Não eu não alcanço!

estiro a mão pra pegar o concreto

dos meus sonhos

mas não alcanço

o navio num balanço se afasta

se torna um vulto na miragem do dia

como a vida procrastina!

sombras, vultos

olhares já não estudo

minha esperança

 

menino cadê a infância?

que outrora escutava o burburinho

com medo da vida e das pessoas

por trás da porta pela fresta eu olhava

as conversas de adultos que eram trapaças

ingenuidade na flor da dança de menino

como um quadrado cortado ao léu

menino cadê seu brinquedo?

homem cadê seu mundo?

se perdera em algum lugar

por trás do véu.