Arquivo de 19 de outubro de 2010

Na Central

Na Central, Central do Brasil

Comida por um Real

 Vai e vem andarilho o povo alimenta seu martírio

Na travessia ariscada assenta o pé na calçada

Do povo que outrora já foi capital, o povo do Rio

Os camelos põem na desordem a ordem

O pipoqueiro  alimentando a pombada

Desnudam de fantasia na sua gíria do bem

Em passos que se cruzam

Na doce harmonia do samba

Trem, trem, trem

As casas que passam

As casas que passam.

Os prédios que passam.

As pessoas apressadas a cruzar a avenida.

O ônibus subindo a serra.

Do alto da serra dá para contemplar a cidade lá embaixo.

Lá embaixo as pessoas, as casas, os prédios, os carros…

A cidade grande fervilha de vida;

Vidas alegres, tristes, desencontradas.

Gostaria de poder retratar o que sinto;

Botar num quadro os meus sentimentos.

Talvez assim o talento flua inesperadamente,

E eu me descubra e descubra uma luz.

A luz que faz ver o que não se enxergava;

E talvez o mais certo é fazer o mais simples possível.

Pra que complicar, se tudo aparece confuso e esfumaçado na nossa frente.

Maio de 1998