Sinto-me como um pé de frutos esquecido

escorado num muro alto, os seus frutos caindo

desperdiçados e apodrecendo no chão;

mas ainda pulsa o desanimado coração

 

que no peito esvaziado, sentindo-se pobre coitado,

na aparência se mostra apertado

como se na vida perdesse o valor.

Mas um pé de frutos quando podado

na sua dor

 

regenera-se como um parreiral,

produz o vinho que envelhecido

para os que são entendidos

nobre se torna, no que parecia mal.

 

E como na vida se dá valor ao novo,

ideias, preconceito do povo,

onde o novo parece viçoso

por ser em boa quantidade

esquecem do que com o tempo,

no paladar é qualidade.