Durante muito tempo morei no nordeste

a abertura e doçura de suas meninas

durante muito tempo morei no nordeste

minhas mãos tremulas por ter matado um passarinho

durante muito tempo morei no nordeste

riam de mim

da minha fraqueza

fraqueza de menino molestado pela rudeza

me encantava pelo canto dos vaqueiros

seu cantar meio que triste nostálgico

em celebração ao boi

já não podia andar em suas ruas

por exigirem de mim menino

a virilidade lucida de homem

não sabiam que na minha mente obscura

a delicadeza seria a cura

interno dentro de mim

o bem maior ou a loucura sem fim.