trabalhei com stop motion. Fiquei tirando foto da minha casa, tde lugares que estavam aparentemente sempre a mesma coisa – tipo, uma estante de livro, sabe?, que tem poucas mudanças, a não ser que você… você tira um livro, não tira vinte. Comecei a fotografar isso e começava a ter vários dias e as coisas iam meio… ia registrando os fluxos que tinha na casa. Foi o primeiro trabalho de mídia que eu fiz, foi esse. Eu expus, até, em um salão, no Salão Aberto, que foi em 2004. E aí foi a primeira coisa que eu fiz. Depois, eu comecei a fazer experiências de… Eu comecei a ingerir flores, outras coisas… Coisas que não são comestíveis, tipo grama, coisas assim. E comecei a anotar o que estava rolando. Tinha flor que era meio venenosa. Eu queria fazer uns experimentos e ia anotando isso e depois fazia… Fiz um ultrassom da coisa. Registrei em vídeo. Era meio que tentar buscar, pela imagem, o resquício dessas coisas que não são feitas para o seu corpo. É um trabalho meio de imagem.

Thiago: E deu certo? Ficou legal?

Vivian: Ficou. Ficou interessante. A gente não achou nada, né? Como foi muito depois, teve uma coisa de acidez. Eu não lembro exatamente, tenho que olhar, até. Faz muito tempo. Foi legal porque foi o meu primeiro trabalho de performance. Tinha uma coisa performática no trabalho. Então, comecei a fazer os trabalhos coletivos, com o pessoal da minha classe, que a gente deu o nome de NAUTC.o, e aí a gente fez um Stratoself, que eram vários balões com mensagens que as pessoas tinham mandado para o site desse projeto. A gente soltava os balões. Eram mensagens das pessoas eram uma coisa meio “alô! Câmbio!”. A coisa mais radical, no sentido de sem finalidade, que a gente queria que as pessoas… Era tipo “mande alguma coisa para o ar”. Tinha de tudo, assim. Tinha a coisa do acaso, também. E mandava essas coisas para o ar. Foi bem bacana. Foi algo que eu fiz quando eu já tinha entrado no FILE.

Quando eu entrei no FILE, eu entrei em contato com a parte institucional de toda essa coisa de mídia-arte e etc. Dentro do negócio, eu soube como é que funciona, se monta, se comunica com as pessoas do mundo inteiro. Gente com demandas completamente diferentes uma da outra, porque um trabalhava com imagem, outro com fumaça, outro trabalhava com… Então, você tinha que criar um plano de ação de como é que isso ia ser montado, de como é que isso ia acontecer. Era um planejamento quase arquitet… Não, não é uma arquitetura. É quase uma engenharia da coisa. Porque não era só uma coisa do espaço. Tinha toda a logística de como é que isso ia acontecer.

Foi muito legal. Nessa época, eu já estava programando ActionScript, coisas de web, coisas de Flash. E foi quando eu comecei a aprender o modo vigente de como as pessoas do mundo estavam fazendo aquilo. Era interessante. Eu aprendi a montar obras de algumas pessoas. Eventualmente, quando precisava, eu montava. Era uma época de aprender também. Foi muito legal. Eu conheci pessoas muito legais, que são meus amigos até hoje. Foi uma experiência ótima.

Thiago: E foi nesse processo que você viu como colocar tecnologia nos seus trabalhos?

Vivian: Não. Aí, eu volto para aquele problema da mídia. Eram pessoas muito bons profissionais, mas era um compromisso com coisas que não eram exatamente estética. Não era uma coisa que estaria dentro de uma história da arte, nem… Era uma coisa que estava relacionada com a aplicação da mídia. Acho que eu me empolgava mais quando via coisas que tinham propostas mais conceituais, que criavam uma coisa fora do aparato.

Thiago: Como qual? Você lembra o que te pegou?

