La fora brincam as crianças,

já não brincam de amarelinha,

pião,

bola de gude,

já não tem no coração a virtude

do que é singelo e belo;

anseiam por coisas novas,

um brinquedo atrás do outro.

 

Na minha infância pobre

quase não tinha brinquedo,

brincava com palitos com os dedos…

 

sempre fui do subúrbio,

no subúrbio eu cresci,

aprendi distante do que se diz “cidade”.

 

Os adultos…ah os adultos!

incumbiam de enfiar preconceitos

pra quem tem singeleza no peito

satisfazer a sua pobreza do defeito,

o defeito de ser adulto.