Arquivo de agosto 2010

Abacateiros

Quando menino subia nos abacateiros

Mas não costumava ser arteiro

Só nos machucados e nas lesões com bola

Tinha vergonha de minhas notas na escola

A professora falava mas eu não dava ouvidos

Quando lia um livro ficava comovido

Enfiava-me de baixo da cama para ler

Viajava longe, longe e crer

Que na vida era como uma aventura

Talvez um dia poder ter arquitetura

De montar meus sonhos simplesmente

Tal qual em minha mente imaginava

Sem estímulo eu já sabia

A alegria era como o balançar de uma árvore

Hora vai hora volta

Pai

A vida de meu pai era um caminhão

Numa trilha aventureira

Entre curvas e ultrapassagens

Para ele a vida era seguir viagem

Não importando as pedras e o torrão

As esquinas do caminho ele conhecia bem

Amava o nordeste mais vivia do sudeste

Foi boiadeiro nas suas mãos rijas

Para ele não existia apegos

Era tudo uma questão de sorte

Mas era um nordestino forte na sua rudeza

Não deixou de ser forte

Até na hora da morte

 

O deus deste mundo

O deus deste mundo é perverso

Vou colocar toda minha indignação

Em verso

Embora ninguém espia

Por minha medíocre inspiração

Solto tudo para o tudo e o nada

Pois a esquizofrenia é viver entre dois mundos

O micro e o Macro se antepõem

Um fio de navalha que fere os meus pés

Hora sou um gigante, hora sou um medíocre com fome

De disser ao mundo todo que sou apenas um homem

Tal quais milhões e milhões que sonham

Mas a vida procrastina flui e se perde 

E não consigo fechar a mão onde tudo some

Até minha vida passageira

Onde tudo pra mim é de qualquer maneira

Anularei o tempo num copo de vinho

Desenrolo  minha vida como um pergaminho

Que o certo de errado não se entenda.

Viver

Quando olhamos para trás

Temos o sentimento de o quanto éramos meninos

À décadas passadas

E nosso dinheiro é um torvelinho   

Nosso bolso parece rasgado

Por erros mal fadados de compras inúteis

E não viviamos as coisas pequenas do passado

Coisas que acreditávamos que eram fúteis

Mas hoje é a nossa razão de existir

Parei

Parei entre o sinal

Os motoristas buzinam

As motos ameaçadoras despejam seu ronco

A rua é dos automóveis e veículos

Temo a travessia

Cuidado os que não temem!

Os motoristas têm presa

O sinal vermelho é uma largada

De sentimentos afoitos ou compassivos

Até onde suportará a atmosfera em nossos ouvidos?

O País cresce, o mundo cresce

Até onde?

Até onde suportará nossa vida passageira?

Onde tudo é descartável, até nossas vidas

Somos sufocados por um mundo de informações

A maioria de números onde os economistas tateiam em desvendar

Há um limite pra tudo

Parem a fúria, parem o egoísmo!

Tem de ser um mundo onde haja o sustentar!

Existência

Penso que a existência humana é como um rio

Nasce numa fonte pequenina

Vai crescendo e se alargando

Num caminho impreciso

Atravessando obstáculos como caídas de cachoeiras

E vai traçando seu rumo dando ajuda e vida a tanta gente

Montanhas serras e vales e ribanceiras

Embora haja ações traiçoeiras

Não deverá desistir de buscar

Do seu caminho traçado

As vezes como enchente

As vezes sequidão no imenso sertão

Há rios caudalosos e enormes

Há afluentes destes mesmos

Vai neste incessante caminho

Até desaguar no Deus mar

Simples

Um pé de abacate só dá abacate

É simples assim!

Pode até adicionar engenho e arte

E minha cabeça pensa em mim

Retrocedo o que já passou

Entendendo o que sou

Na solidão minha mente voa

As vezes por vias sem saída

Só guardo coisas boas

Aprendi as diversas ramificações

Eu queria aprender a fazer canções

Que lancem sensações como um banho de cachoeira

E saltem para os céus!

Não quero escrever asneiras

Isto é só um derepente

Que não se perda ao léu!

O carvalho

Não recusarei desafio, minha mente é atrevida

Não penso em recuar

Embora só, conjugo o verbo amar

O futuro é hoje em minha Vida

Cuidar de mim mesmo é respeitar aos outros

E, quando o choro vem na noite fria

Como um carvalho resisto a ventania

E venço os estremos pouco a pouco

Pois o tempo e a solidão são meras ilusões

Assim

Por que acordar tão sedo ?

Só para ver o dia clarear na janela

Ainda que eu não veja o sol eu sei que é ele

Que a luz a todos ilumina

É tudo uma questão de ser e sentir a pele

Aquecida pelo calor pequeno neste inverno

Eu não uso terno nem ponho gravata

Porque sempre nasce o sol

É inexoravel que ele nasça

O Senhor quiz assim

Por você e por mim