Quando a noite cai
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 26 de maio de 2012
Quando a noite cai
ilumino-te com minhas letras
que vão ao céu que vai
cintilar cheio de estrelas
Infinidades de ondas
como céu de Van Gogh
vejas a tela e olhas
vagas feito odes
Cores que cintilam
e quanto mais forte brilham
sobre a luz do horizonte
porque o hoje se formou ontem
Daqueles que lutaram
e deram o seu sangue
e sem medo falaram
a verdade longe.
Baía da Guanabara
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 25 de maio de 2012
Não gosto da expressão: “do outro lado da poça”.
Baía da Guanabara
é o estimável disser.
É poluída sim, mas não justifica tanto desprezo.
Poça é esgoto,
poça é buraco no chão,
poça é inutilmente, desprezar.
Estamos em uma bela Baía
que o Português confundiu,
num Janeiro,
não menos louvável por um Rio.
Partir
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 23 de maio de 2012
O partir é sempre uma despedida,
o que se fez merecer desta vida.
Arrumar as malas e nas pessoas amar,
e no futuro rever em esperanças
pra trás o que ficou, e o caminho olhar.
Seca
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 22 de maio de 2012
No caminho
da estrada
se ouvia o silêncio
um preá atravessava correndo
os urubus voavam em circulo sobre a carniça.
O seco sertão
se mostrava escaldante
a terra maltratada permeava as nossas vidas
a água do pote vinha da cacimba
à noite
o céu
se pintava de estrelas.
E a seca persistia
o seco açude
com lama de agonia
onde os animais
sedentos
bebiam
a água barrenta que sumia.
Eu sonhava a noite
olhando o céu
com um futuro de brilhos verdejantes
hoje
nas ruas
ouço os autofalantes
e os outdoors que anunciam
liquidações de produtos e férias em hotel.
Nada sei
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 21 de maio de 2012
Nos altos da consciência, mergulhei
nas águas da simplicidade,
tirei a impureza de restos de arrogância,
soltei um passarinho do coração de minha infância,
sem esperar nada mais,
sem violência,
sem maldade,
só a consciência que nesta vida nada sei.
Passa, passa como um rio
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 18 de maio de 2012
Passa, passa como um rio
os anos de nossa existência,
pensar e ter consciência
do que nossa boca sorriu.
Nos meus passos tem devagar
todo sentimento do mundo,
mundo moribundo,
preso e solto no vácuo sem ar.
Sob a luz de ondas e partículas
que se desviam pela gravidade,
a tudo nos invade
até no espaço de uma vírgula.
Pobres palavras querem conteúdo
que saem no torcer da pedra,
pingando água e tudo
pra se fazer verdadeira a letra.
Letras formam palavras
que o pensamento cava,
plantando uma árvore,
antes que se escureça
– e seja tarde.
Estórias tolas
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 17 de maio de 2012
Eu tenho idades dentro de mim,
quando acordo, tenho a idade da manhã,
como criança sinto o cheiro da maçã,
o dia que se levantou, com o sol assim.
Quando de tarde tenho a idade de sombras,
que às vezes no retornar pra casa silenciam,
como uma abertura de porta para o fim do dia,
na viagem de retorno pra casa a cabeça sonha.
Se tudo deu certo no trabalho e no caminho,
voltar pra casa e ter um teto como ninho,
o abraço da noite pra redobrar as forças,
por fim, sentir e contar o dia, por estórias tolas.
Por fé
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 16 de maio de 2012
Há sonhos que nunca envelhecem
transitam entre as pessoas
num voar de asas
como uma prece
flutuam sobre as sacadas dos prédios
é quase palpável aos olhos que não veem
porque a mente voa longe
e não se esquece
aquilo que chamamos por fé
naquilo que não temos
as vezes tão distante
mas temos como certo
tocamos no sonhar da emoção
a alma transpassa o concreto
e o espirito levita nas nuvens do horizonte
como um raio que se descarrega
para depois de alguns instantes ouvirmos o trovão.
O carro buzina
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 14 de maio de 2012
O carro buzina
muito mais que buzina
o carro mata
e se arrasta
nas ruas e auto estradas
A cidade se povoou até inchar
multiplicou-se
estacionados estão os carros nas calçadas
zumbindo roda e luzes
até se abarrotar
como uma concha de proteção
despejam congestionamento
dá-me congestão
Aperto pra me apertar
dentro dos ônibus
Não será nem hoje nem amanhã
substituição
para os carros.
Sobre um muro
Posted by Francisco Filho in Sem categoria on 11 de maio de 2012
Vi passarinhos brincarem sobre um muro
de uma casa.
Não eram pardais.
Pensei comigo:
Num mundo duro
ainda
há pessoas como eu
que ainda observam
a frágil natureza sob o céu
entre carros nas calçadas
e o zumbido da cidade
numa tarde
de fim de semana
numa estreita rua
suburbana.