O que é um ser humano?

O que é um ser humano?

Entre fatos e planos

é um universo com todas

as suas carências

guardando em sua

existência

o folego de vida

Uma vida humana

vale mais que toda riqueza

contida

no mundo

que clama

com suas sutilezas

E o ser humano

guarda em si

o que é grande:

O prazer em servir.

 

Quando o pôr do sol

Quando

o pôr do sol acontece na minha

casa

a frente do lar se ilumina

jogando o calor do verão

que abrasa

na janela coberta com

a cortina

em cima e no chão

e tudo se descontrai

ressecando a vegetação

O cheiro forte da terra molhada

quando a chuva cai.

Santificada seja a voz

Santificada seja a voz

que proclama de Deus

a chama

que queima dentro

de nós

A alma num instante

se refaz

e traz

a paz

constante

Céu e terra se ligam

numa calma unção

que rejuvenesce o coração

mesmo que digam

que não há Deus

Eu todavia digo os feitos seus

desde o principio ao fim

porque ele mora dentro de mim.

Esperança não vem de espera

Esperança não vem de espera

Esperança esperançar

É um modo de alentar

Sorrir até conquistar

É uma alegria singela

Quando da casa

Olhamos da janela

Um feito de modo

Direito

E temos calor humano

Acalentando os planos

No modo mais simples

Do verbo amar.

Pequena cantiga de partir

Madrugada…

Soou lá fora!

Na estrada…

Já vou me embora!

Entre cantigas e canções

Nas caatingas e sertões

Fez-se meu canto ligeiro

Por que sou apenas um estrangeiro

Que chora de saudade

Os verdes campos que deixei

E nas amizades

Que provei

E tudo se faz…

E não se desfaz…

Saudade…

Transumância

Transumância

Esta palavra ficou em minha

cabeça

Desde a escola

Geografia

Meu Deus, tanta coisa

fica em nós como uma

caligrafia

e repetimos da mesma forma…

Uma coisa sem nenhuma utilidade

para a vida

prática

Fico a pensar com meus botões:

Coisas aparentemente sem importância

que ninguém dá uns tostões

pode servir como tema

de um poema.

O verbo amar

De repente levantou-se

do chão

Passou por entre os corpos

das pessoas

como um corisco

como num grito

dilacerante das bocas 

e foi parar nas alturas

até pairar

nas nuvens…

O verbo amar!

O calor abafado

O calor abafado

no mormaço da tarde

 

Meus olhos não são

covardes

à luz que penetra

minhas retinas

 

A minha rua nas pessoas

da comunidade

mostra-se sem muitas metas

 

Porque o chão

que se pisa

é uma oferta

da natureza

onde de Deus traz

as raízes da vida.

Pus os meus pés no mar

Pus os meus pés no mar

e minha cabeça bateu nas

nuvens

Foi assim ao me levantar

e o que era ferrugem

brilhou como o sol

ao meio dia

depois de meditar na palavra

meu canto começou com si

bemol

e a minha vida pareceu uma

melodia.

O vento tece seus sabores

O vento tece seus sabores

e o ar da tarde

se faz

gentil

Eu, como árvore esquecida

me mostro sem flores

Nos montes prendo o meu

olhar

e agradeço a Deus:

Felizes os que têm um lar!