Arquivo de janeiro 2011

A poeira da estrada

A poeira da estrada

a poeira do asfalto

um motorista não pode ser incauto

veloz caminhão na faixa asfaltada

 

O motorista movido a rebite

o caminho é apetite

de se fazer chegada

para o dono da caravana

 

Meu Deus como o vento leva

o tempo que ficou por trás de uma choupana

a beira da estrada há venda de tudo

atalhos entre as serras pro futuro

 

Cidades povoados sotaques diferentes

é uma variedade de gentes

acometida de isolamento

transpor fronteiras ao sabor do vento

 

A lona do caminhão solta a dizer adeus

o País carregado nas costas meu Deus

para os motoristas que carregam nas veias

o cheiro da gasolina e pneu que margeia

 

O País é só rodovia que se desfaz do trem

os vagões são um comboio de caminhões roda e luzes

num fluir e luzir veloz

mão dupla que se duplica num vai e vem.

Gente

Eu preciso de gente,

antes que o tempo me negue

o que de bom em mim ficou

na minha vida

que me fez como eu sou.

 

Não tenho nada mais que a vontade de vencer

a mim mesmo com meus defeitos,

pois quero pra mim o que é de direito.

Por dentro do eu o tempo e o espaço me faz um simples ser.

 

Fechado no quarto à porta o espirito

batendo, batendo pra querer entrar,

mas o espirito só quer o amar

a mim mesmo e a todos.

 

Eu amo tudo sem surto,

mesmo que pareça mudo.

Meu sentimento se expressa em meus versos,

as vezes comprimido as vezes um universo.

 

Planetas que giram em torno de mim,

um deles emoção outro solidão.

Outra amplitude que me remete assim,

além de mim,

o querer viver um mundo mais humano. 

Frustação

De frustação de amor sei que não vou morrer.

Quem dera no coração de alguém puder florescer

o que se tem de apreço de amor que eu mereço,

tornando a vida mais leve incandescida no peito.

 

Minha vida meus desejos parece um distanciar;

conjugo o verbo amar na primeira pessoa do singular,

mas num momento urge o que de urgente parece escasso

numa trilha encoberta não sei seguir o próximo passo

 

que de úrgico no meu peito aperta

o coração surpreendido pela negativa do não

pula de menino a calada emoção

e se esconde por trás da porta a olhar pela fresta.

Na beira da estrada

Eu pego carona no tempo

um caminhão em movimento

a vibração do motor

o galopar de um cavalo que escapou

 

do cercado onde estava preso

a liberdade meu apreso

uma sombra furtiva no caminho

os carros a passar veloz passarinho

 

eu subo num umbuzeiro e me tenho lá no alto

do vulto veloz onde passam pelo asfalto

eu pego os frutos de vez despois faço umbuzada

eu quero assim um cantinho furtivo na beira da estrada

 

menino ativo que nunca nadou num açude

coisas que não ficaram no passado

do coração que só quer ser amado

no Rio de Janeiro onde encontrei atitude

 

de escrever simples versos

mostrar meu reverso

sem retrocesso

onde deixei meus simples passos.

Esperança

Eu faço tudo errado!

assim diz minha mãe

mas acordo nas manhãs

e me sinto um vencedor

não importa o dinheiro raro

não me importa que a espera está me saindo caro

minha vida meus sentidos pedem pra ser ganhador

do jogo da vida

sei que sou ingênuo

mas isso não diz que vou ser perdedor

no ano que vem vai ser tudo diferente

por que não mudar de repente? 

vida de sonhador

isso me deixou cicatrizes internas

por não me conformar com a mediocridade

faço de conta que minha luta é pequena

como um animal que despreza o oponente

como um pescador que ajeita o anzol

tudo é novo pra mim a cada nascer do sol.

 

Vísceras

Sei que poderia escrever poemas

onde exponho vísceras humanas

onde o desconforto mortiço

faz-se nisto maldito

 

o sangue jorrando pelos poros

fazer-se carnificina como manchete

de jornal onde todos olham

no bairro nobre ladra o pivete

 

expor não sonhos mas a crua realidade

pobre mas permeada de morte e vida

onde a lama da maldade

se faz agente na gente oprimida

 

expor a tragédia de cada dia

onde os vizinhos cospem o cumprimento

não havendo alimento da alegoria

nem o respirar suave do peito

 

sou eu o agente que gera a lida

onde a esperança se torna alivio

o vento sopra nos ouvidos

dizendo que o sonho é balsamo de oliva.  

   

Leve

Eu toco os teus ombros e tua cintura;

para onde vão os teus desejos de mulher?

paixão e proteção,

não sabes se sim ou não?

meu toque é singelo,

um convite para a dança

do amor a esperança;

feche teus olhos,

no sentir do toque;

eu já disse tudo,

mulher;

dou minha proteção

e meu sentimento;

tu sentes na pele

a delicadeza de ser

mulher,

no toque leve.

Meu barco

Eu revelo meu barco,

que percorre as fronteiras,

onde não há cercas,

não há mal me quer;

não há o intrincado medo da verdade.

Os ventos empurram para os rochedos,

onde cantam as sereias com suas ilusões.

Meu horizonte aponta para o sol,

pois a tempestade às vezes me encobre;

os ventos às vezes rasgam as velas

num dilacerar de sentimentos afoitos,

mas não me desvio da rota.

Meus sonhos não são pequenos

comparado com o que tenho,

meu horizonte é sem fim.

Tente, tente, tente!

Viajante solitário!

No mar do mundo haverá um arquipélago,

onde pássaros cantam cantos todos os dias.

Ilusões

Se eu chorar não me deixes só

nesta penúria de fazer dó

o vazio me invade

com maldade

 

a vida toda um labirinto

que não consegui escapar

do que adianta ser limpo

debaixo do tapete o verbo amar

com minhas ilusões

de pobre andarilho

que anda nos trilhos

 

a mente cheia de precauções

eu invejo Carlitos vagabundo

em preto e branco

não sente a agonia pela garganta

estremecendo no peito

 

meu nome?

esperança

do que vai acontecer

fazer-me uma dança de criança

sem musica pra ouvir

 

lá fora o sol

eu vejo caminhos para percorrer

eu sou Carlitos urbano

no preto e no branco

o radio dança dança.

Equidistante

Minha mente equidistante

da pessoa na internet

que solta um não

sinônimo de negação

 

tão forte que derrete a neve

do outro lado do mundo

nesse conversar mudo

nesse software leve

 

msn sem rumo resumido

o som do teclado

impresso em meus ouvidos

eu passo horas calado

 

no contato virtual

desejo feliz natal

desejo feliz ano novo

no respirar do povo

 

fechado na lan house

na cabine manuseando o meu mouse

na tela refletida pelo monitor

sou mais um dependente do computador.