Arquivo de fevereiro 2011

Desabafo

Fiz de minhas poesias

meus desabafos de cada dia.

Expor o sentimento humano

com seus planos, seus dilemas

onde o ser é o tema,

e a esperança

era o vicejar de cada dia.

Valorizar o homem

onde o pó da terra caída sobre os dedos

sem segredos para vida que todos sentem;

mas o que parece vicejo

é um descarregar de neurônios

do sentimento humano.

Não é assim que sentem as pessoas,

parece que pesam alguns que isto é de gente atoa;

não valorizam o sentimento expresso em versos,

se esquecem que o ser humano é uma folha que seca,

(esquecendo o homem vestido de terno)

uma palavra dita a seu tempo pode ser eterna.

Automóveis

A rua é dos automóveis. 

O pedestre não tem preferência;

a calçada é dos automóveis.

E quem tem assistência?

 

A propaganda é dos automóveis,

disputando com as mulheres nuas.

Eu tenho medo de andar nas ruas,

pois as ruas são dos automóveis.

 

O carro é status,

é poder…

O carro buzina,

tirando minha auto estima…

Quem quer vencer?

 

Compre um automóvel!

Que polui.

Quem evolui?

Só quem tem automóvel?

 

Tenho minha carteira vencida,

mas quem se importa,

não quero ser homicida…

Olhando por trás da porta

do automóvel,

imóvel…

Incidente de insanidade metal.

 

Pois no futuro as ruas,

as calçadas

já não serão dos automóveis;

serão irreversivelmente dos pedestres,

das crianças

nuas

da couraça

dos automóveis.

Universo

O universo tem ralos, viajantes pontuais,

corações que pulsam espalhando luz pelos ares.

Ele se dobra como borracha

encurvando a luz como bêbado numa praça;

quisera eu viajar como os cometas

me desviar dos buracos negros

que a tudo suga.

A mim me cabe uma simples curva

do caminho estrelado pelo sol

e perfazer o caminho bem sóbrio

renascendo e trilhando sujeito ao tempo,

que tem suas próprias leis como o universo

e a gramatica que nos sujeita nos versos.

Ou ela é de nós sujeita abrindo luz

no nosso próprio peito.

Muriçoca

Muriçoca sanguessuga,

gruda na pele igual verruga,

se enchendo de sangue;

até virar uma bolha grande.

 

O foco delas é o esgoto,

agua parada ou poça d’agua.

Na mínima distração pica no corpo,

preferindo o calcanhar igual cobra.

 

Não sei pra que existir inseto

tão repugnante…  

Uso a mão de chinelo.

Assim, não sobra sangue pra transplante.

Bar

Vida de vendedor de bar

Num entra e sai de pessoas, muitas atoa

Sempre há um cachorro a espreitar

Num dialeto a disser qual foi a boa

O time que perdeu ou venceu

Culpa do juiz ou do goleiro

Qual foi que fez mais gol, o artilheiro

Necessário o desabafado cenário

Quem não tem dinheiro é otário

Saem os petiscos os rápidos de comer

Inchando a pança de quem come e bebe

Às vezes sai uma saideira pra resolver

Anda na linha bebe e segue

Padaria e bar são quase sempre de “Português”

Tem que ter um atrativo pra ganhar freguês

Maquininhas de jogo, uma tevê

Pra quem quer ganhar ou perder.