Como passei por desertos em minha juventude

desertos insertos,

vazios, não os de areia.

No meu sangue perneia

a vontade de correr,

até o corpo relaxar da inquietude;

tenho um ímpeto de quem nasceu no sertão,

uma explosão,

que não fere,

olhar humano.

Sinto no espirito de quem toca piano;

um toque no agudo, outro no grave

como harmonia suave

de quem ama a vida,

não importa

a porta fechada,

da palavra solta no ar.

Meus ouvidos ouviram,

mas, no coração não deixaram entrar.