Opostos estremos que nos faz espantar,

que nos deixa perplexos nessa vida que num vulto passa.

A sociedade dá valor ao super, ao mega, enquanto esquecemos

o que de mais singelo pequeno e que nada paga,

dar a mão a alguém que caí e não consegue se levantar

e amar e amar, pois no amor verdadeiro não há valor;

não há nada que compre um sentimento

que num momento nos faz abrir um sorriso espontâneo.

A satisfação de servir e ser recompensado,

rompendo o egoísmo humano, o cadeado.

 

A cidade borbulha na necessidade de servir;

no grito da van para o passageiro,

no grito do camelô, o alto falante;

cada um a vender o seu peixe

na busca incessante por dinheiro

antes que o mar inunde ou seque

e tudo se acabe num terremoto

e não haja mais o povir.