Arquivo de dezembro 2010

Exista

Faça de conta que o amanhã não exista

Que tudo é uma questão simples na vida

Afinal a liberdade é tão subjetiva

É possível ter liberdade entre quatro paredes

Como no debruçar em uma rede

O corpo no espirito se liga

Fazendo-nos transladar numa distante terra

O céu nunca se encerra

Erga as mãos como asas

E se deixe arrebatar pelo vento

Esteja sempre em movimento

E voe acima do telhado de sua casa

A casa nosso ninho de passarinho

Desperte para o amor e seu caminho.

Anoitecer

Céu cinzento com chuvisco

anoitecer no verão

a brisa refrigera a estação

 

digas-me por que não gostas dos meus ditos?

minha vida gira ao meu redor

são carros luzes movimento

o comercio

faço tudo pra evitar o tedio

 

eu um sobrevivente de coração sonhador?

vejo meu vulto no vidro dos carros

as vezes me pergunto pra que um coração tão sincero?

se o que eu mais quero

não esta junto de mim

 

às vezes sou Don Quixote

moinhos de vento girando girando sem fim

as vezes um homem forte

mas que guarda dentro de si

o medo tremulo do desamor.

 

Quando

Quando a primavera chegar

Tu saberás

o quanto custa no inverno esperar

 

Quando o sol se pôr 

Tu saberás

O quanto custa esperar um amor

 

Quando despertares

Saberás que uma noite inteira passou

E a noite não tem sabores

Para quem não se aconchegou

 

Quando as flores brotarem

Então saberás

Quando elas desabrocharem

Saberás

 

Então sorrirás

E não pensarás

o quanto e quando olhastes pra trás.

O tempo e o espaço

Passeando pela folha de papel

passeando pela cidade

com presentes de papai Noel

importado do norte

 

o polo norte não é aqui!

não há neve!

tudo ferve!

tudo é um borbulho do povo

a iniciar um novo ciclo

 

o tempo e o espaço

rasgam o calendário

 

um celular…

um tênis…

um computador…

umas roupas novas…

 

afinal tudo de um numero novo 

estará vestido…

por baixo o corpo do passado.

Dentro do ônibus

Dentro do ônibus

escutei uma “caixinha de música”

estava cansado e faminto

pela luta do dia-a-dia

mas num viajar da mente

senti o meu peito mais leve

pensei que na vida

ainda que breve

há lugar num derrepente

imaginar-se num mundo que fosse mais humano

sem lugar no coração das pessoas

a hipocrisia do egoísmo

sei que pareço ingênuo e carente

mas meu coração só busca essa via

de pensar de uma maneira melhor

sem raiva

engano profano e tristeza de dó

há sempre tempo de recomeçar

revigorar o amar

desfazer os nós.

Ninguém quis

Procurei afoitamente vender

uma peça de celular

 

sol a brilhar

causticante

sem ceder…

 

andei…

transpirei…

 

ninguém quis

o dono da loja de informática

o dono da loja de celulares

o dono da lan house

o dono da locadora

o dono do bar   

ninguém quis

 

desanimado…

voltei para o lar

de súbito pensei oferecer uma vez mais

cansado…

 

quem me comprou foi a vizinha do lado.

Transparente

Sou tão transparente que às vezes

pareço ser translucido.

O fazer versos é o derramar do que tem no peito,

mesmo com seus defeitos,

mesmo com seus efeitos;

como o traduzir os lados de nossa vida,

de nosso cotidiano,

num desafinar de piano,

num arrebentar as cordas de uma viola.

Discorrer num poema

é como contar uma historia

comparando o que não tem comparação,

é uma ação,

uma atitude

pra quem tem virtude;

um sopro de vida nos ouvidos do espirito,

guardar as palavras

transforma-las em suspiros.

Em meus pensamentos

Meu mundo é o meu bairro

meu caminho é minha rua

sou eu um universo

ele flutua

em minha mente

um mundo criado por mim

viajo com meu pensamento

onde coisas boas observo

na esquina de um jardim

que plantei ao longo dos anos

posso disser que sou novo

posso disser que sou criança

aprendendo a andar

na agonia do sol

solitude

solidão

não sei tocar violão

arranho só as cordas

da estrada do tempo

o tempo que não se reconhece

em meus pensamentos

posso ir a Moscou

posso ir em meus olhos

refletindo a janela do que sou.

Brasília

Brasília

parece uma ilha

envolta de agua por todos os lados

agua insola

burocracia

a pedra tangível de Niemayer

num mundo intangível  

nesse País gigante

fazem elefantes brancos

verde

azul

amarelos

os homens com seus ternos

por trás de discursos

por trás dos gabinetes

essa questão vai ser analisada!

não tem numero para ser voltada!

arrogantes

empurram com a barriga

nossas vidas

até a próxima eleição.

O céu cinzento

O céu cinzento sem azul

ando pelas ruas estreitas no lugar onde moro

                 vai chover não vai chover

                 minha epiderme sente o ar molhado

plaquinhas nas casas

vende-se cloro

vendem-se salgados fritos ou gelados

eu sigo os meus passos que têm memoria

                  sou eu um contador de historias?

                  ou fazedor de simples versos?

nas pequenas coisas um universo

como são belos os flamboyants

nessa época do ano

tento seguir meus planos

                  mas tudo é um procrastinar

só me resta o andar

ver o homem do ferro velho a quase não poder puxar o carrinho

ando em busca de carinho

que cai da chuva em forma de chuvisco

eu não me arrisco

faço contas do ano que passou

mas minha conta esta no negativo

          fazendo-me esquisso.