O céu cinzento sem azul

ando pelas ruas estreitas no lugar onde moro

                 vai chover não vai chover

                 minha epiderme sente o ar molhado

plaquinhas nas casas

vende-se cloro

vendem-se salgados fritos ou gelados

eu sigo os meus passos que têm memoria

                  sou eu um contador de historias?

                  ou fazedor de simples versos?

nas pequenas coisas um universo

como são belos os flamboyants

nessa época do ano

tento seguir meus planos

                  mas tudo é um procrastinar

só me resta o andar

ver o homem do ferro velho a quase não poder puxar o carrinho

ando em busca de carinho

que cai da chuva em forma de chuvisco

eu não me arrisco

faço contas do ano que passou

mas minha conta esta no negativo

          fazendo-me esquisso.