Arquivo de 27 de novembro de 2010

Vaga o sol

Vaga o sol com suas luzes

pisca no para-brisa dos carros,

incauto e andarilho,

pensamentos vagos,

quer andar nos trilhos;

trilhos sem cruzamentos sem cruzes,

pensamentos desalentos

trilha o caminho certo no incerto.

Por vezes surge do bolso

um pouso de passarinho,

afastei com meu celular,

a mente quer pensar,

mas pensar em quê?

Só me resta o caminho,

só me resta o contemplar,

amar e amar

o que está para acontecer

– entardecer.

Condicional

Por muito tempo morei na varanda,

exposto meu rosto tímido;

como vergonha do que não tenho;

não fiz o que minha cabeça mandava,

fui calado contido,

dentro de mim mesmo;

o borbulho da rua da vida ladeira;

encoberta,

pelo egoísmo,

cheio de ismos;

 

no porão uma igrejinha;

onde os outros descarregavam profecias,

fantasias, fantasias;

verdades que aparentavam no olhar,

o desabafar de suas carências,

onde a essência da fé,

visão da utopia;

sim, sim – não, não;

essa condicional, eu disse um não.

Minha casa

Fiz a minha casa guardada em meus sonhos.

Já comprei os tijolos,

onde o pedreiro

é o vento,

cimento e alicerces,

incertos imprecisos;

já planejei

os quartos,

o telhado,

pra nestes versos

não sair molhado

pela enxurrada;

com minha amada,

dançar uma valsa,

a valsa do amor,

sem vergonha ou pudor.