Vivian: Ah, tinham muitas coisas do Hypersonica que eu gostava, que fazia a coisa da música. Foi muito legal. Aí era música. Mas dentro das obras… tinha um que eu tinha gostado. A primeira de som que eu montei lá. Eram duas cornetas e você falava com outra pessoa e saía em outra língua. Era interessante esse. Tinha um que me impactou muito. Foi a primeira vez que eu fui no FILE. Foi um que era uma coisa que você colocava para ouvir e falar com outra pessoa, na sua frente. Só que quando você falava, tinha um delay de uns quatro segundos. Então, você falava com a pessoa e não ouvia o que ela falava, e vinha aquilo só muito depois. Você tinha que entender o tempo de um outro jeito. E a pessoa na sua frente, e aquele desespero, e a gente rindo, sabe? Aquilo foi muito interessante. Foi uma coisa que a tecnologia estava a serviço de uma outra compreensão, que você tinha que se adaptar àquilo ali. Foi legal. Essa eu acho que foi a obra que marcou, porque também tem a coisa do interpessoal, que é uma coisa que me interessa muito até hoje. Estou sempre trabalhando em um nível interpessoal, principalmente nas coisas das performances.

Thiago: Vou mudar um pouco da linha. Você está falando muito sobre performance, não é? Como é que você vê essa mistura… porque eu estou trabalhado junto com a Giselle Beiguelman também. A gente está fazendo o ArteDigital.BR. E um dos primeiros encontros foi com o Otavio Donasci, que é o cara que fez uma performance com um… tubo de vídeo, com uma tela de tubo na cabeça com projeção e tal. Performance misturando com tecnologia, misturando com audiovisual. Como é que você vê esse papel da performance no meio tecnológico? Como é que você vê essa inserção? Porque se fala de tecnologia, se considera uma coisa meio fria, mas quando você vê uma performance é completamente o oposto daquilo, sabe?

Vivian: É. Também tem performances que não estão lidando com o corpo exatamente e coisas que são… Por exemplo, eu fui para a Áustria no ano passado e vi uma performance que era só de coelhos, que levantavam a orelha, robóticos. É diferente. É uma performance também, mas… não sei. Eu vou falar da minha experiência pessoal. Eu acho que eu consigo falar agora, que, pelo menos quando eu penso a performance, o jeito que eu começo a pensar nas coisas é assim… é… situações, acontecimentos, propostas, limites, restrições. A performance é o meio ideal para você, por exemplo, lidar com restrição. Lidar com esse delay que tinha. É uma restrição e é uma coisa performática também. E a tecnologia pode ajudar dentro do leque de restrições, eu acho. Agora, tem uma que eu estou fazendo aqui, que vai ficar bem claro. Chama Toffee. É uma performance onde eu tenho que abrir uma bala de Toffee, que era feita neste prédio aqui (aqui era uma fábrica de chocolate). Eu tenho que abrir sem fazer barulho. E vai ter um microfone que vai acusar se teve ou não teve barulho. Se fizer, eu vou ter que descartar esse toffee e pegar outro.

Thiago: Mas dá para abrir sem fazer barulho?

Vivian: Então, é esse o negócio. E aí vai ser posto um limite. E quem está definindo o limite é um aparato ali, mas, enfim, esse limite tem a ver com a coisa do açúcar, tem a ver com uma certa culpa, aquela coisa de abrir no cinema, aquela situação. Eu acho que aí a tecnologia ajuda você a criar essas situações, mas também pode ser uma coisa que está mais aberta do que restringindo. Eu acho que ela tem que sempre estar ajudando uma proposta de… Acho que ela nunca pode ignorar as pessoas. Ela nunca pode ignorar o meio onde ela está. Ela nunca pode criar uma coisa fechada nela mesma. O Donasci, quando fez isso, no começo… que foi nos anos 1980, não é isso?

Thiago: É. Começo dos anos 1980.

Vivian: Deve ter sido uma coisa esquisita para quem viu. A performance é legal por isso, porque a pessoa não consegue ignorar o que está… tem uma gravidade grande. Tem uma densidade, mesmo qualquer coisa assim… A Yoko Ono mostrou isso, não é? Na performance dela, ela acendeu um fósforo e o fósforo apagava. Ela entendeu que o evento era vir uma entropia. Eu acho que tecnologia está meio ajudando essa característica da performance. Porque tem uma certa relação com uma coisa meio ritualística. Você estar, enfim… não sei dizer por quê. Mas eu acho que tem, não é…

Thiago: Mas acho que tem. Porque performance é isso, não é? Quando o que se repete é aquele rito ainda, que a pessoa presencia e tem as consequências diferentes, não é?

Vivian: E tem uma ligação direta com as pessoas que estão assistindo. Não é um espetáculo. É algo em que você está muito próximo das pessoas. É uma característica. Eu acho que não tem muito como fugir disso porque é como as pessoas funcionam, culturalmente falando. Eu tenho uma pessoa ali no meio propondo uma coisa, um evento. As coisas acabam se engendrando de uma certa forma que você não pode simplesmente querer “ah, não… elas têm que ficar assim, ou têm que entender isso”. Não, não dá certo.

Thiago: É verdade. Eu vou fazer uma pergunta que eu acho que, com você, não tem muito relação com teu trabalho, mas é claro que eu vou perguntar: o meu projeto de pesquisa é baseado em câmeras como essa, em celular, tal. Quer falar da ubiquidade tecnológica e como isso interfere na produção artística contemporânea, de agora. Claro, contemporânea. Como é que… no teu trabalho, eu não vejo tanto impacto, assim, de, de… você vê impacto, por exemplo, de celular, de todo mundo ter um tipo de celular. Você explora esses meios? Você explora a produção? Porque, para som, eu acho que é mais difícil. Se bem que para a música tem bastante. Para som é muito mais difícil ter um aparato, assim, que você consiga…

Vivian: Engraçado que eu vi uma pessoa conhecida minha falando que ela foi para Moçambique, eu acho, e foi naquele vilarejo. Todo mundo com aqueles turbantes e não sei o quê. E a mulher começou a bater uma tora no chão, chamando as pessoas para uma coisa meio ritual. Ela começou a falar, falar, falar, naquela língua. De repente, ela para e atende o celular.

Thiago: Que doido!

Vivian: É muito louco. Eu não sei. Quando eu penso em celular, é essa coisa de interferência. E ver como que o tempo vai se sobrepondo. O tempo de outras pessoas com o seu e como se estabelece uma relação diferente com o tempo, porque você tem que interromper essa coisa para, enfim, atender a demanda de alguma outra coisa. Isso te põe uma ansiedade, porque você não tem só um fluxo de tempo ali. O celular é o tempo de todo mundo ali, sabe?. Que pode uma hora resolver te pegar. Acho que o celular tem muito mais impacto no cotidiano… – claro, o cotidiano me influencia para criar as coisas – do que o objeto como função. O que ele muda no nosso dia-a-dia e como é que isso também influencia no seu contato com as pessoas. Ele aparece acho que mais dessa forma, mais indiretamente. Mas é possível você fugir. O meu, eu sempre ando com ele. Meu celular tem uma câmera boa, eu sempre tiro foto.

Thiago: Mas o teu trabalho, assim, não tem tanto, não é? Até vendo aqui, para ver se tem…

Vivian: Não tem muitas telas, mas tem. Tiro foto de coisas, tenho Twitter. Como eu estou aqui, nesse bairro, e é um bairro que é pequeno… O Santo Cristo é pequeno e não é muito conhecido. É meio misterioso – algumas coisas, assim. Porque não é um bairro famoso.

Thiago: É, eu nunca vim para cá. Minha família inteira é daqui, ainda.

Vivian: E aqui é perto de várias coisas. Tem coisas que são legais, porque você está andando na rua e você quer registrar, entendeu? O celular é ótimo para isso. Se for uma coisa que é legal, você já manda, já vai direto. É legal porque isso também provoca encontros com as pessoas que podem ler esse tweet, essas coisas. Eu acho que é legal, porque aumenta, de novo, as camadas de ação que você tem. Mas é dessa forma um pouco mais cotidiana, assim.

Thiago: Entendi. Entendi. Eu acho que é isso. Você quer me mostrar os outros livros? Porque esse daí não teve nem…

Vivian: Esse aqui, esse Sensorium fala de pessoas que trabalham, que são da percepção. Não é só…

Thiago: De um modo geral, não só com som?

Vivian: Não só com som. Tem bastante arte, mas tem arquitetura, música e textos muito bons. E fala de História, também, fala do [William] Turner, fala da fotografia… Mas tudo focado na experiência da percepção.

Thiago: Deixa eu ver a capa, também, dele, para eu gravar. Tá.

Vivian: Esse daqui foi da exposição que eu vi na Áustria. Muito legal. Ele conta de novo a História da Arte, do século XX, a partir da escuta. Tem de tudo, assim. Tem desde banda industrial da Inglaterra até coisas que não têm som nenhum. É mais a escuta como a fonte do modo de pensar a arte.

Thiago: Entendi.

Vivian: É legal porque ele respeitou os contextos de onde essa produção veio. Tem um trabalho histórico muito bom.

Thiago: Imagino. Porque respeitar todos [contextos], de todas as obras ainda, de todos os lugares…

Vivian: Separaram em oito módulos. Tem esse módulo “Side Sound Industry”, aí tem um que é “Perception”. Eles têm oito módulos onde eles podem criar esse contexto. Mas, assim, são oito. É bastante coisa.

Thiago: É verdade.

Vivian: Muito legal. Muito bom. Foi uma exposição impactante.

Thiago: Legal mesmo.

Vivian: Esse é o Design and the Elastic Mind, que é do MoMa. Foi uma exposição que ouvi dizer que – eu não fui -… esse aqui é um trabalho que já apareceu no FILE. Não foi exposto, mas apareceu no site do FILE. É uma impressão na água.

Thiago: Que doido. Por vibração.

Vivian: Por vibração. Isso dentro do problema de design é muito interessante, não é? E eu ouvi dizer que foi muito popular. Ah, esse cara aqui inventou esse exoesqueleto para levantar um peso muito grande. Legal, não é? Porque ele vai mostrando isso como uma coisa que pode mudar a experiência humana no mundo.

Thiago: É muito louco ver, também, essa parte de percepção colocada em tecnologia. Porque eu acho que tecnologia pode explorar muito isso. Quando você vê o trabalho do – fui ver uma palestra dele na semana passada, ainda – do Stelarc. É isso, não é? A tecnologia explorando diversos… Quando ele implanta uma orelha aqui você fala “o que é isso?”

Vivian: Ele estava, né, com a orelha? Pensei que ele tinha desistido dela, depois de um tempo.

Thiago: É muito louco. O cara levanta e tem uma orelha no braço dele. E você vê todos os slides da construção da orelha. E a tecnologia tem muito para trazer isso. Sendo que é um viés que não chega ao grande público depois, da percepção, da exploração da percepção, de quais limites você tem ali entre o biológico e o não-biológico.

Vivian: Esse aqui é até uma coisa interessante, de aumentar os cílios. E esses caras vão fazendo esses implantes que… enfim… vão também mudando essa…

Thiago: Que é muito louco isso, também, né?

Vivian: Olha, uma unha com cílios. É muito interessante. Que é uma prótese, não deixa de ser uma prótese. Mas, ao mesmo tempo, você realmente consegue sentir outras coisas. A Rebecca Horn que fez, que está lá no CCBB. Você foi ver?

Thiago: Não…

Vivian: Vai lá ver.

Thiago: Daqui do Rio?

Vivian: Daqui do Rio. Vai lá ver se você tiver um dia livre. Porque, assim, ela tem um trabalho muito bonito, muito poético, de construir uns objetos, umas esculturas para o corpo, que… por exemplo, colocou penas aqui. Aí ela fica com outra pessoa, entendeu?. E ela vai… aí ela fez tipo uma luva, com dedos muito grandes, duros. E vai sentindo o chão com essas esculturas. E isso, claro que aumenta, muda a percepção da coisa. E o trabalho dela é bem sobre essa parte – que é o começo da carreira dela -, é bem sobre isso.

Thiago: Que está agora em exposição no CCBB? Nossa, então eu acho que, saindo daqui, eu vou para lá.

Vivian: Vai para lá, que vale muito a pena. E está bem bonito.

Thiago: Porque eles vão fechar a exposição, não é? Porque está abrindo uma outra que, inclusive, eu…

Vivian: Acho que… É que tem duas acontecendo ao mesmo tempo, eu acho.

Thiago: Ah, é? É porque aqui é maior, não é? Tá.

Vivian: Acho que… é…

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Com a ajuda de Déa Paulino na transcrição. Ela transcrevendo, eu editando.