Arquivo de outubro 2010

As coisas da vida

As coisas da vida passam numa bandeja

Coitado dos tímidos que não estendem a mão

Por medo da negativa do não

Esperto a olha e fareja

A oportunidade aos seus olhos

Inesperadamente ela se insinua

Os gaviões dão um rasante voo

E logo a deixa toda nua

Em suas garras oportunistas

Espectro de artista inveterado

O coração bate malvado

Palitando os dentes após a comida

Anjo também eu não quero ser

Quero olhar e ver, reter

Dizer palavras doces ao meu bem

Calmamente elevar-me as nuvens

Antes que caia do sono inebriado

 

 

É arriscado

Apostar no futuro sem numerário

É arriscado; apelo pra Deus!

Porque os erros foram meus

Minha vida, meu pão diário!

Não o que o diabo amaçou

Crente eu sou!

Não quero ser hipócrita

 Um erro dá lugar a outro

Quero meu espirito solto

Enriquecido de palavras boas

 Não quero andar atoa

Ser simples sem medo da verdade

Que ilumina minha mente

Mesmo que digam que sou um demente

Clara, as vezes obscura pela vaidade

Das pessoas que no fundo,

Amam mais o deus deste mundo.

Calado

O que fazer?

Quando tudo é escasso.

Quando os montes parecem inatingíveis.

Não há fonte no regaço.

E o conviver dos humanos é difícil.

Quando a inebriante vida é partida;

Embora eu chame a mulher com o olhar,

Não é o bastante para amar.

Minha vida, meus sentidos, são sonhos mal começados.

Embora haja frustação em minhas palavras;

Solto o tom além de uma oitava;

Pra meu espírito não ficar calado.

 

Futebol

Aqui no Rio o povo é mesmo fanático por futebol.

A seleção Brasileira jogou; e foi rojão pra todo lado.

Eu particularmente adoro futebol, mas não chego a esses exageros que vejo por aí.

É aí que os políticos aproveitam a ocasião para se promoverem na alegria do povo.

Pão e circo para o povo, já diziam os romanos. Mas o futebol é mesmo apaixonante; tirando

alguns exageros, o povo tem razão de festejar as suas partidas.

Isso faz me lembrar da época que eu jogava futebol como mais um garoto de rua. Bons

 tempos aqueles. Os sonhos, as fantasias que passavam pela minha cabeça de garoto.

Tenho saudades destes tempos. Minha doce ingenuidade de menino sonhador.

Tudo tinha mais cor, mais emoção. E os sonhos de ficar adulto e ser independente pareciam

mais simples.

15 de junho de 1998

Minha mãe é matéria

Minha mãe é matéria

Eu sou alma e coração

A flor despetala neste refrão

Quando o ego é atingido

Nossa mente se revolta e nosso coração cai em terra

O poder da palavra desloca o atingido

Como mudar uma mulher de setenta no seu rancor vestido

Quase toda hipocondríaca

Quase uma visão de mim medíocre

E os bons ventos se desviam para o nada

Eu piso na navalha para me equilibrar

Já cansei de tentar o impossível

Já cansei de me encurvar

Já cansei de perder o equilíbrio

O verde

O verde das árvores

Verdes de todas as cores

As sombras das árvores

Luz do sol fazendo desenhos na vegetação

Brilham as flores

Exalam perfumes tão doces sublimes

O céu que num manto azul

Faz um quadro perfeito pra observar

A vida fervilha

Insetos

Borboletas, asas a planar

E esse clima de paz perfeita

Enche-me de vida e esperança

Maio de 1998

Na Central

Na Central, Central do Brasil

Comida por um Real

 Vai e vem andarilho o povo alimenta seu martírio

Na travessia ariscada assenta o pé na calçada

Do povo que outrora já foi capital, o povo do Rio

Os camelos põem na desordem a ordem

O pipoqueiro  alimentando a pombada

Desnudam de fantasia na sua gíria do bem

Em passos que se cruzam

Na doce harmonia do samba

Trem, trem, trem

As casas que passam

As casas que passam.

Os prédios que passam.

As pessoas apressadas a cruzar a avenida.

O ônibus subindo a serra.

Do alto da serra dá para contemplar a cidade lá embaixo.

Lá embaixo as pessoas, as casas, os prédios, os carros…

A cidade grande fervilha de vida;

Vidas alegres, tristes, desencontradas.

Gostaria de poder retratar o que sinto;

Botar num quadro os meus sentimentos.

Talvez assim o talento flua inesperadamente,

E eu me descubra e descubra uma luz.

A luz que faz ver o que não se enxergava;

E talvez o mais certo é fazer o mais simples possível.

Pra que complicar, se tudo aparece confuso e esfumaçado na nossa frente.

Maio de 1998

Mãos

Na escola         num cartaz         mãos formaram            uma árvore

 

Essas             ferramentas perfeitas            feitas pelo criador

 

Nos dão             a idéia da vida           do homem possuidor

 

Das coisas que nos        amparam           no acalanto da dor

 

Imputando as digitais        em cada ação que se faz

 

Mãos podem tanto simbolizar a paz como a guerra

 

Podem colocar no alto a democracia na via

 

Do caminho de exaltação da alegria

 

Que a ditadura não enterra

 

Mãos que plantarão uma árvore

 

Da genealogia de nossa história

 

Feita de glória e inglória

 

Que a mão de Deus nos ampare!