Arquivo de 16 de novembro de 2010

Dia chuvoso

Dia chuvoso, tarde chuvosa;

sai de casa, com o meu chapéu,

entre poças d’água e a calçada, esburacada;

a procura de consulta, que não marquei.

A sala vazia;

cheguei atrasado;

na volta,

o ônibus saltitante;

o homem esquizofrênico com seu crachá.

 

Em outro ponto,

o menino sacodia a mochila

pro lado e pro outro;

o transito devagar,

eu a divagar

no “beijo tácito” de Drummond.

Café sem açúcar

Eu tomo café sem açúcar;

passar a noite em claro.

O escuro do café à luz da noite.

Eu dando açoites a meu sono

pro dia não nascer vago.

Faço meditação

como quem procura,

os óculos perdidos, pra enxergar;

e compensar

o abismo dos anos em vão.

 

A cadeira que me acento parece uma tortura;

desloco os ombros e a cintura (não serve pro computador).

Enfio a cara na tela, como

quem a luz de vela, se esforça pra ver o que está

na ponta do nariz.

Não sei se um poema,

não sei se só me queixo;

só sei que faço este desleixo, de escrever.