Arquivo de 24 de novembro de 2010

Momento

Não eu não alcanço!

estiro a mão pra pegar o concreto

dos meus sonhos

mas não alcanço

o navio num balanço se afasta

se torna um vulto na miragem do dia

como a vida procrastina!

sombras, vultos

olhares já não estudo

minha esperança

 

menino cadê a infância?

que outrora escutava o burburinho

com medo da vida e das pessoas

por trás da porta pela fresta eu olhava

as conversas de adultos que eram trapaças

ingenuidade na flor da dança de menino

como um quadrado cortado ao léu

menino cadê seu brinquedo?

homem cadê seu mundo?

se perdera em algum lugar

por trás do véu.

Que não fere

Como passei por desertos em minha juventude

desertos insertos,

vazios, não os de areia.

No meu sangue perneia

a vontade de correr,

até o corpo relaxar da inquietude;

tenho um ímpeto de quem nasceu no sertão,

uma explosão,

que não fere,

olhar humano.

Sinto no espirito de quem toca piano;

um toque no agudo, outro no grave

como harmonia suave

de quem ama a vida,

não importa

a porta fechada,

da palavra solta no ar.

Meus ouvidos ouviram,

mas, no coração não deixaram entrar.