Arquivo de 8 de dezembro de 2010

Minha mãe

Acordei às quatro da manhã,

pra levar minha mãe

a rodoviária;

pra embarcar às dez;

foram nove bolsas,

nove cargas;

dentro do ônibus lotado,

entre reclamações,

minha mãe achava normal

carregar nove bolsas, malas,

dentro do veiculo cheio;

há quem chame as mães

exageradas…;

por mais que nos aborrecemos,

por mais que brigamos,

por mais que o falar mudo,

se torne torturante;

eu digo,

repito,

e grito:

vai minha mãe, segue adiante!

Menino pobre

Estava brincando;

não me recordo com o quê,

mas de uma coisa

o tempo não me fez esquecer;

sentada no banco do carro a garota rica

pra mim sorria com os lábios,

num olhar generoso;

não sabia o que fazer,

se falava,

se encarava,

se dava um bom dia;

fiquei sem jeito,

por não ter jeito no meu corpo magro;

disfarcei;

o coração na boca;

era demais para um menino pobre e só;

com  amigos, na rua de cima,

amigos de bola entravam de sola;

buscando alternativas, sonhava,

andava e andava, em busca de horizonte;

o nascer do dia era minha esperança,

antes que o anoitecer me fizesse adormecer